"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

domingo, janeiro 13, 2013

Do que é capaz, o populismo carnívoro...

Na página 46 do 'Público' deste sábado, Pacheco Pereira escreveu que "Contrariamente ao que se diz, não é o "melhor de nós" que vem ao de cima com a crise, mas sim o pior de nós. Estamos a ajudar a criar uma sociedade maldosa, profundamente dividida, oscilando entre rancores e egoísmos, afectada mais do que nunca pelos efeitos desse velho provérbio de pescadores que diz que o peixe apodrece pela cabeça (...) cada um contra o outro, mesmo quando a condição de cada um é a mesma do outro. (...) Os jovens são instigados a voltarem-se contra os velhos, pensionistas e reformados. (...) Os que ganham 900 euros apontam o dedo aos que ganham 1000 euros. Uma inveja social mesquinha e corrosiva perpassa tudo e todos. (...) O vírus da intriga e da divisão sempre foi a melhor garantia da intangibilidade do poder." 

Consultando a rede social, conhecida como Facebook, tenho a confirmação, visitando uma e outra e outra página. Assustadora, a sombra da Inquisição e de um carnívoro populismo, em certas opiniões...
O medo não é tanto do futuro, mas das pessoas sonâmbulas, que nos rodeiam, que não participam nos movimentos sociais (sindicais ou independentes), ou até de algumas, que vão para a rua manifestar-se, mas que não se precatam, na sua sanha contra a corrupção, de mostrar as garras implacáveis, do mais perigoso reaccionarismo, misturando tudo, atacando até no seu ódio cego e histeria descontrolada, aqueles que são solidários ...o meu receio é daquilo que essa gente é capaz, para que todos fiquemos nivelados por baixo...

Luís Filipe Maçarico (Texto, recolha e foto)

domingo, janeiro 06, 2013

Jorge Neves: A Magia do Teatro em cada gesto!

 Na Foto: Jorge Neves ao lado do palhaço, com sua esposa Lavínia Neves. Jorge Rua de Carvalho, aparece ao lado do último actor, todo vestido de azul.


2012 roubou-me dois Jorges, dois amigos: O Rua e o Neves. Um Poeta e um Actor, ambos dirigentes do Grupo Dramático e Escolar "Os Combatentes", que me levaram, em meados dos anos 90, para a colectividade. 

Do Jorge Rua recordo a delícia dos seus bonecos, representando os Pregões de Lisboa e as Brincadeiras de Infância. A fidelidade. A gentileza. 

De Jorge Neves, falecido no último dia do ano, celebro os grandes valores que o moviam. Afável, sempre bem humorado, um simples gesto produzia gargalhada e bem estar. Nunca escutei um queixume, das várias dores que o incomodavam. Ensinei-o a fazer e tomar o chá de tremoço para o ácido úrico...Quando me via, perguntava sempre, irónico: então, já tomaste o chá de tremoço?
Os esgares, o rosto bonancheirão, com um sorriso, a transcendência - com a magia da sua arte, sobre a passagem dos dias,- colocou Jorge Neves num lugar imortal, na nossa memória colectiva.

Arrepia pensar na grandeza destes Seres Humanos de Excelência. Não esqueçamos a sua passagem por este mundo, honremos esse património identitário!

Este sábado, durante a cerimónia da tomada de posse dos novos corpos sociais da ACCL-Associação das Colectividades do Conselho de Lisboa, sublinhei que, "num tempo em que a memória é volátil, deveremos celebrar os melhores companheiros, que deixaram rasto, em termos de exemplo e acção cultural. Acaso foi menos importante, que qualquer actor profissional, o Jorge Neves, trabalhador da Carris, que no dia em que a mãe morreu, subiu ao palco e fez rir o público? A História das cidades passa pelo empenho destes seres. A mãe de Jorge Neves, sendo analfabeta, fundou a Escola do Grupo Dramático e Escolar "Os Combatentes", para que os filhos dos mais pobres aprendessem a ler. Não podemos esquecer o exemplo  destas pessoas!"

Luís Filipe Maçarico (texto)

sexta-feira, janeiro 04, 2013

"Dê Beijinhos Meus a Esses Corajosos..."

