"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

sexta-feira, junho 02, 2023

Lançamento dia 10 às 18h na Feira do Livro do meu novo livro de poesia "Língua de Rumores"


 Dia 10 às 18h no Auditório Nascente da feira do Livro de Lisboa, a editora Lema d'Origem patrocina o lançamento do meu novo livro de poesia "Língua de Rumores".

A capa é da autoria de Rodrigo Dias, o prefácio é de Paulo Câmara e o design de Marta Barata.

Nesta nova colecção de poemas, continua a viagem pelo Mundo, do Norte de África (Marrocos) às Caraíbas (Cuba), passando por Praga, regressando à Beira Baixa e outras regiões de Portugal, como a ilha da Madeira. "Língua de Rumores" é a continuação dos "Versos do Caminhante", valorizando a língua portuguesa que de país em país e de região em região vai absorvendo e registando emoções, encontros, momentos que se tornaram eternos através da palavra.

Obrigado especial ao editor António Lopes, o meu estimado amigo Sá Gué, junto do qual avancei com esta experiência cuja raíz se gerou no festival de poesia transfronteiriça entre Morille e Vilarelhos, proporcionando uma segunda obra editada.

Luís Filipe Maçarico





domingo, maio 28, 2023

EDUARDO OLÍMPIO REEDITADO E CELEBRADO NA CASA DO ALENTEJO


                                                           
Ontem, sábado 27 de Maio de 2023, na Biblioteca da Casa do Alentejo, foi apresentada a reedição pela Colibri das suas obras-primas "António dos Olhos Tristes" e "Um Girassol Chamado Beatriz".

Estiveram presentes muitos leitores e amigos, associativistas e autarcas de Santiago do Cacém e Alvalade- Sado, que já tinham homenageado o autor e filho da terra, Eduardo Olímpio e respectivos filhos e netos.

O presidente da junta de Alvalade, Ricardo Jorge Cruz, a vereadora de Santiago do Cacém natural daquela freguesia, Mónica Fialho de Aguiar, a Professora Rosa Calado da Casa do Alentejo, o professor Deodato Guerreiro, Fernando Fitas e Luís Filipe Maçarico, além de Fernando Mão de Ferro, o editor, intervieram, tendo o poeta falado no final, encerrando com chave de ouro uma maravilhosa sessão de partilha, ficando no ar a eloquência do Dr. Deodato que evocou filósofos gregos para falar do sábio Eduardo Olímpio e a frase "tranquilidade olímpica" com que F. Fitas retratou o autor celebrado. Uma parte da assistência veio de Cuba, Ferreira e Alvalade-Sado. Foi sugerido na sessão e algumas professoras confirmaram que estavam a trabalhar nesse sentido que este livro passasse a fazer parte do Plano Nacional de Leitura.

Tenho a honra de ter sido convidado pelo editor a fazer o Prefácio (a cujo autor pedi autorização para ser publicado):

“ANTÓNIO DOS OLHOS TRISTES” E “UM GIRASSOL CHAMADO BEATRIZ” DE EDUARDO OLÍMPIO: A CELEBRAÇÃO DA VIDA E DOS SERES NO TEMPO MÁGICO DE UMA ATMOSFERA POÉTICA

Quem alguma vez foi à Galiza e escutou uma avó - como me aconteceu - num desfile festivo de flores no dia do Corpo de Deus, em Ourense - ralhando com o neto traquinas numa linguagem ancestral - “se não estás quedo, levas tau tau no rabiósque”, encontra em “António dos Olhos Tristes” e “Um Girassol Chamado Beatriz”, reminiscências dessa oralidade.

Eduardo Olímpio nesta reedição das duas obras oferece-nos várias estórias elaboradas como uma tapeçaria de grande riqueza vocabular e etnográfica, que nos remete para uma língua genuína, tecendo a paisagem mágica do Alentejo da sua infância, usando termos antigos e regionalismos que quase deixámos de ouvir, tais como “escarchava, especou-se, fincados, adejam, abada, estarrabagide, charquinhou, traquitanado, engatinhar, tunante…”

Falo de um grande escritor que não foi devidamente consagrado, não obstante a qualidade do seu percurso literário.

A reedição destes textos faz todo o sentido à luz desta ideia, que muitos dos que o leram conhecem, podendo os novos leitores confirmar pela descoberta da sua escrita prodigiosa.

Óscar Lopes considerou “António dos Olhos Tristes” uma das três melhores novelas de autores contemporâneos, a par de “O Barão” de Branquinho da Fonseca e “A Caça” de Virgílio Martinho.

