"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

quarta-feira, março 25, 2015

Colóquio Espaço, Redes e Sociabilidades. Cultura e Política no Movimento Associativo Contemporâneo



Amigos Leitores do "ÁGUAS DO SUL"

No início de Abril (Dias 9, 10 e 11) Na Universidade Nova de Lisboa - Faculdade de Ciências Sociais e Humanas realiza-se Um Colóquio, no qual todos os investigadores (Além dos dirigentes e associado que integram associações e colectividades) que se interessam pelo movimento Associativo contemporâneo deverão participar.
Graças ao convite das organizadoras, que saúdo, participarei na primeira mesa, a seguir à Conferência inaugural. apresentarei "um olhar sobre a resistência cultural associativa."
Bem Hajam, Joana Dias Pereira, Maria Alice Samara e Paula Godinho!





Espaços, redes e sociabilidades.
Cultura e política no movimento associativo contemporâneo

FCSH, Edifício ID, Sala Multiusos 3
Organização: Joana Dias Pereira, Maria Alice Samara, Paula Godinho

9 de Abril de 2015

9:15 Abertura oficial
9:30 Conferência inaugural:
Josepa Cucó i Giner (Universidade de Valência) Utopía revolucionaria y activismo feminista. Un caso (español) para la reflexión

10:45 Memória, cultura e resistência
Moderação: Cláudia Figueiredo
Maria Alice Samara (IHC) Espaços e redes de resistência na grande Lisboa
Paula Godinho (IHC) Espaços, sociabilidades e associativismo: primeiras notas sobre a biografia de João dos Reis Antunes
Luís Maçarico Um olhar sobre a Resistência Cultural Associativa
Luísa Tiago de Oliveira (ISCTE) Culturas e sociabilidades dos estudantes do IST nos longos anos 60

14.00 Sociabilidade e participação: direito à habitação e habitação social
Moderação: Nuno Nunes
Camila Rodrigues (CESNOVA) Participação e qualidade da democracia: o caso dos programas de habitação social no Portugal Contemporâneo.
Daniel Melo (Centro de História da Cultura) O associativismo está na rua: do movimento de moradores do PREC aos novos movimentos cívicos
João Baía (IHC) Aprendizagem mútua entre os moradores do bairro Relvinha e os Companheiros Construtores

16.00 Imprensa e intervenção
Moderação: Sónia Ferreira
Júlia Leitão de Barros (IHC) Redacções Abertas: fontes informativas e terreno de implantação dos jornais políticos
Ricardo Noronha (IHC) O Clube da Esquerda Liberal e a revista Risco na viragem dos anos 80
João Carlos Marques (Instituto Universitário de Lisboa / ISCTE) Movimento Operário brasileiro e o anarquismo no sindicato: divergências e debates em A Voz do Trabalhador (1908-1915)


10 de Abril de 2015

9.30 Intervenção cultural e «educação popular»
Moderação: Mariana Rei
Cláudia Figueiredo (IHC) ‘Que todos cumpram o seu dever’: a prática teatral como mecanismo de coesão das classes proletárias urbanas (1890-1926)
Dulce Simões (INET-md) Performance e utopias no teatro de amadores: o caso do grupo de Teatro de Animação Cultural de Almada (1974-1976)
Pierre Marie (Universidade de Coimbra, Universidade de Caen) As associações de educação popular e a Revolução portuguesa. A educação e a cultura como ferramentas de participação política (1974-1976)
Tiago Ramalho (FCSH) António José Saraiva e o Maio de 68: Um Novo Paradigma? A Heterodoxia da Inconveniência

11.45 Associativismo, cooperação e mutualismo
Moderação: João Carlos Marques
Joana Dias Pereira (IHC) «As cooperativas não se formaram para lucros materiais mas sim morais»: o cooperativismo na alvorada do século XX em Portugal.
Virgínia Baptista (IHC) As associações de socorros mútuos em Portugal - do século XIX aos anos quarenta do século XX
Casimiro Amado (UE) O associativismo mutualista e a destruição do movimento associativo do professorado primário português (1925-1930)
Daniel Alves (IHC) "Associativismo de «pequenos interesses» no final do século XIX: em Lisboa como noutras cidades europeias?"

