"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

segunda-feira, novembro 01, 2010

Os Alternadeiros


São os "Ídolos", a "Operação Triunfo", Teixeira dos Santos, Passos Coelho, José Sócrates, Catrogas, Medinas Carreiras, novelas, telejornais, todos a dar-nos música e a fazer-nos vomitar. Todos disputando um protagonismo serôdio no quotidiano medíocre que somos obrigados a viver.
Já agora: Tanta gente a aplaudir Lula da Silva e quase ninguém a comentar aquela opinião desse "Grande Estadista" acerca da leitura, quando confessou que ler livro é chato...
Será a dona Dilma melhor que o senhor Lula?
Por cá, enquanto o povo não escolher uma verdadeira alterntiva aos alternadeiros do costume, vamos continuar a ter mais do mesmo, a não ser que...
Luís Filipe Maçarico

domingo, outubro 24, 2010

Concretizado um Sonho Mágico!






Abílio Duarte pôde viver um grande momento da sua existência, realizando um sonho tão mágico como o lançamento do seu primeiro livro, após setenta anos de caminhada.
Mais de cem amigos rodearam-no nesta tarde de domingo, sobrelotando a Tasca do Careca, onde decorreu o evento.
José Manuel Osório, Augusto Flor e Luís Maçarico apresentaram o cidadão, o autor e o fadista.
Seis fadistas, entre eles a filha Sara Reis e Lino Manuel cantaram versos de Mestre Abílio, que também interpretou, à viola e à guitarra, um poema seu.
Entre a assistência, os deputados da Assembleia Municipal de Lisboa, engenheiros José Alberto Franco, presidente da Aldraba, Associação do Espaço e Património Popular e João Magalhães Pereira, presidente da Junta de Freguesia de Prazeres, seguiram as diversas fases do evento com visível interesse.
Foram ditas palavras muito luminosas, e de tal modo a energia boa do momento foi envolvente, que à despedida Abílio avisou-me, com um sorriso de satisfação, apesar do cansaço, que vai querer fazer um segundo livro.
Entretanto, o Presidente do Grupo Dramático e Escolar "Os Combatentes", Júlio Machado convidou poeta-fadista a apresentar "Marés da Minha Vida" naquela colectividade.
Foi bom partilhar este dia com um ser humano tão solidário e criativo, rodeado de gente boa.

Texto:Luís Filipe Maçarico; Fotografias: Ana Isabel Carvalho

Lançamento de "Marés da Minha Vida", de Abílio Duarte, hoje às 17h na Tasca do Careca


É lançado hoje, pelas 17 h, na Tasca do Careca, o livro de Abílio Duarte "Marés da Minha Vida", com design de Marta Barata.

Partilho convosco o prefácio que escrevi, para esse conjunto de poemas, seleccionados por mim e pela minha amiga e colega antropóloga Ana Isabel Carvalho:

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ELEMENTOS PARA UMA BIOGRAFIA DE ABÍLIO DUARTE -FADISTA, POETA E MAREANTE

Fui um Saltimbanco

Abílio Duarte nasceu em 28 de Novembro de 1937, na freguesia das Mercês, em Lisboa. O pai, natural de Setúbal “foi pescador e descarregador de peixe” e a mãe, originária da Madragoa, “vendia peixe”. “Em miúdo, conta este filho do mar, cheguei a estar aqui na Ribeira; apanhava baldes de água para lavar as tecas do peixe.” Criado entre a Bica, Madragoa, o Casal Ventoso e Chelas velho, Abílio Duarte é neto de um algarvio, pescador dos galeões (avô paterno) e de um serralheiro do Arsenal (avô materno).

Reformado da marinha mercante e tendo sido serralheiro de precisão de moldes para plástico e de cunhos e cortantes, Abílio assegura, com ironia: “O Salazar ensinou-me a ser comunista!”[1] Acerca do seu percurso profissional afirma: “Fui um saltimbanco, sempre entendi que trabalhar numa mesma casa era atrofiante.” Tendo viajado por todo o Mundo várias vezes, recorda: “América quase toda, uma parte do Brasil, uma parte de África, Ásia…Japão, a Itália toda e a Turquia. Só não fui à União Soviética!”

