aguas do sul

"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

quinta-feira, abril 08, 2021

os dias

 


Entre gelos e lumes, dos diospiros às ameixas,/ esgotaram-se sem sentido, os dias./ Segredam-te que os sonhos morreram./ Ferem-te com a falta de esperança./Perdes demasiado tempo a riscar vocábulos/ arrastas as horas e não vislumbras/ um escasso sinal de futuro./ Sugerem que escrevas desabafos e tentes suster paredes que desabam/ esperas por sinais perdes o olhar/ no horizonte e apenas percebes que/ as rimas novas tardam em acordar...

28-3-21
Luís Filipe Maçarico
[fotografia de Cristina Pombinho]

quarta-feira, março 17, 2021

POEMA PARA A MENA BRITO


 Muita gente medita nestes tempos

em que o futuro demora a florir

Alguns celebram estevas e papoilas

renascidas - mas onde os sonhos?


Toda a gente anseia dias melhores

mas o horizonte desejado

atrasa-se na caminhada...


E de repente, um Ser Humano

de Voz Luminosa,

Pintora Singular e Corajosa

Irrompe na tarde.


Sinto a força das suas sílabas suaves

a cor da vida, telas de esperança

por pintar

- e tento respirar a Poesia, que espreita,

enquanto a Primavera avança.


Luís Filipe Maçarico (poema e fotografia)

17-3-2021

quinta-feira, março 04, 2021

MÚSICA PERDIDA

 


Nos brumosos quintais

destas horas chuvosas

onde se arrasta o inverno

o vaivém dos pássaros vadios

imprime na paisagem

a escrita de uma pauta

de música perdida...


Luís Filipe Maçarico

4-3-2021

MELANCÓLICA CALIGRAFIA

 


Vejo os melros sobre os telhados

das velhas casas, saltitando na

chuva da tarde, como se fossem

pontuação em melancólica caligrafia

derramada sobre o tristonho

caderno destes dias (sombrios)...


Luís Filipe Maçarico

4-3-2021

quarta-feira, fevereiro 24, 2021

O GRITO DAS GAIVOTAS

 




Pairam nas ruas cinzentas

de Fevereiro, as gaivotas.

Teimosas, as palavras procuram

estrelas, versos solares, uma esperança.

Tempo de riscar páginas. Os sonhos tardam.

Onde estará a Poesia?

Chuva e vento desenham sombras.

Nos telhados permanece o grito

das gaivotas. No céu destes dias

escrevo luz contra o silêncio.


Luís Filipe Maçarico

11-2-21

QUERO ACREDITAR


 Quero acreditar nos crepúsculos

mágicos que já tive em abraços 

de Mar.

Quero teimosamente crer que a Poesia

poderá superar as trevas destes dias.

Quero acreditar no regresso dos sonhos

projectos e afectos ausentes.

Quero acreditar nas alvoradas

por respirar e deixar de riscar

tantos versos sem asas.


24-2-2021

Luís Filipe Maçarico

terça-feira, fevereiro 02, 2021

TORMENTA



A casa está mergulhada num silêncio que me apraz.

Penso na dureza do confinamento. Na memória que - será do cansaço deste passar o tempo sem proveito? - que em mim era uma qualidade e agora começa a baralhar-se.

Penso na ignorância dos que nunca leram um livro e em situações como as actuais estão a passar muito mal, pois o sonho e a esperança que muitas páginas guardam não podem ser fruídas por quem só conhece presságios e diz que está escrito que estamos a chegar ao fim dos tempos.

Penso nas doenças graves que não podem ser tratadas, por causa da invasão da pandemia.

Penso nas vacinas, que são usadas indevidamente, enquanto morrem centenas de pessoas por dia.

Penso na situação terrível de governar agora, com tantos obstáculos, mas também  nos que aproveitam o momento [monopólios farmacêuticos] para enriquecerem descomunalmente.

Penso na pequenês do país. Na ansiedade umbiguista de chegar a minha vez, nos longos dias que decorrem  tentando proteger-me do vírus. Desta Tormenta.

Penso que é melhor continuar a ter a televisão fechada, para não ter de suportar a indignidade dos que se dizem jornalistas e essencialmente transmitem terror, medo, números de infectados e mortos, quase sem mostrar os casos de quem foi bem tratado, como se meter medo fosse a sua função castigadora contra um povo que elege espelhos e age muitas vezes sem perceber o mal que faz a si mesmo.

LFM Texto e fotografia)