"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

quinta-feira, janeiro 18, 2018

Alexandre Castanheira:Uma Semente de Futuro

Quando comecei a trabalhar no Departamento do Desporto, da Câmara Municipal de Lisboa e apresentei um Projecto de Estudo sobre o Associativismo Comunitário, pesquisei autores, que acerca da temática tinham publicado as suas reflexões.
Alexandre Castanheira foi desde logo referência, como Romeu Correia, vultos destacados dos Clubes e Associações da Margem Sul.
Mais tarde, quando participava na direcção da antiga Federação Portuguesa das Colectividades de Cultura e Recreio (actual Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto), conheci-o, pois partilhou com alguns dos dirigentes associativos o seu conhecimento sobre o assunto.
Um dia, há muito tempo também, disse Poesia com ele, numa sessão com Mário Mata, num bar do Mercado da Ribeira, que na altura era animado por Vítor Sarmento.
Soube que era professor no Instituto Piaget.
Ouvi-o na Antena 1 a propósito do seu romance "Outrar-se"...
Na inauguração da Exposição "Um Homem Chamado Romeu Correia" no Museu da Cidade de Almada falámos um pouco, da caminhada. Senti-o cansado. 
E ontem, através do Jorge Cabral e do Fernando Fitas soube que o seu tempo neste mundo se esgotara.
Aqui fica a minha gratidão pela partilha e pelo sorriso, que marcaram muita gente.
O Futuro reforça-se, através das palavras que homens como o Professor Castanheira semeiam.
Sonhos. Ideais. Raízes. Voos...

Luís Filipe Maçarico

O Cabeçudo Ridículo ou de Como Santa Camarão Dispensa Apropriações Garganeiras

Santa Camarão é uma referência para as gerações de Ovar, que ou o conheceram ou dele ouviram falar. Natural será que o celebrem. Aberrante é que se patrimonialize a figura, para ganhar relevância, ignorando quem fez BD sobre o Gigante (nos anos 20) ou quem - como eu - o estudou, escutando dezenas de testemunhos, consultando vasta documentação, cruzando informações, pesquisando na Biblioteca Nacional, na Cinemateca, no Centro de Documentação do Desporto, na Hemeroteca, na Biblioteca de Ovar, na Imprensa do país e do estrangeiro.

Estudei os grupos de patrimonialização, aquando do centenário do seu nascimento, e tudo o que nesse já distante ano de 2002 foi publicado em jornais locais e nacionais, sendo objecto de análise na minha dissertação de Mestrado, que foi orientada pela Professora Doutora Graça Índias Cordeiro, tendo por arguente o Professor Doutor Jorge Crespo e Presidente do Júri o Professor Doutor Juan Brian O'Neill. A discussão da Tese decorreu no ISCTE, com assistência pouco usual e classificação bastante boa.  

O ponto de partida foi a biografia "Com o Mundo nos Punhos Elementos para uma biografia de José Santa Camarão", editada pela CML/Desporto em 2003, com design gráfico de Paula Guimarães e fotografias de Jorge Cabral, da Câmara Municipal e do Museu de Ovar, dos Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa e de João Sarabando. A obra foi possível, graças ao Grupo de Reflexão Pró Ovar, ao Dr. Manuel Bernardo (então ligado à Biblioteca local), ao Padre Manuel Pires Bastos, ao senhor João Costa, ao Jornalista Fernando Manuel Oliveira Pinto, ao ceramista Marcos Muge e ao próprio filho do desportista Renaldo Santa, residente nos EUA, entre muitos outros contributos e depoimentos recolhidos.

Fundamental foi ler a monumental obra acerca de Ovar, do Dr. Alberto Lamy, o "João Semana" e tantos documentos, que tive o privilégio de consultar, para poder relatar a vida do Campeão.
O livro foi lançado na Sala das Colunas da Biblioteca Galveias, no Governo Civil de Aveiro e na Biblioteca Municipal de Ovar, onde já tinha proferido uma conferência, no âmbito de uma exposição comemorativa do nascimento do boxeur.  Também em Odivelas, realizei outra conferência acerca do atleta.
O meu livro está disponível na Biblioteca Nacional, nas Bibliotecas Municipais de Lisboa e do Porto, nas Universidades de Coimbra e Évora, na Universidade Nova de Lisboa/ Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, no ISCTE e no Campo Arqueológico de Mértola.

