"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Património em Montemor-o-Novo















Montemor-o-Novo é uma cidade bastante rica em património material.






Contudo, a perda recente de algum património emblemático, no que concerne às aldrabas e batentes, deixou-me apreensivo, enquanto cidadão, ao revisitar as ruas desta simpática e bela cidade alentejana, devendo, na minha opinião, os autarcas desta e de outras terras reflectir acerca de alguns "atentados" a esse património...
Porque é a descaracterização, a perda de qualidade e de identidade que espera os sítios se efectivamente, perante o que está a suceder, não se tomarem medidas...
Os batentes em forma de serpente ou mastim, raríssimos, se nada se fizer para a sua preservação, em última instância nem que sejam mostrados num museu, não regressarão (pois os ferreiros já não batem o malho em Montemor-o-Novo) às portas da cidade quando alguém, após a morte dos idosos que residem na parte antiga, os retirar impunemente como tem acontecido. Urge inventariar e proteger! Sensibilizar proprietários e inquilinos. Será que é difícil entender isto?



Em Montemor-o-Novo, em 2005 havia um portão no nº 7 da Travessa dos Lagares. Em 2009, o portão desapareceu, bem como as três aldrabas que ostentava, fazendo lembrar o que sucedia em tempos no Magrebe - uma para o homem, outra para a mulher, outra para a criança, segundo relatos de indivíduos contactados, em Fez (Marrocos) e Nefta (Tunísia).
A venda do espaço pelo antigo proprietário a uma empresa que depois encontrou um comprador, esteve na origem dessa perda. A empresa, segundo relato de uma moradora, terá retirado o portão, não se sabendo o que fizeram às três aldrabas, reduzindo a entrada a uma portinha apertada, azul escura, que nada tem a ver com a antiga passagem do espaço público para o privado.




Apesar de passeios temáticos, chamando a atenção para aquele património, apesar de um artigo na revista Almansor, apesar da sugestão da publicação de postais (que serviriam para divulgar esses tesouros junto dos próprios moradores e proprietários), que nunca foram editados, apesar dessas preocupações...caíram em saco roto e está à vista o resultado.
Montemor-o-Novo perdeu uma parte do seu património. Mas como se isso não bastasse, não há ninguém que intervenha, relativamente à forma como portas e janelas manuelinas são tratadas (a fotografia mostra bem o que afirmamos)...
É este o legado que vamos deixar aos vindouros e que chegou até nós atravessando gerações?
Cidades forradas de alumínio, desfeiando (e desumanizando, porque apagando a memória) o que foi construído à escala humana?
Respeito o trabalho autárquico e os eleitos, mas não posso deixar de fazer este reparo, antes que seja tarde.
Por favor, senhores autarcas do Município de Montemor-o-Novo e das freguesias urbanas (e rurais), intervenham, não deixem morrer as marcas importantes da passagem dos nossos antepassados trabalhadores, criativos, artistas, que antes de nós fizeram estas jóias de arte, como quem pinta um quadro, escreve um livro ou planta um olival.
Luís Filipe Maçarico

5 comentários:

José Rasquinho disse...

É realmente uma pena aquilo que se constacta, e que normalmente não corresponde aquilo que se ouve noutras alturas.
Mas a esperança nunca morre...

Abraço.

Ezul disse...

Pela parte que me toca, já conversei com uma das proprietárias da casa da 7ª foto, alertando-a para a necessidade de preservação desse património. Mas há tantos aspectos que deviam ser acautelados: a definição de regras de construção para o Centro Histórico ( e penso que existem!), a fiscalização, o apoio monetário e, claro, a sensibilização, ainda que estas iniciativas se possam vir a perder quando as casas passam por vários proprietários, desde empresas a alentejanos de fim-de-semana, passando por alguns indivíduos que procuram uma oportunidade de negócio: comprar barato, recuperar, modernizar e vender.Talvez seja possível desenvolver um projecto a nível da escola,e não será assim tão difícil fazer postais. Vamos ver!
Até lá, esperemos que os batentes e as aldrabas sobrevivam!
:)

oasis dossonhos disse...

Fernando Dias
para mim


data16 de dezembro de 2009 11:25
assunto: património em Montemor-o-Novo
mostrar detalhes 11:25 (2 horas atrás)

Bom dia Luís! Tudo bem contigo?
Espero bem que sim! Infelizmente este é o cenário, todos os dias perdemos património, material e imaterial. E isto é urgente ser controlado, é esse o nosso papel, mas inúmeros obstáculos se nos atravessam e assim vamos fazendo o que podemos, sobretudo trabalhando para uma mudança de mentalidades que é tão importante quanto demorada.

Um santo natal e um feliz ano de 2010.

Abraço amigo;

Fernando Dias
Alcoutim

samuel disse...

Belo post!
Na defesa do património não há assuntos menores...

Abraço.

maria lascas disse...

Conheço alguns destes lugares...

Adorei a serpente.
Sábado vou procurá-la... a ver se ainda lá está!