aguas do sul

"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

sexta-feira, junho 16, 2017

Tertúlia sobre Associativismo no Centro Cultural Raiano

Na noite desta sexta feira 16 de Junho, estarei em Idanha-a-Nova, a convite da Autarquia, para partilhar o meu Olhar sobre o Associativismo.
A sessão onde participo, como orador convidado, insere-se nas iniciativas destinadas a celebrar um século de existência do Club União Idanhense, colectividade, acerca da qual a Câmara Municipal de Idanha-a-Nova organizou uma exposição, patente no Centro Cultural Raiano, espaço em que irei falar, depois das 21:30.
Grande Bem Haja a Eddy Nelson Chambino, colega antropólogo, que nas terras de Idanha tem desenvolvido a sua sabedoria e sensibilidade, em prol da Comunidade!

Luís Filipe Maçarico

sábado, maio 20, 2017

O Primeiro Dia do Nono Festival Islâmico - Quinta 18 de Maio de 2017



O Primeiro dia do Nono Festival Islâmico de Mértola teve um grande nome da música portuguesa no cartaz, na praça Luís de Camões, acessível a todos. Sebastião Antunes e Bruno Batista apresentaram aos visitantes um espectáculo sobre Omar Khayan, o poeta persa, autor das Odes ao Vinho.
Aparte o souk, a loja das t.shirts do Festival, o comboio turístico que vai até ao outro lado do Guadiana, os passeios de burro, as massagens terapêuticas, os chás para tudo, as tâmaras, o calígrafo, este ano destacou-se um segundo pórtico da altura da muralha e o seu criador, esse inefável Manuel Passinhas, que há muito traz a este evento a marca da sua sabedoria, pois vastos são os seus conhecimentos e artes.
Pois saibam todos os visitantes que este nome é fundamental na fruição que tendes, da cerveja artesanal que se bebe ao kebab que se saboreia, numa das lojas do grande mercado, em que a vila se transforma por estes dias.
Contudo e apesar de só se realizar de dois em dois anos o modelo começa a acusar o desgaste da ausência de outros artistas e de novidades no que se expõe.
Só  Mértola, a eterna, mantém a chama acesa da sua beleza ancestral.
Por isso, mesmo que algumas partes do programa não se vivenciem -até pelo cansaço de termos mais uns anos em cima dos costados, é bom contemplar o rio, a torre do relógio, algumas vistas que são sempre novas porque apetecíveis, sonhadas durante o tempo entre festivais.
Depois são os rostos familiares, é bom rever aquelas pessoas, o sr. Ondino barbeiro e o senhor Artur que ao pé do mercado vendia tecidos.
Passamos enquanto andarmos por cá, por essas ruas tortuosas, por esses largos amáveis, por essas escadinhas labirínticas, por essas sombras que anunciam o crepúsculo e a poesia acontece.

Luís Filipe Maçarico (texto e fotografias)


Lançamento no Nono Festival Islâmico de Mértola "Aquela Pequena Sabedoria de Estrelas Repartidas" 21º livro de Luís Filipe Maçarico

                                      

Sábado 19 de Maio de 2017, ocorreu o lançamento de "Aquela Pequena Sabedoria de Estrelas Repartidas" que contou com a presença das Professoras Susana Gómez-Martínez, Manuela Barros e Maria Cardeira da Silva, autora de "Um Islão Prático", e responsável por cadeiras na licenciatura, em Antropologia - UNL - e no Mestrado "Portugal Islâmico e o Mediterrâneo", no Campo Arqueológico de Mértola, onde decorreu esta sessão, no âmbito dum programa alternativo do CAM, no nono Festival Islâmico, promovido pela Câmara Municipal de Mértola.
Odete Palma disse poesia deste meu 21º livro (4º sobre a Tunísia) e foi lido um texto de Maria Alexandra Leandro, durante o evento.
Saúdo os Companheiros da Aldraba presentes e todos os Amigos que quiseram fruir alguns momentos de fraternidade.
Destaco do texto de Alexandra Leandro esta passagem:

