aguas do sul

"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

domingo, maio 05, 2019

Estória de um Camafeu


A figura é aberrante, grotesca, monocórdica, mas todos se curvam, porque é "doutoral".
Numa terra de cegos, em termos culturais, qualquer camafeu que anseie aparecer, consegue perpetar a cintilação do curriculum para encher o olho à ignorância de um certo Poder diletante, na  feroz e escandalosa ambição de ser promovido, trepando de degrau em degrau, até atingir o patamar sobranceiro.
Preenche assim um vazio, que os "pasmados" em redor não são capazes de superar, porque a vidinha onde chafurdam é o território do seu pleno direito a serem poucochinho. País-pocilga.

Mas verdadeiramente quem conhece o Camafeu? 
Alguns intelectuais apontam-no como autor de uns não-livros. 
O meio académico, onde foi inserido, apesar de o considerar medíocre, alimenta-se no sistema de vasos comunicantes e na respiração boca a boca, com a pronta performance destes lacaios e das correspondentes laicas, que sustêm, à custa de uma diligente graxa,  a asfixia anquilosante. 
A academia tem especial predilecção por tais seguidores servis, verdadeiras cavalgaduras mumificadas, zurrando pseudo cientificidades, surripiadas numa velha mercearia, com enxúndia e  onde se vende bacalhau a pataco.

Todavia, há todo um país que ignora estes estafermos, para lá das cátedras apodrecidas e de uma imprensa sem nível, cujas folhas acabam por servir para absorver a gordura do peixe frito.
Acredito que, na sua incessante e desvairada busca por mais títulos, o basbaque anseia ser presidente de mais qualquer coisa, nem que seja de uma associação de vão de escada.
E enquanto palita os dentes amarelados, cofiando os pintelhos do queixo arrota, idealizando-se forrado de couro a chicotear aqueles que ousaram contestar a sua imensa sabença, berrando "Eu é que sou o Grande Investigador! Vá amochem, que nenhum de vocês presta!"

[Qualquer semelhança com a Realidade, não passa de um delírio da Ficção]

Texto de Luís Filipe Maçarico. Imagem: Giorgio de Chirico (recolhida na Net)

sexta-feira, abril 26, 2019

Retratos de Abril - Uma Gala na RTP1 que é Raro Tesouro


Dou comigo comovido pelo belíssimo espectáculo que a RTP transmite nesta noite de 25 de Abril. Raro tesouro, pelos artistas participantes e pela grande categoria dos intervenientes. 
Cinco momentos mágicos integram esta gala magnífica, intitulada "Retratos de Abril": José Afonso, que faria 90 anos se estivesse vivo, a editora Orfeu de Arnaldo Trindade, os Poetas Gedeão e Manuel da Fonseca, a criatividade de Carlos Paredes e as canções de Tordo, Paulo de Carvalho, além do "Grândola Vila Morena". 
O elenco integra - entre outros - João Afonso, Filipa Pais, Janita e Vitorino, Fanhais e Samuel, Fanha e Alegre, Luísa Bastos e António Portanet, Ricardo Ribeiro e Patxi Andion, Manuel Freire e Carlos Mendes, Duarte Mendes e Pedro Barroso, tendo sido evocados Paredes, por Luísa Amaro, Adriano Correia de Oliveirra, Luís Góis e Luana Cosetti homenageando seu pai Alípio de Freitas. Dos cantores lusófonos, destaque para Lura e Selma Uamusse.
Apresentação sóbria de Sílvia Alberto e Júlio Isidro, que foi o autor do guião.
Que pena só haver uma noite por ano para respirar cultura e qualidade na Televisão Pública!

Luís Filipe Maçarico (texto) Imagens recolhidas na Net.

quinta-feira, abril 25, 2019

25 de Abril Sempre!

