"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

domingo, junho 13, 2021

Monografia de Mosteiro, de João Coelho apresentada na Associação Mosteirense, com numeroso público





Após a evocação do centenário da ponte sobre a Ribeira de Pera e dos zeladores da água que corre por magníficas levadas, que um grupo numeroso de cidadãos percorreu, foi apresentada a Monografia de Mosteiro (Pedrógão Grande) da autoria de João Coelho, no espaço da associação local e na presença de autarcas, amigos, associativistas da Aldraba e povo da localidade.
Na ocasião tive o ensejo de intervir, por sugestão do autor.
Eis o que disse:
"O evento que testemunhamos hoje é a festa de um povo que fica mais honrado com um livro idealizado e escrito por um dos últimos carolas do associativismo voluntário, que tem um percurso que fala por si, não necessitando de acrescentar ao curriculum para vaidade pessoal este título.
O esforço que está à vista nas páginas da obra foi enorme, vencendo vicissitudes, teimosamente, para entregar à posteridade, aos vindouros, as memórias, as sabedorias, a vida difícil dos antepassados.
Trata-se de um profundo levantamento etnográfico, onde a geografia humana se evidencia. As tradições os costumes, o saber médico do povo, a natureza pródiga envolvem-nos de tal modo que apetece ler este livro até ao fim.
Enriquecemo-nos todos ao sabermos que um lugar entre serras, com uma ribeira mágica a cantar com os pássaros, tem tanto para contar."
Luís Filipe Maçarico (Texto e fotografias)

sábado, junho 05, 2021

Contra a Subserviência

                                           



Pela primeira vez ouvi na rádio, um responsável português (não formatado às ziguezagueantes decisões do governo de Londres) louvar a atitude dos nacionais, que a exemplo de 2020 estão a fazer reservas em grande número para o Algarve.

Após anos de subserviência à Inglaterra, por parte de alguns cromos (para evitar chamar nomes feios) do Turismo, Hotelaria e Restauração algarvios, alguém pôs o dedo na ferida:

1º O Reino Unido saiu da União Europeia (O "Brexit" já aconteceu)

2º O Governo Inglês quer que os seus súbditos gastem as poupanças, passando férias lá dentro;

3º Têm de ser cativados turistas do espaço europeu, que integra quse três dezenas de países, o que equivale a muitos milhões de  possíveis visitantes.

Por este andar, ainda poderíamos assistir à criação de uma Comunidade Autónoma Inglesa do Algarve, com estatuto, legislação e governo próprio, a orientar e a ser porta-voz dos milhares de residentes, com lacaios tão leais que se confundem com os capachos que os artesãos de antanho criaram...

As carpideiras do capitalismo mais estúpido deveriam mudar de narrativa, eliminando os queixumes sistemáticos que já não suportamos escutar todas as semanas desde há dois verões, pois já cheira mal a discursata aziaga, que só fala de prejuízo, de encerramento, de despedimentos, como se não houvesse mais mundo.

Já basta de domínio inglês no Douro e o facto de comprarem casas por todo o lado, asfixiando o povo deste país com tanta especulação, não cria qualquer empatia por parte de quem teve de abandonar cidades onde viveu toda uma vida para surgirem os Alojamentos Locais. Ou até colectividades que desapareceram para os prédios onde estavam localizadas passarem a ter como proprietários estrangeiros com poder económico, o que sucedeu com palácios alienados do governo central e municipal (o dos CTT e o do Machadinho p. ex.)

Dispenso esta gentalha (a que vem embebedar-se para cá e não respeita as regras e os que tudo permitem para andarem à babugem do lucro).

          LFM (Foto e texto) 


ASSEMBLEIA GERAL E ELEIÇÃO DOS NOVOS CORPOS SOCIAIS DA ALDRABA

 

     
                                       



Realizou-se ontem, na Biblioteca da Casa do Alentejo, a Assembleia Geral Ordinária da Aldraba, que discutiu (com bastantes intervenções e sugestões), aprovando por unanimidade os documentos que relatam a actividade desenvolvida em 2020 e respectivas contas e o Plano e Orçamento para 2021, que prevê inúmeras iniciativas, se a situação pandémica que continuamos a viver o permitir.

Procedeu-se à votaçãoda única lista candidata  (aprovada por unanimidade também) , com 12 votos por correspondência e 18 presenciais, num total de 30 votos, contados e conferidos pela Mesa da Assembleia Geral, que volta a ser presidida por João Coelho, mantendo-se Jose´Alberto como coordenador da Direcção cujos elementos transitam do anterior elenco. Leonel Costa continua a ser o Presidente do Conselho Fiscal, havendo a entrada de novos elementos para este orgão e para a AG.

