"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

terça-feira, março 03, 2009

JAMUNAS BAND




Aveiro tem uma constelação de jovens artistas que sentem a música como o precioso sangue dos seus sonhos.
Jamunas Band é um caso sério no panorama actual da cultura juvenil, das noites de convívio, do ideal fraterno das bandas de garagem, com as suas claques divertidas, o empenho e orgulho dos familiares que os acompanham com enorme entusiasmo.
Todavia, eles trazem um som e uma presença que seria injusto não destacar.
Jamunas Band apostam forte nas palavras que cantam e a forma como Pedro Guilherme as interpreta revela um excelente performer em palco, pois o vocalista sabe utiliza rbem as técnicas corporais e vocais aprendidas no teatro.
Todos eles cativam o público, recebendo sem favores aplausos eufóricos.
Recentemente, no IPJ de Aveiro, assistimos à sua aposta ganha na arte de saber encantar. Esperamos vê-los sempre em alta. E admitimos que um dia destes ouviremos falar do grupo de Luís André na comunicação social, pois seguramente, está aberto caminho para atingir a divulgação e o apreço que o seu trabalho merece.

Luís Filipe Maçarico (texto e fotografias)

segunda-feira, março 02, 2009

Aveiro, Alguns Pormenores










Uma montra anuncia aos turistas que vêm da raia "perros calientes", uma gaivota verdadeira pousa num obelisco, um moliceiro navega no empedrado, apoesia melancólica de Veneza está presente nestes recantos, nestas pontes, nestes canais que percorro num dia sem sol. O património espreita em qualquer momento. Seja na pronúncia dos seus habitantes, seja na simbologia das pedras, Aveiro é uma cidade que apetece, em qualquer tempo.

Luís Filipe Maçarico (texto e fotografias)

domingo, março 01, 2009

Na ponte do Arcada








Procuro o teu olhar
Em cada pedra da cidade
Em cada esquina te perco
e nem o sol vem ter comigo.

Na ponte do Arcada
o que sonhei termina
ficam palavras riscadas
e tanta coisa por dizer...

1-3-2008; 03:45
Luís Filipe Maçarico

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Estrela da Tarde



Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia

Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram
Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto
Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!


Poema de José Carlos Ary dos Santos

Fotografia de Luís Filipe Maçarico

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Polícia dos Costumes


Será pornográfico este ferro forjado, executado por perigosos subversivos da época pombalina?


Em Braga, foi apreendido pela polícia dos costumes, perdão, pela autoridade de segurança pública, um livro cuja capa tem as coxas de uma mulher, intitulada A Origem do Mundo, pintada há século e meio, por Gustave Coubet, socialista, que usou a sua arte para afrontar a hipocrisia e o poder dos bem instalados, de moral duvidosa. Quão tristes, cinzentos e permissivos com o vómito são os de hoje, a começar pelo alegrete dos tachos, que não desgruda nem se define.
Neste país dos choques magalhânicos (ah o Carnaval de Torres também foi atacado, parece coincidência, não é?) de pacotilha e dos ataques mais cerrados aos direitos de quem trabalha, com uma sangria desmedida de desempregados, em cada dia que passa, nesta espécie de país, dizia, é fácil (basta vê-los emproados na TV a bicar nos professores) piedosos pais queixarem-se, no ano da graça de 2009, de atentado ao pudor por causa da capa de um livro.
Como Salazar venceu as únicas eleições, depois de morto, há alguns meses, na RTP, pode ser que face à falta de tomates de muita gente, que deixou, entre outras coisas, a Função Pública descambar perigosamente para o abismo, além de reviver as delícias dos livros da 3ª classe e um naipe de fantasmagorias, possamos estar a caminho de uma nova série mais real que televisiva, que se pode chamar "Não Contes Como Foi, Leva nos Cornos e Chama-lhe um Figo!"
Tenho pena de pertencer a um Povo amorfo, que deixa fazer tudo e de estar a pagar pela idiotice colectiva. Mas deve ser um castigo por qualquer coisa que fiz e não me lembro..

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Nunca Dirás


Nunca dirás a palavra.
Na poeira dos dias ficarás
a mastigar o tempo
riscando frases
hesitando o voo
ferindo este sentimento.

Gostava de ter dito
ao teu ouvido
o quanto te amava
naqueles dias de chuva
que pareciam não ter fim.

O quanto te queria
naquelas noites frias
em que aparecias
para encantar a madrugada
e depois prometias
Ternura e espanto.

Não poderei passear contigo
pelos jardins de Abril para dizer-te
como as palavras podem guardar
aromas de jasmim e alfazema.

Adeus, amor. É pequeno, o mundo
Não te verei mais neste lugar
Lá fora vai chegar a Primavera.
Acaba aqui quem fui.
A vida não fica mais
à minha espera...

Luís Filipe Maçarico 23-2-2009; 02:35

domingo, fevereiro 22, 2009

Veneza ao longe


Vai-se diluindo a tua imagem...

Entre gôndolas nupciais
que se perdem em sombrios canais
Vejo nos gestos tão cedo apagados
tulipas de ouro ardendo em rios gelados.

Nem todos os amores fazem ninho
estrelas de febre não contam história
procuro um motivo na memória
perdi-te sem conhecer o caminho.

Apenas sei desta poalha difusa
de Veneza ao longe... visão
onde as sílabas são maré suja
afogando em fogo o coração!

22-2-2009, 14:00

Luís Filipe Maçarico (poema e fotografia)