"A poesia do Luís transporta-nos para um mundo de sentidos intensos, onde a água, o azul do céu e os muros cobertos de branco se misturam com as vozes e as gargalhadas dos jovens, as transitórias e indeléveis geometrias dos pastores, os gestos suaves daqueles que vivem o tempo como uma serena caminhada.
Nas raízes das oliveiras ou nos voos das aves, a Tunísia oferece ao viajante sedento de verdade uma promessa de eternidade. Uma eternidade cujo véu não pode ser levantado de modo apressado, descuidando os significados profundos dos sucessivos enigmas. Enigmas que exigem respostas atenciosas, minuciosas, responsáveis, poéticas.
Às portas do deserto, a busca pelos oásis encantados deixa entrever os seus desafios e os seus paradoxos. A melancolia e a tristeza também fazem parte desta viagem; mas nunca o desespero.
Os amigos permanecem neste lugar, para lá do tempo, lembrando-nos que a nossa procura não foi em vão, e que é sempre possível escrever a poesia que sonhamos, através das pequenas conquistas.
Viajar com sentido é querermos partilhar com os outros uma mesma humanidade; sermos “nómadas” de uma mensagem de esperança; sermos elos de uma longa cadeia de vontades anónimas que procuram a paz, o entendimento, o cruzamento milenar de culturas.
Viajar é, e devia ser sempre, o edificar d’“aquela pequena sabedoria” que faz de cada um de nós um ser único e, ao mesmo tempo, traduzível na narrativa coletiva que sabemos construir em conjunto - memória coletiva de todas as “estrelas repartidas” que povoam as estradas do mundo e as constelações de vidas que almejam uma liberdade partilhada.
Alexandra Leandro"

O autor, depois dos agradecimentos, citou Sidónio Muralha, que, por ser opositor do regime de Salazar se exilou, mantendo, até morrer, no Brasil, a sua verticalidade. Dizia o poeta:

"Se carácter custa caro/ Pago o preço..."

Recado este, para uma pseudo - elite, que não tem sabedoria, nem sabe repartir o conhecimento...

Evocou depois os quatro livros sobre a Tunísia (oitenta e cinco poemas), terminando assim:

"Como posso não voltar aos lugares mágicos onde calcorreei areias sem mar, praias de águas transparentes e mornas, vergéis tímidos e a mão de Semia, jurando que em Tozeur tinha uma família até ao fim do Mundo?

"Como posso não ter saudades desses irmãos que do outro lado do Mediterrâneo, respiram e sonham como eu?"

Luís Filipe Maçarico (artigo) AIC (fotografias).

segunda-feira, maio 15, 2017

Peregrinar em Morille 2017 com a mochila cheia de Poesia e Fraternidade.

Há dois anos, em Julho, estive no PAN - Encontro de Poesia Transfronteiriça, Património e Arte de Vanguarda.
Vivi momentos únicos, irrepetíveis, desafiadores.
Este ano, uma vez mais fui convidado e decidi ir.
Levarei a mochila cheia de Poesia.
Vou estar com Amigos, como Carlos d'Abreu, Pedro Miguel Salvado, que apresentará o meu novo livro "Aquela Pequena Sabedoria de Estrelas Repartidas" e Laurinda Figueiras, com quem fiz o maravilhoso volume, celebrando a poesia de José Figueiras, seu pai e fundador da Ronda Típica da Meadela, "Por Feitiço, Por Magia"! Vai ser bom contactar com artistas de Espanha e Portugal! Muchas Gracias e Grande Saludo ao Alcalde de Morille, o também Professor da Universidade de Salamanca Manuel Ambrosio Sánchez Sánchez!

Recordo alguns momentos do PAN em 2015 no espaço mágico de Morille:

Salamanca, a Praça Central, um dos sítios do Mundo, onde se respira Beleza e Encantamento.

Uma escultura em Morille, que evoca o interesse pela leitura e pelo conhecimento (o autor será Mestre Elvira?)

Conseguem imaginar um Poetódromo onde cada um diz - no meio do campo - os seus poemas?
No Poetódromo, o povo de Morille saboreia as palavras que os Poetas trouxeram para celebrar a Vida e a Natureza.

Em 14, 15 e 16 de Julho deste ano, Morille torna a encher-se de peregrinos da palavra e do gesto, para respirar uma aragem de Arte e fraternidade.

