"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

domingo, junho 12, 2011

Melancolia de um Pássaro


Ontem, ao regressar de Alpedrinha, perguntei à vizinha que ficava com o Kiko nas minhas ausências, se o Júnior estava bem e a mulher, com aflição, pôs-me ao corrente da situação: a rola turca bébé recusara-se a comer, nos dois dias que ficou na casa dela.
Pedi-lhe que trouxesse de imediato o animal e, qual não foi o nosso espanto, quando o retirámos da gaiola, onde estava, abriu as asas e começou a rodopiar, biquinho aberto, pedindo o seu Cerelac (pão molhado)...
Se não visse, não acreditava.
Há quem defenda que os pássaros, são amigos de qualquer um, que lhes encha o papo. Será?
O Júnior será a excepção que confirma a regra, ou a estória está mal contada?
Responda quem perceba mais de aves que eu...
Texto e foto: Luís Filipe Maçarico

Encontro de Poetas 2011 em Alpedrinha: Salvé, Maravilha!













































A Né Ladeiras depois de ver estas imagens e ler este post certamente que me desculpará por ir buscar à sua obra este "Salvé, Maravilha!"
É que na sexta feira passada, em Alpedrinha, aconteceu de novo POESIA!
Desta vez, porém, os adultos da assistência e os convidados que estavam na mesa, ombrearam com uma miudagem muito atenta, que também partilhou versos de sua autoria, como foi o caso da Beatriz, ou de Augusto Gil e Luísa Ducla Soares.

Este ano, José Manuel Gema e Teresa Bispo, vieram de Lisboa, trazendo os seus poemas, Marília Hilário, a actual presidente da direcção da Liga dos Amigos de Alpedrinha leu quadras de dois "anónimos", Laurinha (Laura Freire), como é conhecida entre os alpetrinienses, apresentou trabalhos de grande sensibilidade e Paula Lisboa completou este grupo, dizendo Eugénio de Andrade, entre outros, com a dicção certa e a ternura, que os poemas pediam.

Na assistência, além dos meninos, alunos da escola de música da Liga dos Amigos de Alpedrinha, desafiados a fazer o seu poema ou a escolher um texto de um poeta, disseram também versos, entre outros, Alice Peixeiro, Maria Odete, Pilar e António Ribeiro.
José Alberto Franco terminou a sessão poética, dizendo um poema de Aboulkacem Chebbi, poeta nacional tunisino.

A transição dia-noite fez-se com caldo verde, bom vinho, entremeada, morcela e outras iguarias de truz, como uns pasteis de queijo (estes da anfitriã Manuela Castro, que com o marido, voltaram a proporcionar que esta festa decorresse no seu jardim).
Carlos Ventura (em representação da Junta de Freguesia de Alpedrinha), Manuela Castro e Marília Hilário, disseram poemas de Paula Cristina Lucas da Silva e, de entre os pequeninos, houve um menino que fez questão de ler/soletrar uns versinhos que, pelo interesse da criança, fizeram vibrar a assistência, tal como o outro mais crescido que a dada altura se esqueceu de umas estrofes da Balada da Neve, comentando "ai que já não me lembro daquela parte"...

Tenho a certeza que esta iniciativa ficou marcada no coração das crianças, foi um momento de simpático convívio, no quotidiano das pessoas de Alpedrinha, elevando a Liga ao destacado lugar de espaço de cultura e encontro, em torno do património popular, que estes eventos potenciam.

A feliz ideia da direcção da Liga, integralmente feminina, em estimular a apetência pela poesia, por parte dos seus jovens alunos de música, merece os parabéns de todos, pela beleza, harmonia e graciosidade, que pautaram esta sessão, consumada com muito trabalho voluntário destas valentes mulheres, compensado pelo êxito evidente nos olhos brilhantes de grandes e pequenos...

Texto e fotografias: Luís Filipe Maçarico

POMONAS CAMONIANAS - UM DOS GRANDES CARTAZES FESTIVOS DE CONSTÂNCIA


























Não fora a indústria de celulose, que aqui não mostramos, e Constância era o paraíso.
Inaugurada em 1960,- é a segunda unidade de uma empresa do ramo, que foi fundada em 1888, e cuja primeira fábrica foi construída, junto ao rio Caima, em Albergaria, para produzir pasta de pinho, alterou a belíssima paisagem onde o Zêzere se une ao Tejo...

Por estes dias, anualmente, celebram-se as Pomonas Camonianas, assinalando o Dia de Camões, pois consta que Camões ali viveu na sua juventude. A lenda tem tal força que existe a Casa de Camões, um monumento e um jardim, dedicados ao épico.
A Pomona é a deusa da mitologia romana - da antiguidade clássica - das frutas, dos jardins e dos pomares...

Na passada sexta feira, a caminho de Alpedrinha, desfrutei dessas amenas sombras, percorrendo a Feira de Antiguidades, que todos os anos, a 10 de Junho "invade" as ruas da vila-Poema, cuja autarquia é actualmente presidida pelo astrónomo Máximo Ferreira, a quem se deve o magnífico “Centro Ciência Viva de Constância - Parque Temático de Astronomia".

