"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

terça-feira, abril 14, 2009

Comboio para Évora e Pátio Andaluz












A viagem é rápida. Parte-se de Lisboa às 8 e 21 e pouco depois das 10 já lá estamos. Desta vez não saí da Rua dos Combatentes da Grande Guerra. Por ali fiquei, dentro de um pátio com jardim andaluz, onde os aromas e os cânticos da passarada me sugeriram estadia em estância termal...
Comi borrego que estava divinal, confeccionado pela dona Lisette e inaugurámos o novo espaço onde a Maria Amélia, o Manuel Sobral Bastos e o filho Miguel viverão grande parte do ano.
Bem hajam pela recepção!
Luís Filipe Maçarico (texto e fotos)

Unidade Sim, Mas Com os Que Não Nos Lixam


Com a devida vénia, transcrevo do blogue de Santiago Macias, estas palavras bem elucidativas do que sinto. Porque ser de esquerda (e sobretudo ser comunista) é não aceitar fazer acordos com a molhada politiqueira de todas as sacanisses. Foi este Governo, de onde Costa saiu, que maltratou a função pública, onde agora só se acede à categoria seguinte dentro da profissão, ao fim de uma década, somando 10 pontos (um ponto por ano=bom, pois só 5% têm excelente=3 pontos e apenas 20% atingem o muito bom=2 pontos). Antigamente éramos avaliados em concurso, apresentando provas do nosso progresso, do nosso esforço em evoluir como cidadãos e funcionários, melhorando com outros saberes o desempenho profissional.
A partir de agora frequentar cursos de formação, ter o mestrado ou o doutoramento, não adianta nada, importa é acatar as ordens da chefia, pois a faca e o queijo estão nas mãos dos chefes, esses é que nos classificam. Não é o percurso académico e formativo de cada um. Basta ser lambe-botas...
Devo ao partido socialista de Sócrates, Costa (e Alegre) ter de trabalhar mais dez anos e ficar a receber menos reforma. Que umas dezenas de militares e professores aposentados assinem uma petição preocupados por não haver coligação de esquerda para a CML, estão no seu direito, mas não recebo lições do seu folclórico esquecimento, quanto à vastidão das medidas impiedosas dos actuais governantes. Devo-lhes até o ridículo de terem-me retirado o enorme privilégio das férias frias - uns míseros cinco dias a mais, em troca de aguentar o Verão a trabalhar, benesse instuída pelo primeiro ministro Cavaco Silva, essoutro cinzentão, que assinou a extinção dessa "benesse", enquanto presidente da República. Para não falar do desemprego, dos salários vergonhosos, dos preços exagerados dos bens, de tantas atitudes persecutórias, travestidas de reformas necessárias para o país evoluir e se modernizar. Ao que parece, cada vez estamos mais endividados e há quem diga que foram anos de sacrifícios inúteis, pois o país está pior.
Ser de esquerda (e sobretudo ser comunista) é ser consequente. Se me torturam, não consigo dar a outra face... reajo! E como eu até nem sou cristão, não me enviem petições deste tipo, que eu não assino!!!

