"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

segunda-feira, junho 08, 2009

Se Uma Gaivota Viesse...




Se uma gaivota viesse

trazer-me o céu de Lisboa

no desenho que fizesse,

nesse céu onde o olhar

é uma asa que não voa,

esmorece e cai no mar.



Que perfeito coração

no meu peito bateria,

meu amor na tua mão,

nessa mão onde cabia

perfeito o meu coração.



Se um português marinheiro,

dos sete mares andarilho,

fosse quem sabe o primeiro

a contar-me o que inventasse,

se um olhar de novo brilho

no meu olhar se enlaçasse.



Que perfeito coração

no meu peito bateria,

meu amor na tua mão,

nessa mão onde cabia

perfeito o meu coração.



Se ao dizer adeus à vida

as aves todas do céu,

me dessem na despedida

o teu olhar derradeiro,

esse olhar que era só teu,

amor que foste o primeiro.



Que perfeito coração

no meu peito morreria,

meu amor na tua mão,

nessa mão onde perfeito

bateu o meu coração.


Alexandre O'Neil


(Este poema foi cantado por Amália Rodrigues, musicado por Alain Oulmain...e actualmente, Sónia Tavares dos Gift reinterpreta, com roupagem inovadora que, sendo uma interpretação diversa, volta a colocar estes versos na nossa boca...)

domingo, junho 07, 2009

Encontro de Poetas dia 10 em Alpedrinha


Dia 10 de Junho estarei em Alpedrinha no Encontro de Poetas 2009 a dizer poemas. Talvez partilhe alguns versos escritos neste primeiro semestre.

Os amigos que pensem em passar por essa vila belíssima, não hesitem e venham até ao coração da Beira Baixa, comer cerejas, beber um copo e saborear a poesia que vou deixar neste mundo mas que ainda podem escutar pela minha voz, enquanto por cá andar...

sábado, junho 06, 2009

EM NOME DA TERRA




Voltei de mais um fim de semana de estudo no Baixo Alentejo.
Amanhã serei escrutinador numa mesa de voto.
Dia de reflexão? Não é necessário procurar muito... Essencial é votar. Ficar em casa, nunca!
Procura-se um futuro mais criativo, mais justo e de paz. Só pode ser feito com as nossas mãos e o nosso trabalho. O nosso voto.
É preciso deitar no caixote de lixo aqueles que diariamente nos afrontam e escolher melhor. Em nome da Terra, pela mudança sempre!
E nunca se esqueçam: durante décadas não era possível votar livremente, por isso manifestem a vossa vontade e escolham bem!
Lutou-se muito para que pudéssemos exprimir opiniões e participar em decisões. Nunca se esqueçam que no tempo dos pais e dos avós era proibido.
Vulgarizar, amesquinhar, desprezar esta possibilidade revela ignorância e insensibilidade.
Não digam que "eles" são todos iguais e que querem é tacho, para justificar a vossa ausência.
Sabiam que no Parlamento Europeu tentaram fazer passar uma lei, que nos podia obrigar a trabalhar 65 horas semanais?
E que queriam controlar os nossos mails, alegando (está na moda os senhores do mundo interferirem na vida dos povos, não obstante a discursata obâmica) que seria uma precaução para combater o terrorismo, imagine-se!
Então, vão ficar em casa à espera do resultado da votação dos outros?
Ou vão marimbar-se? Depois não se espantem se as coisas um dia derem para o torto...
Vocês também têm responsabilidade no que nos acontecer...
LFM

quinta-feira, junho 04, 2009

IOLANDA







Esta canção nao é mais que mais uma canção
Quem dera fosse uma declaração de amor
Romântica, sem procurar a justa forma
Do que me vem de forma assim tão caudalosa
Te amo, te amo, eternamente te amo

Se me faltares, nem por isso eu morro
Se é pra morrer, quero morrer contigo
Minha solidão se sente acompanhada
Por isso às vezes sei que necessito
Teu colo, teu colo, eternamente teu colo

Quando te vi, eu bem que estava certo
De que me sentiria descoberto
A minha pele vais despindo aos poucos
Me abres o peito quando me acumulas
De amores, de amores, eternamente de amores

