"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

sábado, dezembro 17, 2022

ABERRAÇÕES II

 Viver em Almada não constitui para mim um privilégio, se é que alguém pensa tal coisa. Chegar ao centro da capital implica demorar o mesmo tempo de uma viagem de avião Lisboa-Tunis. É um exílio. E para piorar esta sensação negativa, assistimos diariamente aos passeios repletos de excrementos caninos que os donos não apanham. Cada um que olhe para o chão e não pise as poias. Cada vez mais os humanos estão a ficar aberrações.

LFM

ABERRAÇÕES I

Vivi muitas décadas em Lisboa e nunca como em Almada vi o desastroso estacionamento, que todos os dias me é dado constatar. Os automobilistas, quanto maior for a viatura, mais tendência têm para arrumar metade do carro em cima do passeio. Favorecendo os ladrões de catalizadores. Penso que as pessoas se tornaram - à força de serem mais individualistas - frágeis e estupidificadas, pensando que essa apropriação as torna donas de um espaço que as faz sentir importantes...

LFM

domingo, novembro 06, 2022

Saudades da Tunísia e o Melhor Prémio

 Saudades de Tozeur (sul da Tunísia, a cerca de 500km da capital, Tunis). Onde no restaurante "Le Soleil" o meu livro "Os Pastores do Sol" foi colado na parede, perto do local de pagamento. As páginas estavam cheias de nódoas das mãos dos comensais. Foi o melhor prémio que jamais terei. Como o livro estava traduzido em árabe, o público que o leu por toda a Tunísia (Biblioteca Nacional inclusivé e jornal La Presse) teve acesso aos versos que as minhas viagens proporcionaram - de tanto olhar e admirar um Povo que resiste a um Sol que tudo seca. Saudades de jerba e Sidi Bou Saïd, da Tunísia, onde estive quase a voltar, desta vez a convite da Professora Lurdes Ferreira, com o apoio do Instituto Camões e Embaixada de Portugal em Tunis, para falar da influência daquele país na minha Poesia, aos estudantes da Universidade de Manouba. Foi outro Prémio, que a instabilidade do Mundo não me permitiu usufruir...





Texto e fotografias de Luís Filipe Maçarico

terça-feira, outubro 18, 2022

Em Memória de Maria Eugénia Gomes





Alentejanos, logo no início da nossa estima de mais de duas décadas, cintilou de imediato o sorriso e a franqueza ternurentos.

A sua pertença a Sobral da Adiça, a partilha da vida aldeã numa infância de há mais de meio século atrás, ao escutá-la contando os pormenores do ofício do pai, respeitado por toda a Comunidade e particularmente pelos habitantes nómadas, desvendava um contexto que tinha o seu quê de mágico e encantatório, mesmo que viver nesse tempo não fosse fácil.

Preferindo o recato, os bastidores, integrava diversas associações em que primava pelo bem fazer, pelo melhor património (as pessoas) e pela memória dos objectos biográficos.

Posso dizer que foi muito amada por todos aqueles que com ela se cruzaram, além da estremosa dedicação aos familiares. 

Neste fim de semana triste, em que nos despedimos da sua fugaz viagem pelo planeta onde nos encontrámos, as inúmeras coroas de flores falaram pelos que se sentiram mais pobres com a sua ausência. Vi muitos jovens que com ela colaboraram no associativismo popular a chorar pela perda insubstituível.

Guardo imensos momentos de grande sintonia: Alpedrinha, Fundão, Marvão, Mértola, Sobral da Adiça, Vilarelhos, Casa do Alentejo, só para evocar locais e eventos recentes, em que o bem estar iluminou os nossos passos.

Maria Eugénia. Um rosal de palavras é pouco para coroar a tua grandeza. Que fica nos nossos corações enquanto vivermos com o teu sorriso dentro de nós.

Luís Filipe Maçarico 

segunda-feira, outubro 03, 2022

Águas do Sul fez Anos em Agosto


 Saudamos os leitores deste blogue com um poema do transmontano António Cabral.

Águas do Sul nasceu em 2004 e tem continuado, nos últimos anos, embora com menos artigos, uma vez que o Facebook absorve imagens, textos e tempo.

No mês de Setembro, o computador esteve a arranjar e os dias voaram, sem o blogue  a aparecer com a regularidade que outrora teve. Mas não paramos.

O futuro continua a contar com este espaço de opinião.

Grato pela vossa leitura e acompanhamento.

LFM (texto e foto)

terça-feira, agosto 16, 2022

VIVA ARTUR BUAL!

 


Dos melhores encontros que a vida (e Eduardo Nascimento no programa que fizemos na Rádio Horizonte "Desafios") me proporcionou, destaco a admiração e fraternidade mútua de e com Artur Bual (olá, Maria Joao Bual!). Frequentei o seu Atelier intensamente ao longo da sua última década de vida, a partir de 1987, vibrando com a intensidade do seu carácter, a força da sua pintura, a afirmaçãode uma personalidade ímpar.

Ocorre-me quando teve de aguardar a contragosto em Oeiras, pelo então subsecretário da Cultura de cavaco, Santana Lopes. Farto de esperar, decidiu jantar com os Amigos, dirigindo-se apenas à galeria onde expunha, após a refeição, fazendo esperar o político atrasado.
Fui várias vezes brindado com a sua presença na apresentação dos meus livros de poesia (mesmo num Agosto muito quente em Alpedrinha, quando lancei "Mais Perto da Terra").
Em 2020 celebrei-o na Antologia "No Azul da Manhã Acorda para Cantar", cujas fotografias (como esta de Danilo), telas e desenhos são de sua autoria. VIVA BUAL! [que nasceu há 96 anos, no dia 16 de Agosto de 1926]
VIVA O CÍRCULO ARTÍSTICO E CULTURAL ARTUR BUAL, do qual sou fundador e associado, saudando Rodrigo Dias, o actual e dinâmico Presidente da Direcção!

Texto: Luís Filipe Maçarico Fotografia: Danilo.

domingo, julho 24, 2022

NICOLAU VERÍSSIMO ETERNIZADO NO CEMENTÉRIO DE ARTE




 







O cidadão vianense fraterno que abraçou as causas solidárias (Centro de Dia, Creche, Polidesportivo para a Juventude local) e que foi sem alarde Presidente da Junta de Freguesia da Meadela e Vereador da Câmara Municipal de Viana do Castelo, foi celebrado no Cementério de Arte, durante o XIX PAN de Morille, que já evocara outro ilustre vianense, (seu sogro José Figueiras) sempre pela mão grata de Laurinda Figueiras filha e companheira.
O Alcalde de Morille e o responsável pelo espaço, com imensos participantes testemunharam as palavras que eternizaram o Amigo que sempre quis estar presente e sempre se divertiu entre Salamanca e Alfândega da Fé, ao longo das várias edições do Festival Transfronteiriço de Poesia, Arte de Vanguarda e Património em Meio Rural, confraternizando com todos.
Pedro e a esposa Sofia (filha de Laurinda) presenciaram com destaque especial, ele segurando a caixa com os símbolos de uma vida (copo de pé alto, fita métrica e gravata) e reproduzindo a Kalinka, música preferida de Nicolau, executada em gravação por Henrique Figueiras.
Uma vez mais, foi emocionante assistir a uma cerimónia tão singular.
Fotografias de LFM (Texto) e Renato Roque.