aguas do sul

"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

sexta-feira, outubro 04, 2019

Memória de Rui Knopfli


Não sei números (do TLM, de contribuinte) de cor, nem tão pouco frases ou poemas, mesmo breves. Porém, quando estive em Nampula, - a fotografia é dessa época -  entrei um dia na Livraria Villares e comprei um livro de Rui Knopkli ("Mangas Verdes com Sal"), cuja frase inicial permaneceu toda a vida comigo, desde que então a li, sentindo-a como um relâmpago a indicar-me o caminho:
"Para quê querer incendiar os astros se, dentro de nós, ainda não acendemos todas as luzes".
Luís Filipe Maçarico 

terça-feira, setembro 24, 2019

Apresentação do Caderno de Fotografia de Mário Sousa "Artes do Quotidiano, Voos de Alma"

No final da tarde desta terça feira 24 de Setembro, a Casa do Alentejo acolheu uma bela tertúlia, em torno do caderno de fotografia "Artes do Quotidiano, Voos de Alma", da autoria de Mário Sousa.
Como é habitual, Rosa Calado, da direcção da CA dirigiu as palavras de abertura ao autor e ao público presente, salientando o quanto este trabalho a tocou, pela qualidade das fotografias. Qualidade sublinhada por José Alberto Franco, em nome da Aldraba, Associação do Espaço e Património Popular, cujo Encontro "As Duas Faces da Gardunha", ocorrido em Abril, foi o cenário para a reportagem e recolha etnográfica, patentes nas páginas da obra.
Luís Filipe Maçarico referiu-se à prática criativa de Mário Sousa, patente neste primeiro livro, que deseja se multiplique em futuros volumes, pois são imensos e belos o património e a memória evidenciados num afã inacabado e sempre em recomeço fulgurante.

Mário Sousa, classificado por José Alberto como o "homem dos sonhos", evocou um amigo que o definiu como "o fotógrafo que escreve com a lente".
Mário Sousa contou que trabalhou desde menino numa gráfica e frisou: "Eu venho do analógico!"
Tendo aprendido a gostar de ler com o irmãos, confessou que "A leitura é um suporte para poder fotografar." Lembrou Saramago, que conheceu pessoalmente antes do escritor ser famoso, e a frase "Se tens olhos, lê!", porque "Não basta olhar! Olhar, olhamos todos…" E acrescentou:
"A fotografia tem de contar uma história"
Seguiu-se a intervenção dos participantes nesta tertúlia, tendo sido realçado o valor da Comunicação, por Odete Roque e António Brito defendeu a memória digital, devendo Mário salvaguardar as suas fotografias através dessa técnica. Luís Ferreira, sociólogo e artista plástico, o geógrafo Fernando Duarte, as professoras Círia Brito e Rita Fernandes e a jornalista Maria Leonor Quaresma intervieram também, tendo esta última desafiado o autor a levar este caderno até uma Universidade Sénior e a Escolas Secundárias, porque o livro retrata a essência do Povo Português.
Reportagem (texto e fotos) de Luís Filipe Maçarico

domingo, setembro 15, 2019

O Médico de Viana do Castelo

Há dois meses atrás, na sequência de uma participação poética e antropológica no Festival de Cultura Transfronteiriça de Morille, deparei-me com um problema de saúde, que me levou ao Hospital Particular de Viana do Castelo, tendo sido atendido por um médico que me inspirou confiança com um sorriso, assegurando que sendo algo sem antecedentes, iria ser bem superado. Recomendou que fizesse duas ecografias e que fruísse o Minho, enquanto por lá estivesse.
Tomei o antibiótico prescrito e uns dias depois melhorei substancialmente e superei o obstáculo que tinha aparecido na caminhada.
Num país onde se diz mal de tudo, eu continuo a evidenciar o que acontece de bom. Bem Haja, Dr. Rui Cunha pela sua postura profissional, com escala humana. E já agora, um abraço fraterno a Laurinda Figueiras e Nicolau Veríssimo que me acolheram em sua casa e tão bem cuidaram de mim.
Luís Filipe Maçarico (texto e fotografia)

quarta-feira, agosto 28, 2019

Xana, um reencontro gratificante

Conheci a Maria Alexandra Leandro, em 1991, quando iniciámos o nosso percurso académico na Universidade Nova de Lisboa e com ela dei a volta a meio mundo, pois fomos de Bragança a Praga, de Cuba do Alentejo à Tunísia. Guardamos estórias bastante divertidas, cumplicidades deliciosas, uma fraternidade singular.
Fizemos trabalhos de grupo, escutei-a sempre, aprendi muito com ela, que é muito mais jovem que eu. Dos momentos felizes que a existência me proporcionou, alguns foram passados na companhia desta Amiga.

