aguas do sul

"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

domingo, novembro 06, 2022

Saudades da Tunísia e o Melhor Prémio

 Saudades de Tozeur (sul da Tunísia, a cerca de 500km da capital, Tunis). Onde no restaurante "Le Soleil" o meu livro "Os Pastores do Sol" foi colado na parede, perto do local de pagamento. As páginas estavam cheias de nódoas das mãos dos comensais. Foi o melhor prémio que jamais terei. Como o livro estava traduzido em árabe, o público que o leu por toda a Tunísia (Biblioteca Nacional inclusivé e jornal La Presse) teve acesso aos versos que as minhas viagens proporcionaram - de tanto olhar e admirar um Povo que resiste a um Sol que tudo seca. Saudades de jerba e Sidi Bou Saïd, da Tunísia, onde estive quase a voltar, desta vez a convite da Professora Lurdes Ferreira, com o apoio do Instituto Camões e Embaixada de Portugal em Tunis, para falar da influência daquele país na minha Poesia, aos estudantes da Universidade de Manouba. Foi outro Prémio, que a instabilidade do Mundo não me permitiu usufruir...





Texto e fotografias de Luís Filipe Maçarico

terça-feira, outubro 18, 2022

Em Memória de Maria Eugénia Gomes





Alentejanos, logo no início da nossa estima de mais de duas décadas, cintilou de imediato o sorriso e a franqueza ternurentos.

A sua pertença a Sobral da Adiça, a partilha da vida aldeã numa infância de há mais de meio século atrás, ao escutá-la contando os pormenores do ofício do pai, respeitado por toda a Comunidade e particularmente pelos habitantes nómadas, desvendava um contexto que tinha o seu quê de mágico e encantatório, mesmo que viver nesse tempo não fosse fácil.

Preferindo o recato, os bastidores, integrava diversas associações em que primava pelo bem fazer, pelo melhor património (as pessoas) e pela memória dos objectos biográficos.

Posso dizer que foi muito amada por todos aqueles que com ela se cruzaram, além da estremosa dedicação aos familiares. 

Neste fim de semana triste, em que nos despedimos da sua fugaz viagem pelo planeta onde nos encontrámos, as inúmeras coroas de flores falaram pelos que se sentiram mais pobres com a sua ausência. Vi muitos jovens que com ela colaboraram no associativismo popular a chorar pela perda insubstituível.

Guardo imensos momentos de grande sintonia: Alpedrinha, Fundão, Marvão, Mértola, Sobral da Adiça, Vilarelhos, Casa do Alentejo, só para evocar locais e eventos recentes, em que o bem estar iluminou os nossos passos.

Maria Eugénia. Um rosal de palavras é pouco para coroar a tua grandeza. Que fica nos nossos corações enquanto vivermos com o teu sorriso dentro de nós.

Luís Filipe Maçarico 

segunda-feira, outubro 03, 2022

Águas do Sul fez Anos em Agosto


 Saudamos os leitores deste blogue com um poema do transmontano António Cabral.

Águas do Sul nasceu em 2004 e tem continuado, nos últimos anos, embora com menos artigos, uma vez que o Facebook absorve imagens, textos e tempo.

No mês de Setembro, o computador esteve a arranjar e os dias voaram, sem o blogue  a aparecer com a regularidade que outrora teve. Mas não paramos.

O futuro continua a contar com este espaço de opinião.

Grato pela vossa leitura e acompanhamento.

LFM (texto e foto)

terça-feira, agosto 16, 2022

VIVA ARTUR BUAL!

 


Dos melhores encontros que a vida (e Eduardo Nascimento no programa que fizemos na Rádio Horizonte "Desafios") me proporcionou, destaco a admiração e fraternidade mútua de e com Artur Bual (olá, Maria Joao Bual!). Frequentei o seu Atelier intensamente ao longo da sua última década de vida, a partir de 1987, vibrando com a intensidade do seu carácter, a força da sua pintura, a afirmaçãode uma personalidade ímpar.

Ocorre-me quando teve de aguardar a contragosto em Oeiras, pelo então subsecretário da Cultura de cavaco, Santana Lopes. Farto de esperar, decidiu jantar com os Amigos, dirigindo-se apenas à galeria onde expunha, após a refeição, fazendo esperar o político atrasado.
Fui várias vezes brindado com a sua presença na apresentação dos meus livros de poesia (mesmo num Agosto muito quente em Alpedrinha, quando lancei "Mais Perto da Terra").
Em 2020 celebrei-o na Antologia "No Azul da Manhã Acorda para Cantar", cujas fotografias (como esta de Danilo), telas e desenhos são de sua autoria. VIVA BUAL! [que nasceu há 96 anos, no dia 16 de Agosto de 1926]
VIVA O CÍRCULO ARTÍSTICO E CULTURAL ARTUR BUAL, do qual sou fundador e associado, saudando Rodrigo Dias, o actual e dinâmico Presidente da Direcção!

