aguas do sul

"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

quarta-feira, janeiro 19, 2022

EUGÉNIO DE ANDRADE 99ANOS

 



Se fosse vivo, Eugénio de Andrade faria hoje 99 Anos.

Recordo um poema que me enviou, antes de ser publicado, numa folhinha verde, e celebro o encontro do Poeta, na sua Beira Baixa, felicitando a Câmara Municipal do Fundão (particularmente nas pessoas do seu presidente, Dr. Paulo Fernandes, da Vereadora Dra. Alcina Cerdeira e do director do Museu local, Dr. Pedro Salvado, por terem contribuído para a divulgação da sua Arte Poética, através de várias iniciativas ao longo dos últimos anos). Caso raro num país em que os Artistas morrem várias vezes depois do seu passamento, pelo apagamento das memórias das suas vidas e obras.

VIVA EUGÉNIO DE ANDRADE!

Luís Filipe Maçarico

sexta-feira, dezembro 10, 2021

HERBICIDAS E PESTICIDAS NAS NOSSAS RUAS


 Não sou defensor do passado. Mas em relação a práticas actuais, não posso deixar de manifestar o meu repúdio. Explico o que pretendo partilhar.

Dantes, as ervas daninhas que cresciam nos passeios das cidades eram combatidas com sal. Agora os municípios usam herbicidas e pesticidas (que renomearam de produtos fito farmacêuticos).

Acontece que os animais que se purgam naturalmente com as ervas que encontram no seu caminho, são envenenados.

Foi assim que perdi o "Migão" (para a dona que o acolhia numa casinha no átrio da sua casa "Miau") que era o meu talismã para cada dia me correr melhor, através da sua fala e dos seus beijos na minha mão, recebendo em troca festinhas que o regalavam.

Perdi um amigo por causa da estupidez do mundo dito desenvolvido que acabou com a biodiversidade através do agro negócio que abunda no Alentejo e se expande até estas ruas onde habitamos e os animais indefesos são atacados de uma forma absurda.

LFM

sábado, dezembro 04, 2021

A ALDRABA NO LARANJEIRO


 




Realizou-se na tarde deste sábado 4 de Dezembro, na Junta de Freguesia do Laranjeiro, a apresentação dos números 27 a 29 da revista da "Aldraba", Associação do Espaço e Património Popular, editadas durante a pandemia e os diversos confinamentos, a cargo do autarca e associativista Luís Palma.
Participaram nesta sessão associativistas das duas margens, designadamente Andreia Abrantes do Grupo Dramático e Escolar "Os Combatentes", Nazaré Avó das Cantadeiras de Essência Alentejana, Manuel Verdugo da Casa do Alentejo, e diversos elementos, ligados à associação Farol, associação de reformados, associação de Murtosa e Estarreja. Foram inúmeras as intervenções dos cerca de vinte participantes nesta tarde muito enriquecedora e de reflexão pertinente.

Luís Filipe Maçarico (Texto e Fotografias)

quarta-feira, dezembro 01, 2021

NA SOCIEDADE DE GEOGRAFIA APRESENTANDO SALVADO MOTA E A MONOGRAFIA DE ALPEDRINHA





 No derradeiro dia de Novembro de 2021, participei num colóquio sobre Etnógrafos na Sociedade de Geografia de Lisboa. Evoquei alguns Etnógrafos da Beira Baixa, como José Alves Monteiro e Jaime Lopes Dias (Etnografia da Beira) e o Jovem, felizmente vivo e criativo Eddy Nelson Chambino (Pastores, Guardiões de uma Paisagem).



Após contextualizar Alpedrinha em termos históricos e geográficos, falei de António Salvado Mota e da sua Monografia de Alpedrinha, editada em 1933 e reeditada sete décadas depois.

Os restantes intervenientes foram José Fernando Reis Oliveira que evocou Azinhal Abelho, alentejano de Elvas e a Presidente da Secção de Etnografia, Maria Helena Correia Samouco que abordou a vida e obra do etnógrafo algarvio Francisco Ataíde de Oliveira.