Em 1991 eu tinha 39 anos e a Xana vinha do Secundário, com uma Cultura fantástica, reflectindo a Vida e o Mundo como muitos jovens de hoje não são capazes de fazer...
Fiz o Mestrado em Antropologia no ISCTE, graças a ela, que me estimulou a prosseguir os estudos universitários. 

Esta terça feira almoçámos juntos e a conversa prolongou-se tarde fora, até se aproximar a hora de ir ao médico de família mostrar duas ecografias. Despedimo-nos com o afecto de irmãos que se respeitam e admiram.

Para lá do desmedido prazer de estar com uma pessoa tão positiva, foi para mim muito gratificante ouvi-la dizer que eu nunca menorizei gente mais nova para me valorizar, pois partilhar e aprender com os outros é desde sempre a minha postura como artista e ser humano.
Esta frase vale toda uma vida e só posso agradecer ao Cosmos por a Xana ter surgido no meu caminho.

Luís Filipe Maçarico

Fotografias: Na Tunísia, a Alexandra, a Cláudia Casimiro e o Salem Omrani, comigo.

quinta-feira, agosto 22, 2019

Não Sei se Temos Salvação!

O Mundo todos os dias bate ainda mais no fundo. Estamos a morrer, sem grande sobressalto, porque a falta de formação, a ignorância e o fanatismo em torno de seres erróneos ultrapassam limites… Há dias vi na televisão pessoas indignadas, porque uma vaga de algas verdes tinha invadido a praia em Monte Gordo. Dos novos aos idosos, dos nortenhos aos sulistas, não havia opiniões com lucidez nem qualquer conhecimento. Alguém alvitrou que a Câmara devia mandar limpar… E que tal mandarem retirar o mar? Desconhecem estes cidadãos, pouco dados à curiosidade e à geografia, que existe uma vila chamada Apúlia e que na memória colectiva dessa terra nortenha permanecem danças etnográficas com sargaceiros… Mas os próprios "jornalistas" que fazem estas "peças" para encher chouriços, deveriam voltar à escola, para reaprenderem a escolher assuntos e olharem para o quotidiano sem este alvoroço podre. Acabei de ler que sequóias com 3.000 anos estão a ser arrancadas na América. Trump diz todos os dias barbaridades. Uma das mais recentes foi a tentativa de compra da Gronelândia. Donald tem seguidores pelo mundo e há até quem diga que no xadrez da diversidade mundial existem porta-vozes do seu pensamento, cujo objectivo maior é desestabilizar, para que o dólar e o poderio do império consigam cravar as garras nas costas dos povos do planeta.
O magnata põe em causa as alterações climatéricas, ignorando as evidências - glaciares que derretem, neve de plástico, ameaçando a pureza da água que beberemos, já que o peixe que se come vive em oceanos altamente poluídos.

No Brasil (é inevitável não falar da tragédia da Amazónia) os colossais incêndios matam tudo. Leio referências na imprensa mundial, amigos e amigas bastante diferentes, com ideias diversas, convergem no repúdio, apontando a intensificação da agro-indústria como o grande crime ecológico, acusando as erradas medidas governamentais que desestabilizam o equilíbrio do pulmão da Terra.

As escolhas eleitorais não são suficientemente esclarecedoras.
Nas Filipinas, Duterte, que teve formação cristã, num país em que 2/3 da população abraça a religião católica, proclamou a caça ao toxicodependente, tendo sido assassinados cerca de dez mil supostos viciados, sob o lema "bandido bom é bandido morto". E para reforçar a sua cristandade, recorda-se o que terá dito quando o Papa Francisco visitou Manila: segundo ele (formado em artes e direito) o fdp estava a causar engarrafamentos…

E nem sequer vou falar de Salvinni, Orban e de Jaroslaw Kacynski...