Texto: Luís Filipe Maçarico Fotografia: Danilo.

domingo, julho 24, 2022

NICOLAU VERÍSSIMO ETERNIZADO NO CEMENTÉRIO DE ARTE




 







O cidadão vianense fraterno que abraçou as causas solidárias (Centro de Dia, Creche, Polidesportivo para a Juventude local) e que foi sem alarde Presidente da Junta de Freguesia da Meadela e Vereador da Câmara Municipal de Viana do Castelo, foi celebrado no Cementério de Arte, durante o XIX PAN de Morille, que já evocara outro ilustre vianense, (seu sogro José Figueiras) sempre pela mão grata de Laurinda Figueiras filha e companheira.
O Alcalde de Morille e o responsável pelo espaço, com imensos participantes testemunharam as palavras que eternizaram o Amigo que sempre quis estar presente e sempre se divertiu entre Salamanca e Alfândega da Fé, ao longo das várias edições do Festival Transfronteiriço de Poesia, Arte de Vanguarda e Património em Meio Rural, confraternizando com todos.
Pedro e a esposa Sofia (filha de Laurinda) presenciaram com destaque especial, ele segurando a caixa com os símbolos de uma vida (copo de pé alto, fita métrica e gravata) e reproduzindo a Kalinka, música preferida de Nicolau, executada em gravação por Henrique Figueiras.
Uma vez mais, foi emocionante assistir a uma cerimónia tão singular.
Fotografias de LFM (Texto) e Renato Roque.

APRESENTAÇÃO MUNDIAL DE "OS VERSOS DO CAMINHANTE" EM MORILLE (SALAMANCA)

 




Segundo livro de minha autoria apresentado no XIX PAN de Morille: "Os Versos do Caminhante", editado pela Lema d'Origem, editora sedeada em Carviçais, Torre de Moncorvo. Rodearam-me na mesa de apresentação os co-organizadores do PAN, Francisco Lopes e António Lopes (Sá Gué, editor).
Com Capa de Rodrigo Dias, Preâmbulo de Leocádia Regalo, design de Marta Barata e Frases do Poeta António Salvado, extraídas da correspondência recebida do Mestre, após receber e ler livros recentes de poesia da minha lavra, trata-se de uma obra elaborada ao longo de um ano, fruto de paciente recolha de versos escritos desde os tempos em que passei por Nampula, como tantos jovens obrigados pelo regime fascista a participar na guerra colonial. Despolitizado, era o suporte da velha avó que me criou e ela o meu único pilar familiar. 
Este livro inclui poemas de e sobre Moçambique, Cabo Verde, Marrocos, Veneza, Florença, Barcelona, Dubrovnik e outros lugares do mundo que conheço. Há ainda poesia sobre os castanheiros e as cerejas, abundantes em algumas regiões do nosso país, designadamente na Gardunha.
Agradecimento especial para os apoios que o Círculo Artístico e Cultural Artur Bual e a Junta de Freguesia de Alpedrinha concederam a esta publicação.
No próximo fim de semana, o livro irá ao PAN de Vilarelhos, depois em 1 de Setembro estarei na Feira do livro (no pavilhão da Lema d'Origem) para autógrafos e ainda na Festa dos Chocalhos no 3º fim de semana de Setembro (no sábado desse fim de semana).
Gratidão aos que acreditam e apoiam a minha escrita que no dizer de Eduardo Olímpio chega ao coração das pessoas, pois toda a gente a entende.
Fotografias de Sara Timóteo

APRESENTAÇÃO DA MINHA ANTOLOGIA POÉTICA (EDiÇÃO COLIBRI) EM MORILLE NO XIX PAN


 




                                        
No XIX PAN de Morille tive o ensejo de apresentar os meus dois últimos livros de Poesia. Nas imagens (de Sara Timóteo, companheira destas andanças desde 2015) com Laurinda Figueiras dizendo o que a vida e obra do autor inspira a caminhada do "bem comum" - Tema do Festival deste 2022, referi entre outros episódios aquele ocorrido no final do século passado, em Tozeur, no sul da Tunísia, mais exactamente no Restaurante Le Soleil, onde o meu livro "Pastores do Sol" foi colado à parede, junto à caixa de pagamento para que todo o povo que frequentava aquela sala de refeições pudesse desfrutar dos meus poemas (a edição era trilingue e portanto também em árabe). Em Morille e durante a apresentação de "No Azul da Manhã Acorda para Cantar", no qual se incluem poemas de todos os meus mais de vinte livros e de poemas incluídos em 3 colectâneas, referi que o meu pequeno prémio nobel foi aquele livro todo cheio de nódoas, folheado por toda a gente depois de almoçar...
No final, fui abordado por duas senhoras de S. Sebastian, nas quais a minha poesia ("los libros de viaje") deixou um toque de humanidade e apreço, porque como diz uma delas, MMar Estevez García "los viajes son la libertad de lo spiritu".