"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

terça-feira, outubro 27, 2009

Tesouros do Património Desprezados






A incultura, a ignorância e o desprezo pelo passado, de uma parte dos cidadãos e dos responsáveis autárquicos, produzem aberrações, ao invés dos belos postigos e gradeamentos de ferro forjado que resistem em algumas artérias. Das belas mãos ferro para bater à porta. Dos anjos moldados para embelezar e guardar janelas (e habitações) dos males do Mundo. Dos prédios pombalinos, que o abandono invade...
Lisboa tem ainda alguns destes materiais, mas há ruas completamente arrasadas, saqueadas, onde só encontramos portas de alumínio anodizado, de um brilho que agride, de um vazio que fere. Como é possível, ao contrário do que foi feito em Faro e Loulé, deixarem o centro da cidade descaracterizar-se, perder uma identidade forte, permitirem que jóias de arte, oriundas de forjas extintas tivessem sido retiradas e no seu lugar surgirem portas de vidro e alumínio abomináveis?
Um exemplo: a porta do prédio onde nasceu Fernando Pessoa!
Lisboa - que tenho percorrido num escasso período de férias, que vai coincidir com o meu 57º aniversário - entristece-me, pela falta de atenção das Juntas de Freguesia e da Câmara Municipal, relativamente ao património imperceptível.
Tínhamos tesouros únicos nas portas. Um dia destes acordamos e as entradas dos prédios estão todas forradas de alumínio de todas as cores, vomitando mau gosto.
Luís Filipe Maçarico (texto e fotos)

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