aguas do sul

"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

segunda-feira, fevereiro 16, 2026

SARA TIMÓTEO, COMPANHEIRA DE SONHOS

 


Graças ao poeta João Mendes Rosa, conheci a Sara Timóteo - em julho de 2015 - na quinta daquele então co-organizador do Encontro Transfronteiriço de Poesia, Património e Arte de Vanguarda em Meio Rural, onde jantámos e pernoitámos para seguir em viagem até à bela Salamanca, onde nos quedámos extasiados na Plaza Mayor, antes de nos dirigirmos para o Ayuntamiento de Morille onde durante um fim de semana se realizava o 13.º PAN.

Escrevi isto no meu blogue:
"Sara Timóteo, companheira de viagem, poetisa convidada pela organização, já com vários títulos publicados, apesar da sua juventude, ajudou-me num lapso. Chegado a Morille, percebi que ia vivenciar uma experiência comunitária. Refeitório colectivo e camaratas, no Albergue dos Peregrinos. Nem sequer levei toalha.
Fruímos, nesse Verão, de poesia nas paredes, fomos ao poetódromo e, graças ao Carlos Abreu, celebrámos a "última morada", vídeo-testamento de Leandro Vale e um teatro de fantoches pelo grupo Casa Nova sobre o 25 de Abril no cementério de Arte.
Um dia, fugi do molho cor de laranja da cozinheira Rosa, com a qual a Sara (à moda de Gil Vicente) tentou aproximar de mim - suposto namorado anónimo - e fui tentar melhor na tasca da Isa. Contudo, o petisco idealizado (uma qualquer tapa) vinha embebido no tal molho (gordurento) cor de laranja da cozinha comunal.
Ao PAN de 2017 (15.º Encontro) sugeri a ida até Morille de Rodrigo Dias (que apresentou a exposição "O minotauro e lendas da minha terra" numa "cochera" onde as telas foram expostas, com suportes ligados à ruralidade: trilhas e manjedouras.
Nesse ano, a Laurinda Figueiras foi apresentada, com a obra em co-autoria sobre José Figueiras, seu pai, "Por feitiço, por magia".
Em 2018, propus Fernando Duarte em Morille e apresentei o seu livro "As palavras que faltam".
No XIX PAN em Morille, Sara Timóteo, companheira destas andanças, fotografou a apresentação da minha antologia "Na manhã azul acorda para cantar". Escrevi nesse tempo sobre a participação da Sara: "Sara Timóteo, uma das grandes surpresas deste festival [e encantamento] pela poesia luminosa e original, fez a apresentação de um belo livro "Os passos de Sólon".
Entretanto, a versão portuguesa do PAN criado por Manuel Ambrosio Sánchez Sánchez passou de Carviçais a Vilarelhos. Lembro-me de a Sara chegar a ir áquela aldeia de Alfândega da Fé, vinda de Mirandela e, noutra vez em que não pôde estar, li um poema do seu livro "Romances" que ficou numa rua daquela terra onde a poesia floresce.
Ainda voltámos a Morille, onde estreámos - eu, a Sara e a Laurinda - uma casa de turismo rural (Vila Manfarita de Thais Fortuna), tendo partilhado todos momentos de fraternidade e paz que são marcos de um companheirismo inesquecível. Todos os amigos que mencionei interagiram e continuam a interagir com a Sara.
Conversámos sempre bastante ao longo destes felizes encontros anuais. A Sara partilha saberes e tem um nível cultural fora de série. Sabe crioulo e ainda me recordo de lhe ter perguntado o significado da reza colectiva de um grupo de brasileiras acompanhadas por um rapaz sarahoui que conduziu uma burra e do por quê da fulana que urinou de pé para uma cova onde deitaram esconjuros. E sobre tudo ela me elucidou, espantando-me. A Sara é o exemplo de quem não desiste perante a adversidade e regressa sempre para enfrentar os escolhos que a vida espalhou no seu caminho.
Quero deter-me agora na sua poesia. E cito a pág. 24 de Nomologia: "O grito jamais cessa/no interior dos meus gestos" (Fogo negro) e destaco na pág. 56 "Febre": "Só é meu o grito/que lancei ao vento". Sara Tióteo exibe o domínio das palavras e grande mestria na síntese das emoções contidas em Nomologia. Na badana, a autora pergunta: "Existirá uma poética do luto?" 
Na sua antologia de "Dispersos" publicados desde 2011, diz que "os amantes da poesia procuram/o compasso simples de todas as coisas/ quando nascem/e morrem" (2014, p,16). Para Sara, "todo o poema é uma cavalgada sem fim/pela Eternidade" (p. 23, "Esfera").
Revejo-me na sua escrita singular.
"Os poetas morreram de sede/as máquinas tomaram conta das palavras/e penduraram as sílabas no estendal. Amanhã, passarão os homens a ferro." (p. 71).
A poesia e a forma de estar, a vida da Sara têm ritmo, musicalidade, a névoa de Pascoaes e a maresia triste de António Nobre espreitam.
Na terra madrasta, com a luz coada das sílabas, surge a magia da avó Ernestina "Sobreirinha" do meigo, esplêndido húmus das palavras cantadas entre a sombra e o secreto rumorejo dos búzios. Visualizo o nácar do sorriso da outra avó e detenho-me em duas estrofes:
"Construí para mim uma casa
Onde os pássaros não morrem" (p.86)
E chego a Romances, onde recolho da página 87 um poema em francês:
"Même le ciel ne peut arrêter
tout a qui doit mourir"
Da Sara Timóteo podemos dizer que as suas aparições são sempre "o regresso da guerreira":
aquela miúda resistente que reencontrei ao revisitar os livros que partilhou comigo, com a ternura e gentileza de quem não vive sem o Outro. Renascendo no voo das palavras para construir o templo da poesia. Com o sonho, cantando a luz, nos lábios do Mar. Bem hajas, mágica rapariga, por escreveres Amor nas páginas do nosso destino!
Luís Filipe Maçarico
29-31/01/2026

