"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

domingo, março 08, 2009

Miragem


(Quase não dormi pensando
no nosso amor de lágrimas...)
As nuvens levantam-se
sobre o verde cinza dos campos
onde o orvalho fez ninho.
Oliveiras e sobreiros
espreitam sílabas enluaradas...

Quero ser a voz dos mil pássaros
que coroam o teu voo na terra
do granito e das cerejas
dos carvalhos e dos sonhos.
Trago os teus lábios
na minha boca e saboreio
os frutos da tua língua
que nunca beijei.
Guardo as palavras quentes
de uma madrugada de promessas...

O comboio matinal
leva-me para o sul
numa pequena viagem
onde o grande rio da poesia
canta saudades.
Fazes falta nesta paisagem
de esperas e desencontros
risco frases, rasgo versos...
mas as tuas mãos tardam
e os teus olhos são miragem...

Luís Filipe Maçarico (poema e fotografia)

sábado, março 07, 2009

Mértola, Atmosfera e Imaginário








No belo terraço de cal, tivemos a nossa primeira aula ao ar livre, com o professor João Pedro Bernardes, que dinamizou uma reflexão sobre o Mediterrâneo.
Semana após semana os laços reforçam-se e à medida que o tempo vai sendo vencido, os sonhos e os desaires do colectivo que somos, vão sendo partilhados, no jantar de sexta, no almoço de sábado, nas pausas entre aulas, na interpretação do gesto, da presença estimulante ou da ausência estampada no olhar.
Esta semana, entre outros momentos, foi bom receber o abraço fraterno da Ana Isabel, ouvir a Ana Paula, acamaradar com a Ana Dias, o Rolando e o Marco no Lancelot, saber que a Sandra é uma mulher especial, resistente e irmã, e que a Mariana, de repente, ficou com cara de colegial. Adoro esta maltinha.
E assim vamos rumo ao futuro, embalados pelo Guadiana, por umas andorinhas tontas que descobriram a casa de banho ou pelas portentosas cegonhas que esvoaçam naqueles céus de azul vibrante.
O ar de Mértola entranha-se já no imaginário, sabemos de cor os caminhos, é bom regressar todas as sextas. Sinal de interesse e de vida, de saber um pouco mais e aprender a ser humilde.
Luís Filipe Maçarico (texto e fotografias)

quinta-feira, março 05, 2009

Carta para o Meu Amor de Longe








Apareceste em Janeiro. As noites tornaram-se menos frias. O teu sorriso vencia os dias sem sol. Súbito, às sextas feiras, antes de partir para as aulas em Mértola, telefonávamos, trocávamos mensagens, a esperança chegava e dava-me força para vencer todos os obstáculos.

Um dia deixaste de aparecer no meu computador, amor virtual...
Procurei-te em tardes cinzentas, à beira da ria que é um tapete de magia para o teu olhar, entre moliceiros e lodo. Chamei por ti fitando as vagas alterosas do mar que deve saber de cor o teu nome sílaba a sílaba oferecido ao vento.

Amanhã começa o Segundo Semestre...
Parto mais pobre para o sul das amendoeiras em flor.
Sem ti e sem a boleia do costume, naquele automóvel que desbravava as estradas entre Santa Margarida do Sado e o Guadiana, entre amigos, a caminho da sabedoria.

Amanhã era bom que, subitamente, uma mensagem tua me devolvesse o sol da meia-noite roubado sem explicação.
Que no comboio para Beja os beijos voltassem a ser trocados e os dias se tornassem menos melancólicos.
Que a poesia não fosse mais necessária, para falar do júbilo e da ausência.
E brotassem palavras singelas, escritas pelos teus dedos, para partilhar sentimentos, emoções, desejos.
Será que ainda "adoras a minha atenção" e continuas a "esperar que nunca se venha a esgotar"?

Deita fora o silêncio, abre a clarabóia do teu sonho e mergulha numa página nova que precisa de ser escrita.

5-3-2009 23:46

Luís Filipe Maçarico (palavras e fotografias de Mértola)

quarta-feira, março 04, 2009

Espuma da Manhã








A tua presença
irrompe na espuma da manhã
no risco de asa que abraça o céu
nas formas perdidas
trazidas pela maré
nas rosas que não vi à deriva
sobre o areal desmedido
no pontão dos vultos sonâmbulos
nas palavras pegadas
no silêncio onde o teu retrato
se esfuma e as sílabas partilhadas
guardadas são relíquias e
se dissolvem como as gaivotas nas ondas
tão longe tão longe tão longe.

4-3-2009; 00:20

Luís Filipe Maçarico (poema e fotografias - Praia da Vagueira, Aveiro)

terça-feira, março 03, 2009

JAMUNAS BAND




Aveiro tem uma constelação de jovens artistas que sentem a música como o precioso sangue dos seus sonhos.
Jamunas Band é um caso sério no panorama actual da cultura juvenil, das noites de convívio, do ideal fraterno das bandas de garagem, com as suas claques divertidas, o empenho e orgulho dos familiares que os acompanham com enorme entusiasmo.
Todavia, eles trazem um som e uma presença que seria injusto não destacar.
Jamunas Band apostam forte nas palavras que cantam e a forma como Pedro Guilherme as interpreta revela um excelente performer em palco, pois o vocalista sabe utiliza rbem as técnicas corporais e vocais aprendidas no teatro.
Todos eles cativam o público, recebendo sem favores aplausos eufóricos.
Recentemente, no IPJ de Aveiro, assistimos à sua aposta ganha na arte de saber encantar. Esperamos vê-los sempre em alta. E admitimos que um dia destes ouviremos falar do grupo de Luís André na comunicação social, pois seguramente, está aberto caminho para atingir a divulgação e o apreço que o seu trabalho merece.

Luís Filipe Maçarico (texto e fotografias)

segunda-feira, março 02, 2009

Aveiro, Alguns Pormenores










Uma montra anuncia aos turistas que vêm da raia "perros calientes", uma gaivota verdadeira pousa num obelisco, um moliceiro navega no empedrado, apoesia melancólica de Veneza está presente nestes recantos, nestas pontes, nestes canais que percorro num dia sem sol. O património espreita em qualquer momento. Seja na pronúncia dos seus habitantes, seja na simbologia das pedras, Aveiro é uma cidade que apetece, em qualquer tempo.

Luís Filipe Maçarico (texto e fotografias)

domingo, março 01, 2009

Na ponte do Arcada








Procuro o teu olhar
Em cada pedra da cidade
Em cada esquina te perco
e nem o sol vem ter comigo.

Na ponte do Arcada
o que sonhei termina
ficam palavras riscadas
e tanta coisa por dizer...

1-3-2008; 03:45
Luís Filipe Maçarico