Luís Filipe Maçarico





segunda-feira, maio 08, 2017

Camafeus & Pantemineiros

Há muito que não era surpreendido por um camafeu, ao telefone, tentando impingir serviços que não pretendo.
Tento sempre ser delicado mas incisivo.
Por vezes digo-lhes que estou num velório para não os ouvir....
"Não estou interessado", disse hoje, com tranquilidade, pois parto do princípio que estas pessoas estão a trabalhar...
Então não é que a criatura [pantemineira] de hoje, dispara de repente, muito stressada: "Isso não é explicação!"
"Minha senhora, respondo eu começando a ferver..."Não vou contar a história da minha vida, a uma pessoa que não conheço".
Do outro lado, a voz muda de registo, quase exaltada e desliga incomodada.
Pena não podermos bloquear estes dislates.
É preciso ter muita paciência, para aturar estes aspirantes a mercantilistas, tão mal formados....

LFM

reciclar restos e voltar a fazer sabões e sabonetes



Juntam-se os pedaços de sabão (azul e branco) e de sabonete (cor de mel e vermelho) e cortam-se em quadradinhos pequenos. Mete-se tudo num tachinho, com água e azeite. Uma vez fervida a mistura, que se mexe com colher de pau, o espesso líquido é despejado em formas (podem ser pequenas caixinhas de plástico, de marmelada), a que se junta perfume. Deixa-se secar e desenforma-se. Fica como as imagens mostram, pronto a reutilizar.

LFM (texto e fotos)

terça-feira, maio 02, 2017

Um Semestre de Investigação e Partilha, de Norte a Sul

                                     
Os convites continuam a surgir, para participar como orador, em diversos eventos, onde o conhecimento científico se partilha.
Assim foi, na primeira metade do presente semestre.

Estive em Alcoutim, intervindo acerca do Contrabando em Santana de Cambas, comunicação conjunta com José Rodrigues Simão, que enquanto autarca editou a indagação, realizada na raia de Mértola e em Espanha.
O evento chamou-se Jornadas do Contrabando, ocorreu em Março e nele participaram investigadores de prestígio, como o Professor Eusébio Medina Garcia.

No final de Abril foi a vez de apresentar no Fundão - nas I Jornadas de Arqueologia e Património - uma reflexão acerca dos Museus Associativos da Liga dos Amigos de Alpedrinha.

Os meses que se seguem são intensos, pelos desafios aceites.
Espero ir a Mértola apresentar um livro de Poesia, no Festival Islâmico. 
Depois, na Meadela (Viana do Castelo) participo, uma vez mais, nas Jornadas de Cultura Popular. Em Moura, falarei do Mediterrâneo e da Poesia.
E em Idanha-a-Nova, o tema a abordar será o Associativismo.
Aqui está a prova que,  - e ao contrário do que tentaram fazer passar, no antigo local de trabalho, - o meu contributo é desejado e respeitado.

Espero estar sempre à altura das expectativas. Quem me conhece, sabe que procuro sempre fazer o melhor que posso.

Luís Filipe Maçarico

quinta-feira, abril 27, 2017

"Entre a Estrela e o Tejo" Nas I Jornadas de Arqueologia e Património


Iniciam-se amanhã, sexta feira 28 de Abril de 2017, no Fundão, as I Jornadas de Arqueologia e Património, onde vou participar, com uma comunicação.
Além do Dr. Pedro Salvado, director do Museu Municipal de Arqueologia José Monteiro, vou ter  o ensejo de assistir a intervenções de Miguel Rego, director do Museu da Ruralidade, de Entradas e de Maria Teresa Bispo, técnica Superior da Câmara Municipal de Lisboa, as quais vou fruir, como quem saboreia frutos que fazem bem ao espírito...

Eis a "ficha técnica" da minha comunicação:

" O que não tem função é arqueológico" - Museus Associativos de Alpedrinha: Tradições extintas contadas por objectos e memórias..."


Palavras Chave: Museu, Etnografia, Património, Tradição, Espólio(s), Exposições, Música, Instrumentos Musicais, Rurais e Burgueses.

