"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

quarta-feira, agosto 24, 2005

Sede de Música


Esta noite há uma janela
Com estrelas frias e o mais antigo
Silêncio que as minhas veias
Conhecem. Já vi a Gardunha
A arder, amigos perdi
Na incessante errância
Pelos atalhos do Mundo e
Ainda hoje não sei se procuro
Um jardim de ilusões
Na tinta de lumes
Ou a breve
Respiração da vida numa
Vereda de ciprestes.
Esta noite, há um murmúrio
De seivas e vozes
No ventre da terra
Com sede de música.

Alpedrinha, Outubro de 2003

(fotografia de LFM-chafariz de D.João V)

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terça-feira, agosto 23, 2005

Palácio do Picadeiro


Presidentes da República e Primeiros Ministros visitaram o espaço e prometeram mundos e fundos. No início dos anos 80 escrevi no jornal da Liga dos Amigos de Alpedrinha que aquele monumento estava entregue às galinhas, transformado em capoeira, num abandono e incúria gritantes.
Sábado passado, o espanto foi enorme ao ver esta imagem. Decorridos vários decénios, ei-lo repleto de andaimes, coroado por um guindaste, a caminho do futuro.
Esperemos que a recuperação seja harmoniosa e Alpedrinha e o concelho do Fundão ganhem um novo edifício, onde a tradição e a modernidade coexistam, sem reboliço e mágoas...
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Termas do Cró-II


A água com cheiro a enxofre ainda sai de uma torneira, mas todo o espaço das Termas do Cró exala uma melancolia decadente que motivou algumas frases escritas nas paredes em ruína, como estas: "Não estraguem mais!" e "Por favor recuperem!"
A quem interessará a degradação deste espaço?
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Termas do Cró-I


Sábado passado visitei as Termas do Cró, perto de Valongo do Côa. Contaram-me que por ali chegaram a estar 500 pessoas, entre utentes e pessoal do apoio terapêutico. Disse-me um informante que as freiras que asseguravam o funcionamento das Termas trataram do seu desmantelamento, na sequência do 25 de Abril, acometidas de súbitos receios, que nenhuma água medicinal cura. A minha avó costumava dizer que "a água tudo lava... só não lava é a má-língua..."
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Ponte Sequeiros-II


Dentro da ponte de Sequeiros, a bela jóia de Valongo do Côa, que integrava as vias romanas, existe a antiga "portagem", segundo um habitante, que me relatou "Antigamente, de um lado era Espanha e do outro Portugal, e tinha de se pagar a portagem, porque aqui era a fronteira..."
Não pude confirmar o depoimento, mas mesmo que seja lenda, pensei que seria interessante ilustrar a imagem com estas palavras de um popular...
Para mais informações acerca das vias romanas, vale a pena visitar um trabalho de Pedro Soutinho:
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Ponte Sequeiros


Sexta feira passada fui até à bela aldeia de Valongo do Coa e fiquei maravilhado com este monumento - a ponte Sequeiros, romana. Agradeço ao Mané, à Carla, à D. Mariana e ao sr. António os momentos agradáveis que me proporcionaram. Não podia deixar de partilhar com os meus leitores...
Para quem quiser saber mais acerca desta terra, sugiro que visite http://valongo.free.fr
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quarta-feira, agosto 17, 2005

A Poesia das Pequenas Coisas


São pequenas cintilações quotidianas, livros, fotografias, desenhos, postais, velhos brinquedos. A memória respira neles. A infância e os amigos que já partiram perpetuam-se nestes objectos biográficos. A poesia pode nascer, subitamente, no simples acto de olhar para um destes fragmentos da existência.
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