"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

sábado, fevereiro 29, 2020

Campaínhas de Alarme

Observando o que nos rodeia, constata-se que há quem considere heróis aqueles que se suicidam a 300km à hora, numa estrada geralmente bastante movimentada, que por milagre não tinha outros condutores.
Juízes que deviam ser modelares foram surpreendidos a praticar actos que contrariam os valores que era suposto defenderem.
O delírio dos mérdia em torno do corona vírus parece imparável, com responsáveis da saúde assegurando, num dia que se espera 1 milhão de infectados para no dia seguinte afirmar que serão apenas 21 mil.
E a frase assassina em cima do bolo podre? Limpem a boca ao cotovelo!!!

Estas são algumas das campainhas de alarme que esta semana soaram estridentes, mostrando o estado em que o país está, afundando-se sempre mais...com timoneiros que dizem ser democratas, mas anseiam mudar leis para ultrapassar contestações indesejáveis e nem sequer obtêm, dentro das fileiras, votação segura para elegerem correligionários desacreditados. Com a maior desfaçatez há quem se queixe da falta de democraticidade dos deputados que votaram contra.
Palavras para quê? São artistas portugueses!

Luís Filipe Maçarico (texto e fotografia)

segunda-feira, fevereiro 10, 2020

SELMA LAGERLÖOF

Quando eu era adolescente descobri Selma Lagerlöof, escritora sueca, que foi a primeira mulher a receber o Prémio Nobel da Literatura, no início do século XX.
O livro através do qual acedi a uma escrita marcante e encantatória chama-se "A Maravilhosa Viagem de Nils Holgersson Através da Suécia."
Segundo a Wikipédia,  "A autora soube combinar sua experiência pedagógica com seu talento de narradora. Utiliza fantasias sobre o tema do "Mapa da Suécia", de Snoilsky: Olândia é uma borboleta petrificada de asas arrancadas, Blecíngia uma escada de três degraus, Helsíngia uma folha com nervuras, Estocolmo a cidade que flutua sobre as águas. […] O livro propõe uma lição de moral: a exaltação do trabalho, da boa vontade e da caridade, e passa valores tais como o respeito à natureza, a importância do trabalho em grupo e a integridade. Nils, um menino preguiçoso e desobediente que se diverte em maltratar os animais, num domingo em que os pais haviam ido à igreja, aprisiona um duende e, como castigo, é transformado também em duende. Ao subir nas costas de Mårten, um dos gansos de sua propriedade, a ave resolve, num impulso, seguir os gansos selvagens na primavera, e Nils segue viagem com eles.
Inicialmente assustado, depois mais confiante, atravessa a Suécia nas costas do ganso, participando de várias aventuras no mundo dos animais. Entre essas aventuras conhece os lapões, quase salva uma cidade que só aparece a cada cem anos, e se torna amigo de vários animais.
Sete meses depois, tendo aprendido muito e se tornado uma pessoa melhor, volta à casa de seus pais e à forma humana novamente, mostrando aos poucos que é capaz de sacrificar a própria felicidade à dos outros. "
Recolha de LFM


A Corrupção dos Pequeninos

O jornal "Público", que tinha lido há uma semana (1 de Fevereiro), na Praia da Luz, de Lagos, foi vendido num hipermercado do Fundão, como sendo do dia (8 de Fevereiro), a uma amiga que se deslocou à cidade para me trazer o diário...

A corrupção em Portugal não é apenas na Política, mas também a esse nível, até porque os figurões que são cara dos escândalos que a Comunicação Social divulga, não surgem como a chuva ou os cogumelos. São espelhos de um povo que os escolhe e provavelmente gostava de ser como eles.

Texto e fotografia de LFM

Assembleia Geral da Liga dos Amigos de Alpedrinha e Eleição dos Novos Corpos Sociais

Realizou-se ontem, domingo 9 de Fevereiro de 2020, a Assembleia Geral da Liga dos Amigos de Alpedrinha, 
Foram apresentados, discutidos e aprovados (por unanimidade) os documentos da Direcção e do Conselho Fiscal, designadamente Relatório e Contas de 2019 e Plano de Actividades e Orçamento para 2020. Os Corpos Sociais foram entretanto eleitos, tendo sido reconduzido o elenco anterior.
Os associados presentes apoiaram ainda a constituição de um grupo de trabalho (que integra o Presidente e o Secretário da Mesa - Eduardo Serra e Luís Maçarico, e ainda o Presidente do Conselho Fiscal Francisco Roxo) que vai elaborar um roteiro toponímico, para promover o conhecimento dos visitantes e da população, relativamente aos nomes das ruas desta vila - e freguesia - do concelho do Fundão.
Texto e Fotografias de Luís Filipe Maçarico

