"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

terça-feira, janeiro 07, 2014

O Espectáculo Sinistro da Morte Mediatizada

 

Quando Amália faleceu, irromperam nas televisões, rádios, imprensa escrita e Internet, textos e vozes opinativos, num desfile repetitivo, banalizado, que foi necessário deixar passar tempo, para se poder voltar a escutar um Fado, cantado pela grande cantora...

Ocorreu por estes dias, a propósito do falecimento de Eusébio, um dejá vu na insistência dos comentadores de tudo, que tornou o acontecimento num espectáculo mediático deplorável. 
Como era previsível, as faces dos famosos (em parte por más razões) apareceram, trazendo braçados de elogios fúnebres. O defunto merecia um recolhimento que não existiu...

Nas redes sociais, não tão pouca gente como isso, ainda que manifestando pesar, criticou o aproveitamento dos poderosos, da comunicação social, dos anónimos que no cemitério, impediram a cerimónia final e a proposta para os restos mortais do herói desportivo serem depositados no Panteão... Mas...e se os outros clubes e modalidades começam também a reinvindicar um espaço para os seus atletas mais relevantes?

Subscrevi algumas palavras de Amigos virtuais. 
Na página de uma antiga utente, como eu, da fisioterapia, apareceram, de repente, os comentários provocadores duma jovem fanática, com cabeça de velha moralista, que resolveu descarregar em mim, toda a ira do mundo, todas as frustrações, que deve transportar, quiçá desde prováveis traumas de infância...além de patentear uma elementar má formação, demonstrando falta de respeito, para com as opiniões daqueles que não consensualizam o seu olhar, de menina caprichosa e mal educada. 
Coitada, se fosse uma pessoa equilibrada, discordava, pois tem direito à sua opinião, mas não ofendia...com uma linguagem de sarjeta, que me levou a bloquear a página.

Há uma certa gentalha que não consegue viver em liberdade, fruto do excesso que os pais alimentaram, em vez de lhes ensinar que a vida não é o umbigo...

Gritarei então neste espaço, sem mordaças, que é uma vergonha falecerem - aqui, neste país - obreiros anónimos (todos os dias), em acidentes de trabalho, bombeiros que todos os Verões tentam proteger o bem comum, das árvores, às casas e ao património comunitário, cidadãos, quase esquecidos, como Aristides Sousa Mendes, detentores de grande sensibilidade, que a comunicação social ignora.

Desgraçado tempo dos descartáveis, da alucinação colectiva, com as cabeças formatadas para o ditâme que o consumo ordena, hostilizando os que saiem fora do baralho. 
Resta-me a consolação de ser desconhecido, para que um dia, as minhas cinzas, discretamente, possam ir parar, onde os meus amigos tenham a fraternidade de me juntar à terra e ao mar, que são a minha essência.

LFM (texto e foto)

2 comentários:

Antonio Baeta disse...

Como te entendo, meu amigo!

Agulheta disse...

Olá amigo!Com todo o respeito que tenho pelas pessoas e pelo Eusébio e família,e quem somos nós para julgar.Penso que temos ou tivemos muita gente que fez muito por esta nação,até com mordaça e como disse e bem,Aristides de Sousa Mendes, poucos vieram reclamar o Panteão,como dizem vamos aguardar para ver.A tal comentadora deve ser frustrada e não sabe distinguir, a liberdade de cada um
Abraço