"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

sábado, outubro 15, 2016

Apresentação de comunicação em Conferência


Esta manhã, apresentei na Casa do Alentejo, a comunicação "Lisboa: destino de migrantes, confluência de identidades. As Casas Regionais", inserida na Conferência "Exílios, Migrações e Associativismos no Século XX.  A Professora Paula Godinho moderou as duas intervenções da manhã, tendo estado a primeira a cargo da Professora Maria Beatriz Rocha - Trindade.
Agradeço aos Amigos João Coelho e Tristão Cerqueira, pela bibliografia partilhada. E aos dirigentes associativos Albano Ginja, António Vicente, Pedro Franco, João Proença, Joaquim Brito e Rosa Calado, pelos depoimentos que enriqueceram o texto, além de outros testemunhos como o de Rita Cerqueira.
Creio que estive à altura do desafio formulado pelo historiador João Madeira, que me habituei a admirar pelo trabalho em torno das lutas operárias, com o rigor que é a sua marca identitária.
Obrigado também aos diversos membros da Aldraba presentes e às antigas colegas do Gabinete de Apoio ao Associativismo que funcionou no Departamento de Desporto da CML.

Curioso constatar que nestes dois anos de aposentação, tenho sido várias vezes solicitado para intervir, em diversos eventos deste tipo, por inúmeras instituições, enquanto no serviço onde desempenhava funções, passei os derradeiros meses sem tarefas. Os psicólogos explicam aliás muito bem estas circunstâncias: gente mal amada e incompetente, não suporta que ao seu lado haja quem possa produzir trabalho, pois temem que lhes façam sombra. A dor de cotovelo exprime-se por vezes de forma muito violenta. É bom que andem por este mundo muitos anos, para assistirem ao triunfo daqueles que tanto hostilizaram.
Por isso, sinto-me duplamente feliz. 

Luís Filipe Maçarico

sábado, outubro 08, 2016

Apresentação de um livro na Casa do Alentejo e Galardão no Grupo Dramático e Escolar Os Combatentes no seu 110 Aniversário







Ontem, dia intenso. 

Apresentação na Casa do Alentejo do estudo sobre "Cataventos", da Professora Zulmira Bento, publicado pela Câmara Municipal de Alcanena, que contém profusa ilustração fotográfica, designadamente artefactos de todo o país (continente e ilhas), pois a autora recorreu a alguns informantes privilegiados.
A Biblioteca teve uma boa audiência, tendo a Associação Aldraba participado, saudando esta sua nova associada.
Rosa Calado da direcção daquela Casa Regional, João Coelho, antigo presidente das Casas Regionais de Pedrógão Grande e Figueiró dos Vinhos, também ex-autarca, dissertou sobre a importância do património identitário, dando vários exemplos e Luís Maçarico, autor do Prefácio falou do património e da memória oral, em tempo de globalização.
Zulmira Bento passou inúmeras fotografias com exemplares surpreendentes, debruçando-se sobre a simbólica destes objectos seculares.

Hoje foi outro dia intenso, muito reconfortante, em que na sequência do almoço de confraternização dos 110 Anos do Grupo Dramático e Escolar "Os Combatentes", e das habituais entregas de medalhas aos associados com 25, 50 e 75 anos de ligação à colectividade, foram galardoados alguns associados, entre eles eu, pela sua acção cultural e desportiva.
A iniciativa decorreu, durante uma animação especial com quadros revisteiros, muita música e imitações pelo actor Canto e Castro. João Simões disse o poema "É de Noite" do meu 20º livro "É de Noite Que me invento", acompanhado de bailarinas.
Saúdo os 120 associados e dirigentes presentes no evento e todos os responsáveis que ao longo destes 110 anos fizeram da instituição um lugar na cidade de referência cultural.

Luís Filipe Maçarico (fotografias e texto)

terça-feira, outubro 04, 2016

A VIDA por João de Deus

Nascido em São Bartolomeu de Messines em 8 de Março de 1830, João de Deus é um dos nossos poetas imortais.
Dedico o seu poema A VIDA, a Rosa Nascimento, algarvia também e Amiga criativa, que neste momento em que escrevo, completa anos de vida, rodeada pelos filhos e netos (com abraço ao Eduardo Nascimento) na apertada curva da doença e da velhice, que não devia ser tão pesada.
Partilho igualmente com o Fernando Duarte, seu irmão Mário e sua mãe Berta, estas palavras, face à perda recente do seu pai.
Na sabedoria popular, o Outono é este tempo em que as folhas caiem das árvores e a par delas muitas vidas se extinguem.
A todos os que perdem os seus entes queridos faço esta reflexão comovida, com a ajuda do poeta:
 A VIDA

A vida é o dia de hoje,
A vida é ai que mal soa,
A vida é sombra que foge,
A vida é nuvem que voa;
A vida é sonho tão leve
Que se desfaz como a neve
E como o fumo se esvai:
A vida dura num momento,
Mais leve que o pensamento,
A vida leva-a o vento,
A vida é folha que cai!

A vida é flor na corrente,
A vida é sopro suave,
A vida é estrela cadente,
Voa mais leve que a ave:
Nuvem que o vento nos ares,
Onda que o vento nos mares,
Uma após outra lançou,
A vida – pena caída
Da asa da ave ferida
De vale em vale impelida
A vida o vento levou!

