"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

segunda-feira, setembro 19, 2005

Chico


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Uma das pessoas que mais se entusiasma e trabalha afincadamente para que tudo corra bem, durante a Festa dos Chocalhos em Alpedrinha, é o presidente da Junta de Freguesia, Francisco Miguel Barata Roxo.
Reconheço-lhe essa dedicação. Porque não é de agora. Nas festas anteriores, esteve sempre preocupado com o êxito do acontecimento, dando a cara, desfilando ao lado dos que vêm de fora para animar o evento, conduzindo-os pelas ruas da sua vila, desvendando-lhes segredos patrimoniais e gastronómicos.
Ele acompanha os artistas, sejam chocalheiros ou ranchos, acordeonistas ou poetas.
No rescaldo da festa da transumância,seria injusto não constatar este facto: Francisco é um dos rostos de sucesso do evento.
(fotografia de LFM)

Sertório, o Acordeonista


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Sertório, o acordeonista de Mora presente na festa da Transumância em Alpedrinha, actuou sexta-feira na Capela do Leão e perante uma assistência entusiasmada que esgotava o espaço, recebeu alguns dos mais vibrantes aplausos pelo seu magnífico desempenho, aprendido desde os 6 anos, contra a vontade do pai. Quis o destino que uma avó tenha incentivado o artista a realizar o seu sonho.
Abençoada avó que deixa um executante de categoria para animar as noites de festa do triste território luso, onde os incêndios continuam a matar animais e a destruir aldeias.
(fotografia de LFM)

António Lopes, Pastor e Ícone de uma Festa


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António Lopes voltou este ano a envolver-se na Festa da Transumância,acompanhando os Chocalheiros de Vila Verde de Ficalho pelas ruas de Alpedrinha.
Com 79 anos, Lopes continua a animar o cartaz deste evento,trajando a rigor, convivendo com todos, demonstrando que se pode ser jovem para lá da idade biológica.
O ano passado dançou até altas horas com a sua senhora, tocou harmónica, acordéon e cantou ao desafio. Ficou na memória o seu exemplo de alegria.
(fotografia de LFM)

IV Festa dos Chocalhos- Os Cabeçudos


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Foi um fim de semana diferente em Alpedrinha, este em que a Festa dos Chocalhos inundou as ruas da bela vila com gente simpática e divertida, bombos, gigantones, acordeonistas, poesia, ranchos folclóricos, artífices, mestres gastronómicos, poesia, música clássica e fraternidade.
Fica o testemunho que as imagens captaram.(fotografia de LFM)

sexta-feira, setembro 16, 2005

Alpedrinha, um património a salvaguardar!








Este fim de semana, em Alpedrinha, a poesia da vida vai estar em cada recanto, em cada gesto.
Vale a pena ir até lá para nos deixarmos embalar num tempo de sonho e magia, que a população tem conseguido inventar, recebendo os visitantes com a alegria de quem sabe que uma terra tão bonita deve ser partilhada e estimada por todos, porque faz parte do património da comunidade que lá vive e do país onde está inserida.Só podemos salvaguardar o que conhecemos e amamos. Alpedrinha merece o nosso amor!
(fotografias de Paula Cristina Lucas da Silva, Set. 2004)