Jornais como "A Capital", através de Appio Sottomayor, a revista "História", os jornais "Público", "Correio da Manhã" e "Mundo Desportivo" dedicaram à Biografia colunas e/ ou páginas.
O atleta motivou que fizesse a sugestão à Comissão de Toponímia da Capital, para que fosse atribuída a uma nova artéria da cidade, o seu nome. A Confederação do Desporto de Portugal atribuiu-lhe (por minha proposta, através da CPCCRD - Confederação das Colectividades) um troféu, que o assinala, como um dos cem desportistas dos cem anos da República, recebido no Casino Estoril, numa gala transmitida pela RTP e que foi entregue ao Município de Ovar.

Se isto, - como pretende o autor de uma BD, que persegue o mito, - é não haver nada sobre Santa Camarão, antes dessa BD, então estamos perante uma tentativa de apagamento de toda a memória (Baptista Bastos, Romeu Correia, Beatriz Costa e inúmeros jornalistas desportivos, escreveram sobre o pugilista e disso dei nota no livro) que ao longo da vida do herói foi consolidada, contribuindo para "Os Processos de Construção de um Herói do Imaginário Popular" (assim se intitula a minha tese de Mestrado). Ninguém é dono desse notável património identitário que é Santa Camarão. Mas a ética é algo que falta a algumas criaturas.

Quando fiz a investigação (quer para a biografia como para a dissertação) o autor da BD seria um imberbe. Na actualidade, podemos dizer que que ao negar o que foi realizado antes dele, desprezando fontes, estatela-se no ridículo de se afirmar descobridor do Herói. Comportamento que é um Déjà Vu, pois quando acompanhei factos e figuras relacionados com um dos Grupos de Patrimonialização,  cheguei a ser insultado, porque havia quem não suportava que alguém, vindo da capital, estivesse a pesquisar e a escrever sobre um ídolo do desporto português, cuja pertença - em vez de nacional - se reduzia a uma sufocante utilização daquele símbolo, para fins inconfessáveis.
Pobre gente que adora a Coltura e não sabe nem sonha que, como dizia Artur Bual "ninguém nasce sozinho!"

Luís Filipe Maçarico (texto e fotografias)

quarta-feira, janeiro 10, 2018

Morreu um pedaço de nós


Pergunto-me que utilidade tem inventariar as lojas históricas de Lisboa, se em cada dia que passa elas estão a acabar e o ritmo é vertiginoso.
Na edição de hoje do "Público", que tem vindo a dar a conhecer esta "sangria desatada", a Livraria Aillaud & Lellos é a nova vítima de um brutal aumento de rendas.
A Câmara Municipal de Lisboa nada faz nestes casos, além de ter um inventário.
Lisboa, a cidade genuína, com as suas lojas de referência morre.

No lugar de uma parte destas casas, vemos avançar milhentas baiúcas de água mineral, t.shirts déjà vu, ímans para frigoríficos representando eléctricos da Carris, postais ilustrados e um sem número de bugigangas para turistas pouco exigentes, que apenas buscam um souvenir banal. Baiúcas essas que de tão repetitivas, me parecem configurar uma qualquer "lavagem", havendo sempre no balcão um oriental, trombudo, que parece estar a fazer um enorme favor.

Lisboa, a Lisboa da História Cultural definha. Na Livraria Aillaud & Lellos comprei um magnífico estudo de Teresa Caillaux de Almeida acerca das Invasões Francesas...
Tinha a ideia de comprar mais exemplares (edição Ésquilo) para oferecer.
Li a notícia e fiquei muito triste...

Estas lojas fecham, sem apelo nem agravo.
E a Câmara vai inventariando.
Marina Tavares Dias já pode fazer mais uns livros sobre a Lisboa desaparecida, que nos últimos anos tem sido "um vê se te avias"....

