"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

quinta-feira, novembro 25, 2004

O Terceiro Mundo é onde???


Sidi Bou Said é uma cidade azul e branca, belíssima, construída em anfiteatro diante do Mediterrâneo, a dois passos de Cartago e a escassos quilómetros de Tunis. Passear nas suas ruas de jasmim e buganvília, observando as portas com 3 batentes, um para o homem, outro para a mulher e outro para a criança, todos com sonoridades diferentes, é mágico. Já por lá andei com sol e chuva, em dias de frescor e em tempo de lume e cigarras, e por ali bebi um extasiante chá de menta com pinhões. Mas o que eu hoje venho dizer aqui é que num país dito do 3º mundo, a verdade é que as portas e as aldrabas do centro histórico são preservadas e até há colecções de postais com este património, valorizando-se junto do visitante essa identidade que os objectos com valor histórico e afectivo conferem. No Portugalete dos espertalhaços, é o alumínio que devora as fachadas, apagando-se séculos de sociabilidades à volta destes utensílios de cunho simbólico. Aqui o que está a dar é o plástico do esquecimento, o tufão do desprezo, o vómito da miséria mental. Quando vejo mais uma triunfante novel porta, metálica e feia, derrubar outra trabalhada, de madeira, apesar de velha, num centro histórico, seja em Miranda do Douro, seja em Lisboa, nessas ocasiões tenho vergonha de ser português...  Posted by Hello

8 comentários:

lost disse...

Agradou-me a parte da cidade azul e branca!! ;)

Tens razão na tua crítica, mas não ataques muito o aluminio! É possivel conciliar as duas coisas!!!

myheart disse...

Eu até visito o blog, mas não sei comentar. E agora que ele está cada vez mais interessante: com chifres, burros...

A minha visão não cientifica dos chifres: o par superior tem linhas direitas e mais austeras é masculino, o debaixo está colocado sob a protecção e sobre a impetuosidade do masculino tem formas arredondadas formando um coração: é fêmea. Mas ambos têm formas artísiticas, a cornada é muito requintada

Adorei as pinturas da Isabel Aldinhas! Surpreendeu-me.

Adoro a fotografia do Jorge Cabral ... porque ela me transmite o olhar de aceitação e sonho das crianças arabes

Estou com a assoc. das Aldrabas - presentes no 1º poema do meu livro " o meu Amor é Arabe"... sei aprecia-las, preservá-las...gosto de lhes tocar, são sinal de segurança, privacidade, autenticidade. Nasci numa casa que as tinha. Usei-as, embora novas, no monte há doze anos atrás. E o meu amor será eternamente arabe... terá mil e uma aldrabas nas portas do seu palácio de areia.


Maria José

lost disse...

Agora reparo mais uma vez nas frases que tens no cabeçalho do teu blog. Aquela do conhecer alguém é ficar magoado é de um pessimismo terrivel!!! Mesmo que às vezes fiquemos magoados com alguma pessoa, não nos devemos arrepender de conhecer e gostar de alguém! E o que se aprende e partilha com os outros? As relações sejam elas quais forem, não tem de ter prazos ilimitados de duração, devem ser vividas no momento, no presente e não no amanhã. As coisas duram enquanto tiverem condições para isso. Tu conheces tanta gente, tens muitos amigos que te adoram!! Por isso, reflecte bem sobre aquela frase (que até arrepia), porque eu não te revejo nela.

..................

E pronto, não sei o que me deu para escrever isto, mas apeteceu-me.

Tem um bom fim de semana. Boa viagem até Alpedrinha, e que corra tudo bem com o lançamento da 'Caligrafia...'

augustoM disse...

Somos terceiros mundistas não há sombra para dúvidas, mas o pior é o sermos no meio dos primeiros mundistas, e não conseguirmos aprender nada. Somos um país onde imperam os patos bravos, como se dizia antigamente. Espécie que em vez de estar em vias de extinção, prolifera cada vez mais. São uma espécie de párias culturais, sem o mínimo de sensibilidade para o nosso legado histórico/cultural. A única coisa que conta para eles é o dinheiro, o resto é despresado como coisa sem valor. Realmente é uma tristeza viver num país como este.
Um abraço. Augusto

Águas de Março disse...

Viva, Águas do Sul! Foi-me difíl entrar, mas lá consegui! E digo-lhe, estou encantada com o que li, não apenas com o tema a que os últimos posts têm vindo a dar relevo, como pela qualidade e elegância da sua escrita, coisa que é sempre um enorme previlégio encontrar.
Logo comentarei com mais vagar, isto foi só mesmo para marcar presença. Obrigada pela visita ao meu sítio, bom domingo!
Ana Maria

stillforty disse...

Mesmo terceiro mundista somos nós, os portuguesitos.É só ver em Sintra, património mundial, a quantidade de prédios a cairem de podres.
Amazing país o nosso.

oasis dossonhos disse...

E porque a Ana não conseguiu escrever a sua opinião, mas escreveu para o meu e.mail a partilhar memórias, transcrevo as suas palavras:
"Lembrei-me da Travessa do Pasteleiro e das 3 repenicadas (lado esquerdo.... tão engraçado....) e quanto fiquei feliz quando foi colocada uma porta de alumínio e com capainha e tudo (quem me dera esse tempo... tão menina que eu era.... ).
Tens este condão que mais ninguém consegue e vai conseguir alguma vez , na minha vida:
Transportar a minha memória a lugares tão "guardados".
Era uma mãozinha que batia numa bola de ferro enferrujado colocada na porta velha de madeira... até as caixas de correio eram em ferro já mt velho onde o meu pai depositava um chocolate pela surra para depois abrir a caixa mágica onde estava aquele maravilhoso "pack" que eu adorava comer....
Obrigada, muito obrigada, por me fazeres recordar esse tempo.

Aquele doce beijo.

ANA"

oasis dossonhos disse...

E porque a Ana não conseguiu escrever a sua opinião, mas escreveu para o meu e.mail a partilhar memórias, transcrevo as suas palavras:
"Lembrei-me da Travessa do Pasteleiro e das 3 repenicadas (lado esquerdo.... tão engraçado....) e quanto fiquei feliz quando foi colocada uma porta de alumínio e com capainha e tudo (quem me dera esse tempo... tão menina que eu era.... ).
Tens este condão que mais ninguém consegue e vai conseguir alguma vez , na minha vida:
Transportar a minha memória a lugares tão "guardados".
Era uma mãozinha que batia numa bola de ferro enferrujado colocada na porta velha de madeira... até as caixas de correio eram em ferro já mt velho onde o meu pai depositava um chocolate pela surra para depois abrir a caixa mágica onde estava aquele maravilhoso "pack" que eu adorava comer....
Obrigada, muito obrigada, por me fazeres recordar esse tempo.

Aquele doce beijo.

ANA"