"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

quarta-feira, setembro 14, 2005

A Descompressão










Todas estas imagens são da autoria da Vanda Oliveira,incluíndo a auto-foto em que está comigo.
Estas imagens, preciosas, revelam a partilha de um momento muito especial, durante o almoço que se seguiu à apresentação da tese, com uma parte dos amigos e colegas,que tinham estado presentes no ISCTE e que se juntaram no Henessys,para celebrar, pois o caso não era para menos.
Foi muito bom ter estas pessoas ao meu lado.
Rosa Dias encantou e emocionou com a sua poesia.As imagens falam por si.

terça-feira, setembro 13, 2005

Tese de Mestrado







Durante quatro anos Santa Camarão fez parte dos meus dias. Primeiro, através da biografia "Com o Mundo nos Punhos", que a Câmara Municipal de Lisboa editou.
Depois, foi tempo de nova recolha etnográfica, em torno da patrimonialização, aquando do centenário do nascimento do boxeur, contactando os actores implicados, grupos informais, instituições e cidadãos isolados, com o objectivo de elaborar a dissertação de mestrado:"Os Processos de Construção de um Herói do Imaginário Popular - O caso de Santa Camarão", apresentada pelas 11 horas da manhã de 13 de setembro de 2005, no ISCTE, na sala Afonso de Barros.
Amigos como Ana Fonseca, Nuno Mathiotte, Cristina Pombinho, Manuel Silva (autor destas fotografias)Alexandra Leandro, Rosa Dias, José Alberto Franco, Dina Mira, Graça Nogueira, Vanda Oliveira, Dias Anjos e Amélia Gouveia, além do coordenador do curso "Patrimónios e Identidades", professor doutor Joaquim Pais de Brito, estiveram presentes, dando-me a honra do seu estímulo.
Presidido pelo professor doutor Brian O'Neill, o júri que era ainda composto pelo arguente professor Jorge Crespo e pela professora doutora Graça Índia Cordeiro (orientadora da tese), decidiu atribuir por unanimidade a nota máxima (Muito Bom).

sexta-feira, setembro 09, 2005

Ninguém Canta como Simone




Simone Bittencourt de Oliveira seduziu os portugueses numa festa do Avante lendária em que Chico Buarque da Holanda também cantou.
Há muitos anos assisti a um inesquecível espectáculo desta grande artista, de voz ímpar, sempre recordado com admiração, ali no Coliseu dos Recreios.
Ontem,quase duas décadas depois tornei a vê-la no mesmo lugar e quero dizer-vos que está imparável, com uma voz maravilhosa, contagiante, mais bonita, mais alegre.
Simone partilha com o público uma cumplicidade mágica, de emoção à flor da pele, não temendo estender a mão a quem está perto,deixando-se tocar num gesto elegante, sensível, poético.
Na sessão de ontem ela autografou enquanto cantava, desceu do palco, beijou,foi ternurenta para miúdos e graúdos e sem deixar o microfone, fotografou a assistência, numa deliciosa performance.
Deusa do afecto, rainha da energia positiva, Simone arrebata multidões. O público saciou a sua sede de música cantando em coro com a Diva. No Coliseu de Lisboa quem sabia de cor as canções emblemáticas de Simone, fez coro, dançou, aplaudindo-a longamente.
Represas passou por lá, só que soou a falso o sotaque brasileiro, e, nitidamente fora do contexto, passou o tempo a berrar para ficar no tom da "Baiana de Gema". Salvou-se o dueto da "Feiticeira", embora alguns pulmões femininos tivessem gritado para ele se ir embora.
Simone terminou a sua actuação distribuíndo rosas brancas, num ritmo enfrenesiado de samba que pôs muita gente a suar de contentamento, saltando da cadeira, bamboleando como podia.
Foi muito bom voltar a vê-la e a ouvi-la.
Fiquei a gostar ainda mais dela e para quem tiver a mesma sensação, recomendo uma visita ao site de onde tirei estas fotografias:
http://www.paulogoncalo.com/simonex.html

quinta-feira, setembro 08, 2005

Fábula


Na festa do "Avante", a minha amiga Cristina Martins foi apresentada a Carlos Carvalhas e a certa altura da conversa saiu-se com esta:
"Ainda há bocado estivemos a cantar "De pé ó vítimas da fome, mas as vítimas da fome estão cada vez mais sentadas a ver televisão..."
(desenho de Álvaro Cunhal)

quarta-feira, setembro 07, 2005

Os Desgovernantes


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Conhecem a minha postura de não postar fotografias de políticos lusos, nem de outros demagogos internacionais...
Venho só questionar, em breves linhas:
1- Inaugurações em barda, a um mês de eleições. Porque será que eles gostam e precisam tanto do trono?
2- Corrupção em vários poleiros. O reino está mais podre do que pensávamos.
3- Enviou militares aos milhares para o Iraque,num ápice. Demorou longos dias a reagir aos efeitos de uma desastrosa incúria. Diques e escoamentos centenários e obsoletos abriram caminho às águas assanhadas. Expliquem-me como é que esta gente ganha eleições. Será que oferecem quilos de queijo à populaça?
(fotografia do deserto tunisino de Rafael Pina)

Pôr do Sol em Djerba


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Rafael Pinaesteve em Djerba nas últimas semanas de Agosto e hoje ofereceu-me esta e outras belas imagens daquela terra mágica, que partilho com os meus leitores, para sonharem com os perfumes de uma viagem até ao Norte de África. Imaginem-se então entre o breve rumor do mar brando, as narinas atiçadas pelo atrevimento do aroma das especiarias, com o embalo de cânticos ancestrais entrelaçando-se no ar, ao pôr do sol...
Sonhar é bom, neste tempo em que há ladrões de sonhos por todo o lado, a começar por aqueles que prometem mundos e fundos antes de ser eleitos e depois de conquistarem o ansiado poleiro passam o tempo a assobiar para o ar, negando tudo aquilo que dantes diziam ser possível de alcançar.

quinta-feira, setembro 01, 2005

Uma Camponesa que vale ouro


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Primeiro, conheci-a através de versos inspirados, que brotam da sua alma andarilha e fraterna. Cada palavra de um poema da Rosa Dias é a voz da sabedoria, misto de experiência, beleza, simplicidade e humanismo. Atrevo-me a dizer com o mesmo equilíbrio de sabores que um bom cozinhado alentejano tem. A Rosa é de Campo Maior, publicou as "Toadas Alentejanas" que tive a honra de apresentar na terra do café, com Isabel Wolmar, José do Carmo Francisco e pedro Albuquerque.
Com ela tenho participado em belos recitais, que aconteceram nas colectividades de Lisboa e da margem sul, além de inesquecíveis momentos em Alpedrinha, nos últimos três encontros de poesia, onde actuou ao lado de poetas locais e nacionais, com imenso agrado por parte da população daquela vila da Beira Baixa.
Ouvi dizer que a querem de novo por lá, na Feira da Transumância...
Do muito que posso partilhar sobre ela, e dela só sei falar de coisas exaltantes e solidárias, pois é uma força da natureza, direi que é dos poucos poetas de quem conheço de cor uma quadra, esta:
"Chamas bruto a quem trabalha,
Inculto a quem não estudou...
Mas vás comendo o produto
que este bruto semeou!"
Gosto muito da Rosa Dias, é uma pessoa a valer. Poeta cinco estrelas, amiga excelente. É caso para dizer que a poetisa que é camponesa, escreve de facto o que sente. E o que sente vale ouro.
(fotografia de Paula Lucas, em Viana do Alentejo, durante o segundo encontro da Aldraba)