"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

segunda-feira, janeiro 31, 2011

Duas Assembleias num Fim de Semana e Uma Tomada de Posse onde não pude estar...










Dia 27 de Janeiro, quinta feira passada, na Biblioteca do Grupo Dramático e Escolar "Os Combatentes", a Aldraba realizou a sua Assembleia Geral.
Os associados aprovaram o Relatório e Contas de 2010. Foi um momento importante na vida interna da Associação, dado que também foi aceite, por unanimidade, o Plano de Actividades e o Orçamento para 2011.
No blogue desta associação poderão obter mais pormenores. Visitem o blogue da Aldraba em: http://aldrabaassociacao.blogspot.com/2011/01/o-que-foi-assembleia-geralde-27jan2011.html
A Direcção está pois de parabéns.

No domingo 30 de Janeiro, em Alpedrinha, dirigi outra Assembleia Geral - da Liga dos Amigos de Alpedrinha, - enquanto vice-presidente, em substituição do presidente, falecido em 2009.
Foi eleita a nova lista de Corpos Sociais, pelos 27 associados presentes, com 27 SIM, além da apresentação e votação dos documentos essenciais do ano transacto e os correspondentes à previsão da actividade para 2011, por unanimidade.
A direcção eleita é totalmente integrada por mulheres e com uma participação jovem bastante elevada. Marília Hilário é a nova presidente.
De registar que o anterior Presidente do Conselho Fiscal, Eduardo Serra elogiou o trabalho da anterior direcção desta forma: "Com tão pouco, fazer tanto, é magia!" de facto com pouco mais de 7.000 euros, a Liga manteve a sua escola de música com 40 alunos e dois museus e um sem número de actividades que mereceram o agrado dos associados.

Nesse mesmo dia, em Lisboa, sensivelmente à mesma hora, tomou posse o novo elenco directivo e restantes Corpos Sociais, do Grupo Dramático e Escolar "Os Combatentes", onde participo, como membro do Conselho Fiscal.

Quem disse que o Associativismo está em crise?

Texto: Luís Filipe Maçarico
Fotografias:

Rogério Rodrigues (1 fotografia da Assembleia Geral da Aldraba - Associação do Espaço e Património Popular)
Luís Filipe Maçarico [fotografias das Assembleias Gerais da Aldraba - Associação do Espaço e Património Popular (2) e da Liga dos Amigos de Alpedrinha (2)]

quarta-feira, janeiro 26, 2011

Tunísia: O Olhar dum Livro e a Análise de Mohamed Lotfi Chaibi


Esta segunda notícia, acerca do meu livro, no "La Presse", ainda hoje me encanta, pela gentileza do Jornalista Mohamed Lotfi Chaibi, que analisou e divulgou a minha poesia.
Entre Outubro de 1995, quando fui à redacção do Jornal e entreguei o exemplar da obra, na esperança que pudessem falar do meu trabalho e a segunda edição, promovida pela Escola Profissional do Fundão, graças ao Amigo Dr. João Manuel Santos Costa, que foi divulgada naquele jornal no último dia de 1996, a minha ligação àquele país reforçou-se.
A sensibilidade e cultura daquele povo, com uma classe média evoluída, está bem patente na forma como olharam, para o meu olhar sobre eles. A Revolução actual mostra bem o seu espírito.
Aqui fica esta memória luminosa.
NOTA: Cliquem nas imagens dos recortes para lerem em versão aumentada as duas páginas que me foram enviadas, na altura, pela Embaixada da Tunísia, em Lisboa.
Luís Filipe Maçarico

Tunísia: Memória dos "Pastores do Sol" em Outubro de 1995.