Nunca será demais evocar um tempo que se viveu cheio de dificuldades, a primeira das quais a obrigatoriedade de ir bater com os costados em África, para ir "defender a Pátria", porque Portugal há quarenta e cinco anos era um país colonizador e a cartilha imposta ao povo - e aos rapazes da minha idade - era a de ser compelido a lutar por ideais que pertenciam a uma élite, que mantinha privilégios no poder e na economia.
Estava então em Nampula (Moçambique) e a notícia chegou algum tempo depois num vídeo de fita, quando os jornais moçambicanos já tinham informado da revolta militar.
Devo a esse momento refundador da Liberdade de pensamento, de associação, o ter podido aceder ao Ensino Superior, embora permaneçam as desigualdades e uma gritante corrupção por parte de alguns burgessos (eleitos) que surgiram na vida política, gerindo o país de forma prejudicial para o povo.
Esse povo para quem o 25 de Abril se fez e continua a ser manipulado por uma comunicação social cavernícola que atiça o voyeurismo e serve em bandeja a violência e o medo.
Acreditei que havia cidadãos, que em regime de voluntariado serviam os deserdados da sorte (em sindicatos, p.ex. Não vale a pena dizer nomes, são conhecidos). Ao longo dos anos constatei igualmente como deputados considerados justos na comunidade que os elegeu, se tornaram individualistas, numa clivagem desusada com os ideais que eram a imagem de marca.
Valeu a pena mesmo assim. 
Concluída a carreira profissional de uma geração, constato coisas benéficas como o Serviço Nacional de Saúde, inexistente antes de Abril, o custo dos transportes finalmente acessível, costumo dizer que com o passe metropolitano vou até Cancun...a reforma, os salários com mais justiça social, a fruição de bibliotecas municipais, tantas coisas positivas que os nossos antepassados não puderam viver.
Continuaremos a defender os valores de Abril enquanto estivermos vivos.
VIVA O 25 DE ABRIL!
Luís Filipe Maçarico



LEGENDA DA FOTOGRAFIA: Em Nampula, no Natal de 1974, depois da representação de uma peça escrita por mim, com os intérpretes dessa peça, que punha em causa o garganeirismo do sargento da Companhia militar, onde estávamos incorporados..

sábado, abril 06, 2019

Biografia Reactualizada

NOTA BIOGRÁFICA E ACADÉMICA: Luís Filipe Maçarico nasceu em Évora, em 29-10-1952. Licenciado pela Universidade Nova de Lisboa - Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, em Antropologia, em 26/09/1994, com “Barbeiros de Alcântara - A Identidade Masculina e Bairrista entre Estratégias de Sobrevivência e Ameaças de Extinção”.  Mestrado em Antropologia (Patrimónios e Identidades) no Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa, com “Os processos de construção de um herói do imaginário popular - o caso de Santa Camarão”. Em 2008 matriculou-se no Mestrado “Portugal Islâmico e o Mediterrâneo”, leccionado pela Universidade do Algarve, no Campo Arqueológico de Mértola, que concluiu em 2012, com 17 valores.



PERCURSO ASSOCIATIVO (VOLUNTÁRIO): Alguns dados: Dirigente da direcção do Sindicato dos Trabalhadores da Câmara Municipal de Lisboa, entre 1982/1985. Secretário e vice-presidente da mesa da Assembleia-Geral do Grupo Dramático e Escolar “Os Combatentes”, entre 1997/2001 e 2017/2019) Relator do Conselho Fiscal do Grupo Dramático e Escolar “Os Combatentes” (2011/2013). Presidente do Conselho Fiscal desta colectividade em 2006. Vogal, director cultural da direcção do centenário, presidente da Mesa da Assembleia-Geral e presidente da direcção da Sociedade Musical Ordem e Progresso, entre 19997/2001. Segundo e Primeiro secretário da direcção da Federação Portuguesa das Colectividades de Cultura e Recreio, entre 1997/2001. Vogal efectivo da mesa da Assembleia-Geral da Casa do Alentejo entre 1999/2001. Fundador do Círculo Artístico e Cultural Artur Bual (2000). Fundador e Membro da Comissão Promotora de “A Aldraba - Associação do Espaço e Património Popular” (Novembro/2004). Presidente do Conselho Fiscal da Liga dos Amigos de Alpedrinha (2005/2006). Presidente da direcção da “Aldraba” (2005/2006) e da Mesa da Assembleia-Geral (2007/2011) Vice-Presidente da Direcção da Aldraba (2011/2019) Vice-Presidente e secretário da Mesa da AG da Liga dos Amigos de Alpedrinha (2007/2019) Fundador e membro do Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades (2007/2013) Membro do Conselho Nacional da Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto (2008/2010 e 2010/2013) Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Liga dos Amigos de Alpedrinha (2010/2014). 
PUBLICAÇÕES/ASSOCIATIVISMO"Associativismo, Património e Cidadania, Edição de Autor, Lisboa, 2010. “Um Antropólogo no Associativismo”, edição Territorial, Associação de Estudos Territoriais e Análise Regional, 1998.