Intervenção na sessão em honra da autora Sara Timóteo, na Biblioteca Municipal da Póvoa de Santa Iria (Palácio de N. Sª da Piedade)
Agradeço à Sara a gentileza de me ter digitado este texto, que lhe entreguei manuscrito.



quinta-feira, fevereiro 05, 2026

Tanta Água Desperdiçada

 Título do "Público" na passada segunda feira 2 de Fevereiro de 2026:

"Barragens libertam água que equivale ao consumo de Lisboa em três anos"

LFM

terça-feira, fevereiro 03, 2026

Os Abomináveis e Agoniantes Comentadeiros Tudólogos

Primeiro foram os longos meses do Covid.

Uma vez desaparecidos, vieram esbaforidos desde quartéis e bunkers, os novos comentadeiros tudólogos. A pronunciar-se acerca da Ucrânia e de Gaza.

Entretanto, na CNN e na rádio Obsevador, eles chegam ao ponto de darem notas, quando se referem aos políticos portugueses. São tantos e tão ávidos de aparecer, que já não se aguenta o ridículo em que caiem todos os dias, explorando vitórias inexistentes , que só eles enxergam.

Devia haver uma desinfestação, a começar pela Orca e acabando nos fanfarrões e naquela indizível fulana com apelido de contorcionista de circo, cujas opiniões lembram os arriscados exercícios da mulher serpente que se atirava de costas nuas para um montão de vidro, subia uma escada de espadas descalça e enlaçava víboras  no seu corpo, com fato de banho repleto de lantejoulas, a cuja performance assisti no Coliseu dos Recreios.

LFM


Futebol na rádio

Há muitas semanas que as rádios alteram a programação normal para passarem consecutivos e cansativos relatos de futebol.

Constantemente, eu que sou um radialista desde miúdo, vejo-me obrigado a rodar o botão para a antena2 que felizmente apresenta a grande música clássica e jazz.

De facto, é a taça, é o campeonato, são os milhentos jogos com clubes europeus e como nunca sucedeu, nem no tempo do fátima, fado e futebol, esta modalidade sobrepõe-se a todos os desportos, mesmo nas rubricas ditas desportivas, com entrevistas e comentadeiros que incidem sempre no futebol e quase nunca no basquetebol, no andebol, no atletismo, no judo e nas milhentas práticas, associações, clubes e atletas de tantas outras áreas desportivas.