quinta-feira, setembro 15, 2005

A Casa de Cera e os Políticos dos Miolos de Esferovite







Dois dias antes de apresentar a minha tese de mestrado fui ver a "Casa de Cera", no Fórum Almada.
Passei o tempo a dizer palavrões, enervadíssimo, a Ana a mandar-me calar e no final saí do cinema com a ideia que os governos portugueses são parecidos com estes filmes.
Quando os partidos de direita deglutem o bolo do poder, as propostas legislativas como a lei laboral e das rendas são horríveis.
Vêm os SóAres, os Fócrates e quejandos e fazem uma ligeira cosmética, para que a proposta passe de péssima a má.
Somos sempre esquartejados,ficamos quase sempre sem um dedo ou um braço-em três anos os funcionários públicos portugueses perderam 10 anos de reforma (de 55 anos e 36 de serviço,no tempo de Guterres, passámos para 65 e 40 em 2005, e já foi denunciado por uma deputada comunista que este governo se prepara para nos reformar aos 68 anos). Perdeu-se o apoio na saúde, e os patrões, que são quem efectivamente manda nos governantes fantoches, andam a rosnar que devemos trabalhar horas extraordinárias de borla e reduzir as férias para haver mais produção.
Enquanto isso carrega-se num botão de autoridade subserviente aos interesses económicos, derrubando em jogada mediática, as torres de Tróia para amamentar os belmiros, permitindo-se a nódoa de mamarrachos que invade e suja a costa portuguesa, como é o caso da bosta de betão obrada na falésia de Sesimbra...
Ao pé da "Casa de Cera" os políticos do poleiro - dos quais me recuso a postar fotos pelo asco que me causam - são macabros títeres ao serviço dos donos dos grandes potentados.
No filme de Jaume Collet-Serra, o desempenho dos actores, a realização, os efeitos - sobretudo no final, merecem a vossa ida ao cinema. Porém, não percam a cabeça, como eu.
Quanto aos politiqueiros de meia tijela só há um destino: o desemprego.
Mas para isso é preciso que dia 9 de Outubro o voto de todos nós seja contra eles: em branco, ou numa alternativa a esta política do saque desenfreado aos mesmos de sempre.Tem de haver uma luz no fundo deste túnel contaminado de mediocridade, inveja,corrupção,demagogia, sacanisse,incompetência, desnorte.
Ficar em casa é correr o risco de ver o filme repetir-se. E eu sou dos que me importo com o estado de coisas.
Por isso gostava que a bobine tivesse o único fim que as películas mal dirigidas e interpretadas merecem: o lixo.

quarta-feira, setembro 14, 2005

Há 17 Anos, Uma Hepatite & Um Imbecil Encartado


Em 1988, no dia 14 de Setembro estavam 38 graus em Lisboa e tinha viagem marcada para São Vicente, Cabo Verde, para o dia seguinte.
Durante uma semana andei a vomitar tudo o que comia e bebia, água inclusivé. Nesse dia, com a Paula e o Fernando dirigi-me às urgências do Hospital de São Francisco Xavier, instituição que a comunicação social dizia ser um modelo de eficiência.
Assisti a cenas escabrosas que desejo apagar da memória.
Eu próprio, com uma hepatite, passei pelo inferno. Confundido, por usar cabelo grande e camisa fora das calças, com os toxicodependentes, fui enviado para o Hospital Curry Cabral, depois de ter pedido a uma médica jovem "qualquer coisinha para conseguir descansar", pois não conseguia dormir.
Enviado numa ambulância para o segundo estabelecimento hospitalar, associado a doenças contagiosas, uma enfermeira mestiça deu-me conselhos médicos, já que o médico, também jovem, estaria cansado.
Já em casa, para iniciar o período de tratamento e repouso, recebo um telefonema de um colega, com fisionomia de lambedor de batinas, que ostentava três cursos, um de teologia, outro de filosofia e outro de direito.
"Mandaram-te para casa?" perguntou histérico, concluíndo "Então foi para te desenganarem, tu estás é com Sida!"
O flagelo começava a ser tema de notícias e conversas e o facto de nunca me ter casado, de não ser como ele, que toca orgão na missa do bairro onde mora, e tem uma família normalzinha, para exibir na folhinha do IRS,levantou suspeitas ao inquisidor moralista.
Ao longo deste tempo, infelizmente,por algum desregulamento, engordei mais 50 quilos do que então pesava.
Depois da convalescença,quando o imbecil me encontrou, se tivesse um buraco para se esconder, para não escutar as provocações que lhe dirigi,louvaria ao Deus dos padres que o ensinaram a ser tão humano para com o próximo.
Desculpem a forma com que termino esta evocação - não estou comprometido com nenhuma religião, nem tenho nada a ver com os territórios mentais de sacanas com ar beatífico - mas espero morrer depois dele...
(fotografia de Manuel Silva, em Penha Garcia,à entrada da exposição de ti Catarina Chitas, Agosto de 2005)