
Com tradução de Paulo Quintela, extraio do livro "Poemas e Canções" de Bertolt Brecht, estas reflexões em forma de verso, que bem podiam ter sido escritas agora:
EM TEMPOS DE ESCURIDÃO
Poder-se-á também cantar?
Poder-se-á também cantar
Dos tempos de escuridão.
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ENTRE OS DA ALTAÉ tido como baixo falar de comida.
Isso provém de eles terem
Já comido.
(...)
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DE QUE SERVE A BONDADE 1
De que serve a bondade
Quando os bondosos são logo abatidos, ou são abatidos
Aqueles para quem foram bondosos?
De que serve a liberdade
Quando os livres têm que viver entre os não-livres?
De que serve a razão
Quando só a sem-razão arranja a comida de que cada um precisa?
2
Em vez de serdes só bondosos, esforçai-vos
Por criar uma situação que torne possível a bondade, e melhor:
A faça supérflua!
Em vez de serdes só livres, esforçai-vos
Por criar uma situação que a todos liberte
E também o amor da liberdade
Faça supérfluo!
Em vez de serdes só razoáveis, esforçai-vos
Por criar uma situação que faça da sem-razão dos indivíduos
Um mau negócio!
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NÃO VAMOS AGORA DISCUTIRSe explorámos o poder quando o tínhamos, agora
Já não temos poder.
Não vamos agora falar
Sobre se isto vai sem violência. Agora
Foi a violência que nos derrubou.
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GENERAL, O TEU TANQUE É UM CARRO FORTE.Arrasa um bosque e esmaga centos de homens.
Mas tem um defeito:
Precisa de um condutor.
General, o teu bombardeiro é forte.
Voa mais rápido que uma tempestade e carrega mais que um
elefante.
Mas tem um defeito:
Precisa de um mecânico.
General, o homem é muito hábil.
Sabe voar e sabe matar.
Mas tem um defeito:
Sabe pensar.
Bertolt Brecht