Em Outubro de 1995, levei para a Tunísia, na mochila de viajante, 100 exemplares do livro trilingue (português, francês e árabe), de minha autoria "Os Pastores do Sol/Les Bergers du Soleil". Com capa de Francisco Pedro, artista plástico e jornalista leiriense, também ele interssado noutras realidades, designadamente pelos índios da Amazónia, que numa passagem pela Tunísia captou a essência. A Tipografia Ramos Afonso & Moita imprimiu e é possível encontrar exemplares da edição na Biblioteca Nacional e nas Bibliotecas Municipais de Lisboa.
O Jornal "La Presse", no final de Outubro de 1995, ainda eu por lá andava, publicou esta notícia, que partilho, com orgulho, pois o meu olhar poético (e antropológico) sobre o povo tunisino e aquele território mágico, existe há muito. Não foi por acaso que a amizade floresceu em Jerba, onde uma família campesina leu e comentou ao serão a breve colecção de poemas. Também não foi fruto do acaso o facto da 3ª edição do livro ter tido uma introdução de Salem Omrani, tozeuriano, que chegou a estar em Portugal, e apresentou na Sociedade Musical Ordem e Progresso e na Liga dos Amigos de Alpedrinha, alguns poemas deste livro, em árabe...
NOTA: Para lerem a notícia (em francês) cliquem na imagem.
Luís Filipe Maçarico

terça-feira, janeiro 25, 2011

Qualquer dia...


Quando o mau gosto impera, não há país que evolua culturalmente.
No Governo, a Ministra do Trabalho contribuiu para o aumento do desemprego, facilitando os despedimentos.
Domingo passado, os iluminados cérebros que nos (des)governam, escutaram - como eu - uma portuguesa assegurando que retrocedemos aos anos sessenta do século passado, por causa das filas nas mesas de votação, devido ao número de eleitor não constar do novo (mas já obsoleto) cartão de cidadão. Sabemos o que isto gerou...
Na rádio, um programa-vómito, da responsabilidade dos pseudo humoristas que escrevem para os Gatos Malcheirosos, tão cheios de falta de graça, chamado Portugalex, espezinha os direitos mais elementares, gozando com a tragédia de termos nascido no Terceiro Mundo,envergonhando quem não seja moralista nem puritano. A última que ouvi - e digam lá se não é desprezível - referia-se às cinzas de um assassinado derramadas no Chiado e snifadas por um cantor.
Potenciar a alarvidade, ajuda a manter um povo boçal e ignorante que ri da aberração e aprofunda o mais abjecto voyeurismo. O resultado nunca poderá ser positivo.
Por este andar, retrocederemos mais e mais um pouco. Qualquer dia, acordamos em 1800...

Luís Filipe Maçarico (texto e fotografia)

domingo, janeiro 23, 2011

Dejá Vu


Porque razão não há mulheres a concorrer à Presidência da República, desde Lurdes Pintassilgo - e nunca mais houve um Primeiro Ministro do sexo feminino em Portugal?

Qual o motivo, porque nas eleições de 23 do corrente, algumas discursatas me fizeram lembrar um disco riscado, um déjá vu?
Parte dos senhores que se candidataram, parecia certos programas de rádio que, ao longo do dia repetem uma música, até ela ficar no cérebro do ouvinte...

Não consigo arranjar explicação para tudo. Nem transformar derrotas em vitórias...por muita pedagogia e solidariedade que queira compartir. Há décadas que colecciono "Vitórias" como quem apanha pancada.

Numa palavra: rifar a populaça - que vota em partidos que maltratam o cidadão - era uma hipótese...
Ou mudar de país. Mas o mundo não está um lugar pacífico.
Por isso, ocorre-me a frase de uma velha amiga de Cacia, que nos anos 70 se despediu de mim, na estação de comboio, gritando: "Coragem na luta, contra os filhos da puta!"

Texto: Luís Filipe Maçarico.
Imagem: pintura do artista moçambicano Malangatana, recentemente falecido.

quinta-feira, janeiro 20, 2011

Elegia ao Povo Tunisino


Um povo que nada tinha
condenado à infelicidade
fez sementeira de esperança
no lodaçal dos malditos
encheu as ruas com a força
dos seus claros gritos
e ousou a liberdade
para dar o pão aos filhos.


Esse povo libertário
trouxe o sonho solidário
contra a realidade sombria
pois quando um povo se une
para viver o futuro
não há tirano que vença
a força da poesia!


