"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

quinta-feira, julho 14, 2005

Ninguém Escuta Ninguém


Apetece fugir do planeta: bombas sobre o povo, políticos de 666ª categoria a obrar taxas sobre o povo, incêndios nos terrenos do povo, doenças laboratoriais a minar a saúde do povo e o povo a esfalfar-se para ter um micro-ondas e um telemóvel, pensando que tem algum poder sobre o mundo!!!(propositadamente escrevi povo e não sociedade civil, como os donos dos tachos gostam de chamar...)
Ontem de manhã, disposto a tomar mais um pequeno almoço, entrei naquela padaria de bairro, que também vende batata frita de pacote e queijo fresco alentejano produzido na Malveira, quem sabe se com leite de cabra espanhola.
A pastelaria onde há muito conhecem as minhas preferências e onde já nem abro a boca para pedir que me tragam a torrada e o galão do costume, está fechada para férias.
Por isso experimentei a alternativa.
Todavia, em vez do fiambre que me apetecia no Pão-de-Deus, surgiu um recheio de queijo e o galão de máquina morno veio para a mesa a ferver.
Pede-se uma água natural sem gás e a bebida chega gelada e gasosa. Solicita-se um café curto e a italiana vem de saia comprida.
Quotidianamente estas cenas vulgarizam-se e repetem-se.
Ninguém escuta ninguém!
Será que já se pode ir morar para algum outro planeta do sistema solar? Posted by Picasa

11 comentários:

Mendes Ferreira disse...

eu. eu escuto-te. aqui. e em qulquer lugar. beijo grande.

Mendes Ferreira disse...

querido Luis eu conheço-te. sei quem tu és e sobretudo sei o que não és. é por isso e pela cumplicidade de anos e poemas de dias e angustias de risos e certezas que te Sei diferente. amplo. solidário. atento. seguro. forte. amigo.
até logo meu amigo.

C.S.A. disse...

Luís, sou todo ouvidos!
Eu pastelaria não tenho, mas nave para ir para o espaço, isso tenho, a da solidariedade e da imaginação.
Mas o «Oásis» está aqui, faze-lo tu, homem, quando assim escreves: «uma italiana de saia comprida»!
Grande abraço!

J.C.Pereira disse...

Amigo Luis;

A "Europa" cantada e ,parece,desencantada, é o que nos vai querendo deixar.Tudo a beber pelo mesmo copo , a comer pelo mesmo prato,a vestir a mesma roupa, a ler o mesmo "jornal" e a ver a mesma TV.
RECUSO-ME.Heide continuar a comer sopa de baldoregas que ELES não sabem o que é e a que sabe,a degostar espargos do campo, a comer açorda Alentejana,gaspacho,sopa de tomate, rematando de quando em vez com uma finissima tira de toucinho bem alto .Amigo, apetece-me usar uma frase bem conhecida de crentes e ateus: "Perdoai-lhes porque eles não sabem o que fazem".
Se ,mesmo assim ,houver que mudar de planeta ,eu quero ir também.
Um abraço
João

C.S.A. disse...

Luís, gosto-te, amigão!
Quando quiseres, vamos abancar aí numa esplanada e sonhar com as estrelas no deserto... e outras coisas... falar de poesia, de pintura, de gentes...

Ana Teresa Bonilha disse...

Caso encontre um lugar peço que leve-me contigo, mas acredito que ninguém escutará quando batermos a porta...

Sandra disse...

Eu escutei teu cantar além-mar e vim viajar nessa odisséia sem espaço... Prazer em conhecer-te
Espero outras visitas...porque voltarei sempre por aqui... meu beijo tropical

augustoM disse...

Luís, foi um óptimo jantar o do Fernando, foi pena não teres ido.
Eu e a Teresa falámos de ti e das festas árabes de Mertola que costumas divulgar.
Um abraço. Augusto

Jorge disse...

Mas o meu caro só agora é que deu por ela que isto aqui não é um país, mas uma pequena horta desgovernada onde cada um é cada vez mais americosulista?

emilia disse...

ao ler estes comentários sobre a surdez nacional, tinha mesmo que deixar o meu desabafo sobre a minha mais recente vigilância de exames. ontem, estive mais de 1hora a mandar calar dois meninos universitários que insistiam em conferenciar num exame! é incrível como foram ignorando os meus comentários! a surdez bem que pode explicar esta reacção... estou solidária contigo Luís! 1beijinho

stillforty disse...

Estou a pensar seriamente em migrar para Plutão, bem longe, longe.
Hellas!
Tenho pena de não te ter conhecido, não foste ao jantar, prepara-te que tás na calha para cá vir.