14.00 Política e participação: associativismo e cidadania
Moderação: Tiago Ramalho
Pompilio Locks Filho (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) Reflexões sobre o associativismo em Porto Alegre (1930 – 2012)
Tiago Fernandes e Rui Branco (IPRI) Long-Term Effects: Social Revolution and Civil Society in Portugal, 1974-2010
Paulo Marques Alves (DINÂMIA’CET / ISCTE) e Raul Tomé (ISCTE) Estratégias para a saída da crise do sindicalismo: as alianças entre o movimento sindical e outros movimentos sociais. O que nos diz a realidade portuguesa?
Jonas Van Vossole (Universidade de Ghent / CES) Post-crisis hegemonic articulations of democracy: a critical review of the discourse of the anti-austerity protest movements

15.45 Sociabilidade e participação em rede
Moderação: Maria Zozaya
Letícia Pinheiro (FCSH) Ciberspaço. Um mundo de resistência e heterónimos. A multiplicação de “pessoas”.
Paulo Marques Alves (DINÂMIA’CET / ISCTE) e Carlos Levezinho (ISCTE) Sindicatos em rede em Portugal? Uma análise da presença na Internet dos sindicatos do setor da saúde
Sílvia Niebra (Universidade de La Laguna) Mujeres, internet y Conflicto en el SáharaOccidental

11 DE ABRIL DE 2015

10.00 Dinâmica de conflito social e político
Moderação: Carlos Alves
João Lázaro (ISCTE) Associativismo Operário na Sociedade Liberal
Ana Catarina Pinto (IHC) Caudais sem rio: movimentos de protesto nos anos de 1924 e 1925
Maria Zozoya (CIDEHUS) Sociabilidade política informal em Espanha. O rol jugado pelos casinos na esfera pública para a construcção da Sociedade Liberal, 1836-1936
Joana Estorninho de Almeida (CEDIS / IHC) Funcionalismo público: associativismo, mutualismo, sindicalismo e desagregação (1851-1933)

11.45 Política e participação: mobilização e acção colectiva
Moderação: Camila Rodrigues
Carlos Alves (IPRI) Da mobilização à acção: o caso português da iniciativa legislativa de cidadãos contra a precariedade laboral.
Mariana Rei (IHC) Segundas vidas: Fábricas requalificadas e fábricas apropriadas. Contributos para uma abordagem comparativa.
Nuno Nunes, Rita Ávila Cachado, Octávio Raposo (CIES) Retratos da Acção Colectiva

14.30  Lançamento da revista #2 JSF

15.00 Associativismo em França: análises e testemunhos
Moderação: Maria Alice Samara
Sónia Ferreira (CRIA-ISCTE-IUL e URMIS-Paris 7) Eu, tu, nós migrantes – memória ou “mémoire” viva
Isabel Lopes Cardoso (CHAIA / IHC)
João Machado Crónica de uma luta de emigrantes portugueses em França

domingo, março 15, 2015

Mariana, Tomás e Nietzche


Nietzche escreveu que "Quando o discípulo está pronto, o Mestre aparece!" Ou seja: se estivermos de mente limpa e aberta, as coisas boas vêm ter connosco.
Esta noite, entrei no Alcântaro para jantar um excelente cação, depois de confirmar que a Elsa e a Letícia estvam lá dentro ( a ausência do cadeado na porta, chamou a atenção do meu olhar....)
Um grupo de gente muito jovem e feliz, talvez colegas de curso e amigos, brindaram Mariana, que ali festejou os seus vinte e cinco anos.
Ao realizarem uma fotografia de grupo, Tomás, o namorado da aniversariante, desafiou-me a juntar a eles.
Ofereci-lhes então os meus dois últimos livros de poesia e no momento (0h e 30m) de cantar os parabéns pediram-me para ler um poema, que tinham escolhido de "Transumância das Pequenas Coisas".
Há fins de semana intensos, como o dia de hoje.
Não tive convites nem me fiz convidar para ir a lado algum.
Mas a vida presenteou-me com este evento inesperado.
Digam lá se não sou um homem de sorte e se este não foi um sinal, de que asas invisíveis ajudam a abrir as portas, que por vezes alguns walking dead tentam cerrar?