PUBLICAÇÕES/ POESIA: "Uma Casa é Como uma Árvore por Dentro", Edição de autor, Lisboa, 2019 "Aquela Pequena Sabedoria de Estrelas Repartidas", Edição de autor, Lisboa, 2017; "É de Noite que me Invento", Edição de autor, Lisboa, 2015; "Ilha de Jasmim", edição do autor, Lisboa, 2013. "Geografia dos Afectos", Apenas Livros, Lisboa, 2012. "Transumância das Pequenas Coisas", Câmara Municipal de Castro Verde, 2012. “Cadernos de Areia”, edição do autor, Lisboa, 2008. “Ar Serrano”, edição Câmara Municipal do Fundão, 2006.“Caligrafia do Silêncio”, edição do autor, Lisboa, 2004;  “A Secreta Colina”, Câmara Municipal de Lisboa/ Cultura, 2001; “Lisboa, Pegadas de Luz”, Câmara Municipal de Lisboa/ Cultura, 2000; “A Celebração da Terra”, edição das C. M. de Évora e Montemor-o-Novo, Junta de Freguesia de Nossa Senhora da Vila e Delegação Regional de Cultura do Alentejo, 1999; “Os Peregrinos do Luar” edição do autor, Lisboa 1998; “Lisboa, Cais das Palavras”, Câmara Municipal de Lisboa/ Cultura, 1998;  “O Sabor da Cal”, edição da Câmara Municipal de Beja, 1997; “Vagabundo da Luz”, edição Liga dos Amigos e Junta Freguesia de Alpedrinha, 1997; “Íntim(a)Idade”, Edição do autor, Lisboa, 1996; “Os Pastores do Sol”, Ed. Autor, versão trilingue, português, francês e árabe, Lisboa, 1995; 2ª ed. Escola Profissional Fundão, tradução francesa de Raja Litiwinoff e árabe do prof. Ezzeddine Mansour, 1996; 3ª ed. prefácio de Salem Omrani, Lisboa, 2001; “Lisboa, Asas de Água”, Câmara Municipal de Lisboa/ Cultura, 1994; “A Essência”, Edição Autor, Lisboa, 1993; “Mais Perto da Terra”, Edição do Autor, Lisboa, 1992; “Da Água e do vento”, Átrio, Lisboa, 1991.
RECITAIS/POESIA - Morille, Salamanca (2015, 2017 e 2018), Vilarelhos (2018), no Festival/Encontro de Poesia Transfronteiriça, Arte de Vanguarda e Património. Fórum Romeu Correia/Almada (20152016), a convite do Grupo dos Amigos do Alentejo, Alpedrinha (desde os anos 90, no Encontro de Poetas, promovido pela Liga dos Amigos de Alpedrinha), Campo Arqueológico de Mértola, durante o Festival Islâmico (entre 2008 e 2017), Serpa, Casa do Cante (2015) Biblioteca Municipal José Saramago, Beja (2013-2017) Biblioteca Municipal de Aljustrel (2018) e em diversas colectividades de Lisboa, como a Sociedade Musical Ordem e Progresso e Grupo Dramático e Escolar "Os Combatentes", em sessões de Música e Poesia (anos 90/ 2017).


LITERATURA INFANTIL: Alguns títulos; “Flor de Sementinha”, Caixa de Crédito Agrícola de Montemor-o-Novo, 2000; “Azedal, Sarzedar e a Manhã de Abril”, Junta de Freguesia de Prazeres, 1996; 2ª edição, Comissão Instaladora do Município de Odivelas, 2001 “A Princesa Joaninha e o Lagarto Saltitão”, Junta de Freguesia de Prazeres, 1994. 