A Cultura Portuguesa está de luto.
Não morreu nenhuma individualidade.
Morreu um pedaço de nós.

Luís Filipe Maçarico

segunda-feira, janeiro 01, 2018

Renovação da Igreja Matriz de Alpedrinha, do Coro e do Chão do Templo

Pela mão do Amigo Francisco Miguel Barata Roxo pude constatar o novo chão da Igreja Matriz de Alpedrinha e respectivo Coro, da iluminação, da pintura de tectos, com os azuis originais, o tratamento de portas e acima de tudo da madeira maciça, oriunda de Belmonte (carvalho e pinho), que enriquece a sacristia.
Bem Hajam a todos os que participaram neste trabalho, inaugurado pelo Bispo da Guarda, Presidente da Câmara do Fundão, Presidente da Junta local e pelo secretário de Estado, que apoia estas obras.
A Comunidade desta Freguesia, que acompanha os ciclos do culto, ao longo do ano, deve estar orgulhosa pela beleza e valor deste espaço muito especial, digno de um roteiro que privilegie a melhor Arte Sacra da região.

Luís Filipe Maçarico (texto e fotografias)

Capela do Anjo da Guarda de Alpedrinha. Imagens de uma Recuperação.

Nem sempre quem recupera a arte sacra tem sabedoria e qualidade, para restaurar com as cores aproximadas os santos dos templos existentes em Portugal.
Tenho tido conhecimento, através da Internet, dos jornais e do espírito crítico de amigos, relacionados com esta área, sejam eles devotos, intelectuais preocupados com estas jóias das Comunidades, nem sempre respeitadas, e também responsáveis por alguns museus, que em uníssono rejeitam tais desmandos.

Algures na Beira Baixa encontrei, numa igrejinha, santas e meninos divinos, todos "recuperados" aparentando ser descendentes ou familiares de Frida Khalo, tal deve ser o fascínio do "artista" pela pintora mexicana...

Todavia em Alpedrinha, a Fábrica da Igreja pode orgulhar-se da forma como o Anjo da Guarda e restantes santos foram tratados.
O próprio espaço foi melhorado, com reforço de iluminação continuada, lateral.
O chão e muitos pormenores mereceram renovação.
Quando as coisas correm bem e não ficam nas mãos de curiosos, quem assume a responsabilidade da escolha dos Mestres, está de parabéns.
Foi bem aplicado o dinheiro obtido na Festa do Anjo da Guarda.
Entramos e sentimos a melhoria.
Aqui fica o exemplo positivo de como se deve tratar este património identitário.

Luís Filipe Maçarico (texto e fotografias)

domingo, dezembro 31, 2017

Perspectivas e Emoções Sempre Novas

Quem me conhece e acompanha as andanças regulares por Alpedrinha deve ter a ideia (perto da realidade) de eu ter vindo aqui dezenas, talvez centenas de vezes.
E é sempre diferente a perspectiva, porque esta antiga sede de um território, que se expandia até à Orca, desperta novas emoções e olhares que são poesia visual. Aliás, os desmedidos horizontes, onde se insinua Monsanto e a campina de Idanha, são um dos grandes motivos pelos quais aprecio andar por estes caminhos.

Luís Filipe Maçarico (Texto e Fotografias)

Arco Íris na Gardunha




A tarde deste derradeiro dia de 2017 lembrou-me Nicola di Bari e o seu "I giorno dell' arcobaleno". A serra da Gardunha e os campos de Alpedrinha ficaram coroados pelo arco-íris. 
"Erano i giorni dell'arcobaleno, /finito l'inverno tornava il sereno..."


Quem acredita em superstições, entre muitos outros sinais, saiba que "ver um arco-íris significa que em breve poderá haver mudanças na vida para melhor, prosperidade, união, alianças positivas, saúde, realização de um sonho em breve, e também dizem que poderá acontecer um novo amor ou até casamento, e que poderá ser duradouro ou para sempre para os que estão solteiros, e também poderá ainda significar vida nova ou mudança de local em breve para melhor" (recolha na Net)


LFM (Texto e fotografias)