Por cá, foi revelado que as oliveiras transgénicas, que invadiram grande parte do território alentejano, contraíram uma moléstia que complica tudo.
O capitalismo selvagem que explora o mínimo sinal do que é possível rentabilizar, das praias (Comporta) às cidades (a praga da turistificação, fazendo alastrar o espírito da Disneylândia nos territórios urbanos), assaltou os paraísos do Mundo.
Vemos, ouvimos e lemos...

Não sei se temos salvação!

Luís Filipe Maçarico (texto e fotografias)

segunda-feira, agosto 12, 2019

Quinze Anos de "Águas do Sul"


Do mês de Agosto guardo algumas boas lembranças. Neste mês nasceram algumas pessoas que marcaram a minha existência. É o caso da minha avó paterna Gertrudes e do meu Amigo-Pintor Artur Bual.
Agosto foi o mês em que gozei férias, fosse na Zambujeira, com antigos colegas de trabalho ou em viagens pela Europa, com quatro dezenas de portugueses, acampando, cozinhando, descobrindo novos países e gentes de camioneta. Antes de escolher Junho e Outubro (nessa altura tinha bónus por não descansar nos meses de maior calor) para desbravar a costa vicentina (Arrifana, Odeceixe).
Agosto é o mês em que a Paula Silva e a Mena Brito celebram os seus aniversários.
Foi em Agosto de há quinze anos que fundei o blogue "Águas do Sul".
No último ano manifestei-me contra a imprensa sensacionalista e os ataques ao património e à língua, que são quotidianos. Falou-se neste espaço da apresentação do meu 22º livro de Poesia, evocando os textos de Alexandra Leandro e Maria José Balancho acerca de "Uma Casa é comouma Árvore por Dentro".
Gavião e Belver foram tema de vários textos, sobre os Museus do Sabão e das Mantas e Tapeçarias de Belver, o castelo, documentando-se a ida da Aldraba a Comenda, Belver e Gavião.
Poemas sobre Riomaggiore e Manarola e um artigo intitulado "Do que Falamos, quando falamos do Alentejo", animaram alguns posts. 
 A partida de Ninita e Gracinha Correia foi registada. 
O fogo outra vez e a dor em directo tornaram a ser criticados. 
Finalmente, celebraram-se algumas memórias do Pão de Cultura Transfronteiriça 2018, em Morille. dando-se relevo ao Poetódromo e ao Cementério de Arte.
O blogue Águas do Sul é este somatório de experiências, de gritos, de reflexões.
Na passagem dos quinze anos do seu começo, ocorrido no início de Agosto de 2004, saúdo todos os leitores e anuncio a hipótese de, com Eddy Nelson Chambino, preparar uma publicação com algumas das intervenções que ocorreram nesta caminhada.
Luís Filipe Maçarico

domingo, agosto 11, 2019

JESSICA

Jessica é uma jovem de São Paulo, que tive o prazer de conhecer no Verão de 2018, quando visitou  Portugal. Levei-a, e à família, ao restaurante Baptista em Almada (fotografia2)
Voltámos este ano, mas também fomos à Casa do Alentejo (fotografia 1).
A partilha de conhecimentos, o prazer da conversa e o seu sorriso cativante são mais que motivos para conversarmos. Sou dos que pensam que se aprende muito com os Jovens.
Falamos do Brasil, é tema recorrente. Não imaginava (foi ela que me esclareceu) que não há uma linha férrea contínua naquele imenso território. Apenas linhas de metro em torno das cidades e uma linha única que liga o Rio a São Paulo. O resto é visitável por autocarro (ómnibus)...
A Itália de que tanto gosta, também faz parte dos nossos diálogos.
Veneza, Florença, as Cinque Terre, que encanto poder voltar a esses lugares, através das palavras e do espírito viajante de Jessica.
A bela menina está (quase) de regresso à sua terra natal. É um bálsamo encontrá-la bem disposta, atenta, curiosa, vivendo tudo com alegria. 
Vou desejar-lhe uma óptima viagem e que regresse célere, porque é bom falar com a Jessica e com ela conviver, sorrir.
Até já, Amiga!

Luís Filipe Maçarico