LFM (Fotografias e Texto)

NA CUBA COM A ALDRABA


 






No passado sábado 27 de Novembro a Aldraba, Associação do Espaço e Património Popular realizou o primeiro de dois dias de visitas nos concelhos de Cuba e Vidigueira, que envolveu 3 dezenas de associados e amigos, confraternizando em simpáticos restaurantes, seguindo um programa delineado pelo casal Manuela Bolinhas e Jorge Graça, que foram inexcedíveis.
O Museu Literário Fialho de Almeida, que foi apresentado pela historiadora Francisca Bicho, a fruição das ruas e seus pormenores arquitectónicos, o conhecimento aprofundado da Igreja de Cuba, a cargo de Nuno Sota, de História de Arte e a assistência a um espectáculo de Cante com os grupos do concelho actuando, foram alguns dos aliciantes principais desta visita.
Parabéns aos associados e amigos da Aldraba pelo sucesso deste evento.
Luís Filipe Maçarico (texto e imagens)

domingo, novembro 14, 2021

CANTADEIRAS DE ESSÊNCIA ALENTEJANA: VOZES QUE DESAFIAM O FUTURO(*)

 


Um dos valores patrimoniais de referência que Almada possui encontra nas “Cantadeiras de Essência Alentejana” a marca inigualável de uma tradição ciosamente salvaguardada.

São mulheres que vieram do sul, atraídas – tal como os maridos – por uma vida mais compensadora.

Trouxeram a memória do vestuário que usavam nas fainas do campo, costumes que são a sua pele, práticas que enriqueceram a Alma (nunca traída), modas que as transportam no tempo para a beleza da juventude, deixada para trás, não esquecendo nunca como era difícil viver nesse sul de então, cercado de interditos, que alguns gostariam de ressuscitar.

 

Após ano e meio de pandemia, superada parte das dificuldades e impedimentos que inviabilizaram a aproximação, a reunião, a actuação, apresentar um novo CD é o Milagre da Resistência deste punhado de Mulheres Corajosas que permanecem, desafiando o Futuro com as suas vozes acesas, incendiando com sílabas que são Clarões, o caminho de todos nós.

 

Escrevo estas palavras à luz de um deslumbrante crepúsculo de Outono, grato pelo convite de poder participar em tão empolgante evento, penso nos cambiantes musicais envolventes que o cante delas emite, partilhando a generosidade e a alegria de se entrosarem de novo diante de nós, assumindo o Amor à Terra.

 

Celebro os sorrisos e as lágrimas contidas nas suas vozes de gente genuína.

Enquanto houver esta transmissão de tradições, apenas a elas caberá, através do Encontro e na partilha – a defesa das várias facetas da vida que enfrentaram no território identitário (tão amado), onde aprenderam a respirar, saboreando o sol crú, os perfumes de um chão sedento, ora seco ora florido, o pão e as iguarias, nem sempre acessíveis a todos – o espantoso horizonte de asas e chilreios, a poesia passada de geração em geração, e as pequenas grandes dores do quotidiano.

 

O Alentejo é muito mais que um texto ou um livro bem intencionados.

O Alentejo é, acima de tudo, os gestos, a fala, os passos destas Cantadeiras admiráveis, na sua vivência diária.

Fiéis aos lugares onde nasceram e onde regressam, várias vezes, para limpar os olhos da Alma e poderem cantar com o Coração a verdade intransmissível de tudo o que viveram e são.

 Almada, 16-10-2021

Luís Filipe Maçarico

 (*) Artigo publicado na revista Aldraba nº 30 e lido durante o lançamento do CD das Cantadeiras, no Clube Recreativo do Feijó na tarde do dia 14 de Novembro de 2021.

sábado, outubro 23, 2021

A Aldraba visitou o Parque Mayer






Guiados pelo Actor, Encenador e Escritor de Revistas, Flávio Gil, os 44 participantes nesta Rota em Lisboa, visitaram o actual Parque Mayer, que se transformou num parque de estacionamento, com um único restaurante sobrevivente dos muitos que em tempos teve, apresentando ainda o velho teatro Maria Vitória, um renovado Capitólio que parece não ter as melhores condições para Teatro e um Variedades em execução que parece não augurar boas perspectivas, pois não está dotado de teia italiana, importante na arte de talma, por proporcionar a mudança de cenários da forma mais eficaz.
Muitos dos participantes desfrutaram no final deste encontro de um almoço saboroso, bem regado com vinho alentejano tinto, tendo usufruído a hipótese feliz do reencontro entre amigos e da confraternização há muito desejada. Parabéns à Aldraba por mais esta iniciativa e agradecimentos a Flávio Gil pelo simpático acompanhamento dos visitantes.
LFM (Texto e imagens)