O que me espantou, nesta visita àquele lugar mágico, onde estive com Artur Bual, que ali fez uma exposição dedicada aos poetas, existindo ali um museu Vasco Lima Couto e onde terá vivido Alexandre O'Neill, foi o facto de se ter realizado um casamento, em que todos os convidados e os próprios noivos trajaram à época de Camões.

Portugal, não obstante todas as malfeitorias que têm sido consumadas, ao longo dos séculos (Inquisição, Pide) por moralistas, vendedores da banha da cobra e outros oportunistas, continua a surpreender, pela criatividade e sensibilidade daqueles que não vivem um dia de cada vez e continuam a sonhar.

Bem Hajam estes jovens, que idealizaram (e por isso o programa das Pomonas deste ano integrou este evento) uma forma diferente de projectar o destino, em vez de se deixarem levar pela brisa da manhã...
É claro que, para isso, teve de haver apoios, mas a verdade é que eles conseguiram e foram notícia.
Nem sempre o sangue e a desgraça são os únicos títulos da comunicação social.
A festa, a alegria e a imaginação, como aconteceu em Constância, fazem a diferença, quando se resiste ao medo e ao marasmo, com um traço - marcante - de Poesia .
Luís Filipe Maçarico (texto e fotografias)

segunda-feira, junho 06, 2011

A Arreata de uma Frase: Nunca Digas Um Dia de Cada Vez...










Amiga/Amigo: Respira, voa, vive! - sempre com sonhos!, nunca um dia de cada vez! (e que me desculpem todos os que usam receitas embaladoras, como esta, sem pensarem bem no significado do que se diz), pois essa frase é uma arreata para nos domesticar, pelo medo de existirmos. Se os nossos antepassados pensassem assim, nós não tínhamos vindo a este Mundo...

Um dia de cada vez, impede-nos de planear a vida, de viajar, pelos mares e desertos, de conhecer outros povos e culturas, de estudar, de namorar, de crescer, tropeçando, de experimentar, de conviver, com temor de roubos e bombas, de desilusões e perdas, e põe-nos num abrigo-bunker, contra todos os perigos...

Acabamos por não viver, nem comunicar, pois ficamos à defesa, - meras flores de estufa (apenas com vida vegetativa), em vez de seres humanos que ousem sair do mundo virtual, para amar e contestar, que anseiam e se decepcionam, que se magoam e exultam, porque ARRISCAM!!!


Mesmo com a crise e a troika, com um país doente, com todas as dificuldades anunciadas, além daquelas que poderão surgir, mesmo que o Governo continue - como os anteriores - a criar-nos mais problemas, ou a não os resolver, ajudando, como sempre, os que menos precisam, resistamos, com o atrevimento de não pedir desculpa à vida por estarmos vivos, quando metade da população escolheu praia e curtição, evasão e alheamento e a outra metade seleccionou uma das várias opções...RESPIRA! VOA! SONHA!

Vive enfim a tua vida (tão) curta, contribui para o bem-estar dos que te rodeiam, - sejam humanos ou animais - e deixa uma marca: poema, árvore ou filho!

Porque LUTAR VALE A PENA (e viver também!)

Luís Filipe Maçarico (texto e fotografias - recolhidas na Tunísia)

sábado, junho 04, 2011

Eleições na Aldraba e Convívio no Arraial dos Combatentes
















Nascida em Novembro de 2004, em Montemor-o-Novo, cuja Comissão Promotora - que reuniu, intensamente, nas casas de Manuel e Maria Amélia Sobral Bastos e José Manuel Geoffroy Prista,- preparou o percurso seguinte: fundação e legalização em 25 de Abril de 2005, a Associação do Espaço e Património Popular designada por ALDRABA, concluiu ontem mais um processo eleitoral, tendo vencido (com uma maior participação dos associados) a única lista candidata.

O acto decorreu no Grupo Dramático e Escolar "Os Combatentes", colectividade cuja direcção tem seido de uma enorme fraternidade com a Aldraba, tendo sido celebrada a convergência dos associados que participaram na eleição e quiseram conviver, com os petiscos do magnífico arraial dos "Combatentes", que se mantém, durante o mês de Junho, fins de semana e feriados, nas instalações dos Inválidos do Comércio, com entrada pela Rua do Possolo.
Destaque para a associada Isabel Galacho, que vinda da Holanda, quis conhecer os dirigentes da Aldraba e participou com o marido, neste festejo.

Em nome da Associação, e enquanto fundador, ex-presidente da primeira direcção, presidente cessante da Mesa da Assembleia Geral, e futuro membro da quarta direcção eleita, agradecemos a todos os que desejam manter viva esta ideia, o valioso contributo da sua participação, prometendo mais e bom trabalho, associando mais gente ao projecto da Aldraba, quer nos artigos para a revista e blogue, página Facebook, Encontros e Debates, que entre 2011 e 2013 contamos realizar.

Parabéns, Aldrabistas, por mais este passo!

NOTA: Nas imagens, alguns dos associados que votaram, designadamente, Maria Amélia Sobral Bastos, João Henrique Coelho, João Gonçalo Freitas, José Manuel Gema, Margarida Alves, António Brito e Luís Ferreira, votando.

Luís Filipe Maçarico (texto e fotografias)