ENSAIO: Selecção de artigos e livros publicados:  "Memória Oral e Imaginário Popular em torno das Invasões Napoleónicos na vila de Alpedrinha", EBVROBRIGA, Revista do Museu Arqueológico Municipal José Monteiro, Fundão, 2018. "Não se Recolhem os Materiais da Vida, Vivem-se! Alves Redol e a vivência etnográfica preparando os romances", in Paula Godinho e António Mota Redol (coordenação), O Olhar das Ciências Sociais, Colibri, Lisboa, 2014. "Elementos para uma Imagem Contemporânea do Alentejo", "Callípole", nº 19, Câmara Municipal de Vila Viçosa, 2011. "Jóias Imperceptíveis em Portas de Lisboa Aldrabas, Batentes e Puxadores nas Casas de Catorze Personalidades da Cultura Portuguesa"; Apenas Livros, 2009.  “Aldrabas e Batentes de Porta. Uma Reflexão sobre o Património Imperceptível”, Aldraba, Associação do Espaço e Património Popular, 2009. “Portas de Évora”, Revista “A Cidade”, Câmara Municipal de Évora, 2009. “Imaginário e Patrimonialização em Murfacém”, “Anais de Almada”, Câmara Municipal de Almada, 2008; “Os Comeres dos Reis no Imaginário Popular”, “Calípole”, Câmara Municipal de Vila Viçosa, 2008; “Os Heterónimos de um Mistério: Azóias, Cubas e Morábitos no Imaginário Popular. O caso de Montemor-o-Novo”, Almansor, nº6, 2ª série, Câmara Municipal de Montemor-o-Novo, 2007; “Memórias do Contrabando em Santana de Cambas - Um contributo para o seu estudo”, edição Junta de Freguesia de Santana de Cambas, 2005; “Os Morábitos na Arquitectura Religiosa do Sul”, “Calípolle”, 2006, Câmara Municipal Vila Viçosa; “Aldrabas e Batentes de Montemor-o-Novo: Um Olhar Antropológico”, Almansor, nº4, 2ª série, 2005, Câmara Municipal de Montemor-o-Novo; “A Função Antropológica da Aldraba: Da Origem Simbólica à Morte Funcional”, “Arqueologia Medieval”, nº8, Campo Arqueológico de Mértola, Afrontamento, Maio 2003; “Atmosferas do Corpo” - ensaio sobre a pintura de Mena Brito, Prefácio, 2002; ”Associativismo em Lisboa: Perspectivas para o Futuro”, “Actas do III Colóquio Temático Lisboa - Utopias na Viragem do Milénio”, Câmara Municipal de Lisboa/ Cultura, 2001, pp. 317-324; “O Alentejo, O Cante e os seus Poetas”, “Arquivo de Beja”, vol. XIII, série III, Abril 2000, pp. 13-36. “A Personalidade Poética do Alentejano”, “Arquivo de Beja”, volume X, série III, Abril 1999, pp. 111-124. 


BIOGRAFIA: “Com o Mundo nos Punhos - Elementos para uma biografia de José Santa “Camarão”, Câmara Municipal de Lisboa/Desporto, Outubro 2003.


POETAS POPULARES /HISTÓRIAS DE VIDA: "Por Feitiço, Por Magia", Câmara Municipal de Viana do Castelo (organização, pesquisa bibliográfica, análise literária e antropológica e anotação, a propósito da poesia de José Figueiras, com Laurinda Figueiras), 2012; "Marés da MInha Vida", ed. autor (introdução, recolha e selecção de poemas de Abílio Duarte, com Ana Isabel Carvalho), 2010; "Fui Camponês, Fui Caixeiro", ed. Junta de Santana de Cambas (introdução, recolha e selecção, com José Rodrigues Simão, de poemas de João Carrasco), 2007.


CONTO: "Vozes do Tempo", Edição de Autor, 2017; “Degraus”, Universitária Editora, 1999.


