"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"
segunda-feira, maio 30, 2022
SOBRE O LIVRO "NO FIM DE UM LUGAR" DE FERNANDO CHAGAS DUARTE
quinta-feira, abril 28, 2022
NOTAS DE LEITURA ACERCA DA MONOGRAFIA SOBRE MOSTEIRO, DE JOÃO COELHO
João Coelho, sendo autor de alguns livros de Poesia e tendo assinado vários prefácios em obras sobre Pedrógão Grande lançou-se na grande aventura da sua vida, investigando de forma exaustiva tudo que era possível saber, através de testemunhos orais e documentais acerca de Mosteiro, seu torrão natal, terra á qual ficou sempre ligado, participando no Associativismo e concretizando a sua habitação para os desejados regressos.
Amante da Natureza, guarda na memória tradições, que com o envelhecimento da população, resistem para lá do tempo em que integravam gestos quotidianos comuns a todas as famílias, entretanto reduzidas pelas migrações e pela lei da vida.
Da simples fonte e seus mistérios às
produções do mundo rural, João Coelho analisa toda a actividade da aldeia que o
viu nascer.
A evolução do século XX acompanha estas
páginas, desenvolvendo-se como num filme os aspectos migratórios, a habitação,
a vida familiar e a alimentação.
Sobre a actividade produtiva o olhar
atento de João Coelho detém-se na agricultura, a cultura do milho, os poços, a
oliveira, o burro, a floresta, o comércio, as profissões.
No património edificado destaca a fonte
das lajes, a capela de S. Pedro, os moinhos de água, os lagares de azeite, a
praia fluvial, o coreto, o lavadouro.
Aborda as Comunicações e Serviços
designadamente as estradas, a ponte centenária, o correio, a rede eléctrica, o
abastecimento de água, o telefone, a toponímia.
Nos usos, costumes e tradições João Coelho
informa-nos sobre o profano e o religioso.
Tratando de incluir os pormenores tão importantes que o leitor menos atento poderia descurar, lembra as escolas, os mordomos da festa, o zelador do regadio, a Comissão de Melhoramentos, a presença deste lugar no cortejo de oferendas, a Associação de Moradores e a Junta de Agricultores ficando bem retratada a Cultura e o Associativismo.
A Fauna e a Flora, os divertimentos
infantis e dos adultos, a medicina popular e as superstições incluem o barbeiro
curandeiro, os tratamentos caseiros e as plantas medicinais.
Completa o vasto naipe de conhecimentos as
expressões populares (vocábulos de A a Z) os provérbios e as curiosidades de
linguagem.
Trata-se de uma meticulosa e aprofundada
investigação.
João Coelho frequentou vários arquivos,
leu obras de referência como as ervas, usos e saberes de Mestre José Salgueiro,
A Serra e a Cidade - O Triângulo Dourado do Regionalismo, da Professora Maria
Beatriz Rocha-Trindade só para citar duas delas.
Acompanhei este afã, interrompido por vicissitudes que felizmente foram ultrapassadas, surgindo, enfim o livro tão ansiado que tanto nos oferece, enriquecendo-nos com a História e as estórias que uma aldeia tranquila onde o silêncio é coroado com a melodia das águas da bela ribeira que traz ainda mais encanto para Mosteiro, onde o xisto ainda se mostra em algumas habitações reabitadas na época estival pelos que regressam às origens.
Nenhum sítio e nenhuma Monografia são iguais, apesar das semelhanças porque a identidade e a pertença permitem realçar o irrepetível.
Parabéns a João Coelho por este legado que
deixa à Comunidade, tão eloquente, tão necessário, tão completo.
21-4-2021
Luís Filipe Maçarico
segunda-feira, abril 11, 2022
Estatutos e Regulamento Interno do GDEC revistos
Os associados do GDEC responderam à convocatória da Presidente da Mesa da AG Maria Eugénia Gomes, que deu a palavra à Comissão indicada pela direcção e constituída por Tiago Mendes e José Alberto Franco, que apresentaram um extraordinário trabalho de revisão de estatutos e Regulamento Interno, excluíndo redundãncias, desbastando artigos até se concentrarem na essência.
