"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

domingo, maio 24, 2009

V Festival Islâmico de Mértola


















Este ano, a chuva molhou o Festival Islâmico. No sábado e no domingo, nomeadamente durante a cerimónia de encerramento, em que os diversos participantes na animação dos quatro dias se apresentavam, gordas nuvens derramaram grossas bátegas.
Multidões de citadinos procuraram o exotismo de uma cultura que ignoram e da qual sabem apenas o que a comunicação social e os prospectos turísticos veiculam.
Faz falta, num festival como este, a intensificação do diálogo intercultural que possa proporcionar um melhor conhecimento do Outro. Esperemos que no próximo se promova mais esta vertente.
A madrugada de sexta foi soberba no Largo Luís de Camões com um espectáculo memorável com os Gnawa Baraka. Entre as 3 e as 4, o grupo que durante todos os dias animou as ruas do souk, encantou os amantes de música etno.
Alguns acontecimentos relevantes: Santiago Macias apresentou "Mar do Meio", um livro e uma exposição fotográfica espectacular. Adalberto Alves falou da sua escrita, da sua pesquisa de muitos anos sobre os Árabes. Eduardo Ramos animou, como só ele sabe, o Largo da Alcachofra, onde Miguel Rego apresentou "Cadernos de Areia", o meu último livro de poesia que teve bom acolhimento do público, ao ponto da Livraria Vemos Ouvimos e Lemos e o seu mentor Paulo Barriga me terem acolhido para ler poemas da obra, que teve em António Baeta um momento de recitação envolvente. Entretanto, Cláudio Torres apresentou os Cadernos Temáticos da Aldraba sobre "Aldrabas e Batentes de Porta", também de minha autoria e os diversos vendedores de sonhos, como o marroquino Faissal Laazar deslumbraram os vistantes, com a caligrafia árabe e os inúmeros objectos de um artesanato fascinante que de dois em dois anos enche o labirinto de algumas das ruas mais antigas de Mértola, espantando gente que, de descoberta em descoberta exprime a sua estupfacção, como aquele homem que exclamava: "Mas o cante e a música deles são tão parecidos!"
Luís Filipe Maçarico (texto e fotografias)

terça-feira, maio 19, 2009

"O Estád(i)o A Que Isto Chegou" - Nova Revista Feita por Jovens nos "Combatentes"















Sob a direcção do jovem Flávio Silva, estreou-se a terceira revista que nos últimos três anos os associados do Grupo Dramático e Escolar "Os Combatentes"tiveram possibilidade de fruir.
"O Estád(i)o a que Isto Chegou" é o nome deste novo trabalho, com uma equipa renovada, tudo rapazes e raparigas promissores, garantindo àquela colectividade a continuidade de um percurso histórico, que teve no ensino, no desporto e na cultura três grandes alicerces que lhe garantiram chegar aos (quase) 103 anos.
O convívio - e esteve uma vez mais sala cheia, é um dos grandes pilares desta casa solidária. Foi patente o entusiasmo de todos e a eloquência do surpreendente encenador, que desta vez apenas subiu ao palco para o discurso (fluente) da praxe.
A graça, a alegria, o ritmo e o movimento que nos foi dado aplaudir vão estar patentes ao público até dia 10 de Julho. Informe-se dos dias e das horas, vá até à Rua do Possolo, 7-9 e divirta-se. Não fique em casa quando tem uma revista à portuguesa feita por jovens de talento, perto de si.
Luís Filipe Maçarico (texto e fotografias)

domingo, maio 17, 2009

Fogo Doce




Sentiste a minha mão
meus lábios a língua
o abraço que pedias
afecto e sensualidade
mas emudeceste
algo tornou a distância
de quilómetros
em anos-luz.

A tua ausência
nega a essência
do que fomos
na cama do amor
naquela noite de Abril.

Senti a tua língua lábios
mãos saliva a pele o olhar
e o sexo estrela rosa
florindo à madrugada do desejo
na dança das carícias
no ritmo das ancas
na musicalidade de um silêncio
partilhado com beijos e beijos e
beijos e beijos e beijos e beijos e
beijos e beijos e beijos e beijos e

A vida vai prosseguir
novas primaveras surgirão
e a saudade, terei de a enterrar
como um morto que dói, para esquecer
que fui feliz num lugar frio,
onde tu eras um fogo doce.

16 e 17-5-2009
Mértola e Lisboa
Luís Filipe Maçarico

Granada - Imagens de Pessoas com quem Viajei em Grupo




















Fui três vezes a Granada. Num Outubro, num Dezembro e este Maio.
Sempre com boa companhia.
Desta vez, porém, estando integrado num grupo de gente jovem, ávida de saber, que incluía professores como Antonio Malpica Cuello, aprendi mais.
Do motorista Renato à Ágata, os companheiros das diversas visitas foram geralmente divertidos e conviventes.
Ontem, ao regressar a Lisboa, após mais um fim de semana de estudo em Mértola, jurei a mim mesmo nunca mais parar... Vou tentar, sempre, ter esta pedalada, que me faz viajar constantemente, seja à procura do saber, seja para provar, se amo, que faço tudo para cair nos braços desejados e provar o sabor de Abril nuns lábios tão gostosos como percorrer com os olhos da alma as belezas do Alhambra...
A grande viagem da vida tem um termo, temos de a sugar intensamente, pois, como costuma dizer o meu amigo Manuel Sobral Bastos, um dia vai sobrar muito tempo para descansarmos na horizontal...
Luís Filipe Maçarico (texto e fotografias)