O jardim público daquela cidade da raia, que de hoje a uma semana estará a viver intensamente as festas do povo, após sete anos de espera, esteve muito animado com inúmeros campomaiorenses que quiseram prestar a sua homenagem à poetisa.
O povo de Campo Maior e os amigos vindos de longe envolveram-na, tendo a poetisa partilhado durante os autógrafos uma sabedoria invulgar.
(...) Quando a poesia, como um vulcão incendiou as suas veias e espírito, por a ouvirem apresentar versos tão profundos e certeiros, os mais próximos, com estranheza, interrogaram-se sobre o mistério que se evidenciava, inundando os dias de todos os que com ela conviveram, ao longo dos anos.
(...) "Novo Amanhecer" surge, após dias sombrios que Rosa Dias atravessou, com a força que lhe é inerente, esta maravilhosa energia regeneradora que a faz lembrar a dignidade do trabalhador alentejano, a ingenuidade da pegada dos velhotes, a graciosidade de um percurso, feito de paz e amor, construíndo um espaço único, de amizades, porque cumprindo a caminhada com os valores mais puros na bagagem. Ou como ela diz, "Contar verdades a crianças sem idade/ E dizer bem alto/fiz assim só porque quis"
(...) Saboreemos os seus poemas, escutando-a, folheiem-se os seus livros, acompanhando o seu percurso, através do património e das tradições, demonstremos o quanto nos é grato respirar os sonhos solidários do povo, do qual ela e uma das vozes que não se apagará da memória desta terra."
No início do livro, consta também um texto de minha autoria em que afirmo:
A obra de Rosa Dias, saboreada em actuações da própria, entre o seu Alentejo e Lisboa, passando por Alpedrinha, onde tem um numeroso núcleo de admiradores, escasseia em livro. A boa nova, da publicação de uma colecção de poemas, após "Toadas Alentejanas", é um motivo de grande alegria, pois o percurso de Rosa Dias merece a maior admiração, pela beleza que nos consegue transmitir, pela inquietude e serenidade que neste ou naquele verso partilha.
De raiz tradicional, a sua poesia é música de regato fresco, campo matizado pela harmonia, raíz iluminada pela sabedoria, céu da paz desejada.
(...) Sendo homem de palavras, não consigo dizer, com o vocábulo mais adequado, o esplendor desta força genuína, tal é a imensidão de emoções que Rosa Dias desperta.
Bem hajas, Rosa, pelo exemplo da tua vida, em torno da salvaguarda do teu Alentejo e dos mais humildes!
Oxalá no futuro, quando já não estivermos cá, o teu nome seja recordado, como a poetisa do povo, que deixou uma pegada luminosa no coração da terra!
Luís Filipe Maçarico (textos e fotografias - com Cristina Pombinho)



