"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

sábado, dezembro 11, 2004

Victor

Há 31 anos no dia 11 de Setembro, prenderam-no. Quatro dias depois, no estádio de Santiago, transformado em campo de concentração, os fascistas torturaram Victor Jara até à morte.
Diz-se que os enfrentou cantando o "Venceremos".
O responsável pelo crime, que chefiava essa prisão gigantesca por onde passaram milhares de pessoas, muitas delas sem regresso para a vida, está a ser julgado.
É tempo de se sentir no Chile "El derecho de vivir/en paz!"

sexta-feira, dezembro 10, 2004

Santa Camarão, 102 anos depois


Descobri-o em Junho de 2002, quando de Ovar chegou uma carta de pessoas com uma memória que o tempo não tinha conseguido apagar, acerca deste herói do imaginário popular e do desporto portugês.Santa Camarão media 2 metros e 2 centímetros de altura e 49,5 de pés.Em cerca de uma centena de combates venceu 70%, em Portugal, Brasil e Estados Unidos. Lutou com os maiores(Max Schmeling, Primo Carnera e Max Baer). Foi actor de cinema (Amor no Ringue, filmado em Berlim, no qual a língua portuguesa foi pela primeira vez falada na 7ª Arte e "The Prizfighter and the Lady", produzido em Hollywood, com Mirna Loy )Arrastou multidões, por cá e nos States, empolgando os emigrantes lusos que viram nele um novo Viriato...
Tudo isto se passou entre 1925 e 1934. Santa nasceu em 25 de Dezembro há 102 anos e faleceu na sua terra natal, em 1968, a 5 de Abril. Tem um filho na América, o sr. Renaldo Santa, a quem aproveito para desejar um feliz Natal e um Ano Novo Bom.
Há um ano foi publicada a biografia de minha autoria "Com o Mundo nos Punhos", edição da CML/Desporto. A tese de mestrado que ultimo chama-se justamente "Os Processos de Construção de um Herói do Imaginário Popular" e é sobre esta figura fundamental do boxe português, que a maior parte das pessoas desconhece. Em próximos textos trarei aqui alguns aspectos deste atleta que os testemunhos confirmam ter sido um homem extremamente humano, pacífico e bondoso.(foto do espólio Santa Camarão/Biblioteca Municipal de Ovar) Posted by Hello

quinta-feira, dezembro 09, 2004

Tá Quase


Há meses que recuso convites para passear, conviver, petiscar, jantar...E tudo porque há uma tese de mestrado para completar. Agora que falta uma semana para a entregar, já sonho com os dias de forrobódó que tenho prometido a toda a gente para me desforrar do tempo ausente. Tá quase!... Posted by Hello

Hennessys, o outro nome do prazer


Há meses que tenho o prazer de conviver com os meus colegas de sala de trabalho neste simpático pub irlandês, cujo proprietário é um japonês da Dinamarca.Aliás este pub é um cadinho de culturas: o Tiago é filho de alentejanos, nascido em França, há caboverdianos,o Eddie que é brasileiro,uma rapariga da Letónia,além da Verinha e do Duarte,que completam o naipe do pessoal mais eficiente e simpático do Mundo - isto à hora do almoço...O chefe de cozinha e os seus ajudantes certamente que guardam um dos segredos mais preciosos que partilham de forma magistral: cozinhar com amor! Qualquer prato é uma obra de arte e uma delícia para o organismo. Depois há as irresistíveis sobremesas e eu confesso outra perdição: Um tanque como o da foto-da autoria da Vanda- de Guiness preta. Para mim, sempre que lá vou e é quase todos os dias, até porque os preços são acessíveis, o Natal dos outros soa a verdade, porque é o gozo de estar vivo e bem acompanhado. Bem hajam, Vanda, Rui, Graça, Rita, queridos coleguinhas e amigos destas horas mágicas!!! Posted by Hello