"Em 1985, a então APU era a maior força política da cidade de Lisboa. Em 1989, uma coligação PS/PCP conquistou a Câmara de Lisboa. O presidente de câmara da coligação era Jorge Sampaio. O primeiro-ministro chamava-se Cavaco Silva. A lógica direita/esquerda foi fácil de explicar aos eleitores..
Quando a coligação desapareceu, fora-se também o élan do PCP e da CDU como força maioritária na cidade..
Agora, e perante o risco de um Presidente Santana, a esquerda toca de novo a rebate - http://www.petitiononline.com/porlx/petition.html - e procura uma coligação abrangente, incluindo PS, PCP e o BE..
Perguntas e respostas:
a) Pode o PCP participar/dinamizar uma campanha para eleger António Costa, que foi justamente um dos responsáveis maiores pelos mais sérios ataques sofridos pelas autarquias em tempos recentes? A meu ver não pode. Ou não deve.
b) Pode o PCP participar em pé de igualdade com o BE, cuja atitude de cuco é bem conhecida?A meu ver não pode. Ou não deve.
c) Pode o PCP andar lado a lado com o Zé - o tal que fazia falta e tem dado as barracas que se conhecem - e apelar à reeleição do Zé? A meu ver não pode. Ou não deve.
d) Pode o PCP andar a reboque do ímpeto das renovações, dos improvisos e dos soundbites da comunicação? A meu ver não pode. Ou não deve.
Pelo menos da forma como as questões têm sido colocadas não pode nem deve.
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A menos que os assuntos sejam, de facto, discutidos em volta de projectos e não se transforme a política num mero expediente contabilístico para ganhar eleições.
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Fico, no meio de tudo isto, com a sensação que alguém anda a vender peixe fora de prazo..."

http://avenidadasaluquia34.blogspot.com/2009/04/esquerda-em-lisboa.html

Obrigado Santiago, por esta forma certeira de dizeres o que sinto...

Foto: LFM

Flores Aromáticas desta Primavera para Alguns Familiares de Évora












Pessoas que não nos esquecem e nos tratam sempre com um brilhozinho nos olhos, são amigos de verdade. Pessoas que anseiam conhecer-nos e que enquanto não estão connosco andam numa inquietação constante, insistindo em ver-nos e depois, como se fôssemos o brinquedo que desejavam alcançar, uma vez apresentados, nos põem de parte, podem ter todos os brasões e pergaminhos no nome, que a mim dizem-me pouco.

O Pedro Leitão é meu irmão. Temos a mesma mãe. A Maria João é a minha cunhada. Ambos cinco estrelas. Com uma categoria, que não há príncipes do Mónaco ou de qualquer família real que se lhes compare. Desde que me conhecem, o que sucedeu há apenas dois anos, têm tido um carinho e uma atenção que merecem esta distinção. Só posso estar-lhes grato pelo privilégio de terem sabido construir esta ponte para o afecto. Agora temos um território comum: a fraternidade. Coisas simples de entender, que se fazem sem pressa, sem exigências, com a paciência de saber fazer o que interessa acontecer.

A sensibilidade tem destas surpresas. E eles conquistaram o meu coração. Ah! Mas seria injusto se não referisse aqui o pequeno Pedro Miguel, que é reflexo da forma de estar dos pais e a serenidade do João, filho deste casal mágico, que está bem acompanhado pela Sofia. Ambos sonhadores, ambos estudantes, ambos Futuro com toda a esperança que esta palavra tem.
Gosto mesmo deles. Em Évora, ou noutro lugar onde se respire sinceridade.Por isso festejo este encontro com as belas flores aromáticas desta Primavera, existentes no quintal com jardim andaluz onde escutei a passarada, e alguns retratos que lhes fiz, ao longo da conversa que tivemos.
Obrigado.

NOTA: Passei de raspão por Évora. Ainda não tinha chegado há muitas horas, quando a minha amiga Maria Amélia recebeu a notícia que a sua dedicada amiga Irene tinha falecido, o que precipitou a estadia e tornou a segunda feira de Páscoa alentejana, fria e sombria.
Não contactei mais ninguém, à excepção da Rosário Fernandes minha "soeur du coeur" e do Pedro Leitão, a quem pedi para transmitir cumprimentos ao resto da família, dado que ele tem sido uma presença regular no telemóvel e no meu correio electrónico, tentando saber como estou e dando-me notícias acerca dos outros irmãos e da mãe
(aniversários, maleitas, etc) atitude que tive em conta ao ter este gesto, pois as breves férias (ainda de 2008 ) que ansiava, face ao tão grande cansaço que sinto, lembram-se que ainda trabalho e estudo - segundo mestrado em Mértola - com intensidade, pensara gozá-las sem ver pessoas, longe do ruído, em perfeito anonimato...