Efectivamente, na profunda e harmoniosa ligação do seu cérebro às mãos, a palavra é filigrana que molda com uma ternura desusada, inscrevendo-se numa estrita galeria de escritores onde a infância, o amor à Natureza, às pessoas e aos animais fulgem, como o brilho radioso do mais rico diamante.

Lê-lo é sentir um enorme prazer por essa sensibilidade tão forte que ofusca a vulgaridade, exaltando o melhor da existência.

Nestas páginas só há lugar para a celebração da vida e dos seres, no tempo intacto dos livros serenos e doces. Transcendentes, como este…

Eduardo Olímpio é uma espécie de representante de uma tribo ameaçada - os alentejanos, enquanto produtores e defensores de patrimónios e tradições postos em causa.

Quantas oliveiras e sobreiros milenares foram arrancados dos nossos campos, desfigurando a paisagem?

Onde, a diversidade biológica, das ervas e flores aos insectos, que irrompiam pela Primavera entre árvores?

“António dos Olhos Tristes” e “Um Girassol Chamado Beatriz”, ao nível de “A Maravilhosa Viagem de Nils Holgerson Através da Suécia” da Nobel Selma Lagerlöf são textos encantatórios, de um imaginário marcante que dignifica a caminhada humana, com uma atmosfera poética que eterniza o autor e o seu olhar criativo.

Parabéns, Eduardo Olímpio pelo legado incomparável que revela um talento singular, contribuindo para nos fazer sonhar, através do voo da palavra.

Bem Hajas, pela pegada luminosa, rumo ao Futuro!                                                               

 

Almada, 27-4-2023

 

Luís Filipe Maçarico

(Poeta; Antropólogo)


segunda-feira, maio 01, 2023

Praia da Luz de Lagos: Regresso em Abril, depois da Páscoa...

                                       






Há lugares que nos envolvem de uma forma impressionante.

Depois da Torreira, da Zambujeira e de Odeceixe, surgiu a Praia da Luz (de Lagos). Por aquelas paragens tenho fruído períodos entre o Natal e o fim de ano. Temporadas antes dedicadas durante largos anos a Alpedrinha...

Este ano, a seguir à Páscoa, o mesmo grupo destas novas viagens voltou à praia mágica, que no início de cada ano é um oásis e mesmo em Abril ainda tem semelhanças com o Paraíso.

Antes de voltar a Almada, decidi andar a pé sobre a areia e contemplei uma vez mais as rochas e o horizonte de tanto mar.

Luís Filipe Maçarico (texto e imagens)

sábado, abril 08, 2023

VIVER SEMPRE...

 Nos últimos tempos lembro-me bastantes vezes da frase de José Gomes Ferreira, com a qual inicia um dos seus poemas:~

"Viver sempre também cansa!"

Olho em redor, leio os jornais, oiço a rádio, vejo a televisão e não me ocorre melhor comentário.


sábado, fevereiro 18, 2023

ASSOCIATIVISMO- O OXIGÉNIO QUE DÁ SENTIDO À VIDA


                                                                                    

                                                                                     

                                                                           




Ontem, sexta 17 de Fevereiro de 2023, realizaram-se as Assembleias gerais Ordinária (para discussão e aprovação do Relatório e Contas de 2022 e do Plano e Orçamento para 2023) e Eleitoral da Aldraba, na Casa do Alentejo. Votaram 28 associados tendo sido os documentos aprovados por unanimidade e a lista A eleita por todos os votantes, Fui reeleito Vice-presidente da Direcção.

Hoje, prosseguiu a Assembleia Geral Eleitoral iniciada em 4 de Fevereiro, onde também se discutira e aprovara o relatório e Contas de 2022 do Grupo Dramático e Escolar "Os Combatentes". Chegou ao conhecimento da Mesa da Assembleia Geral uma lista preparada pela direcção cessante e votaram os 25 associados presentes tendo havido 23 votos a favor da lista A, 1 contra e 1 abstenção.
Fui reeleito para a vice-presidência da Mesa da Assembleia Geral.

Amanhã, realiza-se a Assembleia Geral da Liga dos Amigos de Alpedrinha, em cujos corpos sociais participo há mais de uma década. Aceitei participar novamente, desta vez enquanto 2º secretário da Mesa da Assembleia Geral. Peço desculpa a todos os associados da Liga por não poder estar presente, dado não haver intervalo entre estas reuniões todas sucessivas, obrigando a que se realiza na Sintra da Beira a uma hora e meia de transportes de Almada para Santa Apolónia e a dormir escassas horas para poder apanhar o Intercidades das 8 e 15 que chega ao Fundão perto do meio-dia.
Ontem, cheguei a casa perto das 21h. Hoje, cerca das 19h. Tive boleias no regresso de Lisboa. Neste sábado saí de Almada às 12 e 30 e tive de apanhar metro de superfície daqui, cacilheiro, autocarro 758 até ao Rato e aí o 733...
Motivos suficientes para amanhã não poder estar presente.
Contudo, para quem como eu já chegou aos 70, o Associativismo tornou-se no oxigénio que dá sentido à vida, a par da Poesia e da Amizade.