Há uns anos atrás, quando foi aprovada, por um dos Governos do PS, a lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo, o representante daquele partido, na Assembleia de Freguesia dos Prazeres, que Deus tenha a sua alma em descanso, como dizem as beatas, manifestou-se contra, de uma forma inusitada, que apenas refiro para dizer que neste país, há ainda muito troglodita, mas também há gente de espírito diferente, que participa na consumação destas uniões, com agrado, perspectivando existências dignas.
Voltei da Beira Baixa mais cedo, para assistir a um momento que proporcionou felicidade a seres humanos que se estimam, e merecem todo o respeito. Os meus amigos associativistas Álvaro e Júlio casaram-se.
Longa vida, repleta de saúde, alegria, afecto e bem estar para ambos.

Comecei 2013 de uma forma diversa. 
Nascemos para ser felizes, todos os seres, não podemos deixar-nos manietar pelo preconceito e desgoverno, dos que nos querem transformar em múmias, seja na exploração laboral, nos cuidados de saúde, com conselhos arcaicos, nas restrições, que abrangem a educação e a cultura, como no sufoco das emoções, tal é a mentalidade inquisitorial dessa gente, que não sabe o que é trabalhar, ou provavelmente amar, pois são exímios, em moralismos caducos, contra fumadores, contra apreciadores de bebidas alcoólicas, contra quem respira...

Ao almoço, a fantástica Elsa, de um restaurante da zona onde moro, disse-me. "Dê beijinhos meus, a esses corajosos, pelo exemplo. Porque ainda é preciso ter muita coragem par dar esse passo..."
Ainda bem que Portugal deu este passo de gigante, contra a hipocrisia de vidas fingidas. 
Vivam os Noivos!


LFM (Texto e Fotos ) Nas fotografias: noivos, familiares, padrinhos e convidados.



2012: Um Presépio com Sorrisos Tristes

O empobrecimento, consumado em 2012, não se traduz, ao contrário do que os capatazes do sistema financeiro (capitalista, império bancário) tentam fazer crer, num futuro melhor, mas num terceiro mundismo eminente. Por este andar, a Europa daqui a uns anos, ficará reduzida a obscura prestadora de serviços, perante as potências emergentes e a própria África, secularmente remetida para um papel recuado, ficará  com melhores expectativas...
O presépio de Dezembro teve sorrisos tristes...
Neste canto, apesar das desigualdades, há muito que não ouvíamos dizer que idosos, com fracos recursos, não tomavam medicamentos,  imprescindíveis, por não terem dinheiro para os pagar...
Morreram milhares de velhos, nos primeiros meses do ano. 
Constantemente nos chegam verdadeiros bombardeamentos noticiosos, anunciando cortes, nas funções sociais do Estado. O definhamento da assistência, o desemprego monstruoso, a redução de garantias no emprego, na educação, na saúde, precipitaram Portugal para níveis de uma vergonhosa retracção humanitária.
Não admira que os governantes sigam cartilhas salazarentas, como uma fotografia do "Público" revelou...Esta política neo liberal só pode ser inspirada por experiências diabólicas, nazis...
Têm rugas? Cai-lhes cabelo? Terão pesadelos, face ao mal que estão a fazer?
Uns, em Paris, outros, no Brasil, gozando reformas douradas ou férias sorridentes, alguns dos principais causadores do mal estar colectivo, parece que ainda nos gozam.
Têm todos contra eles, mas insistem em destruir o mais que podem...
Ou esta política muda, ou, como leio ou vejo e oiço (ainda hoje, no Fórum da Antena 1, confirmei) o presépio transformar-se-á num filme de terror...
LFM (Texto e Fotos)

sexta-feira, dezembro 21, 2012

Fome de Futuro

Em 1974, o meu Natal foi neste ambiente. Esta era a lixeira onde a tropa (colonial) de Nampula vazava os resíduos dos quartéis... E é bem evidente a evolução civilizacional, proporcionada pela gestão do Estado Português, que aqueles seres exibiam...