Se alguma vez me sinto derrotado
Eu abro mão do sol de cada dia
Rezando o credo que tu me ensinaste
Olho teu rosto e digo à ventania
Iolanda, Iolanda, eternamente Iolanda

Esta canção nao é mais que mais uma canção
Quem dera fosse uma declaração de amor
Romântica, sem procurar a justa forma
Do que me vem de forma assim tão caudalosa
Te amo, te amo, eternamente te amo

Se me faltares, nem por isso eu morro
Se é pra morrer, quero morrer contigo
Minha solidão se sente acompanhada
Por isso às vezes sei que necessito
Teu colo, teu colo, eternamente teu colo

Quando te vi, eu bem que estava certo
De que me sentiria descoberto
A minha pele vais despindo aos poucos
Me abres o peito quando me acumulas
De amores, de amores, eternamente de amores

Se alguma vez me sinto derrotado
Eu abro mão do sol de cada dia
Rezando o credo que tu me ensinaste
Olho teu rosto e digo à ventania
Iolanda, Iolanda, eternamente Iolanda

(Autor: Pablo Milanés; Versão em Português de Chico Buarque da Holanda, que gravou este tema com Simone)
Fotografias de LFM

quarta-feira, junho 03, 2009

Notícias Amargas de Alpedrinha



Alpedrinha é uma vila que me cativa. Pela sua localização monumental, com a Gardunha, as suas águas, os seus castanheiros e cerejais. Pela sua população tradiconalmente hospitaleira.
Nos últimos tempos, as notícias que chegaram da terra mágica foram amargas.
Três moços que vi crescer, o mais velho deles com 28 anos, puseram termo à vida.
A interioridade e a falta de perspectivas para a Juventude, o vazio que se vai apoderando de todos nós, vão causando danos profundos, desmentindo estatísticas e discursatas.
A realidade violenta destes suicídios, entristecendo o quotidiano pacato de familiares e amigos, não sucedeu no Alentejo deprimido, mas numa Beira Baixa, de onde são naturais Guterres e Sócrates, confrange a ausência de medidas revigoradoras da economia e da solidariedade social. Há um pesado silêncio sobre os problemas.
Toda a nossa província abandonada, de Norte a Sul, com rapazes e raparigas sem emprego, que têm de fugir para tentar melhor sorte, é uma lástima. A alternativa à litoralização (e à liberalização que presenteia bancos falidos com milhões de euros) é ver passar o tempo, consumindo cerveja e televisão. Esta lenta agonia que alguns não aguentam mais.
Triste país da desertificação interior na terra e nas almas, que precisa de mudar, mas não enxerga energias catalizadoras, por manifesta mediocridade das propostas ou preconceito relativamente ao que podia ser transformador.
Os sinos batem a rebate, pelos que se foram e por nós, que temos um futuro cada vez mais assustador.
Luís Filipe Maçarico (texto e fotografias)

O Muro






Luís Filipe Maçarico (Fotografias - Mértola)

segunda-feira, junho 01, 2009

Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto: 85 Anos






85 Anos a fazer este país melhor, com o contributo da cidadania, do voluntariado, da entreajuda, da esperança e da criatividade eis a prática da Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto.
Augusto Flor (Presidente da direcção) apresentou uma proposta concreta, em tempo de crise para que o Governo estimule a auto-estima dos portugueses - entregar a cada colectividade deste país um euro por dia, já que, segundo este dirigente, deu dos nossos impostos milhões à Banca.
Barbosa da Costa, presidente da Mesa do Congresso lembrou a energia que os associativistas têm partilhado com a Comunidade onde estão inseridos, ao longo da nossa História recente, como continuam a estar na linha da frente, na esperança que constituem para um futuro melhor.
No meio de muitas intervenções, nomeadamente da Confederação do Voluntariado, do Montepio Geral, da ANAFRE, entre outros, eles foram o sal da terra. Com Jaime Salomão, um homem notável das colectividades. Houve Teatro e alguns elementos da Tuna Académica de Lisboa interpretou Piazzolla.
Parabéns ainda pela exposição, que se exibiu no velho mercado de Santa Clara (SãoVicente de Fora), que teve o trabalho empenhado de Helena Monteiro, em prol da História do Associativismo Popular na sociedade portuguesa.
Luís Filipe Maçarico (Texto e Fotos)