Texto de Luís Filipe Maçarico
Fotografias: As primeiras duas registam a Assembleia da fundação da Aldraba com Odete Roque (reeleita para a direcção) e um dos primeiros encontros, realizado no Alqueva, entre as aldeias da Estrela e da Luz (nova); As duas fotografias seguintes documentam a minha participação no palco do GDEC ao lado de Jorge Rua de Carvalho, Jorge e Lavínia Neves na revista "O Teatro Segue Dentro de Momentos" e a Assembleia de revisão estatutária presidida por Maria Eugénia Gomes; As 3 últimas fotografias registam actividades patrocinadas pela Liga dos Amigos de Alpedrinha - um livro apresentado pela Professora Doutora Maria Antonieta Garcia e outro apresentado por Adriana Rodrigues, mãe do Professor Doutor Barata Moura e ainda o meu cartão de associado daquela colectividade da vila do concelho do Fundão.

domingo, janeiro 08, 2023

Um Poema Meu na Antologia "Um Extenso Continente"


Em 2014, Maria do Sameiro Barroso, Maria de Lurdes Gouveia Barata e Alfredo Pérez Alencart organizaram a Antologia de Homenagem ao Poeta António Salvado "Um Extenso Continente".

Participaram duzentos poetas, além de portugueses, da Espanha, do Brasil, Chile, México, Colômbia, Argentina, Perú, Uruguai, Venezuela, França, Itália, Moçambique e Marrocos.

De entre os inúmeros poetas de Portugal presentes neste volume, encontramos poemas de Albano Martins, António Ramos Rosa, Isabel Mendes Ferreira, Leocádia Regalo, Luís Filipe Castro Mendes, José do Carmo Francisco, José Jorge Letria, João Rui de Sousa, Ruy Ventura. Dos estrangeiros cito Raúl Vacas, espanhol e José Miguel Santolaya Silva, peruano, os quais conheço há décadas.

Para quem tiver curiosidade em ler a obra completa deixo aqui o link:

https://www.crearensalamanca.com/wp-content/uploads/2021/06/Un-extenso_continente_1-interior.pdf

Partilho a página 204, onde se encontra o meu poema:


ESCREVO-TE 

Escrevo-te. Na alva folha do bloco. 

Risco e torno a dizer o quanto as

palavras são água para a sede de poesia

 na terra seca de homens com outra sede. 

Escrevo-te para celebrar a tua pegada

na terra deserta de música, onde as asas

 da liberdade há muito deixaram de passar.

 Escrevo-te contra a nudez dos muros

 do impiedoso silêncio, de um vazio que dói

 este cheiro que anuncia a prematura morte das palavras.

 Celebro-te apenas e é tanto. Por seres o clarão

 iluminando de esperança um tempo sombrio.

 Luís Filipe Maçarico (Portugal)

sexta-feira, janeiro 06, 2023

JANEIRAS DO MINHO, DA BEIRA E DO ALENTEJO. HOJE COM AS CANTADEIRAS.


 

No final dos anos setenta fui convidado a integrar um grupo de jovens de Alpedrinha para cantar as Janeiras nas casas de ricos e pobres.
Quatro décadas decorridas, acompanhei a Ronda Típica da Meadela, que cantou as Janeiras na freguesia, rumo ao casario que fica perto do rio que atravessa aquela freguesia urbana de Viana do Castelo. E reparei que algumas casa iluminadas, fechavam as luzes, quando se tocava à campaínha para os moradores assomarem à entrada das habitações, pois evitavam o convívio que todos os anos se repetia, não desejando ser saudados e retribuir com alguma dádiva, conforme um hábito ancestral.
Hoje, dia de Reis, no café Sino Doce de Almada Velha, as Cantadeiras de Essência Alentejana vieram cantar as Janeiras, trazendo nas vozes e nos trajes as tradições do sul.
De Norte a Sul conheço esta mágica forma de preservar costumes muito antigos. E celebro-os, porque só pode entender o futuro quem respeita o passado.
BEM HAJAM!
LFM (Texto e fotografias)