LFM (Texto e Fotografias)

quarta-feira, junho 02, 2021

ASSEMBLEIA GERAL DA CASA DO ALENTEJO


 



Realizou-se ontem a Assembleia Geral da Casa do Alentejo, com perto de 30 pessoas. Os documentos apresentados para discussão (Relatório e Contas de 2020 e Plano de Actividades e Orçamento 2021) foram votados por UNANIMIDADE.
O Presidente da Direcção João Proença colocou a hipótese de ter de alterar o Plano, consoante a evolução da situação pandémica.
O Presidente do Conselho Fiscal advertiu para se estar atento, considerando que a situação - pelo apoio da CML e pela votação unânime na Assembleia da República, que demonstrou apreço pelo Património Material e Imaterial que esta Instituição simboliza - será gratificante. "Temos que gerir o passivo e liquidar os empréstimos, se a pandemia deixar!"
LFM (texto e fotos)

domingo, maio 30, 2021

“GENTES QUE MARCAM A VIDA DA GENTE”, DE ROSA CALADO”: TESTEMUNHO DRAMÁTICO DE UMA SAGA EXPERIMENTADA, ONDE PERPASSA O REALISMO MÁGICO E CINTILA UMA LINGUAGEM FLUIDA"






Em boa hora a Colibri editou este livro - “Gentes que Marcam a Vida da Gente”.

O título não podia ser melhor escolhido, pois define todo um repositório de conhecimentos e experiências, onde o Povo de Ferreira do Alentejo protagoniza esta saga.

 

Escrito no tempo disponível que o segundo confinamento proporcionou à autora, é resultado de uma memória pujante acerca das vivências marcantes da sua aprendizagem, enquanto pessoa, observando a geografia humana em redor, do sul das injustiças à capital do Império, donde emanavam as restrições.

 

“Gentes que Marcam a Vida da Gente” recorda as transformações de toda uma época, desde uma Pensão que era o Microcosmos da Comunidade, onde Rosa Calado, aliás Teresinha, criou as suas raízes.

A “informação experimentada” dá-nos a conhecer o mundo dos rendeiros agrícolas, dos seareiros, dos pequenos lavradores, das meninas descalças e dos que lutaram contra a ditadura, sendo o tio João o herói, expoente máximo na Vila, dessa luta sofrendo prisões e torturas.


Com um néon luminoso, a “Nova Pensão” tinha a porta sempre aberta.

A mãe, exímia cozinheira usava com mestria os ingredientes da terra, enquanto o pai era exemplar na arte de receber, cativando pelo sentido de humor.

Teresinha adorava ler Poesia, privilegiando o Teatro, que fomentou em adulta, encenando muitos dos seus alunos.

Os hóspedes eram notários, oficiais das finanças, professores e médicos, entre outros funcionários públicos.

 

O espaço foi-se renovando e ampliando fazendo juz ao nome. Teresinha cirandava e brincava escutando ao pai frases que transmitiam valores. Que a Terra estava mal distribuída, que os padres - dos quais se esperavam atitudes fraternas, com humildade e amor ao próximo - pela postura altiva mereciam o anticlericalismo militante dele.

 

Fala-se de Maria, oriunda de Huelva, que servia as refeições e higienizava os quartos, dos tontinhos e da cadeia que tanto impressionavam Teresinha, bem como dos embuçados com fome mas muita dignidade, que recusavam a caridade, detestada por José, o pai.

 

Autobiográfico, com palavras bem escolhidas, Rosa Calado pinta telas onde a marca profunda da estratificação social e o controle do regime impunha e formatava costumes, tradições e mentalidades (p. 70); como um clarão irrompem nas descrições onde a PIDE aparece, através de homens cinzentos e a miséria afronta os pensamentos pueris da jovem.

 

No ciclo anual das Festas, há Mastros, Presépios, Férias nas Caldas de Monchique, o cinema na esplanada cujo écran possuía a dimensão daquele que era possível fruir no Monumental de Lisboa e a Feira Franca, com uma barraca de sopa dos pobres, exibindo a caridadezinha odiosa.

 

Os anos 60 trazem sinais que irão enfraquecer o Estado Novo. A Guerra de Angola, a Fuga de Peniche, a queda de Salazar.