Texto e fotos de Luís Filipe Maçarico

segunda-feira, abril 13, 2009

Cristina: Uma Amizade Cintilante



A Cristina Pombinho e eu, em duas fotografias, com pouco mais de vinte anos anos a separá-las. A amizade atravessou três décadas de esperanças e desencantos. A Poesia, que foi o que nos aproximou e uniu, desde uma longínqua Marcha da Paz, continua a iluminar a caminhada. Procurem o seu belo livro "O Felino Anjo Branco" e, se forem alunos dela, aproveitem a sua forma de partilhar o conhecimento. Aprendam com ela!
Solicitei-a sempre que fiz um artigo ou um verso. Gosto de escutar a sua opinião. Geograficamente estamos menos perto, mas o coração palpita quando alguém me diz que esteve com ela.
Olá querida amiga! Como estás?
(digitalização da fotografia dos anos 80 e fotografia de 2003: Ana Fonseca)

sábado, abril 11, 2009

Luísa Amaro: O Som da Luz que nos Falta


Que sonoridades esta mulher consegue extrair, através do dedilhar sensível, arrepiante, da guitarra, que nos remete para paisagens sonoras que Carlos Paredes imortalizou, com um saber que nos encanta, porque ela recria, reescreve em páginas novas uma caminhada que o mestre desbravou.
Recriando o lugar onde nos movemos, resistindo e celebrando, em quotidianos visitados de quando em vez pela sombra, Luísa Amaro traz-nos a felicidade que a música proporciona. O voo que nos transcende. Luísa Amaro em "Mediterrâneos" é a asa que desejamos, o sonho que nos embruxa, o fascínio que nos impele a prosseguir a jornada, como muitos outros antes de nós o fizeram, lutando por dias limpos. Neste sul da sede de tocar o Infinito, a Suavidade, o Afecto, a Essência. Sente-se nesta guitarra uma respiração da terra, plena de azul, prenhe de dádiva, frutos e faces de paz.
Bem Haja por ser o som da luz que nos falta!
Luís Filipe Maçarico
Peço aos meus leitores que confirmem o que digo visitando Luísa Amaro no My Space:
http://www.myspace.com/luisaamaro

O Nosso Tempo










"Quero essa mão a tocar em mim"

O tempo sobra
o tempo escasseia
porém
o tempo somos nós
sem saber o que fazer
com menos tempo
ou tempo a mais.
Quando chegará o tempo
de te ver e sorrir à vida?
Tempo de sentir o teu abraço
tempo de saber que me desejas
e te provar como te quero.
O tempo de não perder mais tempo
sonhando com o tempo
que tarda em chegar.
O tempo que fomos,
onde acreditei que havia tempo
para nós, apagado pela chuva
pelo vento, por esta ausência
que dói...
Prometeste um dia
"Vamos ter o nosso tempo"
E os dias passam
vertiginosos.
Só o silêncio é verdade
e esta solidão de não ter
os teus lábios
na pele do poema,
nem poder acariciar-te
para sentires
o "arrepio de suavidade"
que imaginas.
Porque tardas, meu tempo
com mãos e sexo,
para saciar esta sede de tempo?

Lisboa, 11 de Abril de 2009, 15:41

Luís Filipe Maçarico (poema e imagens)

Nota: As fotografias foram recolhidas em Alhandra, Lisboa, Vagueira, Vagos, Aveiro, Castro Verde e Mértola.

quarta-feira, abril 08, 2009

Saadane Benbabaali


Escritor, ensaísta, tradutor, o professor Saadane Benbabaali, ilustre argelino, ensina literatura clássica árabe na Universidade Paris 3.
Visitem o blogue deste homem sábio, que trouxe os poetas do Al-Andalus até Mértola... E oiçam esta canção, com as imagens que ele levou para França, da bela vila alentejana do Guadiana...

http://adabarabiqadim.blogspot.com/2009/04/ya-rasha-fattan-par-beihdja-rahal.html