"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

terça-feira, junho 09, 2009

Não Posso Adiar o Amor Para Outro Século





Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração António Ramos Rosa
Viagem através duma nebulosa (1960)
Antologia poética

3 comentários:

girassol disse...

Encanto essa tua mão que descansa no apoio da janela do comboio que te leva a lugares onde és tu e fazes o mundo, os lugares. Alpedrinha, onde vais estar amanhã, é um caso de Amor não adiado, é um dos teus lugares.
Boa viagem meu amigo!!!... para Alpedrinha ou para qualquer lugar onde consigas ir fazer um pouco melhor o mundo só porque és tu. Assim te senti, sempre.

Abraço meu
Jingã
Belmi

maria sousa disse...

Não se pode adiar o amor, o coração, esperança e a obra.
Parabéns pela apresentação dos "Cadernos..." em Mértola (o cenário estava lindo de branco).
Parabéns também por todos os que colaboraram com livros, alegria e palavras nessa nossa terra alentejana: esse coração não adiado.
Abraço amigo Luis.

elvira carvalho disse...

Gosto imenso de António Ramos Rosa.
Obrigada pela partilha.
Um abraço