"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

quarta-feira, março 07, 2007

Entrevista a Paula Cristina Lucas da Silva





A entrevista que se divulga hoje neste blogue, foi realizada em Alpedrinha em finais de Novembro de 2006 e publicada já este ano, no Jornal do Fundão. Volto a apresentá-la, agora neste formato, porque recebi há poucas horas o projecto de livro que a Paula prometeu em Alpedrinha, durante o Encontro de Poetas e que no preâmbulo da conversa revelamos. As imagens têm a ver com o título do livro, cujo segredo não revelamos. Sabemos apenas que vai ser um reencontro da autora com a sua terra, as suas gentes, o verde e o granito, muito intenso. E que embora todos nós passemos por este mundo, caminhando para a partida, a palavra e a montanha ficarão.

A POESIA SURGIU COMO UMA ESPÉCIE DE CHAMAMENTO E PASSOU A FAZER PARTE DA MINHA VIDA

Paula Cristina Lucas da Silva nasceu em Alpedrinha, em 1966. Filha e neta de alpetrinienses, foi naquela vila que casou.

Estudou no Externato Santiago de Carvalho, fez o Ensino Secundário na então vila do Fundão (hoje cidade).

Aos 17 anos saiu de Alpedrinha para se licenciar em filosofia, na Universidade Nova de Lisboa. É professora do Ensino Secundário há mais de dezassete anos.

Foi colaboradora activa da “Informação” da Liga dos Amigos de Alpedrinha, desde os 14 anos, onde publicou desde poemas a entrevistas e artigos de opinião.

Já escreveu prefácios para livros do poeta Luís Maçarico (que hoje a entrevista para o JF) do qual apresentou algumas obras de poesia.

Dirige o jornal escolar “Atitudes” há mais de seis anos, onde estão publicados os mais variados textos.

Reside no Cacém.

O seu primeiro livro de poesia aparecerá durante o próximo ano.

-Quando é que a Poesia surge na tua vida?

-Surge na pré-adolescência, por influência da leitura da literatura da escola, digamos que foi assim uma espécie de chamamento, por identificações e passou a fazer parte da minha vida.

-Tiveste algum professor que te marcasse, em termos de Literatura?

-Tive uma professora de português e em termos do re-escrever, do cinzelar foi mais da parte do dr. Fernando Paulouro, como professor de Jornalismo.

-Como eram os primeiros poemas?

-Tenho a ideia de uns sonetos que neste momento não faço a mínima ideia onde é que andam. Sei que um deles foi publicado na Informação da Liga dos Amigos de Alpedrinha e na altura já tinham a ver com Alpedrinha. A partir daí passaram a conviver poemas sobre Alpedrinha e os intimistas, sentimentais...

- No VIII Encontro de Poetas em Alpedrinha, no passado dia 18 de Novembro, disseste pela primeira vez poesia tua na terra que te viu nascer. Quando começaram a surgir aqueles versos?

-Embora seja um conjunto, são muito dispersos em termos temporais, porque estavam ali poemas escritos de 93-94 até 2006.

-Escreveste na Informação*...como reagiam os leitores?

-Na altura em que eu escrevia na Informação tinha sempre um feed-back muito carinhoso por parte das pessoas, nomeadamente nas crónicas que se transformavam em prosa poética...Como exemplo: a entrevista que fiz à pessoa na altura mais velha de Alpedrinha, a dona Auzenda...tive o prazer de entrevistar o Fernando Namora.

-Durante quantos anos escreveste na Informação?

-Cerca de 20 anos.

- O que sentiste ao dizer poemas diante da tua gente?

- (sorriso)...Bem é um bocado complicado conseguirmos dizer por palavras. Principalmente, porque já tinha 3 experiências prévias. Por exemplo: a leitura que fiz de poemas no 1º Aniversário da Associação Aldraba, embora em contexto diferente e um público heterogéneo.

Aqui, o sentimento é diferente, porque escolho poemas sobre pessoas de e sobre Alpedrinha.

Em termos de público sabia que ia ser mais partilhado e sentido.

Depois, era a timidez. Porque as pessoas, à partida, se calhar, entre o que sou e aquilo que as pessoas conhecem de mim, vai um abismo, que é sempre inultrapassável.

Nestes momentos, parece que estou...que os abismos nos aparecem ali à frente e pensamos “será que isto vai alterar a imagem que as pessoas têm de nós”. Embora haja muita vontade de partilha. Mas há sempre esse receio...”

* Boletim da Liga dos Amigos de Alpedrinha

Entrevista e fotos de Luís Filipe Maçarico

1 comentário:

Grilinha disse...

Assim que o livro sair eu vou comprar e quero um autografo da autora.
Um beijinho