"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

domingo, novembro 12, 2006

Pedra Fingida


perto da janela entreaberta, por onde espreita o sol,
um sol devorador, os ângulos do corpo, do corpo
adormecido na tarde de cedros longínquos,
longínquos...

nos teus olhos vejo os meus
de pedra fingida...

1981

Luís Filipe Maçarico

(Foto de LFM:Parede exterior da igreja de Vila Nova de Erra, em Coruche)

segunda-feira, novembro 06, 2006

A Categoria da Marcha de Alcântara está na Capacidade de Trabalho e Criatividade da Comissão Técnica da SFAE



Na sede da Sociedade Filarmónica Alunos Esperança, cujo espaço está bem cuidado e organizado, a marcha do ano seguinte começa a ser preparada após as férias do Verão.
Ontem voltei a estar com aquelas pessoas, a quem reconheço, além da dedicação, bastante qualidade, pois há uma participação entusiástica, com pesquisa bibliográfica, relativamente aos temas que se propõem evocar, e surgem sempre sugestões, durante a elaboração do novo projecto, o que tenho comprovado ao longo destes anos de colaboração.
À medida que o tempo passa, eles são como o vinho do Porto. Por isso, a marcha de Alcântara tem-se destacado pela beleza da cenografia que imagina para encantar os lisboetas e maravilhar os alcantarenses. Parabéns a todos pelo bom desempenho que estão a ter e viva a marcha de Alcântara e a SFAE!
Texto e fotos de LFM

domingo, novembro 05, 2006

Metáfora


A vida dos portugueses é desde há anos comparável com esta janela: emparedada e pintada de ocre em tons de céu. Ou seja, a asfixia disfarçada de sonho azul.
LFM (fotografia realizada em Vila Nova de Erra, Coruche; Fev.2006)

sexta-feira, novembro 03, 2006

RAQUEL TAVARES


A primeira vez que escutei esta voz, ela já era um ser de garganta e alma iluminadas, espalhando aos quatro ventos a benção dos deuses da sua arte de (en) cantar.
Não é possível ficar indiferente à sua interpretação, pois as palavras na sua boca são frutos do paraíso, sagrados néctares, voos em busca da pureza inicial.
Raquel Tavares canta com a força das fontes e a graciosidade dos pássaros, mas há nela a telúrica revelação de uma paisagem suprema, a leveza dos dias envolvidos em saudade.
Raquel era ainda uma menina quando venceu a Grande Noite do Fado (1997). Aos 21 anos prepara-se para colher o resultado de muito trabalho e dedicação. Auguro-lhe muitos triunfos, o carinho do público e o êxito que merece, por ser uma mulher inteligente e sensível, Fadista com F grande, de Festa e Felicidade.
Parabéns, Raquel por seres digna de um património chamado Amália!
LFM
Nota: A Raquel actua hoje no Auditório Ruy de Carvalho em Carnaxide, às 22h.

quinta-feira, novembro 02, 2006

Cobras e Lagartos: Um Achado







A capacidade de nos surpreendermos é qualquer coisa de mágico que nos pertence como um tesouro...
Quem diria que uma telenovela me ia tirar do sério? Qual Gato Fedorento, qual Revolta dos Pastéis de Nata!
Farto de chachadas delicodoces, de más que fazem agora de boazinhas, e de boas que fazem de más, ao virar de novela, na TVI que dá sempre a mesma novela, uma amiga recomendou-me que purificasse os fígados na mais alucinada filigrana televisiva concebida e representada por brasileiros de grande gabarito que devem desbundar até mais não.
Fiquei fã e agora peço a todos que não me telefonem entre as 22 e 30 e as 23 e 45...
Há quem goste dos Gift, há quem não perca a Maria Laurinda, há quem prefira a Net e quem chupe no dedo...
Eu cá voto em Cobras e Lagartos para melhor divertimento televisivo que alguma vez foi feito em qualquer parte do mundo.

Cavalgada Alucinante


Os últimos governos antes daquele que nos (des) governa passaram o tempo a paralisar-nos a esperança. Este, corta-nos as pernas e espezinha-nos os sonhos.
De bom, Portugal já só tem um clima também ele desregulado, uma gastronomia ainda genuína (até quando?) e um Povo (que para alguns deve ser renomeado como Sociedade Civil) que apesar de hipnotizado e manipulado pelos poderes, integra muitos elementos sensíveis e criativos, capazes de encontrar uma solução para o Estado a que chegámos.
Fala-se com amigos professores e é terrível o ponto de vista com que caracterizam quem (des) governa, fala-se com amigos que trabalham em organismos do Poder Central e nada se augura de bom, fala-se com amigos que trabalham na Saúde e o panorama é desolador.
Será que enlouqueceu tudo, ou quem tem as rédeas desta cavalgada alucinante nas mãos não sabe o que está a fazer?
Responda quem souber!
Texto e foto:LFM

quarta-feira, novembro 01, 2006

Caos


Hoje não me apetece escrever nada. A rua onde moro está um caos. São duas e meia da manhã e centenas de indivíduos ocupam o espaço público berrando, estou cansado de um dia de trabalho e não me posso deitar porque não consigo dormir com tanto barulho. A polícia esteve uma vez mais aqui, multou dezenas e dezenas de carros mal estacionados, mandou fechar o bar que origina tudo isto, mas as multidões continuam a beber e a berrar como se o ar, o sítio, o meu sono, tudo fosse deles. O caos é este insuportável barulho: permitido, tolerado. De repente, um largo de Lisboa tornou-se um pesadelo. Não consigo escrever mais nada.
Foto: Candeeiro de Coruche (LFM)