"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

segunda-feira, julho 24, 2017

O Primeiro Filme Sarahoui no PAN 2017, em Morille

No último dia do PAN, domingo 16 de Julho, no Salón de Plenos foi exibida a película sahraoui "Leyuad un viaje al pozo de los versos" (Primeiro Prémio no Festival de Cinema do Sahara).
Gonzalo Moure e Inês Aparício apresentaram o filme, explicando que foi o primeiro do povo sahraoui e que se baseia nas lendas e crenças ancestrais daquela nação sem estado, ocupada por Marrocos desde meados dos anos 70 do século XX.

Informações complementares:




Nossa Senhora dos Gnomos numa pensão perto da raia

Antes de passar a fronteira, em direcção a Salamanca/ Morille, pernoitei numa residencial onde me deparei com várias surpresas.
Primeira: à cabeceira, não o menino da lágrima, mas a sua homónima.
Segunda: Numa época tão quente, e não havendo ventoinhas ou ar condicionado, nem janela que se abrisse para arejar o quarto, tive de puxar a panóplia de mantas para fora da cama e qual não é o meu espanto, apareceu-me uma colcha escarlate com a Nossa Senhora de Fátima com gnomos (ou pagens) como se antes de dormir tivesse uma banda desenhada para reter, surrealizante. O Sagrado e o Profano de mãos dadas...
Digam lá se a realidade muitas vezes não supera a ficção?

LFM

sábado, julho 22, 2017

Cataventos de Morille

Se o visitante tivesse alguma dúvida acerca do território, onde se encontrava, os telhados de Morille, através dos cataventos, são bastante elucidativos.
Podem ser observados vários quadros, ligados à ruralidade.
Nos exemplos recolhidos, os quatro pontos cardeais estão sempre presentes, acompanhando a actividade humana, em torno da agricultura ou da caça.
Há bastantes exemplares destes utensílios caídos em desuso nas cidades mas que no campo (tanto em Espanha como em Portugal), teimam em resistir, apontando ventos, prenunciando mudanças ou permanências climatéricas.
Os ferreiros deixaram boa marca neste ayuntamiento.

Luís Filipe Maçarico (texto e imagens)

Monserrat Vilar no PAN em Morille


Monserrat Vilar é uma presença assídua no PAN. Este ano, a poetisa galega, que vive perto de Salamanca, apresentou um livro de poemas, com ilustrações de um jovem pintor, Juan Sebastian Gonzalez intitulado "Aprehenderse".
Como sempre, o seu sorriso e as suas palavras marcaram o ritmo do tempo em Morille, trazendo cultura e alegria, para partilhar entre participantes e habitantes.
Parabéns, Monserrat pela postura muito positiva, de semear o melhor que o Ser Humano pode ter, entre admiradores e visitantes surpresos com essa Poesia tão perto do real, mas tão ligada a tudo o que um verso pode conter: imaginação, sonho, voo!

Luís Filipe Maçarico

sexta-feira, julho 21, 2017

Instantes do PAN em Morille há dois anos [2015]


Fui ao baú de recordações desencantar estes instantes do PAN 2015, recolhidos por Renato Roque.
Naquele ano, foi para mim a descoberta de um acontecimento de enorme valor humano e artístico.
Os poemas em árvores e nas paredes, foram então uma surpresa encantadora. A co-apresentação de "Igaedus" de António Salvado foi uma honra.
Contudo, o regresso em 2017 pode resumir-se numa palavra: FELICIDADE!

Luís Filipe Maçarico (palavras) Renato Roque (imagens)

Arte Pública em Morille

Nas ruas de Morille existem marcas indeléveis da passagem de artistas, como Mestre Elvira, que em 2015 dirigiu um atelier, com jovens aprendizes, para soldar e moldar pedaços de ferro com os quais se fizeram belíssimas esculturas.
Esta magnífica Arte Pública é resultado das várias edições do PAN - Festival de Poesia Transfronteiriça, Património e Arte de Vanguarda, enriquecendo sobremaneira espaços de um território que é mágico pelas iniciativas que nele acontecem, pelos participantes, pelos criadores, que trazem versos e pinturas, esculturas e canções.
VIVA MORILLE!

Luís Filipe Maçarico (texto e fotografias)

Batentes de Salamanca e Ciudad Rodrigo

As primeiras três imagens correspondem a batentes da porta monumental da Universidade de Salamanca, que no próximo ano completará 800 anos.
A beleza destes batentes é insofismável. O ferreiro trabalhou o ferro, transformando-o numa verdadeira jóia.
A quarta imagem foi realizada na Plaza Mayor de Salamanca. Representa a cabeça de um animal que parece guardar a casa. A porta de madeira é igualmente digna de realce pelo requinte do desenho, que lembra a arte dos embutidos.
A quinta e a sexta fotografia evidencia uma porta igualmente bela, da Casa das Conchas, em Salamanca, repleta de simbolismo e inserida na arquitectura do Plateresco, um período áureo da Renascença Espanhola, bastante influenciada pelos Mestres que estudaram em Itália.
Finalmente, um martelo de porta, em Ciudad Rodrigo, atesta a antiguidade daquela cidade, perto da fronteira portuguesa.
Nas cidades espanholas é possível encontrarmos destes tesouros, que nos impressionam - pela Arte e pela qualidade do labor dos velhos ferreiros, evaporados pelo tempo, que ainda cantam neste chamamento ancestral.

Luís Filipe Maçarico (texto e fotografias)