"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

segunda-feira, dezembro 13, 2004

Uma Garça na Relojoaria



A precisar de pilha nova, o meu Citizen Quartz comprado há dois natais em Alpedrinha, ao sr. Marques ourives, esta manhã parou.
Na Rua Prior do Crato, a dois passos da minha casa há uma relojoaria. Quem dera que todos os problemas da vida fossem como este: muda-se a pilha e o ritmo do tempo torna ao pulso. Só que neste estabelecimento há um pormenor digno de ser contado.

Um dia, no Alentejo,uma jovem garça branca ao tentar levantar voo, não conseguiu juntar-se às demais para se deliciar no carrocel de nuvens, ao vento e ao sol do sul.
O relojoeiro de Alcântara pegou no animal, que habituado à liberdade do céu azul, foi resistindo, recusando comer, de tão triste que estava. Hoje, só aquele senhor consegue amaciar com falas e mimos o coração selvagem do pássaro.Há cinco anos que a relojoaria tem este vigilante, em cima de uma montra de relógios, bem alto, qual sentinela em sua atalaia.

Este quadro das asas impedidas de voar dentro de uma loja do tempo é algo que me impressiona.A Natureza reduzida a um coração sem asas- é assim que vivemos na correria citadina.
Este texto é para todos os pássaros impedidos de voar
(Texto e fotografia de Luís Filipe Maçarico) Posted by Hello

2 comentários:

augustoM disse...

É um crime contra a Natureza privar um animal da sua liberdade, e nisto incluo os jardins zoológicos, onde os animais, se repararmos bem, têm um olhar tão triste.
A respeito do relógio, peça funfamental do nosso dia a dia. Já experimentou andar uma semana sem relógio? É um bom exercício para apurarmos o nosso sentido do tempo. Ajuda-nos a ser mais organizados.
Um abraço. Augusto

Águas de Março disse...

Faz-me igualmente muita pena o ar triste de certos animais em cativeiro..
Relógio? Acho que sendo preciso ainda nos sabemos orientar pelo sol, caramba! ... Mas também não dispenso o meu!
Ana Maria