"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

domingo, abril 03, 2005

País Profundo...


Nos alvores de Maio de 2004, participei num festival de Poesia Transfronteiriça, na Taberna do Fim do Século em Miranda do Douro. Os diversos participantes, depois daquela noite fantástica, animada por estudantes e professores da UTAD- Universidade de Trás os Montes e Alto Douro, polo de Miranda, deliciaram-se no dia seguinte com uma burricada com asininos lindíssimos que uma associação local pretende proteger da extinção.Eu, claro, devido ao meu peso fui a pé. Porque uma vez na Tunísia uma camela fez um pranto pelo excesso de carga que teve de transportar e a partir daí, prescindo de andar encavalitado no dorso dos bichos.
Ora nesse Maio mágico, já distante, entre a burricada e um almoço comunal em que a aldeia da Freixieira se juntou aos visitantes numa comesaina deliciosa, bem regada, houve um momento impressionante ,em que diante do Douro descansámos, contemplando a maravilha que a Natureza guardou ao longo de séculos para presentear aqueles que ainda se impressionam com o canto das aves, com o silêncio, com uma pronúncia terrosa, com paisagens de rocha e água...
Em vez de passar fins de semana diante da tv, do dvd, do computador, às voltas como baratinhas tontas nos centros comerciais, será que não valia a pena aproveitar o que ainda há de bom na Terra, a gastronomia, as pessoas, os lugares como este?Posted by Hello

5 comentários:

Mendes Ferreira disse...

que rio te persegue assim tão do alto do corpo, que alma lavas para lá do curso da memória, que sonho te faz assim pescador de gestos?

oasis dossonhos disse...

Que bonitas palavras! Olá!

stillforty disse...

É o que tento fazer sempre que posso...à descoberta do país profundo.
Olá Luis.

Guida Alves disse...

E que dias lindos que foram esses! Cá por casa suspira-se por uma nova aventura do género... talvez para Maio ou Junho.

Jorge disse...

Bumba! Assim é que é!
Aconselhar estes protugas a visitar o que de melhor há na nossa terra: o Portugal profundo transmontano, desde sempre abandonado, primeiro pelo poder fascista e agora pelos duvidosos poderes que se vão instalando.
Visitar terras que nunca sonharam ver, de tão magnifícas e grandiosas que são, não só pelo seu admirável telúrico, bem assim pelas suas gentes generosas e francas e claro pela sua inegualável gastronomia.
Fim ao perder do tempo das nossas vidas em frente de uma televisão deseducadura, ganaciosa e mal intencionada, regida por um ganguesterismo capitalista desenfreado, mais interessado em audiências do que servir os cidadãos cumpridores deste triste País de treta.
Vivam Trás-Os-Montes, as suas gentes e a sua cultura que é própria e única.