"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

domingo, setembro 26, 2010

A Imensa Minoria


Após os 11 dias úteis de férias que gozei recentemente em Odeceixe, tive alguma dificuldade em reinserir-me no quotidiano.
Não porque tenha propensão para sofrer do muito em voga stress pós-vacances, mas por não ver da parte de quem decide, atitudes exemplares.
Sinto-me cada vez mais farto (e penalizado) por aquilo que uma parte dos portugueses fazem.
Por isso, uma vez mais protesto: por os governantes da última década terem contribuído com as suas decisões, para o aumento da dívida pública.
Então nenhum desses cidadãos paga as consequências? Que raio de gente é essa, que só tem direitos (e pensões chorudas)? Numa Democracia assim, que um amigo de cepa alentejana já definiu como a extrema unção para os sonhos, não apetece respirar...tal é a poluição e agonia dos valores...
E que dizer dos tios e tias (e dos que andam à babugem desse status) da chamada Sociedade Civil, que contraíram dívidas - fomentadas pelos bancos - que não conseguiram pagar, enquanto desempenhavam a rábula de nice people, e que agora somos nós a ter de arcar com os encargos provocados por esses desvarios?
Quanto aos futebolistas e entidades bancárias, para quando uma séria intervenção do Estado relativamente aos ganhos elefantisíacos (ou tubarónicos, se preferirem) que continuam a não ser taxados, de acordo com os balúrdios que auferem, embora se reduzam apoios sociais a quem mais precisa e a reinvindicação da manutenção do Estado Social ande na boca cheia dos que o matam?
É por estas e por outras que me sinto inconformado e inadaptado.
Estou a dois anos dos 60 de vida e apesar de um percurso de trabalho e de intervenção cultural e até política, perante esta Sociedade de fariseus e vampiros, defronto-me com a situação de ser tratado como se tivesse começado agora a dar os primeiros passos na área laboral.
Não sonhei (nem contribuí com o meu esforço e dedicação) para esta javardice.
E o pior é que vejo um povo acomodado, para não dizer oportunista, manso, para não dizer sem tomates, a aceitar tudo o que tem acontecido, salvo a imensa minoria a que pertenço.
Dia 29 manifesto-me, como já o fiz inúmeras vezes. Não acredito que este Mal dure sempre.
Acredito, pelas lições da própria História, que a má sina (sobretudo de todos aqueles que não se contentam com a menorização com que nos tratam) há-de mudar.
Luís Filipe Maçarico (Texto e Fotografia)

1 comentário:

elvira carvalho disse...

Bom Luís,penso que pôs cá para fora o grito a maioria dos portugueses tras amordaçado, mas que por medo, ou outra qualquer razão não consegue soltar.
Parabéns pela coragem.
Um abraço