"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

domingo, outubro 11, 2009

Portugal 2009






Portugal parece uma plataforma de comboio abandonada, como as imagens documentam (recolhidas na Funcheira em Julho).
Quem anda por esse país fora, através das linhas ferroviárias, encontra inúmeras estações maltratadas, uma desertificação insuportável, por via do envelhecimento das populações.
Olhando para as últimas eleições legislativas e autárquicas, encontramos um povo adormecido, em perigosa modorra, que raramente ousa a ruptura. Assim, não saímos do pântano...
Os partidos alternadeiros vão-se revezando. E o comodismo vai fazendo o seu ninho.
A Juventude faz falta nos projectos do futuro, há que dar lugar aos mais novos, é preciso que eles tragam propostas adequadas aos novos tempos. É preciso ouvi-los!
Senão, perdemos o comboio do futuro.
Luís Filipe Maçarico

2 comentários:

elvira carvalho disse...

Acabei de por a leitura em dia. E estou absolutamente de acordo consigo. Somos cada vez mais um país de velhos, onde os novos não têm futuro, e os velhos sobrevivem apenas. E enquanto isso meia dúzia enchem o papo. Aqui venceu como se esperava e desejava a CDU. Porque anterior-actual presidente tem sido um bom presidente.
Um abraço

jose filipe rodrigues disse...

As Eleições Autárquicas


Assisti, com muita curiosidade, à reportagem do escrutínio das últimas eleições autárquicas, na esperança de observar resultados e comentários de inteligência e abrangência construtiva. O António Vitorino e o Marcelo Rebelo de Sousa surgiram com algumas maneiras de pensar interessantes e inovadoras. Eu votaria em ambos para o cargo de primeiro ministro, partilhado. Quando os repórteres entrevistaram os diferentes representantes dos partidos políticos, o discurso foi o mesmo de sempre. A mesma lenga-lenga monocórdica de há trinta e cinco anos em que o clubismo partidário é menos imaginativo do que o partidarismo clubístico do campeonato da primeira liga. Fiquei triste. Depois do nível de literacia ter crescido no nosso país, a imaginação dos gestores de mentalidades continua monocórdica e cada vez mais ultrapassada.
Nas minhas eleições autárquicas, cá do burgo, eu não vou votar em nenhum candidato de ascendência portuguesa. A experiência, a competência e os ideais estão em primeiro lugar. O mesmo irá acontecer na escolha dos vereadores. Nas eleições autárquicas em que votei em Portugal, a minha liberdade de voto estendia-se a todos os partidos. Eu sempre votei naqueles que apresentavam grupos de trabalho de acordo com a minha visão de progresso construtivo. Assim, as minhas escolhas para Presidentes de Câmaras poderiam estar na área do PCP, do PS, do PSD ou do CDS, sem nunca me importar com as estatísticas de vitória ou de derrota de cada um dos partidos políticos. Do mesmo modo não consigo entender como é que os vereadores não são escolhidos directamente pelo voto popular, em vez de se optar pelo clientelismo partidário de todos em um, sob a bandeira do clube político.
O Costa de Lisboa decepcionou-me no discurso de vitória com os seus complexos entre a esquerda e a direita. Esse discurso escuto-o quase todos os dias por parte dos Republicanos Radicais em relação ao Barack Obama: quem não for de direita não é inteligente e não é patriota. Neste caso de Lisboa, os eleitores e os líderes que votaram na coligação PSD-CDS, CDU ou em outros grupos foram apresentados como atrasados mentais ou como inimigos de Lisboa. Quando se referia ao candidato derrotado, Santana Lopes, ele afirmou:
- Ele anda sempre por aí... Ele foi eleito para vereador.
Paranóia insconsciente. Provincianismo saloio. Partidarismo arrogante. Liderança remendada. Desportivismo pintodacostense. Radicalismo recalcado. Divisionismo estupidificante.
Estes comportamentos não são de estranhar quando observamos a falta de líderes no universo político português. O exemplo mais relevante é o do actual primeiro ministro. Na observação dos diversos comportamentos públicos pode-se verificar que ele é fruto das escolas de Marketing e de Relações Públicas, com um formação muito elementar nos dons e nas aprendizagens em escolas e em experiências de vida que educam sobre Liderança. Daí a minha surpresa quando o ouvi afirmar, após a vitória eleitoral nas legislativas:
- Nós vamos governar com elevação.
Governar com elevação? Como, se como líder ele é anão?
Eu, cá no burgo, vou votar num candidato de origem anglo-saxónica para a presidência da câmara e vou também expressar a minha vontade para a eleição dos vereadores que acho serem mais competentes para o cargo, uns de origem portuguesa, outros não.. O feudalismo já se encontra ultrapassado desde há muitos séculos, ou será que não?