Luís Filipe Maçarico

20-1-2011.

segunda-feira, janeiro 17, 2011

Governo de Unidade na Tunísia com o Mesmo Primeiro Ministro, Sete Ministros do Anterior Governo e Alguns Opositores








Mudanças na Tunísia seriam previsíveis e desejáveis, após a chamada Revolução de Jasmim.
Não tenho todavia motivação para festejar, ao contrário de um ex-deputado, homem do sul, poeta, que embandeirou em arco, segundo a mensagem que me enviaram hoje.
O tirano-mor foi corrido, é verdade.
Mas o presidente interino é um ex-ministro, membro do parlamento desde 1964, eleito pelo partido de Ben Ali (RCD), que era o maioral dessa formação política nacionalista e socialista, integrada na Internacional Socialista).
O primeiro ministro (vice-presidente da mesma força política) é aquele que liderava o governo corrupto, causador da revolta popular... Pois é com ele ao leme, que o pouco promissor governo de transição, dito de unidade nacional vai tomar conta do poder.

É como se em 25 de Abril de 1974, Américo Tomás fosse borda fora, mas o Presidente da ANP passasse a presidente interino da República e Marcelo Caetano continuasse a liderar o governo, agora de unidade, com alguma oposição. Será motivo para nos congratularmos?

Ah! O Partido Comunista dos Trabalhadores Tunisinos, ilegalizado por Ben Ali, por esse motivo não entra no novo governo, mas retornam sete ministros do anterior governo para ocuparem lugares chave... Será razão para acharmos que os tunisinos estão bem entregues?

Democracia?
Revolução?
Coitado do povo, enganado sempre!
Libertação?
O polvo permanece.

Os amigos de lá dizem-me que estão expectantes, e exigem transformações consequentes.

O belo território, - corredor entre o mediterrâneo e o deserto, - depois de ter sido reino fenício, com a fundação da cidade de Cartago (VIII A.C.), tomada pelo Império Romano (II A.C.), passou no século VI para as mãos dos Bizantinos, depois para os Árabes até ser conquistado pelos turcos, em 1574, tornando-se no século XIX um protectorado francês, até se tornar independente em 1956.

O primeiro presidente da República Tunisina foi Habib Bourguiba, que esteve 30 anos na cadeira presidencial.

O segundo, Ben Ali, que depôs Bourguiba, num golpe de estado palaciano, permaneceu 23 anos no cargo.

O actual primeiro ministro, Mohamed Ghannouchi, que sucedeu nesse cargo a si próprio, esteve 1 dia (14 de Janeiro de 2011) nas funções presidenciais. Economista, escolhido há onze anos por Ben Ali para chefiar o governo, conduziu as negociações para a formação do "novo"governo, com 3 partidos da Oposição, que levará (conseguirá?) o país a eleições livres e a uma liberdade ampla, tão ansiadas.

O actual Presidente da República, é o 4º, desde 15 de Janeiro, assegurando o período da transição, que passou de 2 para 6 meses. Fouad Mebazaâ, advogado, foi ministro da Juventude e Desporto, da Saúde Pública e da Cultura e Informação, além de embaixador na ONU e em Marrocos, sendo presidente do Parlamento desde 1997...
A Tunísa teve 3 presidentes em 24 horas!

Pasmo com a ligeireza de alguns "jornalistas" de beco, que, sem avaliar a situação, emitem opiniões precipitadas. A verdade aqui fica para análise e aprofundamento. O tempo demonstrará quem tem razão...

Partidos da Tunísia:

Partidos com Assento Parlamentar

Partido de Ben Ali, que dominou os Governos, desde 1988:
Rassemblement Constitutionel Démocratique (RCD), actualmente com 161 deputados.

Oposição Parlamentar
Mouvement des Démocrates Socialistes, 16 deputados.
Parti de l'Unité Populaire, 12 deputados.
Union Démocratique Unioniste, 9 deputados.
Parti Social-Libéral, 8 deputados.
Parti des Verts pour le Progrès, 6 deputados.
Mouvement de la Rénovation -ETTAJDID, 2 deputados.

Outros Partidos da Oposição
Parti Démocratique Progressif;
Parti Libéral Démocratique

Partidos Ilegalizados
Congresso para a República
Hizb ut-Tahir
Parti de La Renaissance
Parti Comuniste des Ouvriers Tunisiens.

Luís Filipe Maçarico (pesquisa e texto) Fotos: recolhidas na Net