Luís Filipe Maçarico (texto e fotos)

terça-feira, fevereiro 24, 2015

O Stress produzido por notícias desportivas berradas, como se o locutor estivesse numa maratona

 
Há algum tempo, desabafei que os locutores do bloco de notícias desportivas, da Antena 1, não falavam: gritavam, apressadamente, provocando arritmia, nos ouvintes mais sensíveis. Fiquei contente, quando me apercebi que um deles, Fernando Eurico, alterou a postura comum à equipa e, pausadamente, com excelente dicção, difunde as informações, consideradas pertinentes pela respectiva redacção.

Nada tenho - até porque não conheço o senhor - contra Alexandre Afonso... 
A verdade é que este membro da equipa desportiva, continua, manhã cedinho, a berrar, como se estivesse a fazer uma maratona, atrás do autocarro, ou subindo, em passo de corrida, do Martim Moniz ao Castelo de S. Jorge.

Será que os profissionais das notícias desportivas, da RDP, não se apercebem que cansam o ouvinte? Quando isso sucede, a minha atitude é rodar o botão do transistor e mudar para a Antena 2, a da música clássica ou para a Smooth FM.... 
Basta de stress. Pois, se até as vacas, para produzirem melhor leite, escutam música....

Luís Filipe Maçarico (texto e fotografia)

sábado, fevereiro 21, 2015

Sacos de Plástico, a Nova Taxa Encapotada.

Pergunto-me se não estamos de volta aos anos 50-60, em termos da deposição dos resíduos sólidos, ou seja, ao balde, onde se despejavam os lixos domésticos (cascas de legumes e frutas), que depois eram removidos pelos "almeidas" (actuais cantoneiros de limpeza)...

Com a imposição do Governo, ao pocurar controlar o uso excessivo de sacos de plástico, que proliferava nas grandes superfícies, qual será no futuro o discurso dos serviços de sensibilização sanitária dos municípios? 

Vamos voltar ao tempo, em que os moradores atiravam, pela janela, os seus lixos, na calada da noite? 

O Porto, cidade tão bonita, talhada em granito, que nos anos 70-80, do século XX, era um viveiro de detritos, atrofiando aquela beleza rude, que ao fim do dia, vista da serra do Pilar transmutava a pedra em oiro...Reencontraremos o Porto sujo, como dantes?

Lisboa, que tem andado mais poluída, conseguirá vencer essas sombras, decorrentes de uma transformção administrativa? A cidade branca não conseguiu ainda o apuramento higiénico do seu status de capital europeia, que pretende ser cartaz turistico....

É que a narrativa da sensibilização sanitária, alude a metermos, dentro dos contentores herméticos, os sacos de plástico, com os detritos, bem acondicionados....

Será que todos os governantes (Governo Central e Câmaras Municipais) pensaram nisto, ou como é costume, implementa-se primeiro a nova medida, restritiva, e depois, consoante os resultados, logo se vê...

No meu caso específico, utilizo o saco de plástico, para depositar os resíduos, decorrentes da atividade doméstica, reciclando ainda garrafas e garrafões de plástico, embalagens cartonadas, etc, que considero excessivas, pois os produtos seriam seguramente mais baratos, se não tivéssemos de pagar tanto estrago. A verdade é que o abuso da utilização do plástico foi imposta pela União Europeia...
Inúmeros vegetais, frutas e demais produtos agrícolas, tiveram de ser expostos - obrigatoriamente - dentro de autênticas redomas plastificadas. 
Os próprios jornais, alguns dos quais sou assinante, passaram a ser expedidos via ctt, em embalagem plastificada, quando vinham com uma cinta de papel identificador do assinante.
Note-se que não sou contra a redução do plástico e até aplaudo os sacos de papel reciclado que as grandes superfícies oferecem aos consumidores dos seus produtos....

