"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

domingo, abril 01, 2012

Freguesias e Colectividades de Todo o País Manifestaram-se em Lisboa






































As ruas que desaguam na Praça Marquês de Pombal foram, na tarde do último dia de Março de 2012, um mar de gente, vinda de todo o país, para dizer Não ao(s) sucessivos projectos de extinção das juntas de freguesia, que depois do fim de escolas e centros de saúde, empobrecem sobremaneira os quotidianos locais.
Nos gabinetes decisórios escasseia massa cinzenta para ver o país à escala humana.
A alienação da unidade do território, com um riquíssimo património identitário, sedimentado na memória e na tradição das populações, foi sentida como um toque a rebate e o povo uniu-se, fosse de Barcelos ou de Vila Nova de S. Bento, do Lavre ou da Meadela, de Guifões ou Santa Bárbara de Nexe.
Emocionante, para quem viu e sentiu, tudo o que foi mostrado, pois se o poder local for alterado, - para não dizer esquartejado, - sem ouvir os interessados, desaparece uma parte substancial do país, pois restam paróquias, juntas de freguesia e associações.
Desaparecendo a junta de freguesia, perde-se a proximidade às populações, abandonadas em enclaves...
Sem as juntas, as colectividades perdem apoios, definham. E a sua vocação solidária, de ensinar a música, de promover o teatro, de apoiar de incrementar a partilha geracional, de estimular a prática desportiva, de reviver a etnografia local, fica ameaçada...


A grande representação das freguesias de Lisboa, era a de Carnide, pois as freguesias da capital, nem devem fazer falta aos moradores, nem aos trabalhadores...
Havia também gente de Alfama e São Vicente, além de uma pequena amostra dos que não se conformam.
O STML esteve também presente.
Mas, ao contrário dos nortenhos e dos associativistas e autarcas do sul, nesta manifestação colorida, a maioria dos fregueses, dos eleitos e dos que ganham o pão, servindo os bairros de Lisboa, estiveram ausentes.
O que significa que quem cozinhou o acordo de redução das freguesias de Lisboa (e são vários os partidos e compagnons de route) deixaram estilhaços, uma apatia preocupante. Pois não se pode estar contra o que se faz no país e fazer o papel de avestruz, em relação à capital...


O melhor de Portugal, o povo que trabalha, luta, elege, cria e ama, com o seu património imaterial, bandas, grupos etnográficos, bombos, teatro, cabeçudos, adufeiras, etc. mostrou que a cultura popular não pode ser tratada a pontapé.
Vieram de longe, de todo o território, para mostrar o cartão vermelho aos burocratas, que já idealizaram esquartejar o espaço onde o povo trabalha e ama, através de projectos apodrecidos e sucessivamente substituídos por outros planos, que não vão ter bom fim...Perante os 200 mil que estiveram na rua, a esperança tem a força das vozes insubmissas...

Texto e fotografias de Luís Filipe Maçarico

3 comentários:

Agulheta disse...

Boa tarde Luís.Mas estes senhores não olham a meios,mas sim cortar e fazer cifrões e estamos para eles como números e nada mais.Depois de alguns anos vividos e ver muita coisa que não gostava,parece que volto a esse tempo e me faz uma azia danada.
Abraço amigo

Céu Ramos disse...

Amigo Luís. A emoção tomou conta de mim, eu deixei porque estava ali o que de mais genuíno existe no nosso povo.
Por mais estranho que te pareça, também trabalhadores de algumas freguesias do meu concelho, primaram pela ausência. O mais surpreendente são aquelas que, em princípio vão desaparecer. É desanimador ver como grassa a ignorância,o deixa andar, à espera que os outros se preocupem por eles.Um retroceder assustador!

oasis dossonhos disse...

de Céu Ramos noreply-comment@blogger.com
para lmacarico@gmail.com
data 11 de abril de 2012 22:26
assunto [aguas do sul] Novo comentário sobre Freguesias e Colectividades de Todo o País Manifes....
enviado por blogger.bounces.google.com
assinado por blogger.com
Importante principalmente por causa das palavras na mensagem.

ocultar detalhes 22:26 (52 minutos atrás)

Céu Ramos deixou um novo comentário na sua mensagem "Freguesias e Colectividades de Todo o País Manifes...":

Amigo Luís. A emoção tomou conta de mim, eu deixei porque estava ali o que de mais genuíno existe no nosso povo.
Por mais estranho que te pareça, também trabalhadores de algumas freguesias do meu concelho, primaram pela ausência. O mais surpreendente são aquelas que, em princípio vão desaparecer. É desanimador ver como grassa a ignorância,o deixa andar, à espera que os outros se preocupem por eles.Um retroceder assustador!