"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

segunda-feira, abril 12, 2010

Fim de Semana Associativo-II














Sábado passado efectuou-se, em Tomar, a tomada de posse dos novos corpos sociais da Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto.
Durante a sessão, que decorreu na Câmara Municipal de Tomar, o presidente da autarquia referiu que o movimento associativo é factor de coesão social e escola importantíssima, sublinhando que a Confederação merece toda a consideração.
"As associações - afirmou - são seguramente a melhor escola de Democracia."

Ao longo da manhã, as dezenas de participantes neste encontro visitaram o Museu dos Fósforos, a sinagoga e a igreja de S. João.

Luís Filipe Maçarico (notícia e fotos)

Fim de Semana Associativo-I






Este fim de semana a Aldraba foi à Xuventude da Galicia degustar uma paella e visitar o espaço, bem como ouvir falar de uma história centenária.
Tratou-se de mais um jantar-tertúlia em torno da realidade associativa. Algumas dezenas de associados e amigos responderam ao desafio e conviveram numa noite primaveril em Lisboa.
Luís Filipe Maçarico (texto e fotos)

sábado, abril 10, 2010

Cerejeiras em Flor


A serra da Gardunha e todos os lugares onde a respiração humana palpita celebram de novo a vida extasiante dos seres, reanimados com o azul e esta luz tão forte do sol sobre o granito.
As cerejeiras da Cova da Beira brilham por estes dias. Saborear as velhas estradas que nos permitem redescobrir os belos pormenores que anunciam a Primavera - eis a proposta que deixo a todos os que ainda não conhecem essa parcela mágica de Portugal.
Eu acabei de passar alguns dias em Alpedrinha e no domingo passado,quando a Isaura trouxe-me pela estrada velha pensei: sou um privilegiado.
Há dois dias fiz uma caminhada com a Maria dos Anjos, o Leonardo e a Isaura. Os aromas e os cânticos, a variedade das flores e o próprio ar, tudo é apelativo.
Sempre com a Gardunha em fundo, como cenário encantado. Com gente viva, existindo longe dos dias apressados das cidades. Num ritmo humano ao qual apetece sempre voltar, quando regressamos da correria.
Luís Filipe Maçarico

segunda-feira, abril 05, 2010

Como se o mundo ficasse suspenso...


No doce veneno
dos teus afagos
morri naquela noite
de solidão anunciada

vivo só de memórias
na ânsia de saciar
este fado de querer asas

Na inebriante agonia
dos sentidos
renasço em sonho
bebendo pela concha
das tuas mãos


longínquas


talvez mentira, talvez verdade


beijos carícias desejo ilusão

ir(real)


ser eu e tu um dia ou

numa hora a vida toda
ávido
ávido

lua terra nuvem saliva suspiro
solitude solstício plenilúnio
alga trevo tição

rio de lume
mar de luz
no estuário de todas as promessas
na estação das flores
perenes
no mel dos gestos
intocáveis
no sorriso matinal
imaginado
com melros e sol
no silêncio de uns lábios
colados
como se o mundo ficasse suspenso
entre uma e outra estrofe
do poema subitamente
sílaba vírgula ponto respiração
feliz.

4-4-2010; 10:15

LUÍS FILIPE MAÇARICO (poema e fotografia)

sábado, abril 03, 2010

AOS BRAVOS DA CPM 8248










Ontem, fiz uma caminhada na Tapada das Necessidades. Ao passar pelo Jardim dos cactos evoquei os meses tensos de há 36 anos, quando cheguei a Moçambique no Dia das Mentiras.
Era no tempo da Mentira... Que tínhamos de defender a Pátria e não sei mais quê!!!...
Um punhado de jovens foi obrigado a deixar tudo, na flor da idade, para justificar as comissões chorudas dos tubarões com patente, que lucravam com o conflito, acumulando anos de serviço e por vezes galardões (e muita dinheirama, que a guerra dá dinheiro, como a sociedade capitalista alimenta os especuladores mais hábeis), situação partilhada com os restantes exploradores de África, governo de então inclusivé.
Foi nesse ambiente mental de medo, censura e opressão, que se desenrolava num cenário onde o esplendor da Natureza contrastava com a miséria dos humanos, que começou a minha libertação e a de muitos portugueses.
Passados estes anos, recebo (como sucede em todos os meses de Abril) a convocatória para um convívio em torno das iguarias de uma região do país e das memórias desse exílio forçado em África.
Soube pelo António Pinguincha Caeiro que alguns bravos da CPM 8248 já se foram embora.
Pela generosidade daqueles rapazes em 1974 - que partiram, pensando garantir com a sua dedicação a integridade do território luso - ouvi o canto dos melros, o rumor do vento nos galhos, um bando de papagaios enluarados, bebi todo o silêncio da tarde de sombras frias e sóis repentinos, para deixar aqui a minha singela homenagem a esses companheiros, que comigo foram desterrados (e enganados) indo bater com os costados a 13 mil quilómetros daqui.
Sendo hoje sábado de Páscoa e desde esta modesta tribuna digo: PAZ ÀS SUAS ALMAS!
Aos que sobreviveram às emboscadas da Vida, o abraço e o desejo que o reencontro onde não poderei participar seja bem divertido. No mesmo dia (10) estarei em Tomar, a tomar posse como Conselheiro Nacional da Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto - uma tropa em que acredito mais do que aquela que nos impingiram e continua a produzir os seus embustes (veja-se o dos submarinos, etc.)
Luís Filipe Maçarico (texto e fotos)

CONVITE

sexta-feira, abril 02, 2010

Zé do Garfo






Só quando estudei a mitologia da civilização greco-romana, percebi que o Zé do Garfo existia apenas no imaginário popular.
Neptuno, Deus das águas, vigiava na fonte com repuxos do Largo de D. Estefânia e no chafariz monumental da Praça da Armada, dois lugares de Lisboa com história e arte pública com beleza.
Ontem, desapareceu o tridente de Neptuno.
Jovem vizinho consciente tomou a iniciativa de guardar aquele património, para entregar à Junta de Freguesia.
Neste país de gente muito tolerante para com os políticos corruptos, quantos tomariam essa atitude?

Luís Filipe Maçarico (texto e foto)