Tudo somado e dissecado, parece que afinal as pseudo regras, que visam melhorar o desperdício, configuram, não benefícios para o ambiente, mas uma nova taxa encapotada, em nome da protecção da Natureza, mas destinada a fins diversos. Na Antena Um, foi isto que percebi, durante uma reportagem, que desmontava a suposta inovação verde...

Há poucos dias, comerciantes da Rua Prior do Crato (Lisboa) insurgiam-se contra o facto das pessoas não reagirem a esta medida, recusando comprar sacos de plástico e depondo o lixo, directamente de um balde para o contentor. 
Numa loja chinesa, a proprietária queixava-se de ter comprado centenas de sacos de plástico, para a sua actividade, tendo sido apanhada de surpresa, com esta medida restritiva ao uso dos mesmos. 
Noutra loja de indianos, que abriu há menos de um mês, um saquinho frágil já é cobrado a dez cêntimos, se não quisermos trazer o rolo de papel higiénico ou a garrafa de água na mão. Curiosa, a febre de implementar a regra do pagamento do saco de plástico, quando esta casa está aberta das 8 às 24h, e os comerciantes em redor - de drogaria, sapataria e mercearia - têm de fechar para almoço, cumprindo regras que afinal não são para todos...

Afinal, em que ficamos?

Luís Filipe Maçarico

sábado, fevereiro 14, 2015

As Elites Labregas de Portugal

No ano em que Sócrates resolveu tratar todos os funcionários públicos como bandidos, impedindo o médico, que me conhecia há anos e acompanhava as minhas maleitas, de passar uma simples baixa de dois dias por gripe, obrigando-me - e a todos os trabalhadores da função pública, para obter o merdoso papel, a ir a um centro de saúde do SNS, aconteceu-me um episódio que merece ser contado.

Na altura, levando uma carta do meu médico, que atestava o meu mal estar, fui escorraçado pela médica de família, que o destino ou qualquer outra entidade estranha me destinara, alegando que era a sua hora de saída e não me conhecia de lado nenhum como seu paciente.

Voltei no dia seguinte à consulta das quatro da tarde e a megera vociferava que nunca aceitaria o que o meu médico dizia na carta e se eu estava ali para obter uma baixa, que me desiludisse.
Pacientemente aguentei.
Expliquei que era antropólogo e estivera num cine teatro do Alentejo apresentando uma comunicação e que a autarquia resolvera estrear um novo sistema de ar condicionado, estando o interior do recinto a 30 e tal graus, quando na rua estavam menos de 10 e ainda por cima havia uma porta aberta por detrás do palco, a fazer corrente de ar...

A serventuária do engenheiro mudou automaticamente de discurso e, abrandando o tom, perguntou-me se eu tinha algum delegado de propaganda médica na família pois o meu rosto fazia-lhe lembrar alguém dessa área...
Já tinha tentado humilhar-me o suficiente para eu a aturar mais. Exigi que me visse a garganta, que me doía.
"Mas o senhor está com uma grande infecção!" exclamou a labrega.

Saí daquele centro médico para onde tinha sido mandado por carta, e que não correspondia à minha residência, ansiando mudar-me para o sítio certo, a que hoje pertenço e onde há médicos correctos e competentes, que tratam os doentes de acordo com a ética e o respeito pelo ser humano.

Arrependo-me de não ter participado daquela aberração, pois gentalha desta fica a fazer mal a muitos pacientes que não necessitam de gritos nem de punições.
Espero que com as reviravoltas que a política e a vida dão, a doutora capacho dos poderosos já tenha tido a lição que merece e que alguém menos paciente que eu lhe tenha ido às trombas.

As élites portuguesas são muito labregas. Os exemplos estão sempre a acontecer.
Eu fico-me por aqui...