Depois da escola e do colégio, dirigido por um padre que insulta a família de Teresa, da revelação de um suicídio, da percepção do clube dos ricos, restritivo e da associação recreativa, acessível a todos, surge o Liceu de Beja, onde Martinho Marques, o prefaciador, era colega da autora, realizando-se uma inesquecível excursão a Sevilha, Granada e Córdova. A evocação de Gonçalves Correia, o libertário que soltava pássaros das gaiolas e as eleições de 69 são igualmente marcantes.

 

Já em Lisboa, primeiro na Faculdade de Direito, onde tem um professor chamado Marcelo Caetano, que virá a ser primeiro - ministro, tentando maquilhar o regime, Teresa casa-se com Francisco, mudando para a Faculdade de Letras.

 

As leituras, desde “O Romance da Raposa” de Aquilino e “Constantino, Guardador de Vacas”, de Redol, livros oferecidos pelo tio João, Urbano Tavares Rodrigues, Maria Judite de Carvalho e Manuel da Fonseca, são autores de referência que vai descobrindo.

 

Não é por acaso que a narrativa termina com um belíssimo poema de Eduardo Olímpio, após o testemunho do decisivo desempenho do pai, que influenciou o irmão João para abraçar a resistência, o pai “fazedor de trilhos”, culminando no Abril de todos os sonhos.

 

Para trás ficavam as tias, a mercearia, a beata que nas procissões se punha debaixo do andor, humilhada por um clérigo, o anão sábio e tantas figuras que Rosa Calado apresenta ao leitor.

 

“Gentes que Marcam a Vida da Gente” lê-se de uma assentada, tal é a fluidez da linguagem, o encantamento, o prodígio de uma infância feliz, o cenário com escala humana de desigualdades e combate político.

Pela força dos episódios contados, há qualquer coisa de realismo mágico em certos momentos do texto.

Por isso, parabenizo Rosa Calado e Fernando Mão de Ferro, por esta aventura.

Recomendo vivamente “Gentes que Marcam a Vida da Gente”. E aplaudo!

 

Almada, 10-5-2021

Luís Filipe Maçarico (Antropólogo e Poeta)

Reportagem Fotográfica: Fernando Duarte. Intervenções, entre outras, de Rosa Calado, Eduardo Olímpio e LFM. Com Maria Eugénia Gomes e Maria José Balancho. E a assistência.

sábado, maio 22, 2021

A Trepadeira de Alcanena e o País dos Excessos sem Culpa


De Norte a Sul, ao fim de semana, muitas localidades parecem aldeias (ou vilas) fantasma. Verifico isso já desde o tempo da troika. Em Lisboa, a Rua dos Fanqueiros nessa altura era um imenso deserto de lojas fechadas. Muitos edifícios, porque os proprietários envelheceram, faleceram ou desinteressaram-se, ou os próprios filhos tiveram a mesma atitude de abandono, viram crescer as trepadeiras como é o caso da fotografia que partilho, realizada esta tarde em Alcanena, onde vários palacetes oferecem o ar desolador bem visível na janela invadida por uma trepadeira, perto da Biblioteca Municipal.

Enquanto isto, no Algarve exige-se que para enfrentar a concorrência do turismo inglês em Espanha, não seja pedido a quem chega da Inglaterra um documento comprovativo de imunidade ao Covid...
A Sic mostra os ingleses (80% dos hotéis cheios) a curtir sem máscara e papalvos como eu estão há quase ano e meio a usar máscara e a viver com mil cuidados. 

Somos mesmo o caixote de lixo dos que têm dinheiro para comprar um país de pedintes, onde empresários com muitas aspas tentam influenciar decisões, porque a economia é a deusa de todas as vontades. 

Ao mesmo tempo, a pandemia agiganta-se em Lisboa e os especialistas dizem que o descontrole dos festejos leoninos levou a mais este retrocesso. 
Ninguém teve culpa. Mas as consequências sofremos todos. 

A trepadeira é o tempo a invadir tudo, antes da derrocada. E gente benfazeja fala da imunidade de grupo, havendo entidades super protectoras que em desespero inventam que só gente da mesma família se pode sentar lado a lado ou frente a frente num restaurante.

Será para levar a sério, este país?

LFM (Textoe e foto) 

Alcanena, Concelho Rico em Património









A pretexto da apresentação no Teatro São João, do 14º livro de Zulmira Bento, acerca do rico património de Alcanena ["Da Serra ao Rio"], com belas aguarelas que revelam locais igualmente ilustrados com poesia de exaltação da paisagem e de templos, o dia de hoje foi de viagem até à terra mágica, visitada na juventude, em excursões escolares às nascentes do Alviela (Olhos de Água).

