"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

quarta-feira, novembro 30, 2005

Para a Ana, com Muito A(HU)MOR


Passámos muitas noites a rir, porque gostamos até ao desvairo, de nos "mijar" a rir dos espertalhaços bimbóides, das excelências, dos cromos, dos palhaços que andam por aí, fora dos cartazes circenses, na grande arena da vida. Os dogmáticos, os frustrados, os moralistas, os e as malfodidas, os que noutra incarnação devem ter sido da família dos Borgia, os dótores, os pirosos. Passámos muitas noites a rir, dizia. Desde o final dos anos setenta.
Tanto rimos, que num dos casos o cabelo ficou como no faduncho do cacilheiro, e noutro, só de peruca é que a careca se disfarça. Não perdemos essa capacidade e até rimos de nós, o que as vestais e os eruditos do humor, desse humor de museu de múmias podres, empaturradas de caldo rançoso e cicuta, aposto, não são capazes de conseguir.
Passámos tantas noites a rir, que agora basta olharmos um para o outro para desatar o riso. Torcemo-nos de riso quando nos aparecem os cultos sacerdotes do humor. Ou uma palavra, uma imagem que descobrimos para nos fazer cócegas e um riso que deve escandalizar os que não acham graça ao riso dos outros, mas riem-se quando os outros nos agridem, com humores de peido que não sabe se deve ser punhal ou punheta de bacalhau.
Sabes Ana, quem sabe de nós o suficiente para se atrever a rotular-nos de forma fascistóide, fazendo-nos o retrato tipo que agradaria a Hitler ao enviar judeus para o crematório?
Quem nos pode julgar pelos silêncios ou pelos risos (e também pelas lágrimas, porque somos humanos e também temos dias assim), não é querida?
Ainda bem que às vezes aparece um incauto chicoesperto, tipo guarda nocturno, fiscal das finanças, que nos inspira, para podermos dar largas ao nosso a(Hu)mor, ao nosso riso desatado, que, incomode quem incomodar, é o nosso e nos sabe como carícia de alma, num tempo de macambúzios e pequenos déspotas frustrados, para os quais humor é foder a cabeça aos outros e regorgitar de prazer pelos estilhaços.
Sejamos politicamente incorrectos num blogue que não obedece a partidos nem a condotieri, como o nosso "69."
E que vá para o caralho quem não tiver tomates para suportar este humor que também me pertence como a pele.
(foto de LFM)

2 comentários:

maria_arvore disse...

Bem dito! Que ninguém vos impeça de rir!
Beijinhos para ambos. :)

Fernando B. disse...

Caro Luís,

As hienas decrépitas ainda teimam em carpir as suas aleivosias. E o que é peculiar nessa escumalha é a insuação torpe.

Apreciei bastante este texto. Mas não percas mais tempo com tal simulacro de gente.

Um Fraterno Abraço,