Abílio Duarte começou a escrever para fados, a partir de um episódio estimulante: “Em 1959, quando fui trabalhar para a Marinha Grande (estava ligado ao fado e trabalhava) foi quando acabei a tropa…queria casar e fui para a Marinha Grande…comecei a sentir a saudade do Fado, foi quando fiz a homenagem ao Alfredo Marceneiro. Tive a felicidade de cantar versos, em dueto, com o Alfredo Marceneiro na casa da Maria Teresa de Noronha, em Cascais. Era casado com a Julieta Reis[2]. Comecei a cantar, a primeira sextilha, que é dum fado do Marceneiro - “Natal do Prisioneiro” - quando canto a segunda, manda-me calar, improvisa o elogio que lhe estava a fazer, cantamos a seguir os dois. Foi dos momentos mais lindos, foi ter a felicidade de fazer um improviso com o Alfredo Marceneiro! A partir daí comecei a fazer algumas quadras (o marítimo é um homem sozinho).”

Das leituras dos diversos escritores que o enriqueceram, salienta António Aleixo, Carlos Conde, Ary dos Santos, Cesário Verde, Álvaro de Campos. “Fui apanhando bocadinhos aqui e acolá. O jornal “A Bola”, quando era trissemanário, à quinta-feira trazia um manancial de formação, feito por rapaziada de esquerda. O “Diário Popular”, ao sábado trazia cultura!...”

Escutámo-lo, longamente, desfiando um rosário de sombras. Com pudor, recolhemos os dados primordiais para esboçar o retrato. E quisemos saber como foi o tempo de ser criança: “A minha infância…pronto! Eu estava perto dos oito anos quando morreu a minha mãe. O meu pai tirou-me à minha mãe e fiquei a viver com a minha avó aqui na Baixa. Porrada foi mato e cara esfregada no colchão.

Estava a comer sopa de massa[3], o meu pai chamou-me: “Olha, a tua mãe morreu, a tua avó vai-te levar, quando lá chegares abraça a tua mãe.”[4]

As memórias doem, têm um sabor amargo: “Juventude, não tive! Não tinha relógio, cheguei sempre cedo ao trabalho. Levava a lancheira para o trabalho, dormia num vão de escada, na Calçada Salvador Correia de Sá, no nº 19, com a minha avó materna…”

Eu Não me Abstraía

Não obstante o fadista afirmar que a sua escrita não está sujeita a espartilhos formais, descortinámos a presença do jogo metafórico e encontrámos termos de origem mais erudita, que fazem evidenciar a puerilidade dos seus versos.

Sem sermos exaustivos, registámos, entre outros, os seguintes vocábulos que aparecem nos poemas de Abílio Duarte: “convénios, mausoléu, arquitectar, retórica, paralelo, autonomia, mareei, eclipsei-me, órbita, épico, boreal, translação, rotação, espoletas, belicismo, rubra, pertinaz, floração.”

A introdução destas palavras, numa parte substancial, ligadas às Ciências, denota uma panóplia de conhecimentos práticos, enquanto profissional da marinha mercante, certamente complementados com uma razoável cultura livresca, que sempre o impeliu a procurar saber mais.

Com um estilo próprio, misto de singeleza e sapiência, a poesia deste homem do povo, que encontrou as agruras da vida no alto mar, durante longas ausências da terra madrasta, reflecte como num espelho, algumas contrariedades.

O falecimento prematuro da mãe, a rudeza do pai, a pobreza em que viviam os desfavorecidos da sorte, esse contexto de dificuldades sobrepostas e sucessivas, marcou o seu percurso de ser humano e o despojamento de uma escrita, onde morte e desencanto espreitam.

Todavia, e teimosamente, no seu horizonte poético surge um jardim de sonhos, abordado com termos mais luminosos.

A Revolução de Abril, esperança dos deserdados, assume nos versos de Abílio Duarte o papel de paraíso, bálsamo, farol.

Depois da grande errância, o prazer de ter cantado pelo país, com Ary, Tordo e José Viana, artistas solidários, que ansiavam como ele um futuro mais fraterno, marcou uma fase exaltante da sua trajectória.