Luís Filipe Maçarico

Consequências da Privatização dos CTT





Os resultados da privatização dos CTT começam a revelar-se.
Já lá diz a voz do povo: Colhemos o que semeamos...
Uma carta expedida em Setembro de 2014, pela Associação dos Diabéticos de Portugal, convocando-me para exames (dia 7 de Janeiro de 2015) e uma consulta (dia 13 de Janeiro de 2015), chegou às minhas mãos no dia 27 de Janeiro de 2015. 
Preciso de acrescentar alguma coisa mais ao óbvio?

Luís Filipe Maçarico (fotografia de Jorge Cabral)

quarta-feira, janeiro 28, 2015

O Património Imperceptível dos Centros Históricos Alentejanos


Preocupa-me sobremaneira o que se passa em todos os centros históricos das aldeias, vilas e cidades do país.
O Alentejo, em particular, entristece-me, porque tal como os restantes lugares do país, está a perder referências identitárias no seu património.
Falo de pormenores, quase imperceptíveis. De aldrabas e batentes, idealizados por velhos ferreiros desaparecidos, que não deixaram seguidores.
Por todo o lado, a porta de alumínio foi ganhando terreno, invadindo ruas, becos, travessas, largos, onde era suposto ser apoiada a porta de madeira e ostentar a jóia moldada na oficina de um Mestre, que se troca por materiais que desvalorizam os lugares.
As Câmaras deixaram de ter gabinetes técnicos locais (GTL), cujas regras de construção e técnicas arquitectónicas eram acatadas. Houve manuais para construtores e estudos em escolas, que defenderam a preservação de um trabalho genuíno, respeitador da herança, que encantava os visitantes.
Não se concebe uma porta manuelina em Montemor-o-Novo, com alumínio lacado branco, verdadeiro corpo estranho e agressivo no contexto do chamado casco antigo da terra. Ou portas de uma cor e janelas de outra, que vão abundando aqui e além. Ou a multiplicidade de alumínios (castanhos, verdes, brancos, prateados brilhantes) numa mesma artéria, de um qualquer lugar outrora repleto de rincões icónicos.
Numa ocasião em que se pretende elevar a património mundial alguma da melhor imaterialidade que se concebe no sul, seja o cante, sejam os chocalhos, não se entende o alheamento, a falta de cuidado com outros patrimónios.
A título de exemplo, recordo que em Alpedrinha (Beira Baixa), um palácio icónico foi restaurado. A recuperação muito aceitável, teve contudo um aspecto sofrível: portas de vidro, com um puxador, que uma amiga definiu desta forma: “Este puxador faz-me lembrar as portas dos contentores onde eu vendia andares no Feijó!”
Há pequenos “nichos” de permanência da tradição, onde, a aldraba coexiste com a campainha. Porque para os residentes, o bater da velha aldraba (associada a um trinco que abre e fecha a porta, rodando, ao invés do batente comum, imóvel, 180 graus), anuncia alguém que pelo toque se conhece.
Há igualmente quem se lembre de na infância tocar naquele utensílio, afinal biográfico, porque o/a acompanhou ao longo da vida.
A desertificação de um lugar, o território esvaziado de pessoas, começa com o apagamento das referências, criando imagens do vazio, como já sucede em aldeias fantasmas, adaptadas a apartamentos de unidades hoteleiras especiais (casos de Sortelha, Beira Alta ou Cacela Velha, no Algarve).
Certamente não se deseja isso para um território que nos orgulha, pelas histórias de vida, pela riqueza cultural, pelo pequeno património quase invisível, tão importante.
Será que os Autarcas vão ler isto e vão preocupar-se, num tempo em que as pessoas sofrem com tantos cortes e perdas?
A perda do património, porém, é o começo do fim.
É tempo do Poder Autárquico dito Democrático preocupar-se com estas destruições, tentando estancar a sangria desatada do Património Imperceptível, cada vez mais gritante e actuar, tomando as medidas que possam evitar o desaparecimento completo de utensílios e recantos que durante séculos foram sendo transmitidos de geração para geração.
Que Alentejo - em termos de geografia humana - vamos legar aos alentejanos do futuro?

Luís Filipe Maçarico
(Antropólogo)

[Publicado na revista ALENTEJO, nº 37, Dezembro 2014/  Maio 2015, páginas 32-33.]