Parabéns à colectividade por este exaustivo esforço, partilhado por todos os que vivenciaram a "maratona".
LFM (palavras e fotos)
João Coelho apresentou Monografia sobre Mosteiro na Casa do Alentejo
Foi na presença de ilustres convidados que João Coelho apresentou, na Biblioteca da Casa do Alentejo a sua Monografia sobre "Mosteiro" (Pedrógão Grande).
Apresentado por Rosa Calado e Luís Filipe Maçarico, a obra mereceu da parte da numerosa assistência considerações muito elogiosas, que realçaram o valor do trabalho de recolha do autor ao longo de vários anos.
Na realidade, trata-se de um exercício exaustivo de memória, evidenciando a vastidão patrimonial que uma terra tão rica em costumes e recursos propiciou. O conhecimento dos presentes e daqueles que anteriormente na própria associação de Mosteiros tiveram acesso ao livro, ficou certamente bastante enriquecido pela informação consultada (e até escutada) e transmitida nas suas páginas. Parabéns ao ex-autarca, que continua a ser associativista.
Luís Filipe Maçarico (texto e fotografias)
Evocando Nuno Teotónio Pereira, com Fernando Venâncio e sete dezenas de caminheiros
Há algumas semanas atrás, em Galegos (Marvão) reuniram-se sete dezenas de caminhantes, para evocar a passagem de dois jovens pela fronteira, rumo à Liberdade, escapando à mobilização militar para a guerra na Guiné.
Fernando Venâncio, reputado professor e escritor, que reside em Mértola, sua terra natal, foi um deles. O outro Amigo, de seu nome Joel Pinto, pastor evangélico na Suíça, evidenciou o agrado sentido pela partilha. Ambos participaram, elogiando o papel determinante do arquitecto Nuno Teotónio Pereira, que os acompanhou no "salto".
Presentes, entre outros o neto Tiago e José Alberto Franco da Aldraba, que integrara essa jornada libertadora, em tempo de ditadura. Na ocasião, foram lidos vários textos evocativos dos protagonistas, conviveu-se atravessando um caminho de lajedos, entre cursos de água e sobreiros e desfrutou-se de um almoço bem simpático no Lagar de Galegos, dirigido pelo neto dos antigos proprietários.
Luís Filipe Maçarico (texto e imagens)
domingo, abril 03, 2022
MARVÃO - TERRA ENCANTADA
Há uma semana atrás visitei Marvão. Percorri boa parte do seu concelho, cuja beleza natural aconselho a desfrutar àqueles que amam terras mágicas. Mas o seu castelo, que defendeu a vila de inúmeros invasores e ajudou a vencer contendas, sempre condenáveis, que a História registou, é um dos mais impressionantes monumentos do nosso território. Património único, pois as suas muralhas emergem de um rochedo gigantesco, fica na retina, guarda-se na memória, jamais esquecemos o seu valor.
Luís Filipe Maçarico (texto e fotografias)
domingo, fevereiro 13, 2022
AMORES DO LESTE NA CULTURGEST
A Nova Companhia de Teatro-Performance, Hotel Europa, apresenta seis desempenhos de actores que testemunham realidades vividas, quando alguns deles estudaram - O português Jorge Cabral - e trabalharam em países do Leste, durante a União Soviética (o caso de um actor moçambicano e de uma actriz cabo verdiana) ou nasceram e cresceram na RDA e Checoslováquia...
Interpretações excelentes, condução de actores de grande qualidade criativa por parte de André Amálio, também intérprete com Teresa Havlichova, resultam num espectáculo que mostra sem disfarces as contradições do Ser Humano perante o enfrentamento de situações limite como foi a implosão do sistema comunista em diversos países e as reacções de cada um perante as dificuldades surgidas.
Neste sábado foi a última representação em Lisboa, depois da estreia em Liepzig. Segue-se Coimbra Metz e Paris. Jorge Cabral está em grande forma, a par dos companheiros de aventura Andreia Galvão, Mbalango, André Amálio e Teresa Havlichova, capazes de emocionar um público, que continua a assistir a transformações e conflitos, cujo desenlace se desconhece. Parabéns a toda a equipa por este trabalho.
Luís Filipe Maçarico (texto e fotografias)


