Falar da poesia da Sara….
A tua poesia não se aquece no micro-ondas para que possa ser mastigável
Não é oferecida a troco de um desconto qualquer em cartão ou lida ao domingo porque na segunda vai aumentar de preço
Não é redondinha nem bonitinha, nem tontinha para se servir à hora do chá
Não percorre o caminho da fama calçada com chinelos de enfiar no pé, nem dá para desligar à hora da sesta
Não se estende no estendal para que possa corar
Não se outorgas “dona da poesia”, os teus versos são oferecidos em troca de nada
Não nos entra no corpo em forma de vírus e nos mata pela mediocridade como tantos outros que nos cospem a suas vaidades de iluminados que vivem na escuridão dos espelhos.
Não é onda nem mar não vem na Wikipédia como onda gigante que serve para estar à venda em forma de souvenir a reformados estrangeiros que só sabem dizer “bacaliau”
Não entra em tuk-tuks desalmados e barulhentos nos nossos ouvidos, “olha pede um Uber para chegar ao coração da vaidade”
Não tem árbitros que prolongam o tempo até que ganhe quem eles querem na cegueira convencida de que fechar os olhos é uma intermitência do destino anunciado
Não é uma feira em que dum lado temos livros vestidos em lingerie que nos prostitui o pensamento e do outro livros com capas com gatos desenhados porque nas redes sociais os editores perceberam “é o que está a dar”
Este texto vai ter erros e mau português que não quero corrigir porque a vida não se pode apagar e reescrever
E foda-se, que a tua poesia não é nada disto, nem tu.
Rodrigo Dias


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