Resumo: O que é um Museu Associativo. Os dois Museus da Liga dos Amigos de Alpedrinha: O Etnográfico (1985) nos Antigos Paços do Concelho, que resulta de recolha, junto da população, onde se expõe utensilagem de antigas profissões e do quotidiano rural, incluindo vestuário com dois séculos e o da Música (Casa dos Osórios de Sá, doada, com espólio, pertença de uma família de compositores e intérpretes de música religiosa), onde se guardam instrumentos musicais, inclusive da filarmónica Cintra da Beira, pautas aguareladas, piano, uma colecção fotográfica do século XIX, que a Professora Antonieta Garcia considera importante para a Beira Baixa. Estes tesouros, que falam da vida campesina e/ou burguesa, só podem ser visitados mediante marcação, faltando um programa museológico que valorize a freguesia, o concelho, a região. 

O AUTOR: Antropólogo, licenciado pela UNL; Mestre em Antropologia pelo ISCTE (Patrimónios e Identidades); Mestre em História pela UALG (Portugal Islâmico e o Mediterrâneo). Investigou, comunicou e /ou publicou sobre Barbeiros, os processos de construção de um herói do imaginário popular: o caso do boxeur Santa Camarão,  Contrabando, Cante Alentejano, Aldrabas e Batentes, Morábitos, Espantalhos, A Linguagem dos Sinos, Alves Redol, Efabulação e Orientalismo acerca de um objecto simbólico do Mediterrâneo - a chamada Mão de Fátima, Associativismo, Colectividades, Casas Regionais, além de histórias de vida de poetas populares, de Viana do Castelo a Mértola. Poeta, com duas dezenas de livros editados.

Agradecimentos à D. Manuela, ao sr. Francisco Miguel Barata Roxo e à Professora Monia Roxo.

quarta-feira, abril 19, 2017

Maria do Céu Ramos: A celebração da Fraternidade

Há momentos na nossa caminhada em que as palavras escasseiam e o silêncio impera.
No meu caso, e porque não sou crente, uma imensa revolta apoderou-se da minha alma, quando uma das raízes da minha existência partiu.

Vendo tanto desconcerto neste Mundo, sentimos o quanto pode ser injusto um prolongado e doloroso final da passagem dum ser humano, que nos iluminou, desvendando sítios muito belos e quase secretos, lugares tranquilos, palácios de sonho à beira Tejo, quintas perdidas, personagens míticos, revelando lendas ignoradas, gastronomias deliciosas, paraísos inauditos, dando conselhos, que ficaram gravados para todo o sempre, através de momentos únicos, subitamente renascidos num carrocel descontrolado de memórias imparáveis.

Privei com esta pessoa singular e mágica, mulher de partilhas luminosas, que exultava com a grandeza do património do país, mas particularmente do concelho de Almada, que esteve ao meu lado como um pilar robusto na mudança de casa, que quando pressentia alguma solidão ou melancolia, me encaminhava para uma respiração plena de aromas e ventos, tendo sido assim que me levou até ao Cristo Rei, para contemplar a margem onde habitei sessenta e três anos, instante esse de intensa plenitude e cumplicidade, em que ela apesar de debilitada fez questão de partilhar, o qual recordo emocionado.

Fiz questão de festejar o meu aniversário, também em Almada (o primeiro momento foi em Lisboa, onde vivi e trabalhei, com colegas de trabalho e amigos ligados à pintura) para poder tê-la entre aqueles que moram na "margem certa", entre companheiros de sonho, que não deixaram de estar presentes, pelo carinho e admiração que lhe dedicavam.

Visitei-a na sua casa, banhada por uma ternurenta luz, em tarde cálida, tendo tido uma conversa muito simpática, em que desfiou memórias cintilantes...
Fica por realizar a sua ida a África, sonho que desejou realizar, para conviver com primos, que descobriu através da Internet...

Fotografou com intenso prazer tradições, como a Festa dos Tabuleiros em Tomar e patrimónios  imateriais, como o Cante em Pias, tendo escrito um artigo original, na revista da "Aldraba", [associação da qual era vice-presidente da direcção, reconduzida ao longo de várias eleições], sobre Clarabóias.

Não consegui conter as lágrimas perante a estupefacção que o José Alberto Franco, expressou há pouco, ao telefone, perante esta notícia tão injusta.
A Maria do Céu Ramos partiu para outra viagem.
Bem Hajas, querida Amiga, por este laço indestrutível de fraternidade e celebração da vida, que deixaste no meu percurso.

Luís Filipe Maçarico