"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

domingo, fevereiro 15, 2009

Rasto


Tudo em redor floresce
Porém, a voz acesa

e
v
a
p
o
r
o
u
-
s
e

As sílabas ternas são
árvores secas e os
gestos de lua gelaram
deixando o silêncio
em tudo.

O sol esmorece neste fim
de tarde.

Apenas o rasto ténue dessas
palavras meigas, que ficaram
perdidas na pegada
das l-o-n-g-a-s
noites de Inverno
queima as veias
para fazer o poema.

E a sede...

15-2-2009
Luís Filipe Maçarico (poema e fotografia)

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Voz do Coração



Durante algum tempo o coração voou.
Por vezes havia a benção da voz limpa
Abrindo as portas ao paraíso...
Os dias e as noites agora são muito longos...

LFM (fotografias e palavras)
13-2-2009 13:15

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Tarde Azul


As palavras chegam do Mar,
como gaivotas embriagadas de sol.
São beijos de luz aquecendo
a alma na tarde azul.
Mergulhado nos ruídos da cidade,
arrepio-me com essa música
de longe que chega com o sabor
da saudade. Gaivotas, dizia,
enluaradas. Flores de amendoeira
estremecendo na brisa de Fevereiro.

Luís Filipe Maçarico
11-2-2009, 15:45

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Caderno de Versos para um Coração que está Longe


Recolho numa novela esta frase: "Morre-se por amar de menos e por amar demais..."
Escancarei o meu caderno de versos, para que um coração que está longe leia e reconsidere. E saiba que escrevi para a sua alma voltar. Continuo a ser meiguinho e a merecer o seu sorriso. Com esperança o faço, como quem diz: Meu amor, não fujas.
Aguardo a mensagem que pode devolver-me a vida suspensa por uma palavra sua. Tão necessária quanto o oxigénio, o pão, o sol, o mar, a noite...


Espero um veleiro
de sol para poder
navegar na pele
de Junho com o nome
dos sonhos nas veias
e o sabor das cerejas
na língua.

26-1-2009 22:17

Faz-me falta o paraíso
dos teus lábios o jardim
das tuas palavras o mel
do teu olhar para apaziguar
o fogo deste desejo.

2-2-2009 12:45

A tua ausência
dói como a cegonha
que não voltou ao ninho,
Melro emudecido,
rio seco
antes da foz...

6-2-2009

Em teu rosto
acorda a alegria
nos teus dedos
o corpo arde
quero adormecer
nesse sorriso
sensual,
lua dos sonhos.

7-2-2009 15:30

Essas dunas
onde te queria
já foram minhas
na efémera tarde
de espuma e lume.
A memória dos dias
embala as frágeis flores
de areia nesse espaço
onde te sonho.
Essas dunas...

7-2-2009 10:55

Luís Filipe Maçarico

sábado, fevereiro 07, 2009

O Furúnculo




As imagens são da Vila-Museu de Mértola, onde era suposto construir-se em taipa, respeitando volumetrias e materiais.
Conheço esta terra desde a década de oitenta do século XX , quando o cometa Halley andou pelos céus e habituei-me a encontrar nas suas ruas a beleza genuína dum território singular, que me fez voltar sempre.
Cantei-a em verso e é cenário para os melhores sonhos da vida.
No entanto, recentemente, deparei-me com um cubo nascente de cimento e tijolo, que definirei como furúnculo num corpo são. Para folclorizar o sítio, os inventores desta forma de construir, colocaram um batente marroquino.
Como perguntar não ofende e amar uma terra assim não é pecado, deixo uma questão a quem de direito: Que património se pretende promover? O tradicional ou esta inovação? Já é permitido fazer de qualquer maneira?
Luís Filipe Maçarico (recolha fotográfica e texto)

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Aula na Mesquita e no Bairro Islâmico de Mértola















A aula de sábado do professor Santiago Macias, que começou no Museu Islâmico de Mértola, prosseguiu na Mesquita, terminando no Bairro Islâmico.
Observámos as escavações que continuam a desenvolver-se na mesquita e em redor do castelo.
Soubemos no local como era habitar Mértola no tempo do Al-Andalus.
Na véspera, as aulas desenrolaram-se sob a batuta do professor Luís Filipe Oliveira, com a apresentação dos últimos trabalhos por parte de cinco colegas, todas mulheres: 3 professoras, uma arqueóloga e uma técnica superiora de turismo da Câmara Municipal de Mértola.
Noite dentro, bebi um gin no Lancelot, na companhia dos meus colegas... O pior foi acordar e estar a horas no Campo Arqueológico...
Este curso foi uma das melhores decisões da minha vida, pelo que tenho aprendido, pelo convívio com professores que são grandes pensadores e pela fraternidade com colegas que deixam saudades quando regressamos a casa.
Este fim de semana a chuva perseguiu-nos na ida e no regresso. Muita. O Baixo Alentejo parece um poema de Camões. "Verdes são os campos..."
Luís Filipe Maçarico (texto e fotos)

domingo, fevereiro 01, 2009

Museu Islâmico de Mértola
















Este sábado, o professor Santiago Macias apresentou aos alunos do Mestrado "Portugal Islâmico e o Mediterrâneo", o Museu Islâmico de Mértola. Com alucidez e o arrebatamento que reconhecemos a Cláudio Torres, ouvimo-lo uma vez dizer que quem pretenda conhecer o que foi o Al-Andalus neste território, não precisa de ir às Bibliotecas do Cairo, mas a Mértola, a este Museu.
Desde a concepção do espaço à mostra de objectos que são magníficos tesouros do património português, descobertos nas escavações de três décadas de trabalho entusiástico, que acrescentaram conhecimento à Comunidade, foi muito bom fazer esta viagem, através de uma aula inesquecível.

Visitei várias vezes este Museu, mas nunca tinha tido a possibilidade de o desvendar pela experiência de um dos protagonistas, que o idealizaram e concretizaram.

As fotografias são apenas um ténue aliciante para, quando se embrenharem nas ruelas antigas de Mértola, não perderem a magia da História, através das memórias que cada utensílio evoca.

Texto e fotografias de Luís Filipe Maçarico