João de Deus "Campo de Flores"

sexta-feira, setembro 30, 2016

A Má Gestão dos Canais de TV por Cabo

Adormecemos a ver "Pulp Fiction", acordamos com "Pul Fiction".
A má gestão dos canais de TV por Cabo é deplorável.
Quem a faz? Um robot?
O canal Hollywood é pródigo a reapresentar filmes passados e repassados. Uma  decepção....
Os episódios das séries são repetidos éne vezes.
No caso de Hawai Força Especial, tão depressa estamos a ver a governadora a ser assassinada, como no episódio que se segue a mulher está vivinha da costa.
No Verão houve um episódio que repetia de manhã à noite no dia seguinte, uma semana depois...quando o inspector calmeirão, de meia idade e de origem africana desconfiou de um amigo (que assassinou a companheira).
Não se aguenta.
E a tradução?
Aqui há dias (mas sucede todos os dias) tomei nota desta pérola: "Terão de se avir comigo".
Estamos conversados.

Luís Filipe Maçarico

O amolador de tesouras

Natural de Samora Correia,  o senhor José Martins é o amolador que percorre as ruas de Almada antiga.
Hoje decidi procurá-lo, perseguindo a sonoridade com que se faz anunciar.
No final de alguma andança, serpenteando por arruamentos de vivendas, tranquilos, encontrei-o, simpático e eficaz.
Levei a tesoura de minha avó que utilizei, ao longo da minha existência e terá servido para a acompanhar em muitas estórias e costura.
Disse-me o amolador, que a tesoura, de marca Corneta é um tesouro raro e que antigamente se comprava por cem escudos e até às prestações...
Ainda há bons encontros, na nossa caminhada...

Luís Filipe Maçarico

http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?did=147463

quarta-feira, agosto 31, 2016

EXCESSO DE PUBLICIDADE NAS CAIXAS DE CORREIO

No sítio onde morei 63 anos, as caixas do correio não ficavam a abarrotar de propaganda, - passe a publicidade - do IKEA (que despeja livros), do MINI PREÇO, do PINGO DOCE, do JUMBO (estes todas as semanas) da STAPLES, etc etc.

Tendo passado uma semana em Alpedrinha, tive de pagar retenção de correio, para que a correspondência que me interessa não ficasse fora do receptáculo. E de facto, na segunda feira, fui buscar um envelope suculento, com livros enviados pela minha querida Paula Santos, de Évora, sobre as Invasões Francesas, para enriquecer a bibliografia de um artigo que estou a escrever sobre o tema.

Devia haver quem nos protegesse destas invasões, que nos "entopem" as caixas de correio, de forma abusiva e constantemente. 
Não há pachorra para a atitude agressiva destas empresas, pois não respeitam a privacidade dos cidadãos, impondo e anunciando produtos, cujo resultado é engrossarem a reciclagem de papel. Porque, como dizia o outro, não havia necessidade...

LFM


quarta-feira, agosto 24, 2016

A DIMENSÃO MÁGICA DO REAL


A pintura de Edgar Costa constitui, a par da sua Arte de cortar e pentear, com mestria, o cabelo,  a filigrana cósmica, na qual mistura a sensibilidade e o toque genuíno, numa caminhada de décadas de apuro.
Balada para os sentidos, a colecção das suas telas é uma festa de cor, na contemplação da Natureza, na dança de Nureyev e Margot, tacteando o espaço, voando com o fascínio de gestos imortais.
Os mistérios da terra, irrompem em águas primordiais - que (quase) escutamos, (quase) respirando os aromas das origens, na cintilação de frutos intactos, na sinfonia das fontes.
A melancolia dum poente ou a serenidade da musa, que afaga o felino, espreitam-nos nas paredes da casa onde Edgar Costa se transcende, idealizando paisagens marinhas das Berlengas, de São Martinho do Porto ou das Azenhas do Mar, e nos instantes campestres, singulares e oníricos, que povoam o seu imaginário.
No atelier, um rebanho acaba de ser pintado, entre árvores que são estrofes de vida e um chão de veludo verde, onde a música dos dias se entrelaça, na plenitude de um céu que inspira paz.
Assim são os quadros deste Artista.
A pele, onde Edgar Costa tece a dimensão mágica do Real, com a impressão digital da paleta criativa.
Para partilhar um olhar, onde a beleza é o segredo e o sonho, a sabedoria.

Luís Filipe Maçarico
Almada, 17-6-2016

A Exposição de Edgar Costa inaugura-se este sábado, dia 27 de Agosto de 2016, na Casa do Alentejo e permanece até final de Setembro.

Edgar Costa, nascido em 1937 em Lisboa, é profissional desde os 15 anos, na área do corte de cabelo, primeiro como barbeiro e a partir dos 21 anos como cabeleireiro. Foi precisamente na Casa do Alentejo, que fez uma primeira demonstração, em público, em colaboração com a L' Oreal. Enquanto pintor fez um curso de 3 anos nas Belas Artes e expôs, em Almeirim, na Manfredo - representante de produtos de cabeleireiro, em 2014 os seus quadros estiveram na Exponorte e durante anos participou em Feiras de Artesanato da Junta de Freguesia de Prazeres (Lisboa), mostrando a sua Arte, Na Charneca da Caparica tem 5 telas em exposição permanente.