Após a evocação do centenário da ponte sobre a Ribeira de Pera e dos zeladores da água que corre por magníficas levadas, que um grupo numeroso de cidadãos percorreu, foi apresentada a Monografia de Mosteiro (Pedrógão Grande) da autoria de João Coelho, no espaço da associação local e na presença de autarcas, amigos, associativistas da Aldraba e povo da localidade.
"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"
domingo, junho 13, 2021
Monografia de Mosteiro, de João Coelho apresentada na Associação Mosteirense, com numeroso público
Após a evocação do centenário da ponte sobre a Ribeira de Pera e dos zeladores da água que corre por magníficas levadas, que um grupo numeroso de cidadãos percorreu, foi apresentada a Monografia de Mosteiro (Pedrógão Grande) da autoria de João Coelho, no espaço da associação local e na presença de autarcas, amigos, associativistas da Aldraba e povo da localidade.
sábado, junho 05, 2021
Contra a Subserviência
Pela primeira vez ouvi na rádio, um responsável português (não formatado às ziguezagueantes decisões do governo de Londres) louvar a atitude dos nacionais, que a exemplo de 2020 estão a fazer reservas em grande número para o Algarve.Após anos de subserviência à Inglaterra, por parte de alguns cromos (para evitar chamar nomes feios) do Turismo, Hotelaria e Restauração algarvios, alguém pôs o dedo na ferida:
1º O Reino Unido saiu da União Europeia (O "Brexit" já aconteceu)
2º O Governo Inglês quer que os seus súbditos gastem as poupanças, passando férias lá dentro;
3º Têm de ser cativados turistas do espaço europeu, que integra quse três dezenas de países, o que equivale a muitos milhões de possíveis visitantes.
Por este andar, ainda poderíamos assistir à criação de uma Comunidade Autónoma Inglesa do Algarve, com estatuto, legislação e governo próprio, a orientar e a ser porta-voz dos milhares de residentes, com lacaios tão leais que se confundem com os capachos que os artesãos de antanho criaram...
As carpideiras do capitalismo mais estúpido deveriam mudar de narrativa, eliminando os queixumes sistemáticos que já não suportamos escutar todas as semanas desde há dois verões, pois já cheira mal a discursata aziaga, que só fala de prejuízo, de encerramento, de despedimentos, como se não houvesse mais mundo.
Já basta de domínio inglês no Douro e o facto de comprarem casas por todo o lado, asfixiando o povo deste país com tanta especulação, não cria qualquer empatia por parte de quem teve de abandonar cidades onde viveu toda uma vida para surgirem os Alojamentos Locais. Ou até colectividades que desapareceram para os prédios onde estavam localizadas passarem a ter como proprietários estrangeiros com poder económico, o que sucedeu com palácios alienados do governo central e municipal (o dos CTT e o do Machadinho p. ex.)
Dispenso esta gentalha (a que vem embebedar-se para cá e não respeita as regras e os que tudo permitem para andarem à babugem do lucro).
LFM (Foto e texto)
ASSEMBLEIA GERAL E ELEIÇÃO DOS NOVOS CORPOS SOCIAIS DA ALDRABA

Realizou-se ontem, na Biblioteca da Casa do Alentejo, a Assembleia Geral Ordinária da Aldraba, que discutiu (com bastantes intervenções e sugestões), aprovando por unanimidade os documentos que relatam a actividade desenvolvida em 2020 e respectivas contas e o Plano e Orçamento para 2021, que prevê inúmeras iniciativas, se a situação pandémica que continuamos a viver o permitir.
Procedeu-se à votaçãoda única lista candidata (aprovada por unanimidade também) , com 12 votos por correspondência e 18 presenciais, num total de 30 votos, contados e conferidos pela Mesa da Assembleia Geral, que volta a ser presidida por João Coelho, mantendo-se Jose´Alberto como coordenador da Direcção cujos elementos transitam do anterior elenco. Leonel Costa continua a ser o Presidente do Conselho Fiscal, havendo a entrada de novos elementos para este orgão e para a AG.
LFM (Texto e Fotografias)
quarta-feira, junho 02, 2021
ASSEMBLEIA GERAL DA CASA DO ALENTEJO
Realizou-se ontem a Assembleia Geral da Casa do Alentejo, com perto de 30 pessoas. Os documentos apresentados para discussão (Relatório e Contas de 2020 e Plano de Actividades e Orçamento 2021) foram votados por UNANIMIDADE.
domingo, maio 30, 2021
“GENTES QUE MARCAM A VIDA DA GENTE”, DE ROSA CALADO”: TESTEMUNHO DRAMÁTICO DE UMA SAGA EXPERIMENTADA, ONDE PERPASSA O REALISMO MÁGICO E CINTILA UMA LINGUAGEM FLUIDA"
Em boa hora a Colibri editou este livro - “Gentes que Marcam a Vida da Gente”.
O título não podia ser melhor escolhido,
pois define todo um repositório de conhecimentos e experiências, onde o Povo de
Ferreira do Alentejo protagoniza esta saga.
Escrito no tempo disponível que o segundo
confinamento proporcionou à autora, é resultado de uma memória pujante acerca
das vivências marcantes da sua aprendizagem, enquanto pessoa, observando a
geografia humana em redor, do sul das injustiças à capital do Império, donde
emanavam as restrições.
“Gentes que Marcam a Vida da Gente”
recorda as transformações de toda uma época, desde uma Pensão que era o
Microcosmos da Comunidade, onde Rosa Calado, aliás Teresinha, criou as suas
raízes.
A “informação experimentada” dá-nos a
conhecer o mundo dos rendeiros agrícolas, dos seareiros, dos pequenos
lavradores, das meninas descalças e dos que lutaram contra a ditadura, sendo o
tio João o herói, expoente máximo na Vila, dessa luta sofrendo prisões e
torturas.
Com um néon luminoso, a “Nova Pensão” tinha a porta sempre aberta.
A mãe, exímia cozinheira usava com mestria
os ingredientes da terra, enquanto o pai era exemplar na arte de receber,
cativando pelo sentido de humor.
Teresinha adorava ler Poesia,
privilegiando o Teatro, que fomentou em adulta, encenando muitos dos seus
alunos.
Os hóspedes eram notários, oficiais das
finanças, professores e médicos, entre outros funcionários públicos.
O espaço foi-se renovando e ampliando
fazendo juz ao nome. Teresinha cirandava e brincava escutando ao pai frases que
transmitiam valores. Que a Terra estava mal distribuída, que os padres - dos
quais se esperavam atitudes fraternas, com humildade e amor ao próximo - pela
postura altiva mereciam o anticlericalismo militante dele.
Fala-se de Maria, oriunda de Huelva, que
servia as refeições e higienizava os quartos, dos tontinhos e da cadeia que
tanto impressionavam Teresinha, bem como dos embuçados com fome mas muita
dignidade, que recusavam a caridade, detestada por José, o pai.
Autobiográfico, com palavras bem
escolhidas, Rosa Calado pinta telas onde a marca profunda da estratificação
social e o controle do regime impunha e formatava costumes, tradições e
mentalidades (p. 70); como um clarão irrompem nas descrições onde a PIDE
aparece, através de homens cinzentos e a miséria afronta os pensamentos pueris
da jovem.
No ciclo anual das Festas, há Mastros,
Presépios, Férias nas Caldas de Monchique, o cinema na esplanada cujo écran
possuía a dimensão daquele que era possível fruir no Monumental de Lisboa e a
Feira Franca, com uma barraca de sopa dos pobres, exibindo a caridadezinha odiosa.
Os anos 60 trazem sinais que irão
enfraquecer o Estado Novo. A Guerra de Angola, a Fuga de Peniche, a queda de
Salazar.
Depois da escola e do colégio, dirigido
por um padre que insulta a família de Teresa, da revelação de um suicídio, da
percepção do clube dos ricos, restritivo e da associação recreativa, acessível
a todos, surge o Liceu de Beja, onde Martinho Marques, o prefaciador, era
colega da autora, realizando-se uma inesquecível excursão a Sevilha, Granada e
Córdova. A evocação de Gonçalves Correia, o libertário que soltava pássaros das
gaiolas e as eleições de 69 são igualmente marcantes.
Já em Lisboa, primeiro na Faculdade de
Direito, onde tem um professor chamado Marcelo Caetano, que virá a ser primeiro
- ministro, tentando maquilhar o regime, Teresa casa-se com Francisco, mudando
para a Faculdade de Letras.
As leituras, desde “O Romance da Raposa”
de Aquilino e “Constantino, Guardador de Vacas”, de Redol, livros oferecidos
pelo tio João, Urbano Tavares Rodrigues, Maria Judite de Carvalho e Manuel da
Fonseca, são autores de referência que vai descobrindo.
Não é por acaso que a narrativa termina
com um belíssimo poema de Eduardo Olímpio, após o testemunho do decisivo
desempenho do pai, que influenciou o irmão João para abraçar a resistência, o pai
“fazedor de trilhos”, culminando no Abril de todos os sonhos.
Para trás ficavam as tias, a mercearia, a
beata que nas procissões se punha debaixo do andor, humilhada por um clérigo, o
anão sábio e tantas figuras que Rosa Calado apresenta ao leitor.
“Gentes que Marcam a Vida da Gente” lê-se
de uma assentada, tal é a fluidez da linguagem, o encantamento, o prodígio de
uma infância feliz, o cenário com escala humana de desigualdades e combate
político.
Pela força dos episódios contados, há
qualquer coisa de realismo mágico em certos momentos do texto.
Por isso, parabenizo Rosa Calado e
Fernando Mão de Ferro, por esta aventura.
Recomendo vivamente “Gentes que Marcam a
Vida da Gente”. E aplaudo!
Almada, 10-5-2021
Luís Filipe Maçarico (Antropólogo e Poeta)
Reportagem Fotográfica: Fernando Duarte. Intervenções, entre outras, de Rosa Calado, Eduardo Olímpio e LFM. Com Maria Eugénia Gomes e Maria José Balancho. E a assistência.
sábado, maio 22, 2021
A Trepadeira de Alcanena e o País dos Excessos sem Culpa
Alcanena, Concelho Rico em Património
A pretexto da apresentação no Teatro São João, do 14º livro de Zulmira Bento, acerca do rico património de Alcanena ["Da Serra ao Rio"], com belas aguarelas que revelam locais igualmente ilustrados com poesia de exaltação da paisagem e de templos, o dia de hoje foi de viagem até à terra mágica, visitada na juventude, em excursões escolares às nascentes do Alviela (Olhos de Água).
As imagens aqui ficam para documentar alguns pormenores observados, que têm merecido daquela autora um olhar especial, das chaminés aos cataventos, passando pelo minderico.
Vale a pena conhecer os recantos de Alcanena, tão bem exaltados nos livros de zulmira Bento, cujo trabalho de toda uma vida é dedicado essencialmente à sua pertença identitária, surpreendendo o leitor que deseje conhecer melhor este território singular.
Luís Filipe Maçarico (Texto e Fotografias)









