"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

terça-feira, setembro 20, 2005

País?


Oiço as notícias e reflicto: território (país?) onde a populaça desvaira com foguetório de uma hora seguida, mesmo que ao lado arda a terra-mãe.
Rectângulo (país?) onde os Avelinos passeiam um poviléu analfabeto, de helicópetro, que vende o voto por um voo sem asas.
Lugar (país?) onde Rafael Bordalo Pinheiro tem um Museu fechado há anos, talvez porque a crítica é odiada e a postura dos poderosos é a arrogância.
Sítio (país?) de onde sairia se fosse mais novo e do qual começo a ter vergonha de falar, lá fora, porque apenas é notícia pelas razões mais estrambólicas. A televisão tunisina, por exemplo,passou imagens de Portugal a arder. Jornais do Mundo espalharam o triste retrato de mais um verão de paisagens queimadas no seco jardim à beira-mar plantado...
Como se não bastasse, o poeta Alegre exibiu a miséria mental portuguesa, confirmando que é um homem sem coragem, um velho de palavras gastas...
Estamos mesmo entregues aos bichos, à espera de apodrecer de vez, de morrermos antes do tempo.
Oiço as notícias e fico desolado. O sonho está de rastos: País?

3 comentários:

Guida Alves disse...

País? Que País?

augustoM disse...

Luís não sei se te vais ofender com o que vou dizer, mas temos o país que merecemos. Olha só para a marcha triunfal da Fátima Felgueiras, mas que povo é aquele? Volto a ter vergonha de ser português, como tínhamos no tempo da ditadura, quando íamos ao estrangeiro. Fugir daqui não é o primeiro desejo, mas criar um Portugal virtual só para mim. Tenho pena de não ter possibilidade de qualquer tipo de publicação, mas talvez seja melhor assim, pois não mudava de assunto enquanto não dissecasse exaustivamente o carácter português e os seus porquês. Somos mesmo uma grande miséria humana.
Um abraço. Augusto

Jorge disse...

Estou inteiramente consigo.
Este povoleu tem qualquer coisa no código de barras, que faz dele algo que não se consegue metabolizar.Isto é o fim de um fim que esteve sempre próximo, porque de facto isto nunca teve a qualidade para ter um inicio; um rectângulo só definido pela iconoclastia, oa piroseira, a vulgaridade, a corrupção consentida, a imcompetência mais celerada e arrogante,os incendiários impunes aso serviço de gigantescos lobies de chicos espertos bem portugas, os estrelatos e famasazinhas que terminam na fronteira mais próxima: uma verdadeira desolação.
País de Fátima, Fado Futebol e fogo!!!
Ah, como o Eça e o Ortigão estavam certos!
E também o compreendo quando diz nas entrelinhas que se pudesse mudava de poiso.
Imagine então a mostruosidade que me auto inflingi, quando tive oportunidade de fazer uma carreira limpa no estrangeiro, onde só imperva a competência, deixei tudo para regressar às sardinhas assadas, ao sol que agora quase detesto, ás saudades de uma chuva que parece ter-nos abandonado como castigo a esta portugalidade de coisa nehuma. Um verdadeiro suicida.
Não me consigo perdoar.