"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

quinta-feira, maio 03, 2007

ALMADHREB


Apresento-vos a palavra ALDRABA em árabe: ALMADHREB...

Segundo José Pedro Machado, a origem da palavra ALDRABA em português vem de AD-DABBÂ...
O informante, que me enviou o vocábulo, escrito em caligrafia árabe, que aconselho a saborear, é natural de Tozeur (Tunísia), onde vive. Chama-se SALEM OMRANI, é meu amigo, sabe falar português, já esteve em Portugal algumas vezes e escreveu o prefácio da 4ª edição do meu livro PASTORES DO SOL. Salem é responsável pela animação cultural num Departamento da Juventude e da Cultura, perto de Nefta, no sul do sul.

Um dia destes, estou certo regressará por uns tempos à nossa comida e hospitalidade, que muito aprecia, para saciar saudades, palavra que já entrou no seu vocabulário...

quarta-feira, maio 02, 2007

O Morábito do Cabo Espichel, Cubas e Azóias e Um Texto de Paulo Pereira




O início do século XII, época em que se reacendem conflitos entre cristãos e muçulmanos, ampliados pela fragilização e fragmentação dos reinos árabes na península, é identificado por diversos autores, nomeadamente por Helena Catarino, como o período histórico em “que se acentua o papel religioso - militar dos morabitum.” Segundo esta autora, “os topónimos Azóia, tal como zavial (…) devem corresponder a lugares onde havia pequenas ermidas (oratórios de retiro místico) e, ao mesmo tempo podiam ser locais de atalaia.”

Entretanto, o surgimento destas construções no território tunisino acompanhou de perto o fenómeno análogo ocorrido na península ibérica.
Malek Saied, investigador na área da arquitectura, garante que as azóias “marcam a paisagem urbana e rural da Tunísia, a partir do século XI, organizando-se como uma reserva hierárquica difusora dos ensinamentos dos santos através de confrarias e marabutos.”

Em meados do século XX, no período pós-independência, estas instituições foram acusadas pela elite intelectual tunisina, de terem incentivado a submissão dos seus adeptos ao colonialismo.
Em consequência, zaouïas como as de Sidi-al-Béchir e Sidi al-Bayli, apesar da sua intensa actividade, foram demolidas, despertando superstições populares. Um largo número de exemplares deste património foi reconvertido para sedes partidárias e associativas, ou afectado a organismos sociais.
Ao invés, outros foram poupados à destruição ou desvirtuação, face à sua importância histórica e simbólica, vendo as suas tradições salvaguardadas e apoiadas pelo Estado. É o caso de Sidi Bel Hassen que durante sete sábados consecutivos, a seguir à primeira semana do Verão, recebe muitos fiéis carregados de oferendas, que ali chegam para implorar a intercessão do Santo junto de Deus, no sentido de os aliviar dos males do Mundo.(Excerto de artigo de Luís Filipe Maçarico sobre morábitos, publicado na revista "Callípole nº 14")

No volume 5 da Enciclopédia dos Lugares Mágicos, Paulo Pereira, afirma a propósito da “Cuba”: “é o túmulo de uma personagem dotada de santidade que ali habitou ou cuja memória foi perpetuada naquele monumento. Assemelha-se na forma e nas dimensões aos morábitos, podendo nesses casos fazer as vezes de oratório. Muitos deles, a serem de origem árabe, foram transformados em pequenas capelas ou ermidas de romaria, sinalizando a paisagem do sul do país (...) Na realidade, a cuba reproduz e transpõe, para uma escala mais modesta, a forma do edifício mais importante da religião muçulmana, a Káaba de Meca, onde se guarda a pedra cúbica de origem meteorítica e de cor negra à volta da qual se faz sete vezes a circum-ambulação dos crentes em movimento sinistrocêntrico – ou seja, em forma de espiral – quando das peregrinações maciças.”

No mesmo livro, Paulo Pereira diz ainda: “A associação de cubas eventualmente de origem árabe a igrejas ou ermidas cristãs parece ser um facto comprovado, pese embora a dificuldade em sustentar tal tese até que sejam realizados trabalhos arqueológicos mais esclarecedores.”

Mais adiante, este investigador assegura: “Em Portugal, as cubas terão uma estrutura idêntica aos morábitos, sendo difícil distinguir uns e outros. Assinale-se, porém, a pequena capela de Nossa Senhora da Memória existente no Cabo Espichel como um eventual resto, transformado e adaptado, de uma cuba, bem como o nome da povoação alentejana de Cuba, que deriva, obviamente, de um edifício daquele tipo ali outrora existente.”

No volume 10 da referida Enciclopédia, Paulo Pereira define Morábito:“pequena construção de forma geralmente cúbica (embora por vezes possa assumir uma planta redonda, octogonal ou hexagonal, mas sempre centralizada), com cobertura em meia-esfera, muitas vezes designada por cuba (Kuba). A palavra deriva do árabe morabit, que designa eremitão.Os morábitos podem de facto confundir-se com as cubas, das quais pouco ou nada diferem, sendo certo que os morábitos se destinavam à morada de um eremitão, enquanto por definição, as cubas constituíam lugares de veneração dos restos mortais de um santão (o marabu ou marabuto). Os marabus, a maior parte das vezes, foram eremitas ou mestres sufis, ou seja ascetas e místicos que se dedicaram à meditação e à doutrina esotérica e gnóstica do Islão."

