"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

terça-feira, maio 05, 2009

TANTO AMOR






Como podes ter esquecido
os beijos que me queimaram
a pele o carinho o desejo?
Tento entender este silêncio
Mas a boca falou do lume
os gestos mostraram sede
e as carícias foram de fogo.
Como podes ter saído
de um caminho iniciado
se querias ficar?
Como podes guardar
tanto amor se disseste
que só me tinhas a mim?

5-5-2009; 22:40

Luís Filipe Maçarico (poema e fotografias recolhidas na Tapada das Necessidades, que gosto de mostrar a quem gosta de mim)

segunda-feira, maio 04, 2009

Esta tarde, em Lisboa, prometi amar-te


Esta tarde prometi
mostrar-te a Lisboa
que conheço.
Do outro lado da vida
onde imaginas
encontros suaves
e me pedes água
para a nossa sede,
a tua voz disse-me
que sim, que virás
para subir e descer colinas
saboreando
o sol, a luz branca
da minha cidade.
Esta tarde prometi amar-te
numa rua que pode ser bela
para os amantes perdidos
como nós, que ficámos
à porta do sonho
com a realidade a acontecer
no corpo de noites
inventadas...
Vais entrar na minha vida
como uma barca no Tejo
uma gaivota ao pôr do sol
uma andorinha buscando a casa.
Não, tu não és desse silêncio mortal
que esquece beijos
carícias
versos
afecto
futuro
e reprime o carinho
este sopro do ser sem medo
que o silêncio de granito
pulveriza em sombra...
Tu és a ousadia
que aprecio
e a melancolia
de uns olhos
que esperam
a manhã mágica
de acordarmos
pele com pele
lábios em lábios
mãos nas mãos
fazendo florir
a Primavera
no sexo.
Esta tarde prometi
que Lisboa será tua
no meu peito e a lua
um mar de saudade
em nossas bocas.

4 Maio 2009; 00:38

Luís Filipe Maçarico

Lisboa e a Tua Ausência




Queria dar-te a Lisboa
do meu olhar,
porém,
neste miradouro
o teu silêncio
só permite soltar palavras
ao vento...
palavras que morrem
contra o muro da tua ausência.

3 Maio 2009; 00:22

Luís Filipe Maçarico

sábado, maio 02, 2009

Maio: Criatividade e Incerteza




Perto da minha casa existe um paraíso. Há semanas que tenho trabalhos para escrever. Nomeadamente uma comunicação para apresentar em breve em Mértola, num Encontro sobre Cerâmica Islâmica. A energia tem faltado. Navego entre certezas e receios. Na tarde de ontem, com chilreado de aves e crianças, no esplendor do verde intenso desta Primavera, consegui escrever 9 páginas destinadas a essa comunicação, o que me deixou menos tenso.
Este mês de Maio está a ser decisivo relativamente à minha vida, enquanto pessoa, poeta, associativista e antropólogo. Na próxima semana completa-se e apura-se o documentário que tenho estado a acompanhar, integrado numa equipa que foi a algumas colectividades filmar dirigentes e atletas. O guião teve a minha assinatura e contributos de algumas colegas.
Entretanto, estou à espera de notícias de longe, para se quebrar um silêncio que não compreendo e me dilacera. Tenho ainda muito afecto para partilhar, no resto da vida que me cabe, e sinto que a ternura que recebi, foi uma dádiva singular da vida e de ti, que sei que lerás esta mensagem, num sítio deste país, onde o teu coração, em segredo recordará o nosso encontro, o sabor dos nossos beijos, o abraço tão desejado...
Regressarei em breve ao Alhambra, um dos locais do Mundo que mais gostei de conhecer e que remete para o imaginário do Al-Andalus, que é aliás a grande motivação para ter decidido frequentar um segundo mestrado. Com o professor da Universidade de Granada, Antonio Malpica Cuello, a turma irá desvendar segredos que o turista comum desconhece.
No 5º Festival Islâmico de Mértola, que começou há dez anos, terei o grato prazer de mostrar a um público específico o meu livro de poesia "Cadernos de Areia"(dia 21 às 17:30) e de, no contexto da Aldraba - Associação do Espaço e Património Popular, revelar um trabalho (lançamento do nº 1 dos cadernos temáticos da Aldraba) sobre "Aldrabas e Batentes de porta: uma reflexão sobre o património imperceptível"
Seguiram há poucos dias para a Câmara Municipal de Évora as provas de um artigo escrito há dois anos sobre as "Portas de Évora", que surgirá no final do mês na Feira do Livro da cidade onde nasci.
Preparo entretanto um artigo sobre Aldrabas e Batentes de Porta de Almada, que se destina à revista "Anais de Almada" e ainda há-de haver um bocadinho para enviar para a "Callípole" de Vila Viçosa colaboração poética.
Amanhã é o dia das terceiras eleições da Aldraba. Equipa renovada para prosseguir projectos, sonhos, debates em torno do património invisível...
Não me canso de exaltar a Magnífica Tapada, que se sobrepôs às muitas lágrimas, derramadas nestes últimos dias, transmitindo-me uma vontade escorpiónica de ressuscitar. Fantásticas amigas que percebendo que algo se passa me têm dado força, com manifestações de um companheirismo que me é grato assinalar.
A paixão enfraquece-me, confesso, é dela que arranco os versos que os amigos elogiam. Há quem se preocupe com este meu estado febril, delirante, em que pareço ter os pés nas nuvens...
Preferia, é certo, não ser Poeta e ter a felicidade -parafraseando Ruy Belo - que julgamos que há nos outros...Mas dou graças à Natureza, às árvores da Tapada e dos Jardins que rodeiam o largo onde moro, às estrelas, à minha madrinha Lua e ao meu amigo Sol, por acordar todas as manhãs.
Luís Filipe Maçarico

Parede do Silêncio


LFM

CORPO DA TERRA



O meu coração ficou
no planalto das névoas
enleado nos teus olhos
perdido nas carícias
duma noite única
Só ressuscito com os teus beijos
Só respiro na tua boca
Só consigo voar sentindo-te
O meu coração adormeceu
entre serras e pedras ancestrais
No meu peito
deitaste a tua cabeça
estrela exausta
da longa amorosa caminhada
Na tua língua a noite
derramou o melhor poema
Sonho realizado
No corpo da terra.

27-4-2009; 11:45

sexta-feira, maio 01, 2009

Quando Faz Mais Sentido Cantar a Internacional


















Em 1886, operários de Chicago que se manifestavam pelas 8 horas semanais foram condenados à morte. Há 120 anos num congresso de trabalhadores mundiais realizado em Paris foi decidido celebrar a memória daqueles lutadores todos os primeiros de Maio. Em 1973 e nos quase cinquenta anos antes não foi possível no nosso país comemorar esta data, era proibido.
Apenas há três décadas e meia e graças ao 25 de Abril é possível sairmos às ruas com as cores da vida e gritar bem alto que existimos e resistimos, que exigimos salários menos vergonhosos (em comparação com os outros países desenvolvidos), que falta emprego para os jovens, que há meio milhão de desempregados, que as reformas são um insulto a quem trabalhou uma vida inteira.
É igualmente um dia de festa. Como muitos outros, no relvado da Alameda, brindei com os meus amigos ao Futuro. E emocionei-me quando chegou um grupo de emigrantes que trabalham em Portugal. Fez mais sentido cantar a Internacional.
Luís Filipe Maçarico