ANTOLOGIAS: Publicado em inúmeras antologias. Destacam-se: "O Sol é Secreto" Poetas Celebram Eugénio de Andrade (Coordenação de Carlos Abreu, Luís Filipe Maçarico, Pedro Miguel Salvado) Câmara Municipal do Fundão, 2019. "Morada da Poesia Poetas celebram Manuel da Fonseca", Câmara Municipal de Castro Verde, 2011. "Gómez Naharro Antologia - Poesia vernácula musicalizada de la Península Ibérica", Asamblea de Extremadura, Mérida, 2010, página 106, com Fernando Pessoa, Nicolau Saião e Salvador Espriu. "Na Liberdade", coordenação de Jorge Velhote, Nicolau Saião e Nuno Rebocho, Garça Editores, Régua, 2004. “Cerejas Poemas de Amor de Autores Portugueses Contemporâneos” selecção de Gonçalo Salvado, editorial Tágide e Câmara Municipal do Fundão, 2004; “Vento - Sombra de Vozes/Viento - Sombra de Voces” coordenação Pedro Salvado e Juan Gonper, edição Câmara Municipal do Fundão/Celya, 2004. “Cadernos Despertar I”, edição dos autores, com Eduardo Olímpio, José Carlos Ary dos Santos, José Jorge Letria, Amadora, 1982; “O Poeta faz-se aos 10 anos”, organizada por Maria Alberta Menères, 1ª edição, Assírio & Alvim, Lisboa, 1973; 2ª. edição Plátano, 1984.




PEQUENA NOTA CURRICULARARTÍSTICA": Aprendeu com Artur Bual, a pintar com café e vinho.

Escreveu para catálogos de exposições de pintura e livros de Arte, de Artur Bual, Mena Brito, Rodrigo Dias e Margarida Barroso (Guika).


Ilustrou artigos e poemas no “Diário do Alentejo”, “Diário do Sul” e vários outros periódicos.


Livros de poesia, como “O Sabor da Cal”. “Transumância das Pequenas Coisas” e “Ilha de Jasmim”, têm desenhos de sua autoria, pintados com café.


Participou em várias exposições de Arte Postal e numa exposição da Galeria Artur Bual (Amadora), intitulada “Zero Figura”.
 Tem os seus desenhos de café espalhados por Portugal.

quinta-feira, abril 04, 2019

Os Livros que Escrevi (ou onde participei) nos Catálogos on Line de Várias Bibliotecas, de Norte a Sul



Enquanto os livros estiverem em estantes, onde a partilha reine, estarei feliz nesta vida, indo para o "outro mundo" com a sensação boa de missão cumprida.

Na Biblioteca Municipal do Porto on line aparecem 38 títulos de minha autoria ou com a minha colaboração (Prefácios, p. ex.). Eis a lista:


Na Biblioteca Municipal de Mértola, existem 17 livros, a maior parte de minha autoria, ou onde participo. Acabei de consultar o catálogo on line:


A Biblioteca D. Dinis do município de Odivelas tem 6 livros meus no seu catálogo on line:


Na Biblioteca Nacional, 22 títulos surgem, ao fazermos uma pesquisa na internet. 


Mas são 61 os que descobrimos na Porbase, da mesma Biblioteca Nacional:




Entretanto num site chamado escritas.org/pt/estante aparecem vários volumes com colaboração (ou autoria) minha. Aqui:

quarta-feira, março 27, 2019

Falta de Brio e Consciências Pesadas

Quem se aposentou a partir de 2013 e anos seguintes, mas que apresentara a documentação, solicitando que a pensão fosse atribuída em 2012, acabando por recebê-la apenas em 2014, sofreu vários cortes. Primeiro, porque nesses anos de troika e de governação austeritária, a idade de reforma subiu três  anos em 2013 e mais um em 2014, sendo a pensão calculada em função da data em que foi atribuída. 
Pelo que foi confiscado a dezenas de milhar, recorreram alguns trabalhadores, cujos sindicatos os apoiaram, tendo o Tribunal Constitucional dado razão aos lesados, que acreditaram poder aposentar-se numa altura mais propícia.
Em certos casos, a entidade que devia defender aqueles que se viram perante uma situação inesperadamente adversa, recusou fazê-lo e quem protestou, ainda foi ofendido, como se não tivesse qualquer direito, colocando-se esses juristas sindicais (que desejo sejam poucos, ainda que sujem o prestígio de instituições que sempre defendi) do lado dos rapinadores. 
Perante o acórdão do Tribunal Constitucional [solicitado a pronunciar-se por causidíacos honestos que aceitaram defender trabalhadores em situações semelhantes] obrigando a rever o cálculo do valor atribuído, penso apenas isto: Como podem advogados elitistas e demagogos ter brio profissional, perante uma derrota tão estrondosa? E quanto aos organismos que os empregam, será que dormem descansados os seus porta-vozes? Um pedido de desculpas será o mínimo que se exige.
LFM