sábado, janeiro 18, 2020

As Sucessivas Malfeitorias Letais dos Loucos que desgovernam o Mundo



O tempo dá sempre razão aos poetas, que muitas vezes são profetas.
Quando há mais de uma década me manifestei, contra a invasão do Iraque, fui insultado por um anónimo cobarde, que me acusou de ter uma visão nefasta, por divergir dos delírios dos ditadores pseudo - democráticos, que se perfilaram para a Nova Cruzada, direcionada contra Sadam Hussein, que viria - em nome de malfeitorias letais, nunca provadas - a ser abatido.  
As consequências daquele acto terrorista, promovido pelo Império do Mal e apoiado por lambebotistas, são cada vez mais visíveis.
Chegados à alucinante era Trump constata-se que a irracionalidade continua a dominar os estranhos e bizarros eleitos que conduzem inúmeros países ditos evoluídos.

Quem beneficiou com o ataque dos mortíferos drones, no aeroporto de Bagdad?
Quantos milhões de fanáticos se ergueram, com vontade de vingança? 
Quem nos salva das futuras delinquências dos vários loucos que desgovernam o Mundo? 
LFM (texto e fotografias)

sexta-feira, janeiro 10, 2020

Austrália: A Catástrofe do Capitalismo Suicida.

Não são necessárias explicações rebuscadas para o que é óbvio.
A catástrofe ambiental, humana e animal que ocorre há meses na Austrália é consequência de um capitalismo desvairado que coloca o lucro acima de tudo, mesmo contra os seres vivos, mesmo contra a própria espécie, mesmo contra o habitat - planeta Terra. Suicida.
Na galeria dos terroristas deveriam constar os governantes negacionistas, lacaios dos interesses gigantescos que não olham a meios para obter os fins.
As palavras não conseguem dizer o horror, a profunda dor, a tristeza imensa que sentimos ao ver aquelas imagens, que todos os dias há vários meses nos entram em casa, via meios de comunicação, mostrando a derrota do Homem, prisoneiro de um sistema mortífero. 
Luís Filipe Maçarico
Fotografia (recolhida na Net) de um canguru abraçando quem o salvou da tragédia.

sábado, dezembro 28, 2019

“INTERMITÊNCIAS” NOVO LIVRO DE POESIA DE CRISTINA POMBINHO





Se “um poeta é sempre irmão do vento e da água” como cantou a poetisa brasileira Cecília Meireles, sabemos que “A vida só é possível reinventada.”
A vida vivida, como lembra Sousa Dias, citando Manuel António Pina, é “ficção, esquecimento e memória”.[1]
Sousa Dias diz-nos que a Poesia é “experiência dos limites do dizível, confronto da linguagem com o silêncio.”
Este autor evoca Merleau-Ponty[2], abordando o enigma da sensibilidade na Pintura, enquanto imagem poética é questão ontológica de efeito de realidade.”[3]
Na construção dos seus poemas, Cristina Pombinho domina o jogo metafórico e imagético, inscrevendo a sua escrita na galeria da poesia no feminino, onde encontramos Teresa Horta e Natália Correia, ainda que tempere (com o tom onírico de palavras-imagem) o conteúdo primordial da sua afirmação lírica.
Montserrat Villar González, poetisa galega que conhecemos em Salamanca salienta: “Agarro-me a ti como me agarro à vida/ que através dos teus olhos/ aprendi a olhar”.[4]
E esta escritora acrescenta: “Me quieres, te quiero/ a pesar del dolor que causa la vida cotidiana.”[5]
Os versos, as artes sublimam os dias comuns “transfigurando em luxo o próprio lixo”, como escreveu em Muriel o criador de “Aquele Grande Rio Eufrates” e de “Despeço-me da Terra da Alegria”. Cristina Pombinho supera a banalidade dos dias com a elegância voluptuosa das palavras.[6]