Leio na Net que na Galiza, uma brazonada desmiolada, convocou os pobrezinhos do lugar, para uma distribuição de Pão, atirado da varanda do seu palácio, como quem alimenta gado...

Por aqui empobrece-se, um pouco por todo o lado, seres cavernícolas, reeditam gestos, que julgávamos ultrapassados. Alguém comentou, a propósito, que a guilhotina não devia ser esquecida, já que se estão a reviver "tradições"...

Como sou Homem de Paz, prefiro dizer que desejo, a todos os que contribuíram, para que haja um Mundo melhor, boas colheitas em 2013, que as suas lutas não tenham sido em vão, e que, não obstante a sanha persecutória e insaciável dos Ladrões de Sonhos, os frutos que brotarem da sementeira sejam suculentos e promissores. Temos fome de futuro. E havemos de vencer!

Luís Filipe Maçarico

Transumância das Pequenas Coisas na Casa do Alentejo

Gostava de poder partilhar imagens com público (e foram cerca de 50 Amigos numa tarde de Inverno cerrado), mas as fotógrafas que me fizeram chegar o eco das suas reportagens, detiveram-se na Mesa que apresentou "Transumância das Pequenas Coisas", no passado dia 14 de Dezembro, pelas 18h, na Biblioteca Vítor Paquete, da Casa do Alentejo. 

Rosa Calado, da direcção daquele belíssimo espaço da História da Capital, que é simultaneamente embaixada do Alentejo em Lisboa, recebeu os convivas e teceu belíssimas considerações acerca do livro de Luís Filipe Maçarico. 

Nuno Roque Silveira e João Coelho completaram a tríade de olhares cruzados sobre a obra, enaltecendo o percurso do autor e destacando aspectos, que consideraram pertinentes, do conjunto de poemas que constitui o livro. 

Após a intervenção do autor, a Casa do Alentejo ofereceu um magnífico repasto de petiscos regionais, que potenciaram o convívio entre todos os presentes, que já tinham vivenciado - com agrado - a leitura de  alguns poemas que integram "Transumância...", a cargo, entre outros, de Ana Capucha e Inês Valério (filha de Ildefonso Valério), Esmeralda Veloso, Jorge Cabral e Maria Eugénia Gomes. Agradecimento a Vanda Oliveira, autora destas imagens.

domingo, dezembro 09, 2012

Museu Nacional do Desporto

Depois de ter morado num andar de habitação, na Rua dos Anjos, que propiciava ao visitante o encontro com esquifes que saíam do elevador, pois no mesmo prédio havia um lar de idosos, que iam naturalmente falecendo...

Depois de ter habitado o Complexo Desportivo da Lapa, numas vitrines dispersas, ocupando tudo o que era cantinho, entretanto quase transformado em condomínio privado...

Depois de estar previsto para o Pavilhão Carlos Lopes, anunciado com fanfarras, em que Sócrates e Costa assinaram o respectivo protocolo...
  

Nasceu este Verão no Palácio Foz o Museu Nacional do Desporto.

Finalmente, fui visitá-lo. 


O local é digno, central, apelativo. Quanto ao conteúdo, deixei a minha opinião no livro de visitantes:
"Ainda bem que este Museu está instalado em tão nobre lugar. Porém, considero redutor que apenas as modalidades olímpicas sejam merecedoras de tal destaque. E os outros heróis desportivos? Santa Camarão, boxeur mítico, vareiro e português de corpo e alma? E tantos outros... Nem que seja em exposições temporárias, a memória desses homens e mulheres que marcaram a nossa Cultura e são Património Nacional, são dignos dessa evocação (No caso que apresento foi condecorado a título póstumo pelo então Sec. Est. Hermínio Loureiro, com a medalha de Mérito Desportivo!)
Luís Filipe Maçarico 9-12-2012
A Biblioteca Nacional do Desporto, que integra este novo Museu, possui 60 mil registos (monografias, publicações periódicas, vídeos, DVD's, etc.), de entre os quais verdadeiros tesouros como o primeiro livro de desporto editado no mundo, datado de 1577.

Texto e fotografias: Luís Filipe Maçarico