terça-feira, março 05, 2019

Festival Eurovisão das Cançonetas: Chacha e Kitsch

Independentemente do mérito de "Amar pelos Dois", enquanto toada musical na voz do repudiado pelos Doutos Júris dos Concursos de Gorgeios, a começar pela patroa do Rock in Rio, passando pelo brutóide senhor Manel, alguém acredita que o Festival da Eurovisão das Cançonetas é algo mais do que aquele show chacha e kitsch para os zés povinhos mirones da Europa e arredores se deixarem hipnotizar durante umas horas?

O jardim à beira mar criticou, escandalizado, Simone a cantar "quem faz um filho/ fá-lo por gosto", hoje recordação dourada, todavia apuparam Ary dos Santos, enquanto autor de canções polémicas e mordazes, como "Tourada", que tenho escutado, reinterpretada pela rapper Capicua.

Os inquisidores do gosto execraram Isaura e a cantora do cabelo de rosa, detestaram Salvador Sobral que, após a travessia no deserto, invectivou um público serpenteante: "se eu desse agora um peido vocês também aplaudiam?" De Bestial a Besta foi um passo...

O Conan dos telemóveis é afinal o espelho de uma época e de uma gente que detesta ver a sua banalidade espelhada. Inteligente, criou um personagem e colou-o à pele. O sucesso (por via da diversidade sonora, face aos modelos clássicos) explodiu. Num tempo em que as canções de protesto - apesar de tão actuais, face à permanente exploração e austeridade - são silenciadas, a inebriação do néon e as jóias de pechisbeque são exaltados. Vítor Rua e Miguel Esteves Cardoso são fans...

A verdade é que o rebanho afasta-se da diferença, do que não é formatado. Acaso vos preocupais em lutar por uma existência menos escrava, ò cidadãos adormecidos numa vidinha certinha, sem coragem nem rasgo que protestais por causa de uma melopeia? 

Por detrás da musicata espalhafatosa ou do ruído mais ou menos teatral, alguém acredita que o Festival da Eurovisão ao realizar-se em Israel não tem intenções políticas? 
Nestas como em muitas outras coisas, são os mandaretes que contam, os povos são meros figurantes, que aplaudem sonâmbulos.

Para quem não esteja atento, Portugal ganhou há dois anos porque foi um recado nas entrelinhas para se investir no "Marrocos da Europa", como os ingleses designam o nosso país, comprando-se casas e terrenos, fazendo-se negócios com lucros elefantisíacos. Como destino turístico de manadas impedidas de irem a latitudes  perigosas. Alguém duvida?

Luís Filipe Maçarico (texto) Fotografia recolhida na Net

Do divertimento Identitário ao bamboleio decalcado

Com excepções em que o sol espreita, o tempo do Carnaval é quase sempre de chuva e frio.
Porque razão em algumas localidades se pretende fingir que estamos nos trópicos, com reis carnavalescos importados, vindos directamente de uma novela brasileira? 
Vertiginosamente, tradições que eram genuínas deram lugar a macaquices, com as figurantes bamboleando como se estivessem num sambódromo...
Felizmente, o Carnaval manteve-se tradicional, até hoje, enquanto festa de inverno e divertimento identitário, em Podence e Torres Vedras, havendo outros exemplos, como em Vale de Ílhavo, onde a sensibilidade com o património ainda impera.
Não consigo perceber a motivação de autarcas e colectividades, no afã de apagar a marca portuguesa, dando lugar a decalques de outras latitudes que acarretam oneroso espavento. Quem beneficia?
LFM (texto) Fotografia de Diana Alves.