Citações num artigo de Luís Filipe Maçarico sobre Morábitos de Montemor-o-Novo; Fotos de LFM

sábado, abril 28, 2007

2º Aniversário da Aldraba









A Aldraba, Associação do Espaço e Património Popular, realizou hoje com dezenas de associados o almoço comemorativo do 2º aniversário da sua fundação, no Restaurante "Estrela do Dia" da Rua do Possolo, que contou com a simpática e solidária participação do entertainer Agnelo Dias Monteiro, que cantou e tocou melodias que puseram a dançar as próprias cozinheiras do restaurante. Manuela Sacarrão recitou um poeta palestino e Bertolt Brecht e Rosa Dias partilhou poemas de sua autoria. Depois, numa curta mas muito digna cerimónia, o presidente da direcção, recentemente eleita, assinou um protocolo de cooperação com a presidente da direcção do Grupo Dramático e Escolar "Os Combatentes".
Na ocasião o presidente da mesa da Assembleia da Aldraba deu posse ao relator e à Presidente do Conselho Fiscal da Associação, respectivamente Fernando Fino e Margarida Alves.
Reportagem Fotográfica de Luís Filipe Maçarico (almoço) e de Manuel Sobral Bastos (sessão nos Combatentes).

quinta-feira, abril 26, 2007

A Velha Nora






Discreta, apesar de grandiosa e profunda, a nora fica do lado esquerdo de quem se dirige para Quarteira, vindo de Loulé. Memória à beira da estrada, testemunhando outro tempo. Património fantástico que merece um olhar atento.

quarta-feira, abril 25, 2007

As Crianças e o 25 de Abril: Azedal, Sarzedar e a Manhã de Abril na Biblioteca/Centro de Documentação dos Prazeres










Nos passados dias 23 e 24 estive na Biblioteca Centro de Documentação dos Prazeres, a convite da respectiva Junta de Freguesia, com crianças da escola 128 da Tapada das Necessidades (as turmas do 1º e do 2º anos na segunda-feira e as turmas do 3º e 4º anos na terça-feira).
Há já alguns anos que não fazia animação de leitura, depois de mais de 130 sessões realizadas entre os anos 90. Em 1998, em plena Expo e com a então directora do departamento de Cultura da CML, Dra Manuela Rego, comemorámos com as Bibliotecas Itinerantes e graças ao empenho da Dra Manuela Matos Correia e de outros colegas, a 100ª Sessão de Animação de Leitura, protagonizada por mim.
Desta vez e graças à Dra Rosário Baptista, e à Junta de freguesia da minha residência, apresentei a dezenas de crianças do meu bairro, o meu livro editado em 1996 pela Junta de Freguesia dos Prazeres (reeditado alguns anos depois pela Comissão Instaladora do Município de Odivelas e pelo então Vereador da Cultura Carlos Lourenço) cujo título é: "Azedal, Sarzedar e a Manhã de Abril".
No final, meninas e meninos entrevistaram-me e um deles, o Cláudio, disse que ia escrever um livro onde eu ia ser o herói.
As professoras foram excepcionais e pela postura dos alunos percebe-se o excelente trabalho que têm feito com estas crianças.
Ontem, durante o desfile pelas ruas da freguesia, algumas destas crianças, com a camisola do Grupo Dramático e Escolar "Os Combatentes", onde praticam desporto, reconheceram-me e vieram cumprimentar-me.
Foi uma prova de carinho inesquecível.
25 de Abril Sempre!!!
Texto de LFM; Fotos de Rosário Baptista.

Autarcas da Freguesia dos Prazeres Festejam 25 de Abril






O presidente da Junta de freguesia dos Prazeres, engº Magalhães Pereira e a secretária Margarida Passinhas, visivelmente satisfeitos com a iniciativa de festejar o 25 de Abril com o povo da freguesia que os elegeu.
Fotos de LFM

O 25 de Abril de 2007 na Freguesia dos Prazeres










A freguesia dos Prazeres, onde habito, festejou condignamente o 25 de Abril, com as colectividades locais que se incorporaram no cortejo que atravessou as ruas deste pequeno território da cidade, onde se situam a Tapada das Necessidades, o Palácio das Necessidades (Ministério dos Negócios Estrangeiros), os chafarizes monumentais da Praça da Armada e do Largo Dr. José Figueiredo e os jardins das Necessidades, Praça da Armada e da Rocha.
Participaram "Os Bombos da Brandoa", Cadetes dos Bombeiros Voluntários de Campo de Ourique e as colectividades "Grupo Dramático e Escolar "Os Combatentes", Grupo Português de Excursão e Recreio, Sociedade Musical Ordem e Progresso, além de vários membros dos corpos sociais da "Aldraba, Associação do Espaço e Património Popular"
O convívio que se seguiu na SMOP serviu para rever velhos amigos, enquanto um naco de frango, um rissol ou uma sopa de caldo verde retemperavam as forças da longa caminhada despertando esta parte da cidade para uma data que é de Festa, mais do que um ritual sem eficácia. Festejemos a liberdade que temos de dizer o que sentimos, entre outros bens conquistados com luta e lutemos para que ninguém feche as portas que Abril abriu, como muito bem disse o poeta Ary dos Santos.
Texto e fotos de LFM