sábado, dezembro 04, 2004

Uma Receita contra o Ácido Úrico

Lembrei-me de partilhar convosco, para dizerem a quem sofre de dores tão intensas, como aquela que eu senti há anos no tornozelo (parecia que estava a ser furado por um Black & Decker), que se pode ter melhor qualidade de vida. Aliás, quem me deu a receita- o professor Alfredo Flores- garantiu que ela mete na ordem por uns tempos não só o ácido úrico como a diabetes.
Então é assim: durante 20 dias seguidos e sempre em jejum bebe-se um chá que é feito da seguinte maneira: Metem-se de molho 25 tremoços, de um dia para o outro. No dia seguinte, deita-se fora a água onde o tremoçal ficou de molho e dá-se um corte em cada um dos tremoços...vai ao lume, ferve, e bebe-se morno, podendo comer broa e misturar mel, porque é um bocadinho amargoso.
Repito: 25 tremoços cada dia durante 20 dias.
Descansa-se 5 dias.
Segunda fase: 20 dias a 20 tremoços...reparem, é tudo igual, menos o número dos tremoços: desceu para 20...
Descansar 5 dias.
Nova e última dose de chá em jejum, durante mais 20 dias...
Desta vez passa-se a 15 tremoços- e o resto já se sabe...pôr de molho, deitar a água fora, ferver em nova água depois de retalhar cada um cos tremoços...
Se fizer isto com paciência, verá -tal como eu já pude constatar- que os valores descem...ácido úrico e diabetes abrandam...
É claro que também se tem de ter cuidado com a alimentação. Mas vale a pena o sacrifício: depois até dá para fazer exibições de contorcionismo...as dores desapareceram!
Abençoados remédios caseiros, como este que a mãe do professor Flores lhe ensinou, ele partilhou comigo e eu resolvi revelar-vos...
Aliás aquela senhora disse-me um dia que o seu quintal em Matosinhos é o melhor remédio para curar maleitas. Garantiu-me que há-de pagar aos familiares e amigos uma festança, para festejar os 100 anos, em Itália e que o vinho vai ser Chianti...
Quem transporta no sorriso a sabedoria de uma vida, merece estas palavras de agradecimento pelo bem que fez, de forma tão simples e desinteressada.
Retribuo com uma paisagem da Toscânia, muito especial, porque é para ser imaginada.

quarta-feira, dezembro 01, 2004

O Pesadelo

Era impossível prolongar este susto de mentecaptos a decidirem o nosso futuro, este descambar que nos amargurava e envergonhava, tirava o sono e roubava os sonhos. Este mudar de opinião três vezes ao dia, a pose balofa de mensagem vazia.
O senhor Presidente da República, que num domingo de Outubro ignorei, quando na mesa ao lado tomava um café com o filho no Heynessis, nem como medida profilática deveria ter permitido que estes senhores se tivessem sentado na cadeira que grandes homens e mulheres "aqueceram"...
Aproveito para oferecer uma flor de luz- onde quer que esteja o seu espírito- a Lurdes Pintasilgo, portuguesa extraordinária, na qual votei para Presidente da República, que não resistiu ao riso alarve e grotesco dos carcereiros da harmonia.
Suspiremos de alívio então e empenhemo-nos para que o ar lavado se mantenha por muitos e bons anos, e que um ciclo de políticos competentes surja no horizonte próximo.
Para refazermos a caminhada sem avantesmas nem labregos, daqueles que são contra o aborto mas usam a metáfora dos bébés prematuros sufocados para exprimirem a sua pobreza mental.
Oxalá este tenha sido um decisivo golpe de misericórdia no bananal pantanoso em que isto estava a transformar-se...

quinta-feira, novembro 25, 2004

O Terceiro Mundo é onde???


Sidi Bou Said é uma cidade azul e branca, belíssima, construída em anfiteatro diante do Mediterrâneo, a dois passos de Cartago e a escassos quilómetros de Tunis. Passear nas suas ruas de jasmim e buganvília, observando as portas com 3 batentes, um para o homem, outro para a mulher e outro para a criança, todos com sonoridades diferentes, é mágico. Já por lá andei com sol e chuva, em dias de frescor e em tempo de lume e cigarras, e por ali bebi um extasiante chá de menta com pinhões. Mas o que eu hoje venho dizer aqui é que num país dito do 3º mundo, a verdade é que as portas e as aldrabas do centro histórico são preservadas e até há colecções de postais com este património, valorizando-se junto do visitante essa identidade que os objectos com valor histórico e afectivo conferem. No Portugalete dos espertalhaços, é o alumínio que devora as fachadas, apagando-se séculos de sociabilidades à volta destes utensílios de cunho simbólico. Aqui o que está a dar é o plástico do esquecimento, o tufão do desprezo, o vómito da miséria mental. Quando vejo mais uma triunfante novel porta, metálica e feia, derrubar outra trabalhada, de madeira, apesar de velha, num centro histórico, seja em Miranda do Douro, seja em Lisboa, nessas ocasiões tenho vergonha de ser português...  Posted by Hello