É excessivo. No mínimo é o que consigo dizer, enquanto protesto pela presença desmedida de treinadores, presidentes das SADS, futebolistas como Ronaldo e os inevitáveis especialistas.

No anúncio de uma dessas rubricas, um dos "entendidos" afirma: "eu quero é  futebol; o resto é conversa!"

LFM (texto)

Intervenção de Rodrigo Dias na celebração da vida e obra de Sara Timóteo na Biblioteca Municipal de Póvoa de Santa Iria

 



Falar da poesia da Sara….

 

 

A tua poesia não se aquece no micro-ondas para que possa ser mastigável

Não é oferecida a troco de um desconto qualquer em cartão ou lida ao domingo porque na segunda vai aumentar de preço

Não é redondinha nem bonitinha, nem tontinha para se servir à hora do chá

Não percorre o caminho da fama calçada com chinelos de enfiar no pé, nem dá para desligar à hora da sesta

Não se estende no estendal para que possa corar

Não se outorgas “dona da poesia”, os teus versos são oferecidos em troca de nada

Não nos entra no corpo em forma de vírus e nos mata pela mediocridade como tantos outros que nos cospem a suas vaidades de iluminados que vivem na escuridão dos espelhos.

Não é onda nem mar não vem na Wikipédia como onda gigante que serve para estar à venda em forma de souvenir a reformados estrangeiros que só sabem dizer “bacaliau”

Não entra em tuk-tuks desalmados e barulhentos nos nossos ouvidos, “olha pede um Uber para chegar ao coração da vaidade”

Não tem árbitros que prolongam o tempo até que ganhe quem eles querem na cegueira convencida de que fechar os olhos é uma intermitência do destino anunciado

Não é uma feira em que dum lado temos livros vestidos em lingerie que nos prostitui o pensamento e do outro livros com capas com gatos desenhados porque nas redes sociais os editores perceberam “é o que está a dar”

Este texto vai ter erros e mau português que não quero corrigir porque a vida não se pode apagar e reescrever

E foda-se, que a tua poesia não é nada disto, nem tu.

 

Rodrigo Dias

sexta-feira, janeiro 23, 2026

A VOZ DO DONO


Neste espaço nunca ninguém leu qualquer opinião acerca dos dirigentes ucranianos (em parte demitidos e ou foragidos por corrupção), oriundos da comédia da vida.


Poroschenko, Timochenka e quejandos foram tornando o território em palco da actividade de oligarcas onde o "Servo do Povo" apareceu para resgatar um povo do triste destino onde naufragou ao escolher o intérprete de uma duvidosa política.


Hoje, no café de bairro que frequento desde 2016, uma das senhoras com quem convivo e troco opiniões, indefectível defensora de Zelensky, partilhou a revolta que sentiu ontem ao ouvir o ex-comediante a atacar a Europa, insultando, enquanto voz do dono, a união de países, onde se encontra o nosso - que acordaram fazer-lhe chegar noventa milhões de euros, alegando que os europeus falam e não cumprem. 
No mínimo, e coitado daquele povo, que tão desgraçadamente governado tem sido, o condottieri é mal agradecido e ingrato, como sempre.

O enorme aumento da minha pensão de reforma em meia dúzia de euros, é a maior prova do desvio, para manter uma clique que tem como herói nacional um colaboracionista de Hitler, que promoveu a chacina de centenas de milhares de judeus, chamado Stepan Bandera.
Caro leitor, se dúvidas houvesse, leia aqui a biografia do monstro, tornado herói nacional por quem governa a Ucrânia.


LFM (texto)

sexta-feira, janeiro 16, 2026

MANIPULAÇÃO DA COMUNICAÇÃO SOCIAL E DEMOCRACIA AMORDAÇADA

Há uma gentalha execrável que tem visibilidade na pantalha por bolsar opiniões manipuladoras e classificações tendenciosas às intervenções dos candidatos das presidenciais, as quais me obrigam a fazer zapping.


Tal como a aparição telefónica - colérica - do dono de uma rádio de direita que, ao longo de cada mês cntrevista 29 políticos dessa área política,  quando alguns jornalistas partilharam uma opinião com a qual ele não concordava (e não permitia, destratando os opinadores sem grilhetas).
Eis dois exemplos de meios de comunicação social que subvertem a liberdade e afrontam a democracia.


LFM