"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

terça-feira, março 13, 2007

À JANICA E AO EDUARDO: APONTAMENTO POÉTICO ESCRITO HÁ QUATRO ANOS


Os amigos são a minha família. Por isso, nunca me canso de cantar a amizade e pessoas que me são muito queridas...

Na luz do pôr do sol
embalado pela flor
da amendoeira,
chegas à terra vermelha e
bebes o silêncio
da tarde fria de Janeiro.

Os amigos esperam-te
com sorrisos de ternura
e música nos gestos.

Chegas à terra dos sonhos e
partilhas a paz. A respiração
da poesia.

Silves, 31-1-2003

Foto e poema de Luís Filipe Maçarico

segunda-feira, março 12, 2007

OUTRO NÃO QUERO SER


Outro não posso ser
senão este que mede
as horas e olha o tempo,
sabendo do novo sol
depois da chuva
cantando ao vento
após um mar de lua.
Outro não devo ser
senão este que pesa
o verbo e reparte o
silêncio sentindo um
velho verso na espuma
da nova rima.
Outro não quero ser.

28-11-02

Luís Filipe Maçarico (foto e poema)

sexta-feira, março 09, 2007

Poemas Escritos em Cuba



Em Dezembro de 1998 visitei Trinidad e no caderno desta visita única nasceram as BRISAS DO CARIBE, poemas escritos em Cuba.
Partilho, com duas fotografias desse caderno que a Sónia Frade registou, alguns desses versos:

TRINIDAD COLONIAL
Em nome de Deus
foi construída a cidade
dos patrões.
Mas quanto suor de escravo
foi explorado para erguer
igrejas, palácios, casarões?
7-12-1998

VARADERO
Sobre o mar esmeralda
o pelicano voa
só ele destoa
neste areal de turistas
onde a tarde escalda.
12-12-1998

PÔR DO SOL NO CASTELO DO MORRO
(SANTIAGO DE CUBA)
Como a poesia
mergulha
nas palavras
assim o sol
se afunda
nas águas
do poema.
5-7 e 8-12-1998

Luís Filipe Maçarico

quinta-feira, março 08, 2007

Velhos Poemas


Tenho aproveitado o meu "retiro espiritual" para arrumar ideias e alguma da muita desarrumação da casa onde morei sempre...
Três caixas de plástico transparente, daquelas que se compram nas lojas chinesas, repletas de versos foi a ocupação do dia de hoje...
Deitei muito papel fora, enquanto encontrava poemas adormecidos, que o tempo parece não ter envelhecido...
Partilho com todos os que habitualmente visitam este espaço. E deixo tradução em francês para que os amigos tunisinos possam, também eles, ler esta minha velha poesia.

De certos dias guardo violetas
de outros apenas a dolorosa
ausência das gaivotas...
1984


De certains jours je garde des violettes
d'autres, rien que la douloureuse
absence des mouettes...
1984


Conhecer
é ficar magoado.
30-9-1984

Connaître
c'est devenir blessé.
30-9-1984

Poemas e fotos de LFM

quarta-feira, março 07, 2007

Entrevista a Paula Cristina Lucas da Silva





A entrevista que se divulga hoje neste blogue, foi realizada em Alpedrinha em finais de Novembro de 2006 e publicada já este ano, no Jornal do Fundão. Volto a apresentá-la, agora neste formato, porque recebi há poucas horas o projecto de livro que a Paula prometeu em Alpedrinha, durante o Encontro de Poetas e que no preâmbulo da conversa revelamos. As imagens têm a ver com o título do livro, cujo segredo não revelamos. Sabemos apenas que vai ser um reencontro da autora com a sua terra, as suas gentes, o verde e o granito, muito intenso. E que embora todos nós passemos por este mundo, caminhando para a partida, a palavra e a montanha ficarão.

A POESIA SURGIU COMO UMA ESPÉCIE DE CHAMAMENTO E PASSOU A FAZER PARTE DA MINHA VIDA

Paula Cristina Lucas da Silva nasceu em Alpedrinha, em 1966. Filha e neta de alpetrinienses, foi naquela vila que casou.

Estudou no Externato Santiago de Carvalho, fez o Ensino Secundário na então vila do Fundão (hoje cidade).

Aos 17 anos saiu de Alpedrinha para se licenciar em filosofia, na Universidade Nova de Lisboa. É professora do Ensino Secundário há mais de dezassete anos.

Foi colaboradora activa da “Informação” da Liga dos Amigos de Alpedrinha, desde os 14 anos, onde publicou desde poemas a entrevistas e artigos de opinião.

Já escreveu prefácios para livros do poeta Luís Maçarico (que hoje a entrevista para o JF) do qual apresentou algumas obras de poesia.

Dirige o jornal escolar “Atitudes” há mais de seis anos, onde estão publicados os mais variados textos.

Reside no Cacém.

O seu primeiro livro de poesia aparecerá durante o próximo ano.

-Quando é que a Poesia surge na tua vida?

-Surge na pré-adolescência, por influência da leitura da literatura da escola, digamos que foi assim uma espécie de chamamento, por identificações e passou a fazer parte da minha vida.