Abílio considera que “A vida nas oficinas, com os colegas serralheiros, que é a vanguarda da classe operária, foi essa vivência que me ensinou. Eu não me abstraía, eu agarrava tudo. E a vida do Bairro Alto também me ensinou. Casei com vinte e dois anos e ensinei a mulher, que tinha vinte e quatro, a pôr uma fralda, pela experiência que tive no Bairro Alto.”[5]

“A vida obrigou-me a ir para a luta”, confirma.

Abílio chegou aos setenta anos com a dignidade e candura dos sábios.

Associativista, ex-presidente da mesa da Assembleia Geral do Grupo Excursionista “Vai Tú”, da Bica e participativo, nas noites de fado das colectividades e da “Tasca do Careca”, continua a vender peixe ao lado da sua terceira mulher, no mercado de Campo de Ourique.

O sorriso, talvez o tenha trazido de longe, das mil andanças, e como os pescadores de pérolas, deslindando tesouros no fundo do oceano, assim desanuvia rosto e gestos…

Quando canta, cerra os olhos e a voz, rouca, desenha pegadas sofridas, ou celebra patuscadas bem regadas.

O quotidiano de um mareante tem altos e baixos, como as ondas do Mar. A vida de um poeta não é menos contrastante…

Os seus versos essenciais e profundos alojam o ferrete de diversas etapas da caminhada, adversas. E um ou outro instante de júbilo.

Por vontade de Mestre Abílio passam a ser património de todos. A sua fruição em livro é a melhor homenagem que podemos fazer a este homem - acompanhando-o nos passos que a existência lhe impôs.

Libertemo-lo do peso de um destino áspero, pois o afecto pode ser lenitivo, atiçando sílabas de contentamento.

Bem hajas, Poeta, pelo teu exemplo partilhado, por esta vontade de soltar a alma, que te fez transcender as amarras que apertam o barco ao cais, o marinheiro ao fadário e o sonho à ousadia de voar.

Lisboa, 14-1-2008, entre as 2 e as 3 da madrugada

17-1-2008, entre as 19h e as 19h e 55m

25-1-2008, entre as 12h e as 18h

Luís Filipe Maçarico

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[1] “O Salazar a mandar sobras para a Alemanha e a Espanha e a minha mãe morreu com 28 anos tuberculosa e os irmãos dela morreram com tuberculose” (depoimento em 9 de Agosto de 2007).

[2] Primeira mulher.

[3] “E a última refeição com a minha mãe foi massa guisada com carne…”

[4] Depoimento em 10 de Agosto de 2007.

[5] Ibidem.

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Fotografia de São Duarte, a quem agradeço, em nome dos Amigos de Abílio, o grande companheirismo, que tornou possível a concretização deste belo sonho que é "Marés da Minha Vida". Ou, como Álvaro Cunhal me escreveu em Novembro de 1995: "vale a pena sonhar, vale a pena ser poeta!"

sábado, outubro 23, 2010

A DESCOBERTA DE UM POEMA MEU NA ANTOLOGIA "NA LIBERDADE"


Um destes dias, quando fazia uma pesquisa na Internet descobri esta Antologia, organizada por Jorge Velhote, Nicolau Saião e Nuno Rebocho. Fiquei feliz por descobrir que lá dentro - página 183 - havia um poema meu, que hoje partilho no "Águas", e a companhia, entre muitos outros, de Albano Martins, Amadeu Baptista, Ana Hartely, António Ramos Rosa, António Salvado, Casimiro de Brito, Ernesto Melo e Castro, Eugénio de Andrade, João Rui de Sousa, Joaquim Pessoa, José do Carmo Francisco, José Fanha, José Luís Peixoto, José Jorge Letria, Manuel Alegre, Maria Teresa Horta, Mário Cesariny, Orlando Neves, Ruy Ventura, Sophia de Mello Breyner Andresen e Vasco Graça Moura, além dos coordenadores, num total de 131 autores.
A edição é da Garça Editores, de Peso da Régua, que assim se associou aos 30 anos do 25 de Abril. "Na Liberdade" foi publicado em 2004. E agora, o poema seleccionado por Velhote, Saião e Rebocho (aos quais agradeço a menção):