As imagens aqui ficam para documentar alguns pormenores observados, que têm merecido daquela autora um olhar especial, das chaminés aos cataventos, passando pelo minderico.

Vale a pena conhecer os recantos de Alcanena, tão bem exaltados nos livros de zulmira Bento, cujo trabalho de toda uma vida é dedicado essencialmente à sua pertença identitária, surpreendendo o leitor que deseje conhecer melhor este território singular.

Luís Filipe Maçarico (Texto e Fotografias)



quinta-feira, maio 13, 2021

Caminhada até ao Cristo-Rei numa tarde azul

 


O Cristo Rei é um miradouro privilegiado sobre Lisboa e o Tejo, além de constituir um belo parque de oliveiras e palmeiras, por onde apetece caminhar, desde o Seminário de Almada até ao velho núcleo do Pragal. Sempre que posso, faço a caminhada e desfruto de uma paisagem única. Lisboa é bela vista de longe... Nos dias azuis, como aconteceu no início desta semana cinzenta, é um desafio que vale a pena.

LFM (apontamento escrito e fotografias)


segunda-feira, abril 26, 2021

Sons da Viagem ao Interior de Mim. O Esplendor da Arte de Eduardo Ramos

Graças à Vida (e ao Festival Islâmico de Mértola) tive a felicidade de conhecer Eduardo Ramos, cantor nascido em Penedo Gordo (Beja), vive há décadas em Silves, com carreira singular, em torno das Músicas do Al-Andaluz.

No passado domingo, 25 de Abril, Edgar Canelas, entrevistou-o, no programa "Vozes da Lusofonia", da Antena 1 (RDP), a propósito do CD "Sons da Viagem ao Interior de Mim".

Neste CD, Eduardo Ramos, além da voz, toca alaúde árabe, gambry, lira, kissange, flauta de bambu, zukra da Tunísia e Taças Tibetianas. Além de Amigo,admiro muito a qualidade e diversidade do intérprete, que há muitos anos assistiu a um concerto de Anouar Brahim, tendo decidido - com os alaúdes comprados na Tunísia - compôr, cantando poetas luso-árabes e a tradição musical das Comunidades ligadas às Religiões do Livro. Este cantautor esteve em Fez nas Músicas do Mundo e nos Museus Judaico de Belmonte, de Arqueologia e do Fado, em Lisboa, de entre as centenas de actuações no país e estrangeiro. Grande orgulho em ser teu Amigo, Eduardo!

https://www.rtp.pt/play/p276/vozes-de-lusofonia

Luís Filipe Maçarico (transcrito com adaptação a partir da minha página FB, incluíndo o link do programa, que pode ser escutado)

quinta-feira, abril 08, 2021

os dias

 


Entre gelos e lumes, dos diospiros às ameixas,/ esgotaram-se sem sentido, os dias./ Segredam-te que os sonhos morreram./ Ferem-te com a falta de esperança./Perdes demasiado tempo a riscar vocábulos/ arrastas as horas e não vislumbras/ um escasso sinal de futuro./ Sugerem que escrevas desabafos e tentes suster paredes que desabam/ esperas por sinais perdes o olhar/ no horizonte e apenas percebes que/ as rimas novas tardam em acordar...

28-3-21
Luís Filipe Maçarico
[fotografia de Cristina Pombinho]

quarta-feira, março 17, 2021

POEMA PARA A MENA BRITO


 Muita gente medita nestes tempos

em que o futuro demora a florir

Alguns celebram estevas e papoilas

renascidas - mas onde os sonhos?


Toda a gente anseia dias melhores

mas o horizonte desejado

atrasa-se na caminhada...


E de repente, um Ser Humano

de Voz Luminosa,

Pintora Singular e Corajosa

Irrompe na tarde.


Sinto a força das suas sílabas suaves

a cor da vida, telas de esperança

por pintar

- e tento respirar a Poesia, que espreita,

enquanto a Primavera avança.


Luís Filipe Maçarico (poema e fotografia)

17-3-2021

quinta-feira, março 04, 2021

MÚSICA PERDIDA

 


Nos brumosos quintais

destas horas chuvosas

onde se arrasta o inverno

o vaivém dos pássaros vadios

imprime na paisagem

a escrita de uma pauta

de música perdida...


Luís Filipe Maçarico

4-3-2021

MELANCÓLICA CALIGRAFIA

 


Vejo os melros sobre os telhados

das velhas casas, saltitando na

chuva da tarde, como se fossem

pontuação em melancólica caligrafia

derramada sobre o tristonho

caderno destes dias (sombrios)...


Luís Filipe Maçarico

4-3-2021

quarta-feira, fevereiro 24, 2021

O GRITO DAS GAIVOTAS

 




Pairam nas ruas cinzentas

de Fevereiro, as gaivotas.

Teimosas, as palavras procuram

estrelas, versos solares, uma esperança.

Tempo de riscar páginas. Os sonhos tardam.

Onde estará a Poesia?

Chuva e vento desenham sombras.

Nos telhados permanece o grito

das gaivotas. No céu destes dias

escrevo luz contra o silêncio.


Luís Filipe Maçarico

11-2-21

QUERO ACREDITAR


 Quero acreditar nos crepúsculos

mágicos que já tive em abraços 

de Mar.

Quero teimosamente crer que a Poesia

poderá superar as trevas destes dias.

Quero acreditar no regresso dos sonhos

projectos e afectos ausentes.

Quero acreditar nas alvoradas

por respirar e deixar de riscar

tantos versos sem asas.


24-2-2021

Luís Filipe Maçarico

terça-feira, fevereiro 02, 2021

TORMENTA



A casa está mergulhada num silêncio que me apraz.

Penso na dureza do confinamento. Na memória que - será do cansaço deste passar o tempo sem proveito? - que em mim era uma qualidade e agora começa a baralhar-se.

Penso na ignorância dos que nunca leram um livro e em situações como as actuais estão a passar muito mal, pois o sonho e a esperança que muitas páginas guardam não podem ser fruídas por quem só conhece presságios e diz que está escrito que estamos a chegar ao fim dos tempos.

Penso nas doenças graves que não podem ser tratadas, por causa da invasão da pandemia.

Penso nas vacinas, que são usadas indevidamente, enquanto morrem centenas de pessoas por dia.

Penso na situação terrível de governar agora, com tantos obstáculos, mas também  nos que aproveitam o momento [monopólios farmacêuticos] para enriquecerem descomunalmente.

Penso na pequenês do país. Na ansiedade umbiguista de chegar a minha vez, nos longos dias que decorrem  tentando proteger-me do vírus. Desta Tormenta.

Penso que é melhor continuar a ter a televisão fechada, para não ter de suportar a indignidade dos que se dizem jornalistas e essencialmente transmitem terror, medo, números de infectados e mortos, quase sem mostrar os casos de quem foi bem tratado, como se meter medo fosse a sua função castigadora contra um povo que elege espelhos e age muitas vezes sem perceber o mal que faz a si mesmo.

LFM Texto e fotografia)

terça-feira, janeiro 19, 2021

À MEMÓRIA DE PIEDADE CANIÇA

 


Na areia das marés

em pegadas diluídas

os sonhos evaporam-se


Mesmo que hajam

gatos a pedir ternura

e primaveras prometidas


existe o silêncio dos que

deixaram de caminhar

ao nosso lado.


Gostava de encontrar´

o desejado lugar

onde a esperança 

vencerá o vazio


[e passo o tempo a riscar palavras

na penosa espera desta

"não-vida"*...]


*José Gil, 27-12-2020


Luís Filipe Maçarico (texto e fotografia). Piedade Caniça nasceu em Póvoa de Atalaia, irmã de Maria dos Anjos e de Francisco Caniça. Os meus sentimentos a ambos, e a toda a família, em especial à filha Sónia e aos sobrinhos Lourenço, Hugo, Sandra, Nuno e também ao Leonardo e ao Dinis. 

19-1-2021 [dia do nascimento do Poeta Eugénio de Andrade, em Póvoa de Atalaia, há 98 anos]

sábado, janeiro 09, 2021

2021



 A passagem dos dias implica uma resistência impensável.

O tremendo problema de saúde que invadiu o nosso quotidiano e que nos ameaça dia após dia, baralhou os nossos passos.

Desejamos todos os anos por esta ocasião um Novo Ano, repleto de saúde e Felicidades.

Tenho enviado aos Amigos votos para voltarem a sentir alegria em viver.

Os tempos que se avizinham implicam novas impossibilidades, o confinamento da Primavera de 2020 começa a reaparecer no horizonte próximo.

A vacina tarda para todos os que têm debilidades, a começar pela idade, com doenças associadas.

Quantos dias, semanas, meses, temos de suportar ainda até atingir o dia prometido?

LFM (texto e fotografia)