-Tiveste algum professor que te marcasse, em termos de Literatura?

-Tive uma professora de português e em termos do re-escrever, do cinzelar foi mais da parte do dr. Fernando Paulouro, como professor de Jornalismo.

-Como eram os primeiros poemas?

-Tenho a ideia de uns sonetos que neste momento não faço a mínima ideia onde é que andam. Sei que um deles foi publicado na Informação da Liga dos Amigos de Alpedrinha e na altura já tinham a ver com Alpedrinha. A partir daí passaram a conviver poemas sobre Alpedrinha e os intimistas, sentimentais...

- No VIII Encontro de Poetas em Alpedrinha, no passado dia 18 de Novembro, disseste pela primeira vez poesia tua na terra que te viu nascer. Quando começaram a surgir aqueles versos?

-Embora seja um conjunto, são muito dispersos em termos temporais, porque estavam ali poemas escritos de 93-94 até 2006.

-Escreveste na Informação*...como reagiam os leitores?

-Na altura em que eu escrevia na Informação tinha sempre um feed-back muito carinhoso por parte das pessoas, nomeadamente nas crónicas que se transformavam em prosa poética...Como exemplo: a entrevista que fiz à pessoa na altura mais velha de Alpedrinha, a dona Auzenda...tive o prazer de entrevistar o Fernando Namora.

-Durante quantos anos escreveste na Informação?

-Cerca de 20 anos.

- O que sentiste ao dizer poemas diante da tua gente?

- (sorriso)...Bem é um bocado complicado conseguirmos dizer por palavras. Principalmente, porque já tinha 3 experiências prévias. Por exemplo: a leitura que fiz de poemas no 1º Aniversário da Associação Aldraba, embora em contexto diferente e um público heterogéneo.

Aqui, o sentimento é diferente, porque escolho poemas sobre pessoas de e sobre Alpedrinha.

Em termos de público sabia que ia ser mais partilhado e sentido.

Depois, era a timidez. Porque as pessoas, à partida, se calhar, entre o que sou e aquilo que as pessoas conhecem de mim, vai um abismo, que é sempre inultrapassável.

Nestes momentos, parece que estou...que os abismos nos aparecem ali à frente e pensamos “será que isto vai alterar a imagem que as pessoas têm de nós”. Embora haja muita vontade de partilha. Mas há sempre esse receio...”

* Boletim da Liga dos Amigos de Alpedrinha

Entrevista e fotos de Luís Filipe Maçarico

segunda-feira, março 05, 2007

Entre El Almendro e Santa Comba: Memórias Dolorosas







Em Janeiro deste ano, quando gozei apetecidas férias, passei aqui, sobre a ribeira de Chança (volta falsa, como é conhecida). Sítio onde ao longo de anos os contrabandistas atravessavam para o outro país...
Essas memórias vão andar sempre comigo, pois ouvi-os contar o que sofreram. E Em Espanha, escutei histórias de fuga à Guerra. Francisco Moreno (Chico Serrenho) foi lembrado em várias conversas.
O mês passado, lutando contra inúmeras dificuldades, o Foro por la Memoria de Huelva evocou em El Almendro dezenas de republicanos assassinados pelo Franquismo e na pessoa de Maria Júlia Carrasco homenageou e agradeceu a João Carrasco e aos portugueses, a ajuda prestada pelas populações da raia aos foragidos de um regime monstruoso.
Em Portugal, como escreveu no Diário de Notícias a psicóloga Joana Amaral Dias,"Basta comparar o á - vontade com que se lança este museu (Salazar, em Santa Comba Dão) com as contrariedades para colocar uma simples placa-testemunho dos presos e torturados na ex-sede da PIDE para perceber que a nossa democracia ainda tem muito a fazer."
Texto e fotos de LFM

sexta-feira, março 02, 2007

Três Apontamentos Poéticos em Querença (Escritos em Outubro de 2001)




I
Olha-se em redor e
o verde das árvores e
das hortas é morada
de sussurrante silêncio
II
Rodeado de aves,
águas e rumores.
o largo contém
a paz do mundo
nos sorrisos.
III
O canto do galo
e o zumbido do
vento florescem
nestes horizontes
de ar lavado...

Nota: Conheci Querença com a Margarida Alves, que me levou àquele paraíso pela primeira vez. Sónia Tomé mostrou-me mais segredos da terra e, com o presidente da autarquia local e a Associação Aldraba, no início do último Dezembro, o esplendor foi possível.
Em 19 de Outubro de 2001, escrevi estes apontamentos poéticos que partilho, aconselhando quem quiser conhecer a terra a não hesitar esta Primavera.
Quem me dera viver num sítio assim, sem o stress da cidade que me mata. Faz hoje uma semana, que o meu médico me aconselhou descanso total, face à tensão alta, que subiu vertiginosamente.
O blogue, a net é a minha única ponte para o mundo, além das três janelas da casa onde moro. Desliguei telefone e telemóvel, para que nada me incomode.
Preciso de recuperar e só tenho esta vida. Não posso perder mais saúde.
Em Querença, seria certamente mais feliz...
Fotos de Mário Rui Sousa