"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

segunda-feira, abril 04, 2011

Como se o Alentejo Fosse um Desmesurado Jardim Botânico, Sem Gente...










Em Castro Verde, a população não baixou tanto, como noutros concelhos alentejanos.
Há juventude, há actividades, que mantêm as pessoas ligadas às tradições, da gastronomia à música, do associativismo ao cante.
Pena é que os alentejanos, que estão fora da sua terra, não falem destes resistentes, como se o Alentejo fosse um desmesurado jardim botânico, - onde só houvesse papoilas, estevas, malmequeres, rosmaninho, uma bebedeira de cores, sem gente...
Como se falar da nossa gente fosse vergonhoso...
Porque não mostram pessoas, aqueles que dizem gostar - e ter muitas saudades - do Alentejo?

A propósito, vale a pena lembrar este breve poema de Bertolt Brecht:

O FUMO

"Casinha debaixo de árvores junto a lago,
Do tecto sobe fumo.
Faltasse ele,
Que tristes então seriam
Casa, árvores e lago."

BRECHT, Bertolt "Poemas e Canções", Selecção e Versão Portuguesa de Paulo Quintela, Livraria Almedina, Coimbra, 1975, p. 36.

Texto, recolha e fotografias de Luís Filipe Maçarico

2 comentários:

Constantino, Guardador de Vacas disse...

Luís Filipe, é só uma meia verdade, apesar de Brecht. Na realidade há muito que o Alentejo foi abandonado. Primeiro por quem governou, depois pelas suas gentes e finalmente por quem governa. Há gente sim senhor. Há muita gente... na Páscoa e nas férias de Verão. Há cante (veja os grupos de cantares dos Amigos daqui e dacolá, que vão de Corroios ou de Odivelas, De Sacavém ou do Barreiro). E há estevas e rosmaninhos e há flor do tremoço. Castro Verde pode ser uma excepção. Um abraço.

Constantino, Guardador de Vacas disse...

Luís Filipe, é só uma meia verdade, apesar de Brecht. Na realidade há muito que o Alentejo foi abandonado. Primeiro por quem governou, depois pelas suas gentes e finalmente por quem governa. Há gente sim senhor. Há muita gente... na Páscoa e nas férias de Verão. Há cante (veja os grupos de cantares dos Amigos daqui e dacolá, que vão de Corroios ou de Odivelas, De Sacavém ou do Barreiro). E há estevas e rosmaninhos e há flor do tremoço. Castro Verde pode ser uma excepção. Um abraço.