“Para que servem / os poetas em tempo de indigência?” questiona-se Hélia Correia, em “A Terceira Miséria”[7]
“Intermitências” traz-nos uma poesia alicerçada em leituras de Eugénio (“Eu ainda não te falei desta cidade”), Rui Belo (“Esperei por ti…/ tu não vieste,/ nem sei se virás, algum dia!”) Gedeão (“as infinitas partículas subatómicas do quotidiano”), Cristina reflecte igualmente a boa influência de Herberto Hélder e Ramos Rosa, confirmando o que o pintor gestualista Artur Bual disse tantas vezes, ou seja “ninguém nasce sozinho!”
Folheando o livro vislumbramos Freud, que define o artista como alguém que “sabe como trabalhar os seus sonhos acordados de modo a […] que outros partilhem do seu gozo neles.”[8]
Cristina Pombinho escreve que “por dentro dos sonhos é que a vida existe” e Sophia discorre: “Eu busco o rasto de alguém/ que ao meu encontro vai/ no sonho de cada linha.”[9]
Entre o real e o imaginado, “Intermitências” parte sempre da pegada para o voo, com enormes recursos vocabulares, que constroem uma eficaz transmutação do quotidiano.
A linguagem depurada e metafórica, evidencia a qualidade da escrita desta poetisa, por vezes irónica; reparem nestes exemplos “As janelas são os olhos das casas”, “um soluço de tempo”, “Deus embebeda-se e ri alto, razão da existência dos trovões.”
“É preciso falar para inventar/ o jogo dos silêncios”, proclama Maria Alberta Menéres.[10] E Ana Luísa Amaral confessa: “Sou condenada a ver para além deste tempo.”[11]

Com as palavras, Cristina Pombinho urde uma envolvência simbólica, carregada de energia positiva. A utilização de verbos luminosos acentua a vontade de ser, como é o caso de existir, estar, pertencer, respirar, olhar, oferecer, poder, sentir, voar, querer, crescer, caminhar e acreditar.
Temas como “A Mãe” (que belo tríptico dedicado a Clementina Pombinho!) “os gatos”, “os pássaros”, “o amor”, “a ausência”, “o sul”, “o vento”, “a noite”, “a solidão”, “o corpo”, “a metafísica” e “a filosofia”( através de Aristóteles, Heraclito e Parménides), que são filigrana de um tear cósmico, irrompem  nestas páginas, exalando o inebriante perfume da Música.

Ana Rossetti considera que “A poesia é um vendaval de ar puro em nossas existências irrespiráveis”[12]
A autora de “Intermitências” revela “[o] mundo habita em mim/ como um bando de aves em migração.”
Vinte anos depois, a Arte de Mena Brito, pintora de grandes recursos, junta-se às sílabas mágicas de uma poesia singular (“esta espécie de animal faminto que cresce por dentro e que é quase êxtase”.)
“A alma feita luz e os anjos “pescadores de nuvens” desafiam-nos para a leitura desta obra, onde a pedra se torna carne e “ser um pássaro louco […] com mãos em vez de asas” exalta uma liberdade criativa sem limites. Bem Hajas, Cristina por esta significativa partilha que tanto nos enriquece.

18-6-2019
Luís Filipe Maçarico

FOTOGRAFIAS: Da apresentação na Casa do Alentejo em 17-12-2019 - Mário Sousa e Manuel Silva. Das apresentações dos dois livros de Poesia da Autora em Vilarelhos, no Festival Transfronteiriço de Poesia, Arte de Vanguarda e Património, em Meio Rural/ PAN - Julho de 2019 e Julho de 2018 - Rodrigo Dias.



[1] DIAS, Sousa “O que é Poesia?”, Documenta, Lisboa, 2014, p. 44.
[2] Ibidem, pp. 31-32.
[3] Ibidem, p. 33.
[4] GONZÁLEZ, Montserrat Vilar “Vida Incompleta”, Lema de Origem, Carviçais, 2019, p. 23.
[5] GONZÁLEZ, Montserrat Vilar “tierra en mármol y ternura”, Lastura, Ocãna, 2ª edicion, 2015, p. 58.
[6] Esta parte do texto foi acrescentada ao escrito inicial, apresentado em Vilarelhos, no início de Julho, onde a obra teve o seu lançamento inaugural. Redigido em Almada, na madrugada de 17 de Dezembro de 2019, destinou-se à apresentação na Casa do Alentejo, na tarde desse mesmo dia.
[7] CORREIA, Hélia “A Terceira Miséria”, Relógio de Água, Lisboa, 2013, 2ª edição, p.7.
[8] FREUD, Sigmund “Textos Essenciais da Psicanálise”, volume III; Publicações Europa América, Mem Martins, 2001, 2ª edição, p. 147.
[9] ANDERSEN, Sophia de Melo Breyner, “Dia do Mar”, Ática, Lisboa, 1961, p. 86.
[10] MENÈRES, Maria Alberta “O Jogo dos Silêncios”, Hugin, Lisboa, 1996, p. 5.
[11] AMARAL, Ana Luísa “Entre dois rios e outras noites”, Campo de Letras, Porto, 2007, p. 112.
[12] ROSSETTI, Ana “Fuera de Campo”, Associación cultural “El Zurguén”, Morille, Salamanca, 2018, p. 64.