EU TINHA UM PAÍS

Eu tinha um país
- talvez a ficção de um país
(e não este país de ficção)
que me levava a atravessar as noites
iluminado pela esperança
dum dia tudo poder ser diferente

eu tinha um amor
- talvez o sonho de amar e ser amado
(e não este vazio disfarçado)
que me levava a viajar dentro das horas
iluminado pela alegria
de cada manhã nascer sempre diferente

mas afinal não tinha nada:
Só eu me possuía!
e uma tarde, olhando em redor
esvaído o rasto duma euforia
deparou-se-me o país estranho:
Só eu me possuía
nesse país que julgava ter
onde inventara o amor que não havia!

LUÍS FILIPE MAÇARICO, in "Na Liberdade", Antologia Poética (Coordenação de Jorge Velhote, Nicolau Saião e Nuno Rebocho), Garça Editores, Régua, 2004, pág. 183.

domingo, outubro 17, 2010

O CISNE SUBMERSO



Foi lançado ontem, num hotel de Lisboa, o livro póstumo de Fernando Pinto Ribeiro "O Cisne Submerso", uma obra cuja edição alguns amigos do poeta, como Julião Bernardes e J. Leitão Baptista, organizaram, para eternizar este vigoroso e sensível testemunho de um homem, que deixou um rasto luminoso neste mundo desconcertante.
Ler os seus poemas, partilhar do seu universo mágico, eis o desafio, que vivamente aconselhamos a quem desejar conhecer esta voz singular da poesia portuguesa.

Há um ano atrás, no boletim do Grupo Dramático e Escolar "Os Combatentes", publicámos uma sentida homenagem ao poeta, que se transcreve, celebrando mais este momento de respiração para as suas palavras:

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FERNANDO PINTO RIBEIRO: COMBATENTE DA LUZ MAIS FORTE

Guardo religiosamente um dossier com palavras. Palavras da vida real de um vate.
Partilha-se, com a suavidade que caracterizava o homem, uma pequena parte dessas palavras inéditas, contadas ao longo de várias sessões, em que nos foi revelando passagens do seu percurso como ser humano e artista..
Durante algumas semanas, Fernando Pinto Ribeiro ganhou nova energia, enquanto revivia memórias dos seus passos.
E foi assim que o saudoso poeta que muitos fadistas cantaram, nos falou:

"Apenas tenho tido o gosto de fazer o que faço, faço para mim, dá-me muita volúpia. Sou preguiçoso, não sou pessoa de grande cultura livresca. Por isso emendo-me, emendo-me, emendo-me. Comprazo-me a recriar. Quando procuro fazer bem feito, envaideço-me" (16-1-2008)

"Eu em criança, recordo-me, muito novinho, comecei a fazer versos. Nas águas furtadas que era a parte mais romântica da minha casa, que era a parte mais romântica da minha casa. Telha vã, onde havia o pote das azeitonas, a salgadeira, os queijos da serra, onde havia a um canto a cama das criadas, que vinham lá de longe...
E escrevia-os então, achei que era ao mesmo tempo tão hermético, sigiloso, misterioso, que não desse a conhecer a ninguém e ia meter nessas telhas vãs...achava que aquilo se devia esconder como os pássaros têm o ovo no ninho."
(16-1-2008)

"Aceitei sempre os perigos, mandaram-me sempre prá frente. Hoje, percebo, tiveram medo, encolheram-se. O meu problema é de conflito de identidade. Como defesa nunca gostei de chamar a atenção sobre mim, escondia-me (...) Precisei sempre do excesso, como costumo dizer, com esta carinha de sonso, sem dar nas vistas. Duplicidade à procura de mim próprio."(30-1-2008).

"Eu nasci na Guarda. Num largo onde se faziam as grandes feiras, onde se vendia tudo: ovelhas, vacas, os saltimbancos, os cegos que cantavam as grandes desgraças todos os sábados.
Em criança sonhava com aquilo tudo. As portas estavam abertas e comecei a assistir àquelas sessões, a rodopiar na poeira, a ver ranchos de ceifadeiras..." (6-2-2008)

"Minha mãe foi criada na abastança na viragem da monarquia. E os meus tios perdulários, ébrios, espatifaram todo o património. O meu pai era filho do farmacêutico de Celorico da Beira, natural de Viseu. A minha mãe ficou a braços com a educação dos filhos (4). Abriu uma casa de pasto, mas foi sempre enganada, ingénua, sempre roubada pela criadagem." (6-2-2008)

"Encontrei os maiores inimigos nos professores primários da Guarda. Fui martirizado, professores ferozes (...) E havia um...Este não só tinha a palmatória, como punha as mãos cá atrás, com ferocidade...chegava a bater com cavacos da cozinha - pimba pimba!!! - esse fulano nunca ensinou nada de nada. Eu safei-me, vou contar um milagre: lia em casa, tinha uma memória espantosa, decorava tudo, mas assim que o via tremia, ficava inibido e ele vai e pergunta: "Integrantes", e eu a gaguejar..."que, se"...safei-me!!!" (6-2-2008)

O depoimento de Fernando Pinto Ribeiro, acerca de uma existência, rica em encontros e desencontros, continua guardado, à espera de uma ocasião, em que a Junta de Freguesia onde ele residia há muito tempo, tenha possibilidade de o editar, com uma selecção de poemas.
Faz falta um livro dele, plural, pois este beirão com coração de lisboeta foi espalhando por jornais, revistas e antologias os seus versos, de sabor erudito e na boca de muitos fadistas e cançonetistas, queixumes e folias da alma, que o povo trauteou.
Obrigado, companheiro Fernando, combatente da luz mais forte - Liberdade.

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O livro chegou, como disse, graças a amigos que tiraram o poeta do limbo em que estava. Renascidos, os versos que integram "O Cisne Submerso" aguardam que novos leitores o conheçam. Fernando Pinto Ribeiro, um nome que fica na Literatura e na Música Ligeira de Portugal.
A edição tem a chancela da Edium Editores.
Esperemos que seja possível compartir estas outras palavras, que o poeta nos trouxe, com a poesia do encontro e a esperança no ser humano, quando decidiu reunir com alguns amigos na Junta de Freguesia dos Prazeres, embalando o seu sonho de espalhar vocábulos elegantes e secretos, como só ele sabia escrever e dizer.

Luís Filipe Maçarico

sexta-feira, outubro 15, 2010

Um Poema de Maria José Lascas


"Meu Amor partiste - um improviso"

Meu Amor partiste... eu sei
sempre partiste para longe, eu sei
e não há escudo que te guarde
nem euro nem barca nem vela que te traga
pois se nem notícia veio d' El-Rei...

a mesa está vazia, não há pão não há vinho
sem filhos não há leite
os velhos esquecidos nem comem
e não há pachorra que os oiça
a dizer que é a miséria de outrora que volta

como a mesa a cama está vazia
sem dinheiro os prazeres são pecado
e só as saudades ficaram
daqui te mando palavras do meu amor
que por ora ainda não paga imposto
Meu Amor partiste, eu sei
e agora até o totobola dá pouco
só se for o TGV que te traga
- se é por ele que a gente se mata...

Maria José Lascas
Fotografia: LFM

quarta-feira, outubro 13, 2010

Comunicação Social: Pilar da Actual Ditadura


Nos últimos dias, a Comunicação Social manipulou, como se vivêssemos em ditadura (e será que não vivemos?) as informações que nos chegavam de França.
Em vez de explicarem que os Franceses tinham aderido, em massa, às manifestações contra o Governo e avançavam para a Greve Geral, porque se opunham ao facto de Sarkozy ter decidido que a idade mínima (com penalizações) para os trabalhadores obterem a reforma passava a ser 62 (em vez dos anteriores 60) e que sem penalizações só poderia ser aos 67 anos (em vez dos 65).
O que se transmitiu foi - e sem explicação - esta mensagem: os franceses não aceitam que a reforma passe dos 60 para os 62.
Ou seja, os pasquins dos patrões do Capitalismo desenfreado, fizeram o seu melhor, ocultando a verdade, para evitar que os trabalhadores europeus pudessem demonstrar solidariedade pelos franceses, dado que a maioria só se pode reformar aos 65...
E ainda dizem que vivemos em Democracia!
Texto e foto de Luís Filipe Maçarico