"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

quarta-feira, maio 04, 2005

Objectos Biográficos-II


Este cesto foi executado pelo pai de Rosa Branco, de Tourém, Montalegre, Trás-os-Montes. De quem já falei há uns dias e mostrei as navalhas que aquele senhor utilizou durante 40 anos para fazer a barba aos homens da aldeia.
Agora, do mesmo percurso, outro testemunho:
"São trabalhinhos que ele fazia durante o Inverno, que tinha menos trabalho...E fez este para a minha mãe meter a costura. Havia também cestos muito grandes para as batatas..."
Da caminhada dos homens ficam estas recordações: navalhas, cestos, memórias. É igualmente a marca do tempo que fica em cada objecto e nos recorda vicissitudes, heroísmos, respirações. Neste caso, estamos a falar também de alguém que teve de fazer contrabando para sustentar uma família com poucos recursos e vários estômagos para alimentar.
Curiosamente, vivemos numa época em que o sofrimento do passado é apresentado como motivo lúdico. Na verdade, por todo o lado, junto à raia, dos dois lados da fronteira, surgem os trilhos e as rotas do contrabando, desfrutados por turistas ávidos de conhecer paisagens e estórias de aventura.
Já o poeta dizia
"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Muda-se o ser, muda-se a confiança.
Todo o mundo é composto de mudança.
Tomando sempre novas qualidades"
(fotografia de Luís Filipe Maçarico) Posted by Hello

3 comentários:

J.C.Pereira disse...

A sensibilidade e o carinho de quem consegue guardar memórias num mundo de coisas descartáveis.
Um abraço
JCPereira

augustoM disse...

Luís, Curiosamente, vivemos uma época em que o sofrimento do passado "e do presente" é apresentado como motivo lúdico e "florido"
Um abraço. Augusto

Mendes Ferreira disse...

Poeta não me mimes assim tanto, que não mereço mas gosto é claro, sobretudo depois de ver tanta "maldade" bloguística. mas adiante, o que interessa é que tb te tenho a